NR-35 para Iniciantes: Avaliação Final Prática com Cenários de Campo e Checklists Aplicados

Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Objetivo da avaliação prática

Esta avaliação final prática consolida o que você já estudou, colocando você diante de cenários de campo completos. A proposta é treinar a tomada de decisão e a documentação mínima para executar uma atividade em altura com controle: identificar perigos, escolher medidas, formalizar autorização, preparar o local, executar com verificação contínua, registrar inspeções e encerrar com rastreabilidade.

Você fará três estudos de caso. Em cada um, você deverá produzir entregáveis (checklists e formulários) e será avaliado por rubricas objetivas (critérios de correção). O foco aqui não é “decorar NR”, e sim demonstrar competência prática: coerência entre risco, controle e execução.

Como usar este capítulo (modo “simulação de campo”)

Materiais de apoio (simulados)

  • Formulário de Análise de Risco (AR) simplificada
  • Lista de verificação de EPC/EPI
  • Mapa/visão geral de ancoragem (croqui simples)
  • Permissão de Trabalho (PT) resumida
  • Plano de isolamento e sinalização
  • Plano básico de resgate (com recursos e tempos)
  • Checklist final de conformidade (para uso em campo)

Regras da simulação

  • Você deve justificar escolhas com base no cenário (não “porque sempre foi assim”).
  • Se houver lacuna de informação, você deve registrar como “dado necessário” e indicar como obter (inspeção, consulta técnica, medição, etc.).
  • Se identificar condição impeditiva, deve registrar a suspensão e o critério de retomada.

Entregáveis padrão (o que você deve preencher em qualquer cenário)

1) AR (Análise de Risco) aplicada

Preencha uma AR curta, porém completa, conectando perigos a medidas de controle e responsáveis.

CampoO que escreverExemplo de preenchimento
AtividadeDescrição objetiva (verbo + local + objetivo)“Substituir luminária no galpão, setor expedição”
EquipeFunções e quantidade2 executantes + 1 supervisor
PerigosListar por categoria (queda, objetos, energia, tráfego, clima, etc.)Queda de nível, queda de ferramentas, choque elétrico
RiscosConsequência + exposiçãoTrauma por queda; impacto por objeto
ControlesPriorizar EPC/medidas administrativas e depois EPIIsolamento, linha de vida, talabarte duplo, retenção de ferramentas
ResponsáveisQuem implementa/verificaSupervisor verifica isolamento; executante inspeciona EPI
Critérios de paradaCondições que suspendemVento forte, chuva, ancoragem indisponível, interferência elétrica
ResgateComo será acionado e com quais recursosKit de resgate no local + equipe treinada + comunicação

2) Seleção de EPC/EPI (lista aplicada)

Você deve selecionar o conjunto mínimo coerente com o cenário e registrar o motivo. Use a lógica: “perigo → medida → verificação”.

ItemSelecionado?Motivo no cenárioVerificação antes do uso
Isolamento e sinalizaçãoSim/NãoCirculação de pessoas sob a áreaPerímetro completo, placas visíveis
Proteção contra queda de objetosSim/NãoUso de ferramentas soltasRetenção de ferramentas, organização
Sistema individual contra quedasSim/NãoRisco de queda > 2 mInspeção do cinto, talabarte, conectores
Capacete com jugularSim/NãoRisco de impacto e queda de objetosJugular funcional, casco íntegro
Calçado/luvas/óculosSim/NãoConforme risco de corte/impactoIntegridade e compatibilidade

3) Definição de ancoragem (visão geral em croqui)

Você não precisa dimensionar tecnicamente (isso é atribuição de projeto/engenharia quando aplicável), mas deve demonstrar visão geral: onde ancorar, como evitar pêndulo, como manter folga mínima e como impedir que o trabalhador fique exposto sem estar conectado.

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  • Desenhe um croqui simples do local (pontos fixos, bordas, área de circulação abaixo).
  • Marque: ponto(s) de ancoragem, trajeto, zona de risco, área isolada.
  • Escreva 3 notas: “como conectar”, “como evitar pêndulo”, “como controlar folga/altura livre”.

4) PT (Permissão de Trabalho) resumida

Preencha uma PT curta com foco em autorização, controles implementados e validação em campo.

CampoConteúdo mínimo
Local e data/horaInício e término previstos
Descrição da tarefaEscopo e limites
Equipe autorizadaNomes/funções
Controles obrigatóriosIsolamento, EPC, EPI, ancoragem, comunicação
InterferênciasEnergia, tráfego, outras frentes
Critérios de suspensãoCondições impeditivas aplicáveis
AssinaturasEmissor, executante, supervisor

5) Plano de isolamento (perímetro e fluxo)

Você deve planejar o isolamento como se o local estivesse em operação normal. O objetivo é impedir acesso indevido e reduzir exposição de terceiros.

  • Defina o perímetro (distância e formato) e os pontos de acesso.
  • Defina rotas alternativas para pedestres/veículos.
  • Defina responsável por manter o isolamento e como será verificado.
  • Inclua proteção contra queda de objetos (ex.: retenção de ferramentas, organização, proibição de materiais soltos).

6) Plano de resgate (delineamento prático)

Você deve descrever um plano executável, com recursos e sequência. Não basta “acionar bombeiros”.

  • Forma de acionamento (rádio/telefone), responsável e tempo alvo.
  • Recursos no local (kit, cordas, conectores, ponto de ancoragem para resgate).
  • Sequência resumida (ex.: estabilizar, acessar, conectar, aliviar carga, descer/elevar, atendimento).
  • Risco específico: suspensão inerte (definir prioridade e tempo de resposta).

Estudo de caso 1: Manutenção em telhado metálico com claraboias

Cenário

Uma equipe precisa substituir um exaustor no telhado metálico de um galpão. Há claraboias frágeis, inclinação leve, acesso por escada marinheiro interna até uma porta de cobertura. A área abaixo tem circulação de empilhadeiras e pedestres. Previsão de vento moderado no período da tarde. Ferramentas manuais e uma peça de 18 kg serão movimentadas.

Atividade prática (o que você deve entregar)

  • AR preenchida (mínimo 8 perigos).
  • Seleção de EPC/EPI com justificativa (mínimo 10 itens entre medidas e equipamentos).
  • Croqui de ancoragem (visão geral) com notas de prevenção de pêndulo e de exposição em deslocamento.
  • PT resumida (com critérios de suspensão por clima e por interferência).
  • Plano de isolamento considerando empilhadeiras e pedestres.
  • Plano de resgate considerando acesso ao telhado e retirada de trabalhador suspenso.

Pontos de atenção (o que o avaliador vai procurar)

  • Clarabóias tratadas como área de fragilidade (controle de acesso e prevenção de pisoteio).
  • Controle de queda de objetos (ferramentas e peça de 18 kg) e organização do posto.
  • Compatibilidade entre deslocamento no telhado e sistema de conexão (evitar trechos “desconectados”).
  • Critérios claros para suspender por vento/chuva e como retomar.
  • Isolamento abaixo com desvio de fluxo e responsável definido.

Estudo de caso 2: Troca de luminárias em mezanino com guarda-corpo parcial

Cenário

Em um centro de distribuição, será feita a troca de luminárias no mezanino a 4 m de altura. Existe guarda-corpo em parte do perímetro, mas há um trecho aberto para movimentação de materiais. A atividade ocorre durante o expediente, com pessoas circulando no piso inferior. Será usado acesso por escada tipo plataforma (torre móvel) ou plataforma elevatória (definir a opção mais adequada conforme sua análise). Há risco de interferência elétrica no circuito das luminárias.

Atividade prática (o que você deve entregar)

  • AR preenchida (mínimo 7 perigos), incluindo energia elétrica e interação com terceiros.
  • Decisão justificada do método de acesso (torre móvel x plataforma elevatória), com controles associados.
  • Lista de EPC/EPI e verificação pré-uso (inclua retenção de ferramentas).
  • PT resumida com bloqueios/interferências e comunicação.
  • Plano de isolamento no piso inferior e no mezanino (controle de acesso ao trecho aberto).
  • Plano de resgate compatível com o método de acesso escolhido.

Pontos de atenção

  • Tratamento do trecho aberto do mezanino como risco crítico (controle físico e administrativo).
  • Coerência entre método de acesso e riscos (estabilidade, deslocamento, alcance).
  • Controle de terceiros no piso inferior (isolamento e sinalização efetivos).
  • Registro de verificação do circuito/condição elétrica antes de intervir.

Estudo de caso 3: Inspeção em fachada com acesso por cadeira suspensa (cenário de alta criticidade)

Cenário

Uma inspeção visual e fotográfica deve ser feita em uma fachada de edifício industrial. O acesso previsto é por cadeira suspensa. Há área pública próxima ao perímetro do prédio e circulação de veículos leves. O ponto de ancoragem superior existe, mas você precisa validar no campo a condição de uso e planejar redundância e prevenção de queda de objetos (câmera, ferramentas). O trabalho será de 3 horas.

Atividade prática (o que você deve entregar)

  • AR preenchida (mínimo 10 perigos), incluindo queda de objetos para área pública.
  • Seleção de EPC/EPI com foco em redundância, comunicação e retenção de itens.
  • Croqui de ancoragem em visão geral (inclua área pública e perímetro isolado).
  • PT resumida com controle de acesso e validação de ancoragem.
  • Plano de isolamento robusto (perímetro, vigia, rotas alternativas).
  • Plano de resgate com sequência e recursos (tempo de resposta e responsabilidades).

Pontos de atenção

  • Isolamento para área pública tratado como prioridade (não apenas cones “simbólicos”).
  • Retenção de objetos pequenos (câmera, rádio, ferramentas) e organização.
  • Comunicação definida (check-ins periódicos, canal e responsável).
  • Resgate descrito de forma executável (quem faz, com o quê, em quanto tempo).

Rubricas de correção (critérios objetivos)

Use as rubricas abaixo para autoavaliação ou avaliação do instrutor. Cada item pode ser pontuado como: 0 = ausente/incorreto, 1 = parcial, 2 = completo e coerente.

Rubrica A: AR (Análise de Risco)

  • Identificação de perigos: lista suficiente e específica do cenário (não genérica).
  • Vínculo perigo → controle: cada perigo relevante tem medida correspondente.
  • Hierarquia de controles: prioriza medidas coletivas/administrativas antes de depender apenas de EPI.
  • Responsáveis e verificação: define quem implementa e quem confere.
  • Critérios de parada: objetivos, observáveis e aplicáveis ao cenário.
  • Resgate: contempla acionamento, recursos e sequência mínima.

Rubrica B: EPC/EPI e compatibilidade

  • Seleção coerente: itens escolhidos correspondem aos riscos do cenário.
  • Compatibilidade entre itens: sistema não cria conflito (ex.: acesso vs. conexão, mobilidade vs. proteção).
  • Verificação pré-uso: inclui checagens essenciais e descarte por não conformidade.
  • Controle de queda de objetos: medidas explícitas (retenção, organização, isolamento).

Rubrica C: Ancoragem (visão geral) e deslocamento

  • Croqui legível: identifica bordas, zonas de risco, pontos de conexão e área isolada.
  • Prevenção de pêndulo: reconhece e controla deslocamentos laterais e ângulos críticos.
  • Continuidade de proteção: evita trechos sem conexão durante acesso/deslocamento.
  • Validação em campo: registra o que precisa ser confirmado antes de usar.

Rubrica D: PT e controle operacional

  • Escopo e limites: tarefa bem definida (o que entra e o que não entra).
  • Autorização e assinaturas: papéis definidos e registros completos.
  • Interferências: identifica e controla (energia, tráfego, outras equipes).
  • Critérios de suspensão e retomada: claros e aplicáveis.

Rubrica E: Isolamento e gestão de terceiros

  • Perímetro adequado: impede acesso real, não apenas sinaliza.
  • Rotas alternativas: prevê fluxo de pessoas/veículos sem “furar” isolamento.
  • Responsável e rotina de verificação: define vigia/inspeção periódica.

Rubrica F: Plano de resgate

  • Executabilidade: descreve passos e recursos disponíveis no local.
  • Tempo de resposta: considera urgência por suspensão inerte.
  • Segurança do resgatista: prevê controles para quem resgata (não cria segunda vítima).
  • Comunicação e acionamento: canal, responsável e contingência.

Modelos preenchíveis (copie e use em campo)

Modelo 1: AR simplificada (preenchimento rápido)

ATIVIDADE: ____________________________________________  DATA: ____/____/____  TURNO: ________ LOCAL: ____________________
EQUIPE (nomes/funções): ______________________________________________________________________

PERIGOS PRINCIPAIS (listar):
1) __________________________  2) __________________________  3) __________________________
4) __________________________  5) __________________________  6) __________________________

CONTROLES (por perigo):
1) Perigo: ____________________  Controle(s): ________________________________________________  Responsável: __________  Verificação: __________
2) Perigo: ____________________  Controle(s): ________________________________________________  Responsável: __________  Verificação: __________
3) Perigo: ____________________  Controle(s): ________________________________________________  Responsável: __________  Verificação: __________

CRITÉRIOS DE SUSPENSÃO (objetivos): ___________________________________________________________

RESGATE (acionamento + recursos + sequência curta): ____________________________________________
______________________________________________________________________________________________

Modelo 2: PT resumida (controle de autorização)

PT Nº: __________  LOCAL: __________________________  DATA: ____/____/____  INÍCIO: ____:____  TÉRMINO: ____:____
TAREFA (escopo): _____________________________________________________________________________
EQUIPE AUTORIZADA: ___________________________________________________________________________
CONTROLES OBRIGATÓRIOS IMPLEMENTADOS (marcar):
[ ] Isolamento/sinalização   [ ] Proteção contra queda de objetos   [ ] Ancoragem definida/validada
[ ] EPC instalado/verificado [ ] EPI inspecionado   [ ] Comunicação definida   [ ] Plano de resgate disponível
INTERFERÊNCIAS/CONTROLES: _____________________________________________________________________
CRITÉRIOS DE SUSPENSÃO: ______________________________________________________________________
ASSINATURAS: Emissor: __________________  Supervisor: __________________  Executante: __________________

Modelo 3: Plano de isolamento (check rápido)

ÁREA A ISOLAR (descrição): ____________________________________________________________________
PERÍMETRO (como será delimitado): _____________________________________________________________
ACESSOS/PORTÕES (como controlar): _____________________________________________________________
ROTAS ALTERNATIVAS (pedestres/veículos): ______________________________________________________
RESPONSÁVEL PELO ISOLAMENTO: __________________________  FREQUÊNCIA DE VERIFICAÇÃO: ____________
MEDIDAS CONTRA QUEDA DE OBJETOS: _____________________________________________________________

Modelo 4: Plano de resgate (sequência mínima)

TIPO DE ATIVIDADE/ACESSO: __________________________  ALTURA APROX.: ________
ACIONAMENTO (quem/como): ______________________________________________________________________
RECURSOS NO LOCAL (kit/equipamentos): _________________________________________________________
PONTO(S) PARA RESGATE (visão geral): __________________________________________________________
SEQUÊNCIA (passos curtos):
1) __________________________  2) __________________________  3) __________________________
4) __________________________  5) __________________________
TEMPO-ALVO PARA INÍCIO DO RESGATE: ________ min   OBS.: ________________________________________

Checklist final de conformidade (material de apoio para uso em campo)

Use este checklist como “última barreira” antes de iniciar e durante a execução. Marque OK, N/A ou NÃO OK e registre ações corretivas.

ItemVerificaçãoStatusAção/Responsável
1AR preenchida e compreendida pela equipe
2PT emitida, assinada e válida no horário/local
3Escopo confirmado (sem mudança não controlada)
4Condições do ambiente adequadas (clima/iluminação/piso)
5Isolamento implementado e efetivo (perímetro e acessos)
6Rotas alternativas definidas e comunicadas
7Proteção contra queda de objetos (retenção/organização)
8Equipe com comunicação definida (canal, sinais, check-ins)
9EPC instalado/inspecionado conforme planejamento
10EPI inspecionado (cinto, talabarte, conectores, capacete com jugular)
11Ancoragem definida/validada em campo (pontos identificados)
12Conexão contínua prevista (sem trechos expostos)
13Acesso e circulação seguros (sem improvisos)
14Interferências controladas (energia, tráfego, outras equipes)
15Critérios de suspensão conhecidos e aplicáveis
16Plano de resgate disponível, recursos no local e responsáveis definidos
17Briefing final realizado (tarefas, riscos, controles, papéis)
18Durante a execução: verificação periódica de isolamento e condições
19Após a tarefa: área liberada, materiais recolhidos, registros arquivados

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma simulação de trabalho em altura, ao identificar uma condição impeditiva no cenário, qual é a conduta esperada do participante para manter o controle e a rastreabilidade?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quando há condição impeditiva, a conduta é suspender e registrar, definindo critérios claros de retomada. Se faltar informação, deve-se anotar como dado necessário e como obtê-lo (inspeção, consulta técnica, medição), garantindo controle e rastreabilidade.

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