O que é o book de ofertas (Livro de Ofertas)
O book de ofertas é a “fila” de ordens limitadas (preço definido) que estão aguardando execução em um ativo. Ele mostra, em cada nível de preço, quantas unidades (contratos/ações) estão disponíveis para compra e para venda naquele momento. Na prática, o book ajuda a visualizar onde existe liquidez e onde o mercado pode “andar mais rápido” por falta de ordens.
O book não é uma previsão do futuro: ele é um retrato do que está exposto agora. Essas ordens podem ser executadas, canceladas ou reposicionadas em frações de segundo.
Bid e Ask (compra e venda)
- Bid: melhor preço (mais alto) que alguém está disposto a comprar agora. Também chamado de “melhor compra”.
- Ask: melhor preço (mais baixo) que alguém está disposto a vender agora. Também chamado de “melhor venda”.
- Spread: diferença entre o melhor ask e o melhor bid. Ex.: bid 100,00 e ask 100,02 → spread de 0,02.
Quando o spread é pequeno, costuma haver mais competição e liquidez no topo do book. Quando o spread aumenta, o custo de entrar e sair “a mercado” tende a ficar maior e o preço pode saltar com mais facilidade.
Filas, prioridade e profundidade
Como funcionam as filas (prioridade preço-tempo)
Em geral, a execução segue a lógica de prioridade por preço e, dentro do mesmo preço, prioridade por tempo:
- Preço: quem oferece melhor preço tem preferência (comprador mais alto; vendedor mais baixo).
- Tempo: no mesmo preço, quem chegou primeiro tende a ser executado primeiro.
Isso cria a ideia de “estar na fila”: se há 5.000 unidades na compra em 100,00 antes da sua ordem, você só será executado depois que essas 5.000 forem consumidas (total ou parcialmente), a menos que novas ordens entrem na frente por terem preço melhor.
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Profundidade do book
Profundidade é o volume distribuído em vários níveis de preço (não apenas no melhor bid/ask). Um book “profundo” tem bastante volume em vários níveis; um book “raso” tem pouco volume e pode permitir movimentos mais bruscos com ordens relativamente pequenas.
| Lado | Preço | Qtde |
|---|---|---|
| Ask | 100,02 | 800 |
| Ask | 100,03 | 1.200 |
| Ask | 100,04 | 2.500 |
| Bid | 100,00 | 1.500 |
| Bid | 99,99 | 2.000 |
| Bid | 99,98 | 3.000 |
No exemplo, há mais “parede” de compra abaixo (99,98–100,00) do que de venda acima (100,02–100,04), mas isso não garante direção: essas ordens podem sumir (cancelamento) ou ser consumidas rapidamente (agressão).
Agressões e como o preço se forma
Encontro de ordens: quem “atravessa” o spread move o preço
O preço negociado se forma quando uma ordem agressora encontra uma ordem passiva no book:
- Ordem passiva: fica no book esperando (ex.: compra limitada em 100,00).
- Ordem agressora: aceita o preço disponível do outro lado para executar agora (ex.: compra que pega o ask, ou venda que pega o bid).
Regra prática: o preço tende a subir quando compras agressoras consomem o lado do ask (as ofertas de venda vão sendo “comidas” e o melhor ask vai subindo). O preço tende a cair quando vendas agressoras consomem o lado do bid.
Exemplo funcional de formação de preço (passo a passo)
Imagine o topo do book:
- Bid: 100,00 com 1.500
- Ask: 100,02 com 800
Passo 1: entra uma compra agressora de 500. Ela executa em 100,02 contra o ask (800). O ask em 100,02 cai para 300.
Passo 2: entra outra compra agressora de 400. Ela consome os 300 restantes em 100,02 e ainda precisa de 100. Então ela “sobe” para o próximo nível de venda (por exemplo, 100,03) e executa o restante lá.
Resultado: o melhor ask pode virar 100,03 (ou mais alto), e o último preço negociado passa a refletir esse consumo. O preço “anda” porque o nível anterior foi esvaziado.
O mesmo raciocínio vale para quedas: vendas agressoras que consomem o bid “descem” nível a nível.
Leitura funcional do book: o que observar sem “adivinhar”
Para iniciantes, a leitura mais útil do book é operacional: entender onde há liquidez, onde o mercado pode travar e onde pode acelerar. O objetivo não é prever cada tick, e sim reduzir surpresas (slippage, entradas ruins, saídas difíceis).
1) Identificar liquidez (facilidade de entrar/sair)
Sinais comuns de liquidez:
- Spread estreito (topo do book “colado”).
- Boa quantidade no bid e no ask próximos do preço atual.
- Vários níveis preenchidos (profundidade consistente).
Uso prático: em ambiente mais líquido, ordens tendem a executar com menos “pulo” de preço. Em ambiente menos líquido, qualquer ordem um pouco maior pode atravessar vários níveis.
2) Encontrar regiões de congestionamento (acúmulo de ordens)
Congestionamento é quando há acúmulo visível de ordens em certos preços (muitas unidades concentradas). Isso pode funcionar como:
- Zona de atrito: o preço demora a passar porque precisa consumir muito volume.
- Ponto de decisão: se o volume for consumido, o preço pode acelerar para o próximo “vazio” do book.
Leitura funcional: em vez de interpretar como “suporte/resistência garantidos”, trate como custo de atravessar. Quanto maior a fila, maior o esforço necessário (agressão) para romper.
3) Reconhecer momentos em que o spread alarga
O spread tende a alargar quando:
- Há retirada de ordens do topo (cancelamentos), deixando um “buraco”.
- O mercado entra em movimento rápido e o topo não consegue se recompor.
- Existe incerteza e os participantes exigem mais “margem” para cotar.
Impacto prático: spread maior aumenta o custo implícito de execução imediata. Se você entra e sai com agressão em spread largo, pode começar a operação “devendo” vários ticks.
Passo a passo prático: como usar o book como apoio
Checklist rápido antes de tomar uma decisão
Passo 1 — Olhe o spread
- Está estreito ou largo para o padrão do ativo?
- Se estiver largo, considere reduzir tamanho, evitar agressão ou esperar recomposição.
Passo 2 — Observe o topo e os 3–5 níveis seguintes
- Há volume “normal” dos dois lados?
- Existe algum nível com volume muito acima do restante (possível congestionamento)?
Passo 3 — Compare a velocidade de mudança
- As quantidades ficam estáveis por alguns segundos ou “piscam” (entram e somem)?
- Book muito instável reduz a confiabilidade da leitura.
Passo 4 — Planeje a execução
- Se você precisa entrar com precisão, prefira pensar em onde faz sentido ficar passivo (na fila) e onde faz sentido aceitar pagar o spread.
- Se o book está raso, aceite que a execução pode ter desvio e evite “perseguir” preço.
Exemplo prático: evitando entrada ruim em spread alargado
Você vê o preço oscilando e pensa em comprar “agora”. No topo:
- Bid: 100,00
- Ask: 100,05
O spread está 5 centavos (ou vários ticks, dependendo do ativo), e os níveis intermediários estão vazios. Leitura funcional:
- Se você comprar agredindo, entra em 100,05.
- Se precisar sair rápido, pode ter que vender em 100,00 (ou pior), realizando imediatamente o custo do spread.
Ação prática para iniciante: esperar o spread estreitar (ex.: ask voltar para 100,02) ou reduzir o tamanho e aceitar que a operação precisa de mais “folga” para compensar o custo de execução.
Limites e armadilhas do book (o que pode enganar)
Spoofing e ordens que “aparecem e somem”
Spoofing é a prática (ilegal em muitos mercados) de colocar ordens grandes para induzir percepção de oferta/demanda e depois cancelar antes de executar. Mesmo sem spoofing intencional, há participantes que reposicionam ordens rapidamente, criando “paredes” que não seguram o preço.
Como isso afeta você: uma grande quantidade no bid pode desaparecer quando o preço chega perto, e o movimento pode continuar caindo.
Mudanças rápidas e “book piscando”
Em momentos de volatilidade, o book muda tão rápido que a leitura visual vira atraso. Você toma decisão olhando um cenário que já não existe.
Sinal de alerta: níveis mudando a cada instante, topo alternando rapidamente e spread abrindo/fechando sem estabilidade.
Latência e diferença entre o que você vê e o que executa
Latência é o atraso entre o mercado e a sua tela/ordem. Para o iniciante, isso significa que:
- Você pode ver uma quantidade no ask, mas quando envia a ordem ela já foi consumida/cancelada.
- Você pode tentar “pegar” um preço no bid/ask e acabar executando em níveis piores.
Implicação prática: não baseie seu plano em “vou executar exatamente naquele lote do topo”. Planeje com margem para escorregamento.
O book não mostra tudo (liquidez oculta e intenção)
O book mostra ordens expostas, mas não revela completamente:
- Intenção real (ordens podem ser reposicionadas).
- Liquidez não exibida (dependendo das regras do mercado e do tipo de participante).
- Motivo por trás das agressões (hedge, arbitragem, rebalanceamento).
Como um iniciante deve usar o book: apoio, não certeza
- Use o book para avaliar condições de execução: spread, profundidade e risco de slippage.
- Use para localizar zonas de atrito (congestionamentos) e evitar entrar “no meio” de um vazio de liquidez.
- Evite decisões baseadas em uma única “parede” de ordens; prefira observar consistência (se o volume permanece) e comportamento (se é consumido ou cancelado).
- Quando o book estiver instável, trate como ambiente de maior risco operacional: reduza tamanho, seja mais seletivo e aceite que a leitura tem baixa confiabilidade.