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Papiloscopista da Polícia Civil: Identificação Humana e Preparação para Concursos

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14 páginas

Necropapiloscopia para Papiloscopista: Identificação Humana em Cadáveres e Restos Mortais

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Necropapiloscopia é o conjunto de procedimentos papiloscópicos aplicados em cadáveres e restos mortais para obter impressões (principalmente digitais) com qualidade suficiente para pesquisa em bancos de dados e confronto técnico. O foco operacional é recuperar cristas papilares preservadas (ou torná-las novamente registráveis) e manter rastreabilidade: quem coletou, quando, onde, como, em que condições e para qual finalidade pericial.

Condições cadavéricas que interferem na coleta

Rigidez cadavérica (rigor mortis)

A rigidez limita a abertura da mão e a rolagem do dedo, gerando impressões parciais, com pressão irregular e borramento. Também dificulta posicionamento para fotografia e para uso de suportes de coleta.

  • Impacto típico: falha na rolagem completa, “saltos” na impressão e áreas sem contato.
  • Conduta prática: trabalhar com apoio de equipe do IML para posicionamento seguro do membro, usando suportes (cunhas, rolos) e estabilização do punho; priorizar dedos com melhor mobilidade e registrar limitações no formulário.

Maceração (imersão em água)

A maceração causa esbranquiçamento, enrugamento e descolamento da epiderme (“luva epidérmica”), com perda de contraste e deformação das cristas. Em alguns casos, a epiderme pode se soltar inteira, permitindo técnicas indiretas.

  • Impacto típico: cristas “lavadas”, linhas alargadas e baixa nitidez.
  • Conduta prática: manuseio delicado para não romper a epiderme; considerar técnica com luva epidérmica e reidratação controlada quando cabível.

Putrefação

A putrefação leva a bolhas, descolamento cutâneo, exsudatos e fragilidade tecidual. Pode haver perda parcial das polpas digitais e contaminação por fluidos que dificultam aderência de tinta ou captura por scanner.

  • Impacto típico: impressão “granulada”, com falhas e distorções; risco de contaminação do material de coleta.
  • Conduta prática: limpeza suave, secagem controlada, escolha de método alternativo (fotografia macro, moldagem) e coleta seletiva dos dedos com melhor preservação.

Queimaduras e carbonização

Queimaduras podem destruir a epiderme e deformar a derme, além de tornar o tecido quebradiço. Em queimaduras parciais, ainda pode haver áreas preservadas nas laterais do dedo, regiões palmares ou em dedos menos expostos.

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  • Impacto típico: ausência de cristas em áreas centrais, fissuras e fragmentação.
  • Conduta prática: buscar áreas preservadas (bordas, falanges menos atingidas), usar técnicas alternativas (moldagem, fotografia com iluminação oblíqua) e evitar pressão que frature o tecido.

Técnicas de reidratação e preparo (quando cabíveis)

O objetivo do preparo é recuperar elasticidade e contraste das cristas sem destruir o relevo. A decisão de reidratar depende do estado do tecido e da possibilidade de ganho real de qualidade. Sempre registrar: solução utilizada, tempo, temperatura, responsável e resultado.

Preparação básica antes de qualquer técnica

  • Higienização controlada: remover sujidades com gaze/algodão e solução apropriada indicada pelo protocolo local; evitar fricção intensa que “aplane” cristas.
  • Secagem: secar com compressas, sem esfregar; umidade excessiva prejudica tinta e gera reflexo em fotografia.
  • Inspeção: avaliar quais dedos têm melhor potencial; registrar lesões, amputações, bolhas, descolamentos.
  • Estabilização: posicionar mão e dedo com apoio para evitar tremor e variação de pressão durante a coleta.

Reidratação por umidade controlada

Indicada quando há ressecamento, rigidez superficial ou perda de elasticidade que impede bom contato. Em geral, busca-se reintroduzir umidade gradualmente, evitando encharcamento.

  • Passo a passo: 1) isolar o dedo a ser tratado (evitar molhar toda a mão sem necessidade); 2) aplicar compressa umedecida e manter por intervalos curtos; 3) reavaliar relevo das cristas e elasticidade; 4) repetir até atingir condição de coleta; 5) secar a superfície antes de entintar ou fotografar.
  • Cuidados: excesso de umidade “lava” o relevo e aumenta risco de descolamento epidérmico.

Reidratação e manejo de “luva epidérmica” (macerados/putrefeitos)

Quando a epiderme se descola como uma luva, pode ser possível utilizá-la como meio para obter impressões, desde que preservada e manipulada com técnica. A luva é frágil e pode rasgar facilmente.

  • Passo a passo (visão operacional): 1) identificar se a epiderme está solta e íntegra; 2) remover com cuidado, mantendo orientação (qual dedo é qual); 3) reidratar/condicionar a luva para recuperar maleabilidade; 4) acomodar a luva sobre um suporte (ou sobre o dedo enluvado do operador, com barreiras e biossegurança), preservando alinhamento; 5) realizar a coleta por rolagem/pressão controlada; 6) acondicionar a luva remanescente como vestígio, se previsto no protocolo.
  • Risco principal: inversão de orientação do dedo e troca de dedos; mitigar com marcação e documentação fotográfica antes/durante.

Métodos de coleta: rolagem, moldagem e técnicas alternativas

Coleta por rolagem (entintada ou em suporte apropriado)

É o método clássico quando o dedo permite rotação e contato uniforme. Em post-mortem, a chave é controlar pressão e estabilizar o dedo para evitar “arrasto”.

  • Passo a passo: 1) preparar e secar a polpa digital; 2) posicionar o dedo com apoio no nível do suporte; 3) aplicar tinta/cobertura de forma uniforme (se aplicável); 4) rolar do bordo ungueal de um lado ao outro em movimento contínuo, sem pausas; 5) repetir se necessário, variando levemente pressão; 6) coletar também impressões planas (se o protocolo exigir); 7) identificar cada impressão com dedo, mão, data, caso e coletor.
  • Dicas práticas: em rigidez, rolar o suporte (cartão/filme) contra o dedo pode ser mais viável do que rolar o dedo; em tecido frágil, reduzir pressão e priorizar múltiplas tentativas leves em vez de uma tentativa forte.

Coleta por fotografia macro (quando a impressão direta falha)

Quando a pele está muito frágil, úmida ou deformada, a captura fotográfica do relevo pode ser a melhor alternativa. O objetivo é obter imagem nítida, sem reflexos, com escala e orientação.

  • Passo a passo: 1) limpar e secar o dedo; 2) posicionar em suporte estável; 3) usar iluminação oblíqua/difusa para realçar cristas; 4) fotografar em alta resolução, com escala métrica e identificação do dedo no enquadramento (sem cobrir a área de cristas); 5) fazer série de imagens: frontal, laterais e áreas específicas preservadas; 6) registrar metadados (equipamento, distância, lente, iluminação) conforme rotina.
  • Erros comuns: reflexo por umidade, desfoque por trepidação, ausência de escala, compressão excessiva da imagem.

Moldagem e técnicas de impressão indireta

Indicadas quando há relevo preservado, mas a superfície não aceita tinta ou está irregular. A moldagem pode capturar o relevo para posterior leitura/registro, conforme protocolo institucional.

  • Quando considerar: queimaduras parciais com relevo residual, pele muito úmida, presença de fissuras que impedem rolagem uniforme.
  • Passo a passo (visão operacional): 1) selecionar área com melhor relevo; 2) estabilizar o dedo; 3) aplicar material de moldagem adequado ao protocolo (camada fina, sem bolhas); 4) aguardar cura; 5) remover sem tracionar a pele; 6) identificar e acondicionar o molde; 7) registrar fotografia do dedo antes e depois.

Técnicas alternativas por condição

  • Putrefação avançada: priorizar fotografia macro de áreas preservadas e tentativa com luva epidérmica quando disponível; reduzir manipulação para evitar perda de tecido.
  • Carbonização: buscar áreas menos expostas (laterais), usar fotografia com iluminação oblíqua e moldagem em relevo residual; evitar pressão que quebre o tecido.
  • Fragmentos (restos mortais): documentar o fragmento, tentar identificar se há polpa digital/palmar preservada; usar fotografia macro e moldagem quando aplicável; manter cadeia de custódia rigorosa.

Preservação e transporte de amostras e materiais

Em necropapiloscopia, “amostra” pode significar: cartões/filmes com impressões, imagens digitais, moldes, luva epidérmica (quando prevista), e registros de acondicionamento. O objetivo é preservar integridade, evitar contaminação e garantir rastreabilidade.

  • Embalagem: acondicionar cartões/filmes em invólucros rígidos para evitar borramento; moldes em recipientes que impeçam deformação; materiais úmidos separados de secos.
  • Identificação: etiqueta com número do caso, data/hora, coletor, tipo de material, dedo/mão (quando aplicável) e local de coleta.
  • Condições ambientais: evitar calor excessivo e umidade que degradem tinta, papel ou molde; seguir rotinas do IML para armazenamento temporário.
  • Cadeia de custódia: registrar transferências (IML, papiloscopia, laboratório, arquivo) com assinatura/registro eletrônico conforme norma local.

Documentação fotográfica e formulários

Fotografia técnica mínima recomendada

  • Contexto: imagens do corpo (ou segmento) que situem a mão/fragmento e a condição geral (sem exposição desnecessária).
  • Detalhe: close da mão e de cada dedo trabalhado, antes e depois do preparo.
  • Macro: cristas papilares com escala e orientação; série de ângulos para reduzir reflexo e evidenciar relevo.
  • Controle: foto do material final (cartões, moldes) com identificação do caso.

Campos essenciais em formulários de necropapiloscopia

  • Identificação do caso: número, unidade, data/hora, local, responsável.
  • Dados do exame: condição cadavérica observada (rigidez, maceração, putrefação, queimaduras), limitações e riscos.
  • Técnicas empregadas: preparo/reidratação (tipo, tempo), método de coleta (rolagem, fotografia, moldagem), dedos coletados e qualidade (boa/regular/insuficiente) com justificativa.
  • Materiais gerados: quantidade de cartões/imagens/moldes, numeração e destino.
  • Encaminhamentos: pesquisa em banco de dados (AFIS/arquivo local), solicitações ao IML, pendências (ex.: necessidade de nova tentativa).

Fluxo de trabalho integrado com IML e banco de dados

Integração operacional com o IML

  • Antes da coleta: alinhar com equipe do IML o momento adequado (antes de procedimentos que possam alterar mãos/dedos), condições de biossegurança e disponibilidade de suporte para posicionamento.
  • Durante: manter comunicação para manobras seguras (posicionamento, acesso a água/limpeza, iluminação), minimizando manipulação desnecessária.
  • Depois: registrar no fluxo do IML o que foi coletado, o que ficou pendente e como o material foi encaminhado.

Integração com banco de dados (pesquisa e retorno)

  • Preparação do pacote de pesquisa: selecionar as melhores impressões/imagens por dedo, padronizar nomeação de arquivos, anexar formulário e fotos de suporte.
  • Pesquisa: submeter ao sistema conforme rotina (deca/dedos disponíveis, impressões planas/roladas, imagens tratadas quando permitido pelo protocolo).
  • Gestão de resultados: registrar hit/no hit, qualidade das entradas e necessidade de coleta complementar; comunicar ao IML e à autoridade requisitante conforme fluxo institucional.
  • Repetição controlada: se a qualidade estiver insuficiente, planejar nova tentativa com técnica diferente (ex.: migrar de rolagem para fotografia macro ou luva epidérmica), documentando a decisão.

Cenários simulados com escolhas técnicas justificadas

Cenário 1: cadáver com rigidez acentuada, pele preservada

Situação: mãos íntegras, pouca mobilidade dos dedos, superfície seca. Objetivo: obter rolagem completa sem borramento.

  • Escolha técnica: rolagem com estabilização e possível rolagem do suporte contra o dedo.
  • Justificativa: cristas preservadas tendem a registrar bem; o problema é mecânico (mobilidade), não de relevo.
  • Cuidados: apoio firme do punho, pressão mínima necessária, múltiplas tentativas leves; registrar quais dedos não permitiram rolagem total.

Cenário 2: corpo resgatado da água com maceração e luva epidérmica parcial

Situação: epiderme solta em alguns dedos, enrugamento intenso. Objetivo: recuperar cristas sem destruir a epiderme.

  • Escolha técnica: técnica com luva epidérmica nos dedos em que ela está íntegra; fotografia macro nas áreas em que a luva está rompida.
  • Justificativa: a luva pode fornecer relevo mais “liso” e registrável quando reposicionada; onde não há integridade, a fotografia macro reduz manipulação.
  • Cuidados: manter orientação dedo a dedo, documentar cada etapa com foto, acondicionar a luva conforme protocolo e reforçar cadeia de custódia.

Cenário 3: putrefação moderada com exsudato e bolhas

Situação: polpas digitais frágeis, superfície úmida, bolhas em alguns dedos. Objetivo: obter ao menos alguns dedos com qualidade para pesquisa.

  • Escolha técnica: limpeza e secagem controladas; tentativa de rolagem apenas nos dedos com melhor integridade; fotografia macro complementar nos demais.
  • Justificativa: insistir em rolagem em tecido frágil aumenta destruição e piora resultados; abordagem híbrida maximiza aproveitamento.
  • Cuidados: evitar romper bolhas; trocar materiais de contato para não contaminar/espalhar fluidos; registrar dedos inviáveis e motivo.

Cenário 4: queimaduras extensas com áreas preservadas nas laterais

Situação: centro da polpa destruído, laterais com relevo residual. Objetivo: capturar o máximo de cristas remanescentes.

  • Escolha técnica: fotografia macro com iluminação oblíqua nas laterais e, se houver relevo suficiente, moldagem localizada.
  • Justificativa: rolagem tende a fraturar tecido e não há superfície contínua; macro e molde podem registrar fragmentos úteis.
  • Cuidados: manipulação mínima, suporte estável, documentação detalhada das áreas fotografadas/moldadas para correlação com o dedo.

Cuidados éticos e de biossegurança no manuseio

  • Dignidade e necessidade: expor e manipular apenas o necessário para a identificação; evitar registros fotográficos desnecessários.
  • Privacidade e sigilo: controlar acesso a imagens e formulários; usar identificação por número de caso; seguir regras de armazenamento e compartilhamento.
  • Biossegurança: uso de EPI conforme risco biológico, descarte correto de materiais e descontaminação de equipamentos; evitar contaminação cruzada entre casos.
  • Rastreabilidade: toda intervenção (reidratação, remoção de luva, moldagem) deve ser documentada para permitir auditoria e reprodutibilidade.
Checklist operacional (resumo para campo/IML) 1) Avaliar condição (rigidez/macerado/putrefeito/queimado) e selecionar dedos prioritários 2) Fotografar antes (contexto + detalhe) com escala quando aplicável 3) Preparar: limpeza suave + secagem + estabilização 4) Escolher técnica: rolagem / fotografia macro / luva epidérmica / moldagem 5) Executar coleta com controle de pressão e múltiplas tentativas leves 6) Fotografar depois e registrar limitações 7) Identificar, embalar e registrar cadeia de custódia 8) Montar pacote para banco de dados e registrar retorno (hit/no hit) e pendências

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um caso com rigidez cadavérica acentuada e pele preservada, qual conduta tende a aumentar a chance de obter impressões digitais úteis sem borramento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na rigidez, a limitação é mecânica: pouca mobilidade e risco de pressão irregular e borramento. A estabilização e o controle de pressão, com a possibilidade de rolar o suporte contra o dedo, ajudam a obter contato mais uniforme e registrável.

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