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Bombeiros Militares: Guia Completo de Preparação para Concursos Públicos

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21 páginas

Defesa Civil, gestão de desastres e resposta a emergências para Bombeiros Militares

Capítulo 13

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Conceitos fundamentais: Defesa Civil, desastre e emergência

Defesa Civil é o conjunto de ações permanentes para reduzir riscos e danos associados a eventos adversos, protegendo vidas, patrimônio e o meio ambiente. Para provas e para a prática operacional, é essencial diferenciar:

  • Ameaça (perigo): evento potencialmente danoso (chuva intensa, encosta instável, vendaval).
  • Vulnerabilidade: fragilidades que aumentam o impacto (ocupação irregular, drenagem deficiente, moradias precárias, população sem rotas de fuga).
  • Exposição: pessoas e bens localizados na área ameaçada.
  • Risco: combinação de ameaça, vulnerabilidade e exposição (quanto maior a vulnerabilidade e a exposição, maior o risco).
  • Emergência: situação crítica que exige resposta imediata, mas com capacidade local ainda suficiente.
  • Desastre: evento que causa danos e prejuízos além da capacidade de resposta local, exigindo reforços e coordenação ampliada.

Ciclo de gestão de riscos: prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação

Em concursos, o ciclo costuma ser cobrado como um processo contínuo. O Bombeiro Militar atua em diferentes fases, com foco operacional mais intenso na preparação e na resposta, mas precisa compreender todas.

1) Prevenção

Objetivo: evitar que o desastre ocorra, reduzindo a probabilidade do evento ou impedindo a exposição.

  • Vistorias e interdições preventivas em áreas de risco iminente (ex.: encosta com sinais de instabilidade).
  • Ações educativas e orientação comunitária (rotas de fuga, pontos de encontro, comportamento seguro).
  • Apoio técnico a planos municipais (mapeamento e regras de ocupação).

2) Mitigação

Objetivo: reduzir impactos quando o evento ocorrer.

  • Medidas estruturais: drenagem, contenção de encostas, limpeza de canais (em articulação com órgãos competentes).
  • Medidas não estruturais: sinalização de áreas de risco, protocolos de evacuação, definição de abrigos.

3) Preparação

Objetivo: elevar a prontidão para responder com rapidez e coordenação.

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  • Planos de contingência e planos de resposta (quem faz o quê, quando e como).
  • Treinamentos, simulados, checagem de equipamentos e comunicações.
  • Cadastro e pré-definição de abrigos temporários e rotas de acesso.

4) Resposta

Objetivo: salvar vidas, reduzir danos e estabilizar a situação.

  • Busca e salvamento, evacuação, isolamento de áreas, primeiros atendimentos e apoio humanitário inicial.
  • Gestão de informações: situação, necessidades, recursos, prioridades.
  • Coordenação interagências e acionamento de reforços.

5) Recuperação

Objetivo: restabelecer serviços essenciais e condições mínimas de normalidade, incorporando lições aprendidas.

  • Vistorias pós-evento e avaliação de danos (em conjunto com Defesa Civil e demais órgãos).
  • Desmobilização segura, recomposição de estoques e manutenção.
  • Relatórios operacionais e revisão de planos.

Mapeamento de ameaças e vulnerabilidades: como ler e produzir informação útil

Mapeamento, em provas, aparece como ferramenta central para reduzir riscos. Na prática, o Bombeiro Militar precisa saber coletar sinais, registrar e transformar em decisão.

Elementos do mapeamento

  • Identificação da ameaça: tipo (inundação, deslizamento, vendaval), frequência, gatilhos (chuva acumulada, rajadas, maré).
  • Inventário de vulnerabilidades: moradias em talude, ausência de drenagem, pontes estreitas, áreas sem iluminação, população idosa.
  • Capacidades locais: recursos disponíveis (viaturas, botes, motosserras, rádios), pontos de apoio, equipes treinadas.
  • Rotas e pontos críticos: vias que alagam, pontes com risco de colapso, acessos alternativos, locais de helicóptero (se aplicável).
  • Pontos seguros: áreas altas, escolas/ginásios aptos a abrigo, pontos de encontro.

Passo a passo prático: reconhecimento rápido de área de risco (RRA)

  1. Preparar: consultar previsões/alertas, mapas locais, ocorrências anteriores e definir objetivo (ex.: verificar risco de transbordamento em bairro ribeirinho).

  2. Chegar e observar: identificar sinais de agravamento (nível de água, velocidade da correnteza, trincas em solo, árvores inclinadas, destelhamentos).

  3. Delimitar: marcar mentalmente (ou com fita/cones quando possível) zonas de perigo, zona morna e zona segura.

  4. Registrar: anotar local, horário, fotos, coordenadas, número estimado de residências/pessoas expostas e acessos.

  5. Comunicar: repassar ao comando/COE (Centro de Operações) com linguagem objetiva: “o quê, onde, quando, impacto, necessidade”.

  6. Recomendar ação: evacuação preventiva, interdição, acionamento de máquinas, abertura de abrigo, reforço de equipes.

Exemplo: após 80 mm de chuva em 24h, equipe identifica surgimento de trincas no solo e água barrenta escorrendo pela encosta (indício de movimentação). A recomendação técnica-operacional tende a ser evacuação preventiva e isolamento da área, com acionamento de Defesa Civil e engenharia municipal.

Sistemas de alerta e alarme: do monitoramento à evacuação

Alertas são mecanismos para antecipar ações. Em provas, é comum a cobrança de que alerta não é evacuação automática: ele dispara procedimentos previstos em plano.

Componentes de um bom sistema de alerta

  • Monitoramento: pluviômetros, níveis de rios, radar meteorológico, observação de campo, relatos comunitários.
  • Critérios de acionamento: limiares (chuva acumulada, cota do rio, rajadas), sinais de instabilidade.
  • Disseminação: sirenes, SMS, rádio, viaturas com alto-falante, redes institucionais.
  • Resposta da população: rotas, pontos de encontro, abrigos, pessoas de referência na comunidade.

Passo a passo prático: protocolo simplificado de alerta para inundação

  1. Confirmar dado: checar nível do rio e tendência (subindo/estável/baixando) e previsão de chuva.

  2. Classificar: atenção (monitorar), alerta (preparar evacuação), alerta máximo (evacuar) conforme plano local.

  3. Disseminar: mensagem curta com ação esperada: “retirar documentos, desligar energia, deslocar para ponto X”.

  4. Mobilizar recursos: botes, cordas, EPI, viaturas, equipe de abrigo, apoio de trânsito.

  5. Evacuar por prioridade: acamados, idosos, crianças, pessoas com deficiência, áreas mais baixas.

  6. Controlar acesso: impedir retorno prematuro e curiosos em área alagada.

Abrigamento temporário: organização, triagem e segurança

Abrigo temporário é uma medida de proteção social e de saúde pública. Em provas, costuma aparecer como responsabilidade compartilhada, exigindo do Bombeiro Militar noções de segurança, fluxo e coordenação.

Critérios básicos para escolha de abrigo

  • Fora da área de risco (sem possibilidade de alagamento, queda de barreira ou destelhamento).
  • Acesso viário e possibilidade de chegada de suprimentos.
  • Espaço para triagem, dormitórios, alimentação e área para crianças.
  • Ventilação, banheiros, água potável e energia (ou alternativa).
  • Segurança: controle de entrada/saída e prevenção de conflitos.

Passo a passo prático: montagem de fluxo de abrigo

  1. Recepção e cadastro: identificação, origem, contato, necessidades especiais.

  2. Triagem rápida: sinais de doença, ferimentos, necessidade de medicação contínua.

  3. Encaminhamentos: saúde, assistência social, área de descanso, área infantil.

  4. Regras e comunicação: horários, higiene, proibição de áreas restritas, pontos de informação.

  5. Segurança e prevenção: rotas de saída, extintores, controle de gás/cozinha, iluminação de emergência.

  6. Gestão de suprimentos: entrada, estoque, distribuição e registro.

Exemplo: em vendaval com destelhamentos, famílias chegam com poucos pertences. A prioridade é cadastro, separação de casos de saúde (asma, hipertensão), área segura para crianças e controle de acesso para evitar superlotação e conflitos.

Comando e coordenação em incidentes: princípios cobrados em provas

Em emergências com múltiplas equipes e órgãos, a eficiência depende de comando unificado, objetivos claros e comunicação padronizada. Em provas, aparecem princípios como:

  • Unidade de comando: cada integrante responde a um superior direto.
  • Escopo de controle: número de subordinados por líder deve ser gerenciável (evita caos).
  • Plano de ação: objetivos, estratégias, recursos e segurança.
  • Terminologia comum: evita ambiguidades entre agências.
  • Gestão por objetivos: prioridades operacionais explícitas.

Estrutura funcional típica (visão prática)

  • Comando: define objetivos e prioridades, aprova plano e coordena com autoridades.
  • Operações: executa salvamento, evacuação, isolamento, busca, resgate.
  • Planejamento: consolida informações, projeta cenários, elabora plano e mapa de situação.
  • Logística: suprimentos, combustível, alimentação, alojamento, manutenção, comunicações.
  • Administração/finanças: registros, custos, contratos (quando aplicável).

Passo a passo prático: primeiros 30 minutos de comando no local

  1. Assumir e anunciar o comando: identificar-se no rádio e definir ponto de comando.

  2. Dimensionar: o que aconteceu, área afetada, vítimas, riscos secundários (energia, gás, deslizamento).

  3. Estabelecer objetivos imediatos: salvar vidas, isolar área, evacuar, estabilizar.

  4. Definir setores: operações (resgate), segurança, evacuação, abrigo, trânsito.

  5. Solicitar recursos: conforme lacunas (botes, cães, retroescavadeira, ambulâncias, apoio policial).

  6. Comunicação e relatório: atualizar central/COE com quadro de situação e necessidades.

Logística básica em desastres: o mínimo que cai e o mínimo que funciona

Logística é o “motor invisível” da resposta. Em provas, costuma ser cobrada como capacidade de prover recursos certos no tempo certo.

Itens logísticos essenciais (checklist operacional)

  • Pessoal: escalas, rendição, descanso, hidratação, EPI.
  • Transporte: rotas alternativas, pontos de abastecimento, controle de frota.
  • Suprimentos: água, alimentação, cobertores, lonas, kits de higiene, combustível.
  • Equipamentos: botes, coletes, cordas, motosserras, geradores, iluminação.
  • Manutenção: inspeção e reparo rápido, reposição de consumíveis.

Passo a passo prático: pedido de recursos (requisição objetiva)

1) Situação: o que ocorreu e tendência (piora/estável/melhora) 2) Local: referência e acesso 3) Necessidade: recurso exato (quantidade e tipo) 4) Finalidade: para quê (evacuação, iluminação, corte de árvore) 5) Prazo: imediato/1h/4h 6) Ponto de entrega: onde e quem recebe

Exemplo: “Necessito 02 botes com 04 coletes cada, para evacuação de 30 pessoas em área alagada, acesso pela Rua X, entrega no ponto de comando na Escola Y, imediato.”

Comunicação em emergências: clareza, padronização e redundância

Falhas de comunicação geram duplicidade de esforços e risco às equipes. Em provas, é comum a cobrança de princípios como mensagens curtas, confirmação e redundância (mais de um meio).

Boas práticas

  • Mensagem em formato: o quê/onde/quantos/risco/necessidade.
  • Confirmação: repetir informação crítica (endereço, número de vítimas, ponto de encontro).
  • Canal disciplinado: evitar conversas paralelas; priorizar tráfego essencial.
  • Plano B: se rádio falhar, usar mensageiro, telefonia, ponto de retransmissão.

Modelo de SITREP (relatório de situação) para provas e prática

SITREP 01 - Horário: 14:30 Local: Bairro A Evento: inundação Situação: nível do rio subindo, 3 ruas intransitáveis Vítimas: 0 confirmadas / 12 desalojados Ações: evacuação em andamento, isolamento de área Necessidades: 01 bote, 20 cobertores, apoio de trânsito Riscos: rede elétrica baixa, correnteza forte Próxima atualização: 15:00

Desastres frequentes e procedimentos padronizados

Inundações e enxurradas

Riscos típicos: arrastamento por correnteza, choque elétrico, contaminação da água, colapso de estruturas, buracos ocultos.

  • Procedimento padronizado: isolar área alagada, cortar/solicitar corte de energia quando necessário, evacuar por prioridade, usar colete e linha de vida quando aplicável, evitar travessia a pé em correnteza.
  • Pontos de prova: diferença entre inundação (transbordamento gradual) e enxurrada (escoamento rápido e violento); importância de não permitir curiosos e de manter rotas de evacuação.

Passo a passo prático: evacuação em área alagada (nível básico)

  1. Reconhecer: profundidade, correnteza, obstáculos, risco elétrico.

  2. Definir método: a pé apenas se seguro e raso; bote quando houver correnteza/profundidade; corda/linha de vida quando necessário.

  3. Priorizar: vulneráveis primeiro; separar animais quando houver protocolo local.

  4. Orientar: documentos, medicação, desligar disjuntores se possível e seguro.

  5. Conduzir: ponto seguro/abrigo; registrar removidos e endereços.

Deslizamentos e movimentos de massa

Sinais de alerta: trincas no solo e paredes, portas/janelas emperrando, postes inclinados, água barrenta surgindo, estalos, árvores inclinadas, degraus no terreno.

  • Procedimento padronizado: evacuação preventiva diante de sinais claros, isolamento amplo (risco de deslizamento secundário), proibição de permanência em sopé de encosta, atenção a chuva persistente.
  • Pontos de prova: risco residual (novo deslizamento), necessidade de perímetro de segurança e acionamento de avaliação técnica.

Passo a passo prático: atuação inicial em suspeita de deslizamento

  1. Parar em local seguro: evitar estacionar em linha de queda.

  2. Isolar: ampliar perímetro considerando volume possível e caminho do material.

  3. Evacuar: retirar moradores imediatamente se houver sinais; orientar para ponto seguro.

  4. Buscar vítimas: somente com avaliação de risco; atenção a instabilidade e chuva.

  5. Acionar apoio: Defesa Civil, engenharia, concessionárias (gás/energia), saúde.

Vendavais e tempestades severas

Riscos típicos: queda de árvores e postes, destelhamentos, objetos projetados, rompimento de cabos, bloqueio de vias.

  • Procedimento padronizado: isolamento de áreas com fiação caída, não tocar em cabos, sinalizar vias, corte de árvores com segurança, priorizar desobstrução de rotas críticas (hospitais, abrigos).
  • Pontos de prova: risco elétrico como prioridade, necessidade de coordenação com concessionária e controle de trânsito.

Passo a passo prático: atendimento a queda de árvore com fiação

  1. Chegada segura: parar distante, avaliar cabos energizados e risco de nova queda.

  2. Isolar e sinalizar: perímetro amplo; impedir aproximação de pedestres.

  3. Comunicar: solicitar concessionária de energia e informar risco imediato.

  4. Somente após liberação: iniciar corte/remoção conforme técnica e EPI adequados.

  5. Restabelecer fluxo: liberar via por etapas, mantendo segurança.

Procedimentos e temas recorrentes em provas: o que memorizar e como aplicar

Prioridades operacionais (ordem lógica)

  • Segurança da equipe (avaliar riscos secundários).
  • Salvar vidas (busca, resgate, evacuação).
  • Estabilizar a cena (isolamento, controle de acesso, corte de riscos).
  • Preservar patrimônio e ambiente (quando não comprometer vidas).

Erros clássicos cobrados em questões

  • Entrar em área de deslizamento sem isolamento e sem avaliação de risco.
  • Permitir circulação em área alagada com risco elétrico.
  • Comunicação vaga (“situação grave”) sem dados objetivos (local, vítimas, necessidade).
  • Abrigo improvisado em área ainda ameaçada (ex.: escola em zona de inundação).
  • Falta de registro de pessoas evacuadas (dificulta reunificação familiar e controle).

Mini-roteiro de estudo (fixação por cenários)

  • Cenário 1: chuva intensa → monitoramento + alerta + evacuação preventiva em encosta com sinais.
  • Cenário 2: rio subindo → isolamento + evacuação por prioridade + abrigo + logística de botes.
  • Cenário 3: vendaval → risco elétrico + desobstrução de vias + abrigo para destelhados.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma ocorrência, qual situação caracteriza um desastre (e não apenas uma emergência) no contexto de Defesa Civil?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Desastre ocorre quando os impactos superam a capacidade de resposta local, demandando reforços e coordenação ampliada. Emergência exige resposta imediata, mas ainda pode ser atendida com recursos locais.

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Prevenção e segurança contra incêndio e pânico para Bombeiros Militares

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