Ordens no Day Trade: tipos, execução e consequências práticas

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

O que é uma ordem e por que ela muda o seu risco

Ordem é a instrução que você envia ao mercado para comprar ou vender um ativo. No day trade, o tipo de ordem define como você entra e sai, e isso afeta diretamente: (1) a chance de execução, (2) o preço final (slippage), (3) o controle de perdas e (4) o risco de “ficar preso” em uma posição por falta de liquidez.

Na prática, toda ordem tenta equilibrar dois objetivos que competem entre si:

  • Garantir execução (sair/entrar de qualquer jeito) — normalmente com ordem a mercado.
  • Controlar preço (não pagar/vender pior do que você aceita) — normalmente com ordem limitada.

Ao longo do capítulo, considere sempre três perguntas antes de enviar uma ordem: qual é meu preço máximo/mínimo aceitável? qual é a urgência? qual é a liquidez do ativo agora?

Leitura rápida do book: o que importa para entender execução

Sem entrar em detalhes avançados, pense no book como duas filas:

  • Compradores (bid): ofertas para comprar, com seus preços e quantidades.
  • Vendedores (ask): ofertas para vender, com seus preços e quantidades.

O melhor bid e o melhor ask formam o “miolo” (spread). A execução acontece quando sua ordem “bate” no lado oposto (agressão) ou quando alguém bate na sua (passiva).

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Ordem a mercado (Market): execução primeiro, preço depois

Conceito

A ordem a mercado executa imediatamente contra as melhores ofertas disponíveis no book. Ela prioriza ser executada, não o preço.

Quando faz sentido (controle de risco)

  • Saída de emergência: quando você precisa zerar a posição rapidamente (por exemplo, rompimento contra você, aumento súbito de volatilidade, erro operacional).
  • Stop “duro” em ativos muito líquidos: quando o risco de não executar é pior do que o risco de alguns centavos/pontos de slippage.

Consequências práticas (cenário)

Cenário 1 — slippage por spread/volatilidade: você está comprado e decide vender a mercado. O melhor bid está em 100,00 com pouca quantidade; abaixo dele há 99,95 e 99,90. Se sua quantidade for maior que a disponível em 100,00, parte executa em 100,00 e o restante “varre” níveis inferiores, piorando o preço médio.

Cenário 2 — baixa liquidez: em um ativo com book raso, uma ordem a mercado pode atravessar vários níveis e gerar um preço médio muito pior do que o esperado.

Erros comuns e como evitar

  • Usar mercado em baixa liquidez: evite em ativos com spread grande e pouca profundidade. Prefira limitada ou reduza tamanho.
  • Enviar mercado com tamanho grande: quebre em partes (se sua corretora/roteamento permitir) ou use limite agressivo (explicado adiante).

Ordem limitada (Limit): preço controlado, execução incerta

Conceito

Você define o preço máximo que aceita pagar (compra) ou o preço mínimo que aceita receber (venda). A ordem só executa naquele preço ou melhor.

Quando faz sentido (controle de risco)

  • Entradas planejadas: quando você quer um ponto específico e aceita perder a oportunidade se não bater.
  • Saídas com alvo: take profit com preço definido.
  • Reduzir slippage em momentos de spread maior.

Passo a passo prático (entrada e saída)

  1. Defina o ponto: exemplo: comprar se voltar para 100,10.
  2. Escolha o preço limite: 100,10 (ou um pouco mais agressivo se quiser aumentar chance de execução).
  3. Defina quantidade coerente com o book (evite ser grande demais para o nível).
  4. Acompanhe o status: se ficar “na fila”, você pode: manter, cancelar, ou ajustar.

Consequências práticas (cenários)

Cenário 1 — não executa: você coloca compra limitada em 100,10, mas o preço só cai até 100,11 e volta a subir. Resultado: você fica de fora.

Cenário 2 — execução parcial: você compra 1.000 unidades a 100,10, mas só existem 300 disponíveis naquele preço. Executa 300 e os 700 restantes ficam pendentes na fila (podem executar depois, ou não).

Cenário 3 — limite “fora do book”: você coloca venda limitada muito acima do preço atual (por exemplo, 101,50 quando o mercado está 100,20/100,21). A ordem fica parada e não ajuda em uma saída urgente.

Erros comuns e como evitar

  • Limite longe demais para “não pagar caro”: em entradas, isso pode virar “não entrar nunca”. Ajuste com base no spread e na sua urgência.
  • Usar limitada como stop (para sair de prejuízo): em movimento rápido, pode não executar e o prejuízo aumentar.

Ordem stop (Stop Market): gatilho + execução a mercado

Conceito

A ordem stop fica “armada” e só vira uma ordem de execução quando o preço atinge um preço de disparo (trigger). No stop market, ao disparar, ela vira uma ordem a mercado.

Quando faz sentido (controle de risco)

  • Stop loss para limitar perda: você aceita slippage para garantir saída.
  • Entrada por rompimento: entrar quando o preço superar um nível, priorizando execução.

Passo a passo prático (stop loss)

  1. Defina o ponto de invalidação: onde sua ideia de trade “não faz mais sentido”.
  2. Escolha o trigger: exemplo: se perder 99,90, quero sair.
  3. Configure stop market: venda stop com trigger em 99,90 (para posição comprada).
  4. Revise tamanho: o tamanho deve caber na liquidez do ativo para reduzir slippage.

Consequências práticas (cenários)

Cenário 1 — gap/varrida: você está comprado, stop em 99,90. Sai uma notícia e o preço “pula” de 99,95 direto para 99,70. O stop dispara e executa a mercado perto de 99,70 (ou pior), gerando slippage maior do que o planejado.

Cenário 2 — disparo por ruído: o preço encosta em 99,90 por um instante e volta. Seu stop executa e você sai antes do movimento a favor.

Erros comuns e como evitar

  • Stop mal posicionado (muito curto): colocar o stop no “meio do barulho” aumenta chance de ser estopado por oscilação normal. Use um ponto técnico/estrutural (ex.: abaixo de um fundo relevante) e compatível com sua tolerância de risco.
  • Stop óbvio demais: níveis muito evidentes podem concentrar ordens. Não é para “inventar” stop, mas vale evitar colocar exatamente no número redondo se isso não fizer sentido técnico.
  • Não considerar slippage: em ativos/horários mais voláteis, planeje uma folga (risco adicional) ou reduza tamanho.

Ordem stop-limit: gatilho + execução limitada

Conceito

No stop-limit, ao atingir o trigger, sua ordem vira uma ordem limitada com um preço limite definido. Você controla o pior preço aceito, mas pode não executar.

Quando faz sentido (controle de risco)

  • Evitar slippage extremo em ativos com spread grande, aceitando o risco de não sair.
  • Entradas por rompimento com controle de preço: você quer entrar no rompimento, mas não aceita pagar muito acima.

Passo a passo prático (stop-limit de saída)

  1. Defina o trigger: exemplo: vender se bater 99,90.
  2. Defina o limite: exemplo: vender no mínimo a 99,85.
  3. Entenda o intervalo: entre 99,90 (disparo) e 99,85 (pior preço aceito), você está dizendo “aceito escorregar até aqui, mas não além”.

Consequências práticas (cenários)

Cenário 1 — não executa em queda rápida: o preço cai de 99,95 para 99,70. O stop dispara em 99,90, mas sua venda limitada em 99,85 não encontra compradores nesse nível. Resultado: você continua posicionado enquanto o mercado cai.

Cenário 2 — execução parcial: dispara e executa parte em 99,85, mas falta liquidez para o restante. Você fica com posição residual sem perceber se não monitorar.

Erro comum e como evitar

  • Usar stop-limit como “garantia” de stop loss: ele não garante saída. Se sua prioridade é limitar dano com alta probabilidade de zeragem, prefira stop market (ou reduza tamanho/evite o ativo).

OCO e ordens encadeadas: automatizando saída com alvo e stop

Conceito

OCO (One Cancels the Other) é um conjunto de duas ordens ligadas: normalmente alvo (limit) e stop (stop market ou stop-limit). Quando uma executa, a outra é cancelada automaticamente. Ordens encadeadas (bracket) seguem a mesma lógica: ao entrar, você já deixa programadas as saídas.

Quando faz sentido (controle de risco)

  • Disciplina operacional: evita esquecer stop ou alvo.
  • Reduz erro manual em momentos de volatilidade.
  • Padronização: cada trade já nasce com risco e retorno definidos.

Passo a passo prático (exemplo numérico)

Você compra a 100,20 e quer: stop em 99,90 e alvo em 100,80.

  1. Entrada: compra (limit ou market, conforme seu plano).
  2. Monte o OCO: (a) venda limitada em 100,80 (alvo) e (b) venda stop market com trigger em 99,90 (stop).
  3. Confira quantidades: as duas pernas devem ter a mesma quantidade da posição (ou a quantidade que você quer proteger).
  4. Monitore execução parcial: se a entrada executou parcial, ajuste o OCO para não ficar com ordens maiores do que sua posição.

Consequências práticas (cenários)

Cenário 1 — entrada parcial + OCO cheio: você tentou comprar 1.000, executou 400. Se o OCO ficar com 1.000, você pode acabar com ordens de venda maiores que sua posição (risco de ficar “vendido” dependendo das regras do ambiente). A prática correta é ajustar o OCO para 400 (ou usar recurso que vincule automaticamente ao executado).

Cenário 2 — alvo executa parcial: sua venda limitada no alvo pega 600 de 1.000 e o mercado volta. Se o OCO não for bem gerenciado, você pode ficar com stop apenas para parte da posição ou com stop cancelado indevidamente. O ideal é garantir que o stop permaneça protegendo o restante (ou usar OCO com suporte a parcial, conforme disponível).

Execução parcial, não execução e preço pior: como isso aparece no seu resultado

1) Execução parcial

Acontece quando não há quantidade suficiente no preço que você pediu (limit) ou quando sua ordem “varre” níveis (market) e não preenche tudo no primeiro nível. Isso muda seu preço médio e pode bagunçar o gerenciamento de risco se você não ajustar stops/alvos para o tamanho real.

Checklist rápido:

  • Conferir quantidade executada vs. enviada.
  • Recalcular preço médio da posição.
  • Ajustar stop/alvo para a quantidade correta.

2) Não execução

Mais comum em ordens limitadas e stop-limit. Você escolhe preço, mas o mercado pode não voltar lá (entrada) ou pode atravessar rápido demais (saída).

Checklist rápido:

  • Se a ordem é de proteção (stop), priorize execução (stop market) em vez de preço.
  • Se a ordem é de oportunidade (entrada), aceite ficar de fora quando o preço não vier.

3) Execução com preço pior (slippage)

Slippage é a diferença entre o preço esperado e o preço executado, comum em ordens a mercado e em stops (porque stop market vira mercado ao disparar). Ele aumenta com: spread maior, book raso, volatilidade e tamanho grande.

Como reduzir:

  • Operar ativos/horários com melhor liquidez.
  • Evitar mercado em momentos de spike.
  • Diminuir tamanho ou fracionar.
  • Usar limite agressivo quando a urgência é moderada (ex.: comprar no ask com limite no ask, em vez de market).

Erros comuns (e como corrigir) em formato de cenários

Erro 1 — Stop mal posicionado (curto demais)

Sintoma: você é estopado repetidamente por pequenas oscilações e o preço volta a favor.

Correção prática:

  • Posicione o stop no ponto que invalida a ideia (ex.: abaixo de um fundo/nível), não no ponto “que dói menos”.
  • Se o stop técnico fica longe demais para seu risco máximo, a correção é reduzir tamanho ou não fazer o trade.

Erro 2 — Ordem a mercado em baixa liquidez

Sintoma: preço médio muito pior do que o visto na tela; slippage grande.

Correção prática:

  • Trocar por limit (para entrada/saída não urgente) ou por stop market com tamanho menor (para proteção).
  • Checar spread e profundidade antes de enviar.

Erro 3 — Limite fora do book (ordem “inútil”)

Sintoma: você coloca uma ordem limitada muito distante e ela não participa do fluxo; quando precisa sair, já é tarde.

Correção prática:

  • Para alvo, ok ficar distante (é intencional). Para saída de risco, não use limite distante: use stop (market) ou stop-limit com intervalo realista.
  • Se a intenção era entrar, aproxime o limite do preço atual ou aceite que é uma ordem “de oportunidade” e pode não executar.

Erro 4 — Stop-limit apertado demais

Sintoma: o stop dispara, mas não executa; você fica preso na posição em movimento contra.

Correção prática:

  • Se a prioridade é sair, prefira stop market.
  • Se usar stop-limit, defina um limite com folga compatível com a volatilidade (um intervalo que faça sentido para o ativo).

Erro 5 — OCO mal configurado (quantidade errada ou pernas invertidas)

Sintoma: sobra ordem aberta após execução, ou a ordem de stop fica sem proteger a posição.

Correção prática:

  • Antes de enviar, conferir: lado (compra/venda), quantidade, trigger e preço limite.
  • Após execução parcial, ajustar imediatamente as ordens vinculadas.

Tabela-resumo: qual ordem usar em cada intenção

IntençãoOrdem mais comumVantagemRisco principal
Entrar com preço específicoLimitControla preçoPode não executar
Entrar no rompimento com urgênciaStop MarketAlta chance de execuçãoSlippage
Sair no alvoLimitPreço definidoPode executar parcial
Stop loss (proteção)Stop MarketPrioriza zeragemSlippage em movimento rápido
Stop com controle de pior preçoStop-LimitLimita slippagePode não executar
Automatizar alvo + stopOCO/EncadeadasDisciplina e menos erro manualConfiguração/ajuste em parcial

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao montar uma saída de proteção no day trade, em qual situação faz mais sentido priorizar a execução (mesmo com risco de slippage) em vez do controle exato de preço?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em saídas de emergência/stop loss, a prioridade é zerar a posição com alta probabilidade. Ordens que priorizam execução reduzem o risco de não sair, embora possam gerar slippage em volatilidade ou baixa liquidez.

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