Montagem de forros em drywall: pendurais, nivelamento e prevenção de fissuras

Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Conceito: o que garante um forro em drywall estável e sem fissuras

Um forro em drywall funciona como um plano suspenso preso à estrutura da edificação por pendurais (tirantes) e sustentado por uma malha de perfis principais e secundários. Para evitar “barriga”, vibração e trincas, o conjunto precisa atender três pontos ao mesmo tempo: capacidade de carga (peso próprio + luminárias/acessórios), rigidez (travamentos e espaçamentos corretos) e movimentação controlada (folgas perimetrais e juntas quando necessárias).

As fissuras mais comuns em forros aparecem por: estrutura subdimensionada, pendurais mal distribuídos, falta de travamento, parafusamento inadequado, emendas mal posicionadas e travamento do forro nas paredes (sem folga), que transfere movimentações da alvenaria/estrutura para o gesso.

Estrutura do forro: pendurais, perfis e travamentos

Componentes e funções

  • Tirantes/pendurais: transferem a carga do forro para a laje/viga/estrutura superior. Devem ser fixados em base resistente (nunca em elementos frágeis ou acabamentos).
  • Perfil principal: recebe os pendurais e distribui a carga para os secundários.
  • Perfil secundário: forma a malha onde as chapas são parafusadas.
  • Travamentos/contraventamentos: reduzem torção e vibração, mantendo a planeza.
  • Perímetro (cantoneira/perfil de borda): define o contorno e serve de apoio/guia, sem “prender” o forro rigidamente às paredes quando a especificação exigir folga.

Critérios práticos de espaçamento (referência de obra)

Os espaçamentos variam conforme sistema, tipo de perfil, espessura de chapa e cargas adicionais. Como referência prática comum:

  • Secundários: frequentemente em torno de 40 cm (para chapas padrão) para reduzir flecha e “barriga”.
  • Principais: frequentemente entre 1,00 m e 1,20 m, conforme o sistema adotado.
  • Pendurais: distribuir de forma regular, com reforço próximo a encontros, recortes e pontos de carga.

Regra de ouro: se houver luminárias pesadas, cortineiros, dutos apoiados no forro ou qualquer carga concentrada, a malha deve ser recalculada/reforçada e a carga deve ser transferida preferencialmente à estrutura superior, não à chapa.

Passo a passo prático de montagem do forro

1) Conferência do ambiente e planejamento de interferências

  • Mapeie dutos, tubulações, sprinklers, luminárias, grelhas de ar e pontos elétricos.
  • Defina onde haverá aberturas de inspeção (acesso a registros, caixas de passagem, dampers, etc.).
  • Decida antecipadamente os pontos de carga (pendentes, trilhos, cortineiros, projetores) para prever reforços.

2) Marcação do nível do forro e do perímetro

Com o nível do forro definido, marque o perímetro em todas as paredes. Em seguida:

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  • Instale o perfil de borda (cantoneira/perfil perimetral) alinhado à marcação.
  • Em áreas com exigência de desacoplamento para evitar fissuras, mantenha a lógica de forro “flutuante”: o perímetro serve como referência e apoio, mas sem travar rigidamente a estrutura do forro na parede (detalhe depende do sistema especificado).

3) Locação e fixação dos tirantes (pendurais)

  • Marque no teto/laje as linhas dos perfis principais e os pontos dos pendurais.
  • Fixe os pendurais em base estrutural com fixação adequada (bucha/ancoragem compatível com concreto, aço ou madeira).
  • Garanta que os pendurais fiquem prumados e com comprimento suficiente para regulagem.
  • Evite pendurar em: eletrocalhas leves, dutos, forros existentes, rebocos soltos ou elementos não estruturais.

4) Montagem e nivelamento dos perfis principais

  • Engate/parafuse os perfis principais nos pendurais.
  • Faça o nivelamento ajustando os pendurais até que todos os principais estejam no mesmo plano.
  • Trabalhe com uma linha de referência (cordão/linha esticada) para checar o plano durante a montagem.

5) Montagem dos perfis secundários e formação da malha

  • Instale os secundários perpendiculares aos principais, respeitando o espaçamento definido.
  • Garanta que as linhas de secundários coincidam com as futuras linhas de emenda das chapas (para que toda borda de chapa tenha apoio).
  • Em recortes e contornos (vigas, sancas, rebaixos), crie perfis adicionais para não deixar bordas “no ar”.

6) Travamentos e rigidez (prevenção de vibração e “barriga”)

Mesmo com espaçamentos corretos, a malha pode vibrar se não houver travamento adequado. Medidas típicas:

  • Travamento entre perfis (pontes/amarrações) em áreas grandes para reduzir torção.
  • Reforço ao redor de aberturas (inspeção, luminárias grandes, grelhas) com moldura de perfis.
  • Duplicação de perfis ou adição de pendurais em linhas que receberão cargas concentradas.

7) Conferência de planeza antes das chapas

  • Use régua longa/linha para verificar planeza em diferentes direções.
  • Corrija desníveis ajustando pendurais e reapertando conexões.
  • Cheque se não há perfis “torcidos” ou com emendas mal apoiadas.

Folgas perimetrais e juntas de movimentação: onde nascem (ou morrem) as trincas

Folga perimetral (desacoplamento do forro das paredes)

Para reduzir trincas no encontro forro-parede, é comum prever folga perimetral (o forro não deve ficar “travado” na alvenaria). Na prática:

  • Deixe uma folga controlada entre a chapa do forro e a parede, que será tratada no acabamento (massa/fita conforme detalhe do sistema e tipo de acabamento).
  • Evite parafusar a chapa “puxando” contra a parede para fechar vão: isso cria tensão e favorece fissura.
  • Em paredes com potencial de movimentação (alvenaria nova, paredes longas, encontros com estrutura), o desacoplamento é ainda mais importante.

Juntas de movimentação (quando aplicáveis)

Em áreas extensas, mudanças de geometria, encontros com juntas estruturais ou quando o projeto especificar, devem existir juntas de movimentação no forro. Diretrizes práticas:

  • Respeite juntas existentes na estrutura (não “passe” com chapa por cima de junta estrutural).
  • Crie junta em mudanças de plano (rebaixos, sancas longas) quando indicado.
  • Detalhe a junta com perfis e acabamento apropriado para permitir movimento sem trincar.

Interferências: dutos, luminárias e sprinklers sem improviso

Dutos e tubulações

  • Não apoie dutos no forro de drywall: duto deve ser pendurado na estrutura superior.
  • Se o duto encostar no forro, ele transmite vibração e pode gerar fissuras; mantenha folga e use suportes próprios.
  • Ao redor de passagens, crie moldura de perfis para apoiar bordas recortadas de chapa.

Luminárias (embutidas e pendentes)

  • Embutidas leves: prever recorte com apoio de perfis próximos e respeitar distâncias mínimas do fabricante (calor/ventilação).
  • Pendentes e luminárias pesadas: a carga deve ir para a estrutura superior (tirante próprio), com reforço local na malha apenas para estabilização e acabamento.
  • Evite deixar recortes muito próximos de emendas de chapa; priorize posicionar luminárias em áreas de chapa “inteira”.

Sprinklers

  • Respeite o posicionamento e a altura do sprinkler conforme projeto de incêndio.
  • Não force o sprinkler para “encontrar” o furo: o recorte deve ser preciso e com folga adequada para acabamento (canopla).
  • Se houver necessidade de inspeção/manutenção, planeje acesso (placa removível ou alçapão).

Paginação das chapas no forro: emendas, sentido e recortes

Regras práticas de paginação

  • Planeje para que as emendas caiam sempre sobre perfis (nunca em vão).
  • Desencontre emendas: evite alinhamento de emendas em linhas longas contínuas; distribua para reduzir risco de fissura.
  • Evite emendas muito próximas a recortes grandes (luminárias, grelhas, inspeções).
  • Prefira iniciar com chapas inteiras e deixar recortes/ajustes para áreas menos críticas visualmente.

Posição das bordas e tratamento de juntas

  • Bordas de fábrica e bordas cortadas devem ser previstas: borda cortada exige mais cuidado no acabamento e precisa de apoio firme.
  • Quando houver borda cortada, faça corte limpo e, se o sistema exigir, prepare a borda para receber massa e fita adequadamente.

Parafusamento no forro: fixação sem deformar a chapa

Boas práticas

  • Parafuse com a chapa bem encostada no perfil, sem “puxar” a chapa para corrigir desnível da estrutura (corrija a estrutura antes).
  • O parafuso deve ficar com a cabeça ligeiramente embutida no cartão, sem rasgar o papel.
  • Mantenha espaçamento regular entre parafusos e maior atenção em bordas e emendas.
  • Evite parafusar muito próximo de cantos/recortes para não trincar o cartão.

Como evitar “barriga”

  • Garanta espaçamento adequado dos secundários e travamentos.
  • Não deixe chapas “penduradas” sem apoio em bordas.
  • Evite acúmulo de massa em excesso em uma faixa estreita (pode marcar e criar sombra); o plano deve vir da estrutura.

Encontro com paredes: como reduzir trincas e sombras

Detalhe de encontro e acabamento

  • Preserve a folga perimetral prevista e trate o encontro conforme o sistema (massa/fita e/ou selante/acabamento específico).
  • Em paredes sujeitas a movimentação, prefira soluções que permitam microdeformações sem fissurar (detalhe de junta perimetral).
  • Evite “colar” a chapa na parede com massa para fechar vão: isso cria ponto rígido e tende a trincar.

Aberturas de inspeção (alçapões) e reforços de carga

Aberturas de inspeção: onde e como fazer

  • Posicione inspeções próximas a registros, caixas de passagem, válvulas e equipamentos que exigem manutenção.
  • Crie uma moldura de perfis ao redor da abertura (quadro rígido), para que o recorte não enfraqueça a malha.
  • Evite abrir inspeção sobre emendas de chapa; prefira em área de chapa inteira.
  • Use sistema de tampa removível compatível com o acabamento (pintura, forro liso, etc.).

Reforços para luminárias pesadas, cortineiros e cargas concentradas

  • Carga deve ir para a estrutura superior sempre que possível: use tirantes dedicados, suportes e chumbadores apropriados.
  • Reforce a malha com perfis adicionais formando um quadro na região da carga para evitar vibração e fissura no acabamento.
  • Para cortineiros e trilhos, planeje uma linha de reforço contínua (perfil duplicado e/ou pendurais mais próximos) ao longo do trecho.
  • Não confie a sustentação em “buchas na chapa” para cargas relevantes; a chapa é fechamento, não elemento estrutural.

Checklist de conferência antes do fechamento com chapas

ItemO que verificarProblema evitado
NivelamentoPrincipais no mesmo plano; secundários sem torçãoOndulações e sombras no acabamento
PenduraisDistribuição regular e fixação em base resistenteFlecha, vibração, risco de queda
TravamentosPontes/amarrações e reforços em aberturas“Barriga” e trepidação
InterferênciasDutos e cargas pendurados na estrutura, não no forroTrincas por vibração e sobrecarga
PaginaçãoEmendas sobre perfis e desencontradasFissuras em linhas contínuas
PerímetroFolga prevista e detalhe de encontro respeitadoTrincas no encontro com paredes

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Para reduzir o risco de trincas no encontro entre o forro de drywall e as paredes, qual prática é a mais indicada durante a montagem e o acabamento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O desacoplamento com folga perimetral reduz a transferência de movimentações da parede para o forro, diminuindo a chance de fissuras. “Fechar” o vão puxando a chapa ou colando com massa cria rigidez e tensão.

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