Montagem de paredes de drywall: estrutura, travamentos e paginação das chapas

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

Sequência de montagem de uma parede de drywall (visão de obra)

A montagem de uma parede de drywall segue uma lógica: primeiro você cria uma estrutura estável e alinhada (guias e montantes), depois garante rigidez e desempenho (travamentos, reforços e detalhes de encontros/vãos), prepara as passagens de instalações e, por fim, fecha com as chapas obedecendo a paginação e o padrão de parafusamento. O objetivo é evitar “pontos fracos” (juntas mal posicionadas, montantes fora de prumo, reforços ausentes) que geram trincas, ruídos, portas desalinhadas e retrabalho.

Conceitos essenciais (sem os quais a parede perde desempenho)

  • Estrutura contínua e travada: montantes precisam estar bem encaixados nas guias e com rigidez suficiente para não vibrar. Travamentos e reforços não são “opcionais” quando há altura maior, cargas suspensas ou exigência acústica.
  • Paginação inteligente: a posição das chapas e das juntas define onde a parede vai “trabalhar”. Juntas alinhadas, juntas em cantos de aberturas e recortes mal feitos são causas frequentes de fissuras.
  • Parafusamento correto: parafuso mal afundado ou rasgando o papel reduz a fixação e prejudica o tratamento de juntas.
  • Inspeção antes de fechar o segundo lado: é o momento de corrigir prumo, reforços, instalações e limpeza interna. Depois de fechado, o custo de correção sobe muito.

Passo a passo prático: estrutura, travamentos e preparação

1) Instalação das guias (piso e teto)

Com a locação já definida no ambiente, instale as guias no piso e no teto seguindo o traçado. Garanta que a guia superior esteja exatamente sobre a inferior (parede “em linha”) para evitar torção dos montantes.

  • Fixação: use fixadores adequados ao substrato (concreto, alvenaria, estrutura metálica). Respeite espaçamentos regulares e reforce pontos de emenda.
  • Emendas de guias: faça emendas com sobreposição/união firme e alinhada; evite “degraus” que criam barriga na parede.
  • Controle de retilineidade: antes de seguir, confira se as guias não “serpeiam” (principalmente em pisos irregulares).

2) Colocação dos montantes: espaçamento e posicionamento

Os montantes entram dentro das guias, com a alma orientada de forma consistente ao longo da parede (facilita paginação e passagem de instalações). O espaçamento entre montantes depende do tipo de chapa, altura da parede e exigências de desempenho (rigidez, impacto, acústica).

Espaçamento típico de montantes (referência prática)

CondiçãoEspaçamento entre montantesObservação de obra
Parede padrão com chapas usuais400 mm ou 600 mm400 mm aumenta rigidez e reduz risco de trinca em áreas mais solicitadas.
Maior exigência de impacto/robustezPreferir 400 mmTambém ajuda em paredes altas e com portas.
Chapas mais espessas / dupla camada400–600 mm (conforme projeto)Dupla camada exige atenção à paginação e ao parafusamento por camada.
Áreas com muitos recortes (pontos, caixas, nichos)Preferir 400 mmReduz “vibração” ao redor de aberturas e recortes.

Regra prática: se houver dúvida entre 400 e 600 mm, 400 mm tende a entregar parede mais “firme” e tolerante a variações de execução.

Montantes em cantos e encontros (detalhes que evitam trinca e falta de apoio)

  • Cantos internos (L): garanta apoio de chapa nos dois planos. Use solução de canto com montante duplo ou montante + reforço (perfil auxiliar) para que a borda da chapa não fique “no vazio”.
  • Encontro em “T” (parede chegando em outra): preveja montante de amarração/apoio na parede principal para receber a chapa da parede que chega. Evite depender apenas da chapa já instalada para “segurar” o encontro.
  • Emendas de montantes (altura): quando houver necessidade de emendar, faça com sobreposição e travamento, mantendo prumo e alinhamento. Emendas mal travadas geram “mola” e fissura na junta.

3) Travamentos (rigidização) e reforços

Travamentos reduzem flambagem e vibração dos montantes, melhoram a sensação de solidez e ajudam no desempenho acústico (quando especificado). Reforços são elementos para receber cargas (armários, bancadas, barras, TVs, corrimãos) e para estruturar vãos.

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  • Travamento horizontal: use peças de perfil (ou acessórios próprios) entre montantes, em linhas horizontais, especialmente em paredes altas e em regiões com portas.
  • Reforços para cargas: instale reforço na altura exata do item a ser fixado (ex.: faixa contínua para armário). Pode ser perfil adicional ou reforço rígido conforme especificação. Marque a posição para não “perder” o reforço após fechar a parede.
  • Reforço para acessórios de banheiro/cozinha: planeje antes de fechar o primeiro lado. Ajustes depois exigem abrir a parede.

4) Preparação para instalações (elétrica, hidráulica, dados)

Com a estrutura aberta, passe conduítes, caixas e tubulações conforme projeto, evitando interferências com travamentos e reforços.

  • Furos em montantes: utilize as aberturas existentes no perfil quando possível. Se precisar abrir furo, faça com ferramenta adequada e sem criar rebarbas cortantes.
  • Proteção de arestas: onde o conduíte/tubo encostar em metal, use proteção (buchas/anel de proteção) para evitar desgaste e ruído.
  • Caixas elétricas: fixe em altura e alinhamento corretos, com suporte adequado para drywall. Evite deixar caixa “solta” apoiada só no conduíte.
  • Compatibilização com paginação: sempre que possível, posicione caixas e pontos evitando coincidirem com juntas de chapas e com cantos de aberturas.

Detalhe crítico: vãos de portas (como evitar trinca e desalinhamento)

Vãos de portas concentram esforços (batida, vibração, peso do marco). O erro mais comum é tratar o vão como “um recorte na parede” sem reforço suficiente.

Passo a passo do vão

  • Montantes laterais reforçados: use montantes duplos ou solução reforçada conforme altura e tipo de porta. Eles devem estar perfeitamente no prumo e firmemente fixados às guias.
  • Travessa superior (verga): instale uma travessa rígida na altura do topo do vão, bem fixada aos montantes laterais.
  • Montantes curtos acima da verga: complete a modulação acima da porta com montantes curtos (king/jack studs na lógica de carpintaria), mantendo o mesmo espaçamento da parede.
  • Evite junta de chapa nos cantos do vão: não deixe a junta vertical terminar exatamente no canto superior da porta (ponto clássico de trinca). Planeje a chapa para “passar” sobre o vão ou para que a junta fique afastada do canto.

Paginação das chapas: orientação, desencontro e pontos críticos

Conceito de paginação

Paginação é o planejamento de como as chapas serão distribuídas na parede para reduzir desperdício e, principalmente, evitar juntas em locais críticos. Uma boa paginação considera: posição de portas/janelas, caixas elétricas, altura do pé-direito, lado que será fechado primeiro e sequência de parafusamento.

1) Orientação das chapas (vertical ou horizontal)

  • Vertical: comum quando a altura do ambiente é próxima ao comprimento da chapa, reduz juntas horizontais. Exige atenção para que todas as bordas caiam sobre montantes.
  • Horizontal: pode melhorar rigidez e facilitar desencontro de juntas, mas cria junta horizontal que precisa de tratamento bem executado e apoio adequado.

Critério prático: escolha a orientação que minimize juntas e recortes ao redor de aberturas, mantendo sempre apoio estrutural nas bordas.

2) Desencontro de juntas (evitar “costura” contínua)

Juntas alinhadas em sequência criam uma linha de fraqueza. O ideal é que as juntas verticais sejam desencontradas entre fiadas (quando houver mais de uma linha de chapas) e, em paredes com dupla camada, que as juntas da segunda camada não coincidam com as da primeira.

  • Na mesma face: desencontre juntas verticais entre chapas adjacentes quando houver recortes e complementos.
  • Entre camadas (dupla chapa): aplique a segunda camada com juntas deslocadas das juntas da primeira camada.
  • Entre faces opostas: evite que juntas de um lado coincidam exatamente com juntas do outro lado, quando a especificação de desempenho exigir maior robustez/acústica.

3) Juntas em aberturas: regra de ouro

Nunca termine uma junta no canto de porta/janela. Os cantos são concentradores de tensão. Se a junta “morrer” ali, a chance de fissura aumenta muito.

  • Como fazer: use chapas inteiras ou recortes em “L” (quando permitido pela boa prática e sem fragilizar a peça) para contornar a abertura, mantendo a junta afastada do canto.
  • Onde posicionar a junta: desloque a junta para além do canto da abertura, garantindo que a borda esteja apoiada em montante/travessa.

4) Recortes e furação (qualidade do corte = qualidade do acabamento)

  • Recortes para caixas: marque com precisão, corte sem “mastigar” o papel e teste o encaixe antes de parafusar tudo. Folgas excessivas dificultam acabamento.
  • Furação: faça furos limpos e com diâmetro adequado; evite rasgos que criam trincas no entorno.
  • Bordas cortadas: bordas de fábrica são mais estáveis; sempre que possível, planeje para que bordas de fábrica encontrem bordas de fábrica nas juntas principais.

5) Como evitar juntas em pontos críticos

  • Evite juntas alinhadas com eixos de portas, quinas e encontros em T.
  • Evite junta passando por trás de caixas elétricas (prefira posicionar a caixa dentro do campo da chapa).
  • Evite tiras muito estreitas de chapa nas extremidades; elas tendem a vibrar e trincar no tratamento.

Fixação das chapas: padrão de parafusamento e controle de profundidade

1) Sequência prática de fechamento (primeiro lado)

  • Posicione a chapa, confira prumo/alinhamento e encoste corretamente nas guias.
  • Parafuse primeiro nas extremidades para “assentar” a chapa, depois complete o miolo mantendo espaçamento regular.
  • Em juntas, garanta que ambas as bordas estejam apoiadas no mesmo montante (ou montante duplo quando necessário).

2) Distâncias e espaçamentos (referência de obra)

  • Distância do parafuso à borda: mantenha afastamento suficiente para não quebrar a borda nem rasgar o papel (especialmente em bordas cortadas).
  • Passo entre parafusos: use espaçamento regular ao longo de montantes e guias; reduza espaçamento em regiões mais solicitadas (perto de vãos e encontros) quando especificado.
  • Parafusos em dupla camada: cada camada deve ser fixada corretamente; não “economize” parafuso na primeira camada achando que a segunda compensa.

Observação: o espaçamento exato pode variar conforme sistema, tipo de chapa e exigência de desempenho. Siga o memorial/projeto e recomendações do fabricante do sistema adotado.

3) Profundidade correta: firme sem rasgar o papel

O parafuso deve ficar levemente embutido, criando um rebaixo para massa, mas sem romper o papel. Papel rasgado perde resistência e pode gerar “estouro” no acabamento.

  • Muito raso: a cabeça fica aparente e atrapalha o tratamento.
  • Muito fundo: rasga o papel e reduz a ancoragem; em casos assim, o correto é adicionar um novo parafuso ao lado e descartar o ponto comprometido.
  • Dica prática: ajuste a embreagem do parafusador e faça testes no início do dia e quando trocar lote de parafusos/chapas.

Inspeção de qualidade antes de fechar o segundo lado

Antes de chapear a segunda face, faça uma checagem completa. Essa etapa evita retrabalho e garante que a parede entregue desempenho e acabamento.

Checklist de inspeção (use como rotina)

  • Estrutura: montantes no prumo, alinhados, bem encaixados e fixos; espaçamento conforme modulação prevista.
  • Travamentos e reforços: instalados nas alturas corretas (porta, armários, acessórios) e bem fixados; reforços marcados/registrados.
  • Vãos: montantes laterais reforçados, verga firme, modulação acima do vão completa; sem junta prevista para terminar em canto de abertura.
  • Instalações: conduítes e tubulações fixos, sem contato cortante com metal, caixas alinhadas e firmes; testes de passagem realizados.
  • Limpeza interna: sem sobras de parafuso, recortes, pó excessivo ou detritos que possam gerar ruído.
  • Paginação do segundo lado: confirmada para desencontro de juntas e para evitar coincidência com aberturas e caixas.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao planejar a paginação das chapas em uma parede de drywall com vão de porta, qual prática ajuda a reduzir o risco de fissuras no acabamento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Os cantos de portas/janelas concentram tensões. Se a junta “morrer” no canto, aumenta a chance de fissura. A boa prática é afastar a junta do canto e manter a borda apoiada em montante ou travessa.

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Montagem de forros em drywall: pendurais, nivelamento e prevenção de fissuras

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