O que é mapeamento de riscos e “pontos críticos” em rondas preventivas
Mapeamento de riscos é o processo de identificar, localizar e priorizar situações que podem gerar incidentes (furto, invasão, sabotagem, acidentes, falhas operacionais) dentro de uma área monitorada. Em rondas preventivas, “pontos críticos” são locais, acessos ou condições que, por histórico, vulnerabilidade ou impacto, precisam entrar no roteiro e receber inspeções com frequência e profundidade definidas.
O foco do mapeamento não é “ver tudo sempre”, e sim decidir onde a ronda agrega mais valor, o que deve ser verificado em cada ponto e com que frequência, com base em probabilidade e impacto.
Principais categorias de pontos críticos que devem entrar no roteiro
Acessos e controles de entrada
- Portarias, cancelas, catracas, portas de pedestres, docas com acesso externo.
- Portas de emergência (risco de uso indevido), acessos de prestadores, entradas “alternativas” usadas por operação.
- Verificações típicas: integridade de fechaduras, funcionamento de travas, alinhamento de portas, sinais de arrombamento, credenciais/autorizações, iluminação e visibilidade.
Perímetros e barreiras físicas
- Muros, grades, cercas, concertinas, portões laterais, áreas de divisa com terrenos baldios.
- Pontos de escalada (caçambas, pallets, estruturas próximas ao muro), vegetação alta, sombras.
- Verificações típicas: cortes/afrouxamento de telas, pontos de apoio, integridade de sensores, lacres, presença de objetos encostados no perímetro.
Áreas de carga/descarga e docas
- Docas, pátio de manobra, áreas de conferência, antecâmaras, gaiolas de expedição.
- Riscos: desvio de mercadoria, acesso não autorizado, abertura de portas fora de horário, “carona” de terceiros.
- Verificações típicas: lacres, portas seccionais, câmeras desobstruídas, rotas de circulação, registro de placas/horários, integridade de grades e gaiolas.
Depósitos, almoxarifados e áreas de alto valor
- Armazenamento de eletrônicos, ferramentas, químicos, medicamentos, itens controlados.
- Riscos: furto interno, extravio, acesso indevido, falhas de travamento.
- Verificações típicas: controle de chaves, portas e cadeados, inventário visual de anomalias (caixas abertas), presença de pessoas não autorizadas.
Salas técnicas e infraestrutura crítica
- CPD/servidores, sala elétrica, geradores, nobreak, CFTV, telecom, bombas, casa de máquinas, sprinklers.
- Riscos: sabotagem, falha de energia, incêndio, indisponibilidade operacional.
- Verificações típicas: portas trancadas, alarmes, temperatura/ventilação, vazamentos, ruídos anormais, sinalizações e acesso restrito.
Estacionamento e áreas externas
- Estacionamento de colaboradores/visitantes, bicicletário, pátio de frota, áreas de embarque.
- Riscos: furtos, vandalismo, abordagem, pontos cegos.
- Verificações típicas: iluminação, câmeras, presença de veículos suspeitos, rotas de pedestres, botões de pânico (se houver).
Rotas de fuga e saídas de emergência
- Corredores, escadas, portas corta-fogo, pontos de encontro.
- Riscos: obstrução, portas travadas indevidamente, sinalização apagada.
- Verificações típicas: desobstrução, funcionamento de barras antipânico, iluminação de emergência, integridade de portas corta-fogo.
Áreas de baixa iluminação e pontos cegos
- Fundos de prédio, corredores externos, entre galpões, áreas atrás de contêineres, escadas externas.
- Riscos: ocultação, invasão, agressões, acidentes.
- Verificações típicas: lâmpadas queimadas, sombras críticas, obstrução de câmeras, necessidade de reforço de iluminação ou espelhos.
Métodos de levantamento: como coletar dados para mapear riscos
1) Vistoria guiada (walkthrough) com roteiro de observação
É uma inspeção presencial estruturada, feita com alguém que conhece a operação (supervisor, manutenção, logística) para identificar vulnerabilidades reais do dia a dia.
- Como fazer: percorra o local em horários diferentes (início de turno, pico, madrugada) e registre: acessos usados, “atalhos”, portas que ficam abertas, áreas com baixa visibilidade, pontos de acúmulo de materiais.
- O que observar: barreiras físicas, iluminação, linhas de visão, ruídos/cheiros anormais em salas técnicas, rotas de fuga, comportamento de circulação.
- Evidências: fotos internas (quando permitido), croquis simples, marcação em planta, lista de anomalias com localização.
2) Checklists por ambiente (padronização do que verificar)
Checklists evitam que a ronda dependa apenas de memória. O ideal é ter um checklist específico por tipo de ambiente (doca, sala técnica, depósito, perímetro).
Exemplo de checklist (doca/carga e descarga):
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- Portas seccionais fecham completamente e travam?
- Há lacres/selos quando aplicável?
- Câmeras limpas e sem obstrução?
- Iluminação adequada no pátio e na doca?
- Há pallets/caçambas encostados no muro/perímetro?
- Há pessoas sem identificação na área?
Exemplo de checklist (sala técnica):
- Porta trancada e acesso restrito sinalizado?
- Temperatura/ventilação dentro do esperado?
- Sem vazamentos, cheiro de queimado ou ruído anormal?
- Extintor e sinalização presentes e desobstruídos?
- Sem materiais armazenados indevidamente (papelão, inflamáveis)?
3) Análise de ocorrências (histórico e padrões)
Use registros internos (livro de ocorrências, relatórios de incidentes, chamados de manutenção, registros de perdas, alarmes) para identificar padrões de local, horário e tipo de evento.
- Como extrair valor: agrupe por local (ex.: doca 2), por faixa de horário (ex.: 18h–22h), por tipo (ex.: porta aberta, tentativa de invasão, furto).
- O que procurar: reincidência, “quase incidentes”, falhas repetidas (lâmpadas queimadas, fechaduras com defeito), eventos em dias específicos (ex.: recebimento de alto valor).
4) Entrevistas rápidas com operação e manutenção
Quem trabalha no local sabe onde “dá problema”. Entrevistas curtas e objetivas ajudam a revelar riscos não documentados.
Perguntas úteis (operação):
- Quais portas/portões ficam mais tempo abertos e por quê?
- Em quais horários o fluxo muda e a vigilância fica mais difícil?
- Onde já houve perda, extravio ou acesso indevido?
Perguntas úteis (manutenção):
- Quais pontos têm falhas recorrentes (iluminação, travas, sensores)?
- Quais áreas têm infiltração/vazamento que afeta segurança?
- Quais equipamentos críticos exigem inspeção visual frequente?
Passo a passo prático: construindo o mapa de riscos para rondas
Passo 1 — Liste e padronize os “pontos” (inventário de locais)
Crie uma lista única de pontos candidatos a entrar na ronda. Use nomes padronizados e fáceis de localizar.
- Exemplo de padrão: PER-01 (Perímetro norte), DOC-02 (Doca 2), ST-01 (Sala técnica elétrica), DEP-03 (Depósito alto valor), EST-01 (Estacionamento visitantes), RF-02 (Rota de fuga escada B).
- Dica: cada ponto deve ser “inspecionável” em poucos minutos e ter critérios claros de verificação.
Passo 2 — Defina critérios de avaliação (probabilidade e impacto)
Use uma matriz simples para classificar riscos. Uma escala de 1 a 5 costuma ser suficiente.
| Critério | 1 (baixo) | 3 (médio) | 5 (alto) |
|---|---|---|---|
| Probabilidade | Raro, sem histórico, barreiras fortes | Ocorre às vezes, controles medianos | Recorrente, vulnerabilidade evidente |
| Impacto | Baixa perda/sem parada | Perda moderada/afeta operação | Alta perda/paralisação/risco à vida |
Cálculo sugerido: Risco = Probabilidade × Impacto (varia de 1 a 25).
Passo 3 — Atribua notas por ponto com base em evidências
Para cada ponto do inventário, atribua probabilidade e impacto usando: histórico de ocorrências, observação da vistoria, falhas de manutenção e relatos de operação.
Exemplo prático:
| Ponto | Prob. | Impacto | Risco | Justificativa |
|---|---|---|---|---|
| DOC-02 | 4 | 4 | 16 | Porta fica aberta em picos; extravios anteriores; alto fluxo |
| PER-01 | 3 | 5 | 15 | Trecho com vegetação e baixa iluminação; divisa vulnerável |
| ST-01 | 2 | 5 | 10 | Baixa probabilidade, mas impacto crítico (energia/produção) |
| EST-01 | 3 | 3 | 9 | Pontos cegos e reclamações de vandalismo |
Passo 4 — Crie o “mapa de calor” (heatmap) de riscos
O mapa de calor é uma visualização para enxergar rapidamente onde concentrar a ronda. Você pode montar de duas formas:
- Em planta baixa: marque cada ponto com cor conforme o risco (ex.: vermelho 16–25, amarelo 8–15, verde 1–7).
- Em matriz 5×5: posicione cada ponto na matriz Probabilidade (eixo X) × Impacto (eixo Y).
Legenda de cores (exemplo):
- Vermelho (alto): 16–25
- Amarelo (médio): 8–15
- Verde (baixo): 1–7
Passo 5 — Transforme risco em frequência e profundidade de inspeção
Com o risco classificado, defina duas coisas: frequência (quantas vezes checar) e profundidade (quão detalhada é a verificação).
| Nível | Faixa | Frequência sugerida | Profundidade sugerida |
|---|---|---|---|
| Alto | 16–25 | A cada ronda ou múltiplas vezes por turno | Checklist completo + verificação de anomalias + confirmação de travas/selos + registro detalhado |
| Médio | 8–15 | 1 vez por turno (ou por janela crítica) | Checklist essencial + atenção a itens recorrentes + registro de exceções |
| Baixo | 1–7 | Diário/semanal (conforme contexto) | Inspeção rápida por amostragem + registro simples |
Exemplo: se DOC-02 é risco 16, ela entra em todas as rondas e pode ter uma segunda checagem em horário de pico. Já ST-01 (risco 10) pode ser checada 1 vez por turno, mas com itens técnicos essenciais (porta, sinais de falha, acesso indevido).
Passo 6 — Defina “janelas críticas” por horário e evento
Alguns riscos aumentam em horários específicos. Crie janelas críticas para reforçar inspeções.
- Troca de turno: maior circulação e distração.
- Recebimento/expedição: docas e depósitos sob pressão.
- Madrugada: perímetro e baixa iluminação.
- Manutenção programada: salas técnicas e acessos temporários.
Na prática, isso significa que um ponto “médio” pode virar “alto” em uma janela crítica (ex.: doca em horário de pico).
Passo 7 — Documente o mapa e conecte ao roteiro de ronda
Registre o resultado em um documento simples e auditável, que permita atualização.
- Campos mínimos por ponto: código, localização, categoria, risco (P×I), frequência, checklist aplicável, evidências (ocorrências/observações), responsável por correções (quando houver).
- Controle de versão: data da última revisão e motivo (ex.: novo incidente, obra, mudança de fluxo).
Modelo prático de ficha de ponto crítico (para usar no levantamento)
Ponto: DOC-02 (Doca 2) Categoria: Carga/Descarga Localização: lateral leste
Descrição do risco: Porta permanece aberta em picos; alto fluxo; histórico de extravio
Probabilidade (1-5): 4 Impacto (1-5): 4 Risco: 16
Controles existentes: câmera C12; iluminação 70%; trava manual
Vulnerabilidades observadas: câmera parcialmente obstruída; pallets próximos ao perímetro
Checklist aplicado: DOCAS-v1
Frequência definida: toda ronda + reforço 18h-22h
Profundidade: completa (travas, lacres, pessoas, obstruções, iluminação)
Ações recomendadas: reposicionar pallets; limpar lente; revisar rotina de fechamento
Data/Responsável: ____ / ____Boas práticas para manter o mapeamento útil (sem virar burocracia)
- Atualize quando algo muda: obra, mudança de layout, novo acesso, alteração de fluxo, troca de iluminação.
- Use evidência para reclassificar: um ponto com incidentes recentes deve subir probabilidade; correções efetivas podem reduzir.
- Evite pontos “genéricos”: “galpão” é amplo; prefira “galpão corredor A – porta 3”, “gaiola expedição”, “perímetro norte – trecho 2”.
- Trate causas recorrentes: se o mapa mostra sempre “baixa iluminação” no mesmo local, isso vira ação de manutenção e o risco deve cair após correção verificada.