Para que servem as rondas no Plano de Segurança
Rondas e vigilância preventiva são atividades planejadas para reduzir a probabilidade de incidentes e aumentar a capacidade de resposta do local. No Plano de Segurança, elas não existem “por rotina”: precisam ter objetivos explícitos, mensuráveis e conectados ao risco. Quando o objetivo é claro, fica mais fácil definir onde rondar, com que frequência, o que observar, o que registrar e como avaliar se a ronda está funcionando.
Propósitos principais: o que a ronda deve entregar
- Prevenção: reduzir oportunidades de ocorrência (ex.: identificar portas destrancadas, iluminação falha, acesso indevido a áreas restritas).
- Detecção precoce: perceber sinais iniciais antes de virar incidente (ex.: ruído incomum, presença fora do padrão, vazamento, fumaça, falha em equipamento crítico).
- Dissuasão: aumentar a percepção de controle e reduzir intenção de ação indevida (ex.: presença visível em horários e locais sensíveis, variação de rotas e horários dentro de limites definidos).
- Verificação de controles: confirmar se medidas do Plano de Segurança estão operando (ex.: integridade de lacres, funcionamento de fechaduras, status de extintores, barreiras físicas, alarmes, CFTV, sinalização, controle de acesso).
Como alinhar a ronda às políticas internas, normas do local e níveis de risco
Os objetivos da ronda devem ser coerentes com três referências: (1) políticas internas (regras corporativas e procedimentos), (2) normas e regras do local (condomínio, cliente, requisitos legais aplicáveis, regras de acesso e circulação) e (3) níveis de risco (prioridades definidas por criticidade e probabilidade).
Na prática, o alinhamento acontece quando cada objetivo é traduzido em “o que verificar” e “como agir” sem conflito com regras locais. Por exemplo: se a política interna exige controle de chaves e a norma do local restringe circulação em área técnica, a ronda deve prever checkpoints externos e verificação indireta (ex.: conferência de lacres, indicadores de painel, registros de acesso), evitando entradas não autorizadas.
Matriz simples de alinhamento (objetivo x referência)
| Objetivo da ronda | Política interna | Norma/regra do local | Nível de risco | Resultado esperado |
|---|---|---|---|---|
| Verificar portas e acessos | Portas críticas sempre trancadas | Rotas permitidas por turno | Alto (área restrita) | 0 acessos críticos abertos sem autorização |
| Detecção precoce de anomalias | Reportar desvios imediatamente | Uso obrigatório de EPI em área técnica | Médio/alto (equipamentos) | Registro de anomalia + acionamento conforme procedimento |
| Dissuasão em perímetro | Presença ostensiva em horários críticos | Limites de circulação externa | Alto (perímetro vulnerável) | Rondas em janelas críticas + evidência de passagem |
Definição de escopo: onde, quando e até onde a ronda vai
Escopo é o “contrato operacional” da ronda: delimita o que está incluído e o que está fora, evitando lacunas e expectativas irreais. Um escopo bem definido reduz improviso e melhora a consistência do registro.
Componentes do escopo
- Áreas cobertas: setores, andares, perímetro, áreas técnicas, docas, estacionamentos, acessos, áreas de alto valor, rotas de fuga (quando aplicável).
- Turnos e janelas de tempo: horários de maior risco, períodos de menor fluxo, trocas de turno, horários de carga/descarga.
- Limites operacionais: onde o vigilante pode entrar, onde precisa de autorização, o que não pode ser manuseado, limites de abordagem, limites de permanência em áreas sensíveis.
- Condições de exceção: o que muda em dias de evento, obras, manutenção, chuva forte, falta de energia, redução de efetivo.
Exemplo de escopo (modelo prático)
Escopo da Ronda Noturna (22:00–06:00) - Unidade A Áreas incluídas: perímetro externo, portaria, estacionamento, doca, corredor técnico (acesso até a porta), sala de bombas (somente verificação externa), depósitos 1 e 2. Áreas excluídas: sala de servidores (entrada proibida), telhado (somente com autorização do supervisor), interior da sala de bombas (somente manutenção). Limites operacionais: não desligar equipamentos; não abrir painéis; não remover lacres; abordagem apenas verbal e a distância segura; acionar apoio em caso de resistência. Exceções: em dia de manutenção elétrica, incluir checkpoint no gerador a cada 60 min (verificação visual externa + registro).Indicadores de desempenho (KPIs): como medir se a ronda está cumprindo o objetivo
Indicadores transformam objetivos em números e evidências. Eles devem ser simples de coletar durante a rotina e úteis para tomada de decisão (ajustar rota, reforçar treinamento, corrigir controles).
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KPIs recomendados e como calcular
- Conformidade de checkpoints (%): proporção de pontos verificados no período.
(checkpoints realizados / checkpoints planejados) x 100. - Tempo de resposta a achados críticos: tempo entre identificação e primeira ação registrada (acionamento, isolamento, comunicação). Ex.: meta de
< 5 minpara achados de alto risco. - Incidências detectadas por categoria: quantidade de achados (porta aberta, iluminação falha, presença suspeita, falha de barreira, etc.). Ajuda a identificar padrões e áreas problemáticas.
- Taxa de reincidência: achados repetidos no mesmo ponto/controle em um intervalo. Ex.: “porta do Depósito 2 encontrada destrancada 3x na semana”.
- Qualidade do registro (%): registros completos (hora, local, evidência, ação tomada, responsável acionado). Pode ser auditado por amostragem.
- Conformidade de janelas críticas: se rondas ocorreram nos horários de maior risco definidos (ex.: 02:00–04:00 no perímetro).
Exemplo de painel semanal (simples)
| Indicador | Meta | Resultado | Ação sugerida |
|---|---|---|---|
| Conformidade de checkpoints | ≥ 95% | 92% | Revisar tempo de rota e pontos redundantes |
| Tempo de resposta (alto risco) | ≤ 5 min | 3 min | Manter procedimento |
| Reincidência (porta Depósito 2) | 0 | 3 | Acionar responsável do setor + reforçar controle de chaves |
Critérios de sucesso: quando considerar que a ronda está “funcionando”
Critérios de sucesso são condições objetivas que indicam que os objetivos estão sendo atingidos. Eles devem combinar resultado (redução de risco/ocorrências) e processo (execução conforme planejado).
Critérios de sucesso (exemplos práticos)
- Processo: conformidade de checkpoints ≥ 95% por 4 semanas consecutivas.
- Processo: 100% dos achados críticos com ação registrada e comunicação ao responsável em até X minutos.
- Resultado: queda sustentada de reincidência em controles específicos após correções (ex.: iluminação e portas).
- Resultado: redução de incidentes em áreas priorizadas (quando houver histórico) ou manutenção de “zero incidentes” com evidência de verificação contínua.
- Qualidade: auditoria interna encontra ≥ 90% de registros completos e consistentes.
Transformando objetivos em requisitos práticos de execução e registro
Para sair do “objetivo genérico” e chegar na operação, use a lógica: Objetivo → Requisito de execução → Evidência/registro → Indicador. Assim, cada ronda gera prova de que o controle foi verificado e permite medir desempenho.
Modelo de conversão (tabela)
| Objetivo | Requisito de execução (o que fazer) | Evidência/registro (o que anotar) | Indicador |
|---|---|---|---|
| Prevenir acesso indevido | Checar portas, portões e barreiras em pontos críticos | Status (trancado/aberto), foto quando permitido, ação tomada | Reincidência; achados por categoria |
| Detecção precoce | Observar sinais (ruídos, odores, fumaça, vazamentos, pessoas fora do padrão) | Descrição objetiva do sinal + local + horário + acionamento | Tempo de resposta; nº de achados críticos |
| Dissuasão | Garantir presença em janelas críticas e variar sequência dentro do permitido | Horário de passagem por pontos-chave | Conformidade de janelas críticas |
| Verificar controles | Conferir itens definidos (iluminação, lacres, extintores, CFTV visível, alarmes) | Checklist por item + “OK/Não OK” + evidência | Conformidade de checklist; reincidência |
Passo a passo para definir objetivos operacionais da ronda
Liste os riscos prioritários por área e turno (ex.: perímetro à noite, doca no horário de recebimento, área técnica em manutenção).
Escreva objetivos em formato verificável (evite “aumentar segurança”; prefira “verificar integridade de acessos críticos a cada X minutos”).
Para cada objetivo, defina checkpoints e o que observar (ex.: “Portão lateral: tranca, cadeado, iluminação, sinais de violação”).
Defina limites operacionais e regras de exceção (o que não pode ser feito, quando acionar apoio, quando interromper a ronda).
Escolha 3 a 6 indicadores que sejam coletáveis no dia a dia (conformidade, tempo de resposta, reincidência, qualidade do registro).
Defina critérios de sucesso e periodicidade de revisão (semanal/mensal) para ajustar rota, frequência e pontos.
Transforme em requisitos de registro: quais campos são obrigatórios e quais evidências devem existir para cada tipo de achado.
Requisitos mínimos de registro derivados dos objetivos
Para que os objetivos sejam auditáveis, o registro precisa capturar o essencial. Um padrão prático é exigir campos mínimos e regras de preenchimento.
- Campos mínimos: data/hora, local (ponto/área), status (OK/Não OK), descrição objetiva, classificação de criticidade (baixa/média/alta), ação imediata, responsável acionado, horário do acionamento, resultado/encaminhamento.
- Regra de objetividade: registrar fatos observáveis (ex.: “porta sem travamento” em vez de “porta suspeita”).
- Regra de rastreabilidade: cada “Não OK” deve ter ação associada (correção local quando permitido ou acionamento) e, quando aplicável, evidência (foto, número do chamado, nome do responsável).
- Regra de prioridade: achados de alto risco exigem registro imediato e acionamento conforme procedimento do local.
Exemplos de objetivos bem escritos (prontos para uso)
- Objetivo (prevenção): “Garantir que todos os acessos críticos do perímetro estejam íntegros e trancados durante o turno noturno.” Requisito: verificar 8 pontos do perímetro a cada 60–90 min. Registro: status por ponto + ação em caso de não conformidade.
- Objetivo (detecção precoce): “Identificar sinais de falha operacional em áreas técnicas antes de impacto.” Requisito: inspeção visual externa em 5 pontos técnicos por ronda. Registro: anomalia + horário + acionamento.
- Objetivo (dissuasão): “Manter presença visível em janelas críticas no estacionamento e doca.” Requisito: passagem registrada entre 00:00–01:00 e 03:00–04:00. Registro: horário de passagem + observações.
- Objetivo (verificação de controles): “Confirmar diariamente a condição de controles físicos definidos no checklist.” Requisito: checklist por item em pontos definidos. Registro: OK/Não OK + evidência de correção/acionamento.