Isolamento acústico e térmico no drywall: lã mineral, desacoplamento e selagens

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Como o desempenho acústico e térmico é construído no sistema

Em drywall, o desempenho não depende de um “material milagroso”, mas da combinação correta de três fatores: massa, mola e desacoplamento, além de selagens para eliminar vazamentos.

Massa (bloqueio)

A massa é o que dificulta a passagem do som pelo elemento. No drywall, a massa vem principalmente das chapas (quantidade, espessura e densidade) e, em menor grau, de camadas adicionais (ex.: dupla chapa). Regra prática: mais massa tende a melhorar o isolamento, especialmente em frequências médias/altas.

Mola (absorção no vão)

A “mola” é o ar e o material fibroso dentro da cavidade. A cavidade funciona como um sistema que pode ressoar; a manta de lã mineral ajuda a amortecer essa ressonância e reduzir a energia sonora dentro do vão. Termicamente, a manta reduz a troca de calor por convecção e condução no interior da parede/forro.

Desacoplamento (quebra de caminho)

Desacoplar é evitar que vibrações passem rigidamente de um lado para o outro. Isso é feito com soluções como parede dupla, montantes desencontrados, guias com banda acústica e cuidado para não criar ligações rígidas (parafusos, travessas, tubulações) que unam as duas faces. Regra prática: pontes rígidas “curtam” o sistema massa-mola-massa e derrubam o desempenho.

Vazamentos (o inimigo silencioso)

Mesmo com boa massa e manta, frestas e passagens mal seladas deixam o som “vazar” como água. Uma pequena abertura contínua no perímetro pode comprometer muito o resultado. Por isso, selagem perimetral e em atravessamentos é parte do sistema, não acabamento.

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Seleção de mantas: lã de vidro e lã de rocha

As duas são “lã mineral” e funcionam bem em drywall quando instaladas corretamente. A escolha costuma considerar densidade, rigidez, comportamento ao fogo, disponibilidade e facilidade de manuseio.

Critérios práticos de seleção

  • Espessura: escolha para preencher a cavidade sem esmagar. O ideal é encostar levemente nos montantes/chapas, sem ficar comprimida.
  • Densidade/rigidez: mantas muito “moles” podem ceder com o tempo se mal fixadas; mantas muito rígidas podem dificultar encaixe e gerar folgas. Busque manta própria para drywall/vedações.
  • Acústica: o ganho vem mais do preenchimento correto e ausência de vazamentos do que de “densidade extrema”. Uma manta bem instalada costuma superar uma manta “melhor” mal instalada.
  • Térmica: verifique o desempenho térmico do produto (condutividade térmica declarada) e a espessura compatível com o sistema.
  • Ambiente: em áreas com risco de umidade, garanta que o sistema esteja adequado (controle de infiltrações/condensação) e use produtos indicados pelo fabricante.

Erros comuns na escolha

  • Comprar manta mais espessa que a cavidade e comprimir para caber (perde desempenho e pode empurrar a chapa).
  • Usar retalhos pequenos e deixar vazios entre peças.
  • Escolher manta sem considerar o tipo de parede (simples, dupla, shaft) e as passagens previstas.

Instalação correta da manta (passo a passo)

1) Preparação do vão

  • Confirme que a estrutura está pronta e que não há rebarbas ou parafusos salientes que rasguem a manta.
  • Planeje as passagens (elétrica/hidráulica) para evitar cortes excessivos e remendos.

2) Corte e encaixe

  • Meça o vão entre montantes e corte a manta com pequena sobra (encaixe por pressão leve), evitando folgas laterais.
  • Para alturas grandes, prefira peças inteiras ou emendas com sobreposição mínima, sem deixar “linha de ar” contínua.

3) Preenchimento contínuo

  • Preencha toda a cavidade, do piso ao teto, sem “janelas” vazias.
  • Não deixe a manta encostada e esmagada por conduítes/tubos; faça recortes justos para contornar.

4) Tratamento em torno de instalações

  • Em conduítes e caixas, recorte a manta para envolver o elemento, mantendo o preenchimento ao redor.
  • Evite “túneis” vazios atrás de caixas elétricas: eles viram dutos de som.

5) Conferência antes de fechar a segunda face

  • Verifique se não há manta caída, folgas nos cantos, ou áreas sem preenchimento.
  • Garanta que não existam elementos rígidos conectando as duas faces (ver seção de pontes acústicas).

Como evitar pontes acústicas (desacoplamento na prática)

Ponte acústica é qualquer ligação rígida que permita a vibração “pular” a cavidade. Em drywall, as pontes mais comuns são fáceis de criar sem perceber.

Pontes acústicas típicas e como prevenir

  • Guias sem banda acústica: instale banda acústica sob guias em contato com piso, teto e paredes laterais. Isso reduz transmissão de vibração e ajuda na vedação de microirregularidades.
  • Parafusos/peças atravessando: evite fixações que conectem uma face à outra (ex.: prender reforço atravessando a cavidade e “costurando” as chapas dos dois lados).
  • Travamentos rígidos desnecessários: use apenas os travamentos previstos e evite “reforços” improvisados que encostem nas duas faces.
  • Tubulações encostadas na chapa: mantenha folga e use abraçadeiras/isoladores adequados para reduzir vibração. Tubo rígido encostado na chapa vira transmissor.
  • Caixas elétricas opostas: não alinhe caixas em faces opostas no mesmo vão. Prefira desencontrar (offset) e manter distância.
  • Contato da chapa com estrutura do entorno: garanta que a chapa não fique “travada” em pilares/parede existente sem tratamento; use selagem e detalhes que evitem contato rígido indesejado.

Selagem perimetral: como fazer e onde não pode falhar

A selagem perimetral fecha o caminho do ar (e do som) entre a parede/forro e os elementos adjacentes. Deve ser contínua e elástica, acompanhando pequenas movimentações sem abrir frestas.

Materiais usuais

  • Selante acústico/elástico (ex.: base acrílica/elastomérica indicada para vedação acústica): para juntas perimetrais e encontros.
  • Espuma expansiva: pode ajudar em vazios grandes, mas deve ser usada com critério; não substitui selante de acabamento quando há risco de fissurar/abrir.
  • Banda acústica sob guias: complementa a vedação e o desacoplamento.

Passo a passo de selagem perimetral

  1. Antes de fechar a última face: verifique se a banda acústica está contínua sob as guias e se não há trechos faltando.
  2. Após chapear: aplique selante no encontro da chapa com piso/teto/parede lateral, formando um cordão contínuo. Não deixe “falhas” em cantos e atrás de rodapés/sancas.
  3. Juntas com elementos irregulares: onde houver desnível, preencha primeiro o vazio (se necessário) e finalize com selante elástico para manter continuidade.
  4. Checagem visual: procure por microfrestas contínuas (linha escura) e refaça o cordão onde houver descontinuidade.

Selagem em passagens: caixas elétricas, tubulações e aberturas

Caixas elétricas (tomadas/interruptores)

  • Evite alinhamento frente a frente em faces opostas. Desencontre as caixas em altura ou em montantes diferentes.
  • Vedação do recorte: o furo da chapa deve ficar justo. Vãos ao redor da caixa devem ser selados com selante apropriado.
  • Fundo da caixa: entradas de eletroduto devem ficar bem ajustadas; onde houver folga, vede para impedir passagem de ar.

Tubulações (hidráulica, dreno, gás, exaustão)

  • Folga controlada: deixe folga mínima para movimentação, mas sem “anel” aberto ao redor do tubo.
  • Selagem do anel: use selante elástico ao redor da passagem. Em aberturas maiores, preencha o volume e finalize com selante.
  • Evite contato rígido: se o tubo encostar na chapa, pode transmitir vibração. Use suportes que reduzam vibração e mantenha afastamento.

Aberturas técnicas e inspeções

  • Portinholas e tampas de inspeção devem ter vedação perimetral (gaxeta/selante) e fechamento firme. Uma tampa “folgada” vira vazamento acústico dominante.
  • Passagens de shafts: trate como ponto crítico; o shaft costuma concentrar furos e mudanças de direção.

Uso de banda acústica sob guias: aplicação correta

A banda acústica é aplicada entre guia metálica e o substrato (piso, laje, parede lateral). Ela ajuda a reduzir transmissão de vibração e melhora a vedação de pequenas irregularidades.

Boas práticas

  • Aplicar em toda a extensão das guias (sem emendas abertas). Emendas devem ser justas, sem sobreposição que crie desnível.
  • Substrato limpo e seco para garantir aderência (quando autoadesiva).
  • Não “pular” trechos em áreas escondidas (atrás de batentes, pilares, encontros).

Configurações típicas e onde cada uma funciona melhor

Parede simples com lã mineral (melhoria custo-benefício)

Configuração: uma estrutura única, chapas em cada face e preenchimento da cavidade com lã mineral.

  • Vantagens: melhora significativa em relação à parede vazia; boa solução para divisórias internas comuns.
  • Pontos críticos: selagem perimetral e caixas elétricas; evitar folgas na manta.

Parede dupla (alto desempenho por desacoplamento)

Configuração: duas estruturas independentes (ou solução que reduza a ligação rígida), cada uma com sua(s) chapa(s), com vão entre elas e lã mineral onde aplicável.

  • Vantagens: o desacoplamento reduz a transmissão estrutural; tende a ser superior em baixas frequências.
  • Pontos críticos: não criar ligações rígidas entre estruturas (travessas, reforços, instalações); selar perímetros de cada conjunto.

Shafts com selagem reforçada (controle de vazamentos e fumaça/ruído)

Configuração: fechamento de shaft com chapas adequadas ao requisito do projeto, manta quando prevista, e selagem rigorosa em todas as passagens.

  • Vantagens: reduz ruído de prumadas e evita que o shaft vire “chaminé acústica”.
  • Pontos críticos: passagens de tubulação, inspeções, encontros com lajes e paredes; vedar anéis ao redor de tubos e manter continuidade do fechamento.

Roteiro de verificação em obra: identificando vazamentos acústicos comuns

Checklist rápido (antes de fechar a segunda face)

  • Manta: há preenchimento contínuo? Existem vazios nos cantos, no topo, atrás de caixas?
  • Compressão: a manta está comprimida (espremida) em algum trecho? Há “barrigas” empurrando a chapa?
  • Pontes: existe algum elemento rígido conectando as duas faces (parafuso comprido, reforço atravessando, tubo encostado)?
  • Caixas elétricas: estão desencontradas entre faces opostas? Há recortes justos?

Checklist após fechamento e antes dos acabamentos finais

  • Perímetro: existe fresta contínua no encontro com piso/teto/parede lateral? O selante está contínuo?
  • Rodapé/sanca: há trechos sem vedação escondidos por acabamentos?
  • Passagens: ao redor de tubos e conduítes, há anéis abertos? As portinholas vedam bem?
  • Encontros com esquadrias: há folgas entre drywall e batentes/caixilhos sem selagem?

Teste prático de detecção (simples e eficaz)

  • Teste de luz: em ambiente escuro, ilumine o perímetro e passagens pelo lado oposto (quando possível). Onde passa luz, tende a passar ar e som.
  • Teste de fumaça/vento leve: com cuidado e segurança, use uma fonte de fumaça apropriada ou observe movimento de ar próximo a tomadas/rodapés (quando houver diferença de pressão). Vazamento de ar indica falha de vedação.
  • Teste de ruído pontual: com uma fonte sonora constante de um lado, percorra o outro lado com atenção em tomadas, perímetros, portinholas e encontros. Picos localizados geralmente indicam vazamento, não falta de massa.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao buscar melhor desempenho acústico e térmico em uma parede de drywall, qual conjunto de ações está mais alinhado com a lógica do sistema massa-mola-desacoplamento e o controle de vazamentos?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O desempenho resulta da combinação de massa (chapas), “mola” (ar + lã mineral bem preenchida), desacoplamento (evitar pontes rígidas) e selagens para eliminar frestas e vazamentos em perímetros e passagens.

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Reforços para cargas no drywall: pontos de fixação, bloqueios e ancoragens

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