Objetivos da Ronda e Vigilância Preventiva no Plano de Segurança

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Para que servem as rondas no Plano de Segurança

Rondas e vigilância preventiva são atividades planejadas para reduzir a probabilidade de incidentes e aumentar a capacidade de resposta do local. No Plano de Segurança, elas não existem “por rotina”: precisam ter objetivos explícitos, mensuráveis e conectados ao risco. Quando o objetivo é claro, fica mais fácil definir onde rondar, com que frequência, o que observar, o que registrar e como avaliar se a ronda está funcionando.

Propósitos principais: o que a ronda deve entregar

  • Prevenção: reduzir oportunidades de ocorrência (ex.: identificar portas destrancadas, iluminação falha, acesso indevido a áreas restritas).
  • Detecção precoce: perceber sinais iniciais antes de virar incidente (ex.: ruído incomum, presença fora do padrão, vazamento, fumaça, falha em equipamento crítico).
  • Dissuasão: aumentar a percepção de controle e reduzir intenção de ação indevida (ex.: presença visível em horários e locais sensíveis, variação de rotas e horários dentro de limites definidos).
  • Verificação de controles: confirmar se medidas do Plano de Segurança estão operando (ex.: integridade de lacres, funcionamento de fechaduras, status de extintores, barreiras físicas, alarmes, CFTV, sinalização, controle de acesso).

Como alinhar a ronda às políticas internas, normas do local e níveis de risco

Os objetivos da ronda devem ser coerentes com três referências: (1) políticas internas (regras corporativas e procedimentos), (2) normas e regras do local (condomínio, cliente, requisitos legais aplicáveis, regras de acesso e circulação) e (3) níveis de risco (prioridades definidas por criticidade e probabilidade).

Na prática, o alinhamento acontece quando cada objetivo é traduzido em “o que verificar” e “como agir” sem conflito com regras locais. Por exemplo: se a política interna exige controle de chaves e a norma do local restringe circulação em área técnica, a ronda deve prever checkpoints externos e verificação indireta (ex.: conferência de lacres, indicadores de painel, registros de acesso), evitando entradas não autorizadas.

Matriz simples de alinhamento (objetivo x referência)

Objetivo da rondaPolítica internaNorma/regra do localNível de riscoResultado esperado
Verificar portas e acessosPortas críticas sempre trancadasRotas permitidas por turnoAlto (área restrita)0 acessos críticos abertos sem autorização
Detecção precoce de anomaliasReportar desvios imediatamenteUso obrigatório de EPI em área técnicaMédio/alto (equipamentos)Registro de anomalia + acionamento conforme procedimento
Dissuasão em perímetroPresença ostensiva em horários críticosLimites de circulação externaAlto (perímetro vulnerável)Rondas em janelas críticas + evidência de passagem

Definição de escopo: onde, quando e até onde a ronda vai

Escopo é o “contrato operacional” da ronda: delimita o que está incluído e o que está fora, evitando lacunas e expectativas irreais. Um escopo bem definido reduz improviso e melhora a consistência do registro.

Componentes do escopo

  • Áreas cobertas: setores, andares, perímetro, áreas técnicas, docas, estacionamentos, acessos, áreas de alto valor, rotas de fuga (quando aplicável).
  • Turnos e janelas de tempo: horários de maior risco, períodos de menor fluxo, trocas de turno, horários de carga/descarga.
  • Limites operacionais: onde o vigilante pode entrar, onde precisa de autorização, o que não pode ser manuseado, limites de abordagem, limites de permanência em áreas sensíveis.
  • Condições de exceção: o que muda em dias de evento, obras, manutenção, chuva forte, falta de energia, redução de efetivo.

Exemplo de escopo (modelo prático)

Escopo da Ronda Noturna (22:00–06:00) - Unidade A  Áreas incluídas: perímetro externo, portaria, estacionamento, doca, corredor técnico (acesso até a porta), sala de bombas (somente verificação externa), depósitos 1 e 2.  Áreas excluídas: sala de servidores (entrada proibida), telhado (somente com autorização do supervisor), interior da sala de bombas (somente manutenção).  Limites operacionais: não desligar equipamentos; não abrir painéis; não remover lacres; abordagem apenas verbal e a distância segura; acionar apoio em caso de resistência.  Exceções: em dia de manutenção elétrica, incluir checkpoint no gerador a cada 60 min (verificação visual externa + registro).

Indicadores de desempenho (KPIs): como medir se a ronda está cumprindo o objetivo

Indicadores transformam objetivos em números e evidências. Eles devem ser simples de coletar durante a rotina e úteis para tomada de decisão (ajustar rota, reforçar treinamento, corrigir controles).

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KPIs recomendados e como calcular

  • Conformidade de checkpoints (%): proporção de pontos verificados no período. (checkpoints realizados / checkpoints planejados) x 100.
  • Tempo de resposta a achados críticos: tempo entre identificação e primeira ação registrada (acionamento, isolamento, comunicação). Ex.: meta de < 5 min para achados de alto risco.
  • Incidências detectadas por categoria: quantidade de achados (porta aberta, iluminação falha, presença suspeita, falha de barreira, etc.). Ajuda a identificar padrões e áreas problemáticas.
  • Taxa de reincidência: achados repetidos no mesmo ponto/controle em um intervalo. Ex.: “porta do Depósito 2 encontrada destrancada 3x na semana”.
  • Qualidade do registro (%): registros completos (hora, local, evidência, ação tomada, responsável acionado). Pode ser auditado por amostragem.
  • Conformidade de janelas críticas: se rondas ocorreram nos horários de maior risco definidos (ex.: 02:00–04:00 no perímetro).

Exemplo de painel semanal (simples)

IndicadorMetaResultadoAção sugerida
Conformidade de checkpoints≥ 95%92%Revisar tempo de rota e pontos redundantes
Tempo de resposta (alto risco)≤ 5 min3 minManter procedimento
Reincidência (porta Depósito 2)03Acionar responsável do setor + reforçar controle de chaves

Critérios de sucesso: quando considerar que a ronda está “funcionando”

Critérios de sucesso são condições objetivas que indicam que os objetivos estão sendo atingidos. Eles devem combinar resultado (redução de risco/ocorrências) e processo (execução conforme planejado).

Critérios de sucesso (exemplos práticos)

  • Processo: conformidade de checkpoints ≥ 95% por 4 semanas consecutivas.
  • Processo: 100% dos achados críticos com ação registrada e comunicação ao responsável em até X minutos.
  • Resultado: queda sustentada de reincidência em controles específicos após correções (ex.: iluminação e portas).
  • Resultado: redução de incidentes em áreas priorizadas (quando houver histórico) ou manutenção de “zero incidentes” com evidência de verificação contínua.
  • Qualidade: auditoria interna encontra ≥ 90% de registros completos e consistentes.

Transformando objetivos em requisitos práticos de execução e registro

Para sair do “objetivo genérico” e chegar na operação, use a lógica: Objetivo → Requisito de execução → Evidência/registro → Indicador. Assim, cada ronda gera prova de que o controle foi verificado e permite medir desempenho.

Modelo de conversão (tabela)

ObjetivoRequisito de execução (o que fazer)Evidência/registro (o que anotar)Indicador
Prevenir acesso indevidoChecar portas, portões e barreiras em pontos críticosStatus (trancado/aberto), foto quando permitido, ação tomadaReincidência; achados por categoria
Detecção precoceObservar sinais (ruídos, odores, fumaça, vazamentos, pessoas fora do padrão)Descrição objetiva do sinal + local + horário + acionamentoTempo de resposta; nº de achados críticos
DissuasãoGarantir presença em janelas críticas e variar sequência dentro do permitidoHorário de passagem por pontos-chaveConformidade de janelas críticas
Verificar controlesConferir itens definidos (iluminação, lacres, extintores, CFTV visível, alarmes)Checklist por item + “OK/Não OK” + evidênciaConformidade de checklist; reincidência

Passo a passo para definir objetivos operacionais da ronda

  1. Liste os riscos prioritários por área e turno (ex.: perímetro à noite, doca no horário de recebimento, área técnica em manutenção).

  2. Escreva objetivos em formato verificável (evite “aumentar segurança”; prefira “verificar integridade de acessos críticos a cada X minutos”).

  3. Para cada objetivo, defina checkpoints e o que observar (ex.: “Portão lateral: tranca, cadeado, iluminação, sinais de violação”).

  4. Defina limites operacionais e regras de exceção (o que não pode ser feito, quando acionar apoio, quando interromper a ronda).

  5. Escolha 3 a 6 indicadores que sejam coletáveis no dia a dia (conformidade, tempo de resposta, reincidência, qualidade do registro).

  6. Defina critérios de sucesso e periodicidade de revisão (semanal/mensal) para ajustar rota, frequência e pontos.

  7. Transforme em requisitos de registro: quais campos são obrigatórios e quais evidências devem existir para cada tipo de achado.

Requisitos mínimos de registro derivados dos objetivos

Para que os objetivos sejam auditáveis, o registro precisa capturar o essencial. Um padrão prático é exigir campos mínimos e regras de preenchimento.

  • Campos mínimos: data/hora, local (ponto/área), status (OK/Não OK), descrição objetiva, classificação de criticidade (baixa/média/alta), ação imediata, responsável acionado, horário do acionamento, resultado/encaminhamento.
  • Regra de objetividade: registrar fatos observáveis (ex.: “porta sem travamento” em vez de “porta suspeita”).
  • Regra de rastreabilidade: cada “Não OK” deve ter ação associada (correção local quando permitido ou acionamento) e, quando aplicável, evidência (foto, número do chamado, nome do responsável).
  • Regra de prioridade: achados de alto risco exigem registro imediato e acionamento conforme procedimento do local.

Exemplos de objetivos bem escritos (prontos para uso)

  • Objetivo (prevenção): “Garantir que todos os acessos críticos do perímetro estejam íntegros e trancados durante o turno noturno.” Requisito: verificar 8 pontos do perímetro a cada 60–90 min. Registro: status por ponto + ação em caso de não conformidade.
  • Objetivo (detecção precoce): “Identificar sinais de falha operacional em áreas técnicas antes de impacto.” Requisito: inspeção visual externa em 5 pontos técnicos por ronda. Registro: anomalia + horário + acionamento.
  • Objetivo (dissuasão): “Manter presença visível em janelas críticas no estacionamento e doca.” Requisito: passagem registrada entre 00:00–01:00 e 03:00–04:00. Registro: horário de passagem + observações.
  • Objetivo (verificação de controles): “Confirmar diariamente a condição de controles físicos definidos no checklist.” Requisito: checklist por item em pontos definidos. Registro: OK/Não OK + evidência de correção/acionamento.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual prática melhor transforma um objetivo de ronda em execução e registro auditáveis no Plano de Segurança?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A abordagem recomendada é ligar Objetivo → Requisito de execução → Evidência/registro → Indicador, garantindo que a ronda gere provas verificáveis e permita medir desempenho (conformidade, tempo de resposta, reincidência e qualidade do registro).

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