Como o desempenho acústico e térmico é construído no sistema
Em drywall, o desempenho não depende de um “material milagroso”, mas da combinação correta de três fatores: massa, mola e desacoplamento, além de selagens para eliminar vazamentos.
Massa (bloqueio)
A massa é o que dificulta a passagem do som pelo elemento. No drywall, a massa vem principalmente das chapas (quantidade, espessura e densidade) e, em menor grau, de camadas adicionais (ex.: dupla chapa). Regra prática: mais massa tende a melhorar o isolamento, especialmente em frequências médias/altas.
Mola (absorção no vão)
A “mola” é o ar e o material fibroso dentro da cavidade. A cavidade funciona como um sistema que pode ressoar; a manta de lã mineral ajuda a amortecer essa ressonância e reduzir a energia sonora dentro do vão. Termicamente, a manta reduz a troca de calor por convecção e condução no interior da parede/forro.
Desacoplamento (quebra de caminho)
Desacoplar é evitar que vibrações passem rigidamente de um lado para o outro. Isso é feito com soluções como parede dupla, montantes desencontrados, guias com banda acústica e cuidado para não criar ligações rígidas (parafusos, travessas, tubulações) que unam as duas faces. Regra prática: pontes rígidas “curtam” o sistema massa-mola-massa e derrubam o desempenho.
Vazamentos (o inimigo silencioso)
Mesmo com boa massa e manta, frestas e passagens mal seladas deixam o som “vazar” como água. Uma pequena abertura contínua no perímetro pode comprometer muito o resultado. Por isso, selagem perimetral e em atravessamentos é parte do sistema, não acabamento.
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Seleção de mantas: lã de vidro e lã de rocha
As duas são “lã mineral” e funcionam bem em drywall quando instaladas corretamente. A escolha costuma considerar densidade, rigidez, comportamento ao fogo, disponibilidade e facilidade de manuseio.
Critérios práticos de seleção
- Espessura: escolha para preencher a cavidade sem esmagar. O ideal é encostar levemente nos montantes/chapas, sem ficar comprimida.
- Densidade/rigidez: mantas muito “moles” podem ceder com o tempo se mal fixadas; mantas muito rígidas podem dificultar encaixe e gerar folgas. Busque manta própria para drywall/vedações.
- Acústica: o ganho vem mais do preenchimento correto e ausência de vazamentos do que de “densidade extrema”. Uma manta bem instalada costuma superar uma manta “melhor” mal instalada.
- Térmica: verifique o desempenho térmico do produto (condutividade térmica declarada) e a espessura compatível com o sistema.
- Ambiente: em áreas com risco de umidade, garanta que o sistema esteja adequado (controle de infiltrações/condensação) e use produtos indicados pelo fabricante.
Erros comuns na escolha
- Comprar manta mais espessa que a cavidade e comprimir para caber (perde desempenho e pode empurrar a chapa).
- Usar retalhos pequenos e deixar vazios entre peças.
- Escolher manta sem considerar o tipo de parede (simples, dupla, shaft) e as passagens previstas.
Instalação correta da manta (passo a passo)
1) Preparação do vão
- Confirme que a estrutura está pronta e que não há rebarbas ou parafusos salientes que rasguem a manta.
- Planeje as passagens (elétrica/hidráulica) para evitar cortes excessivos e remendos.
2) Corte e encaixe
- Meça o vão entre montantes e corte a manta com pequena sobra (encaixe por pressão leve), evitando folgas laterais.
- Para alturas grandes, prefira peças inteiras ou emendas com sobreposição mínima, sem deixar “linha de ar” contínua.
3) Preenchimento contínuo
- Preencha toda a cavidade, do piso ao teto, sem “janelas” vazias.
- Não deixe a manta encostada e esmagada por conduítes/tubos; faça recortes justos para contornar.
4) Tratamento em torno de instalações
- Em conduítes e caixas, recorte a manta para envolver o elemento, mantendo o preenchimento ao redor.
- Evite “túneis” vazios atrás de caixas elétricas: eles viram dutos de som.
5) Conferência antes de fechar a segunda face
- Verifique se não há manta caída, folgas nos cantos, ou áreas sem preenchimento.
- Garanta que não existam elementos rígidos conectando as duas faces (ver seção de pontes acústicas).
Como evitar pontes acústicas (desacoplamento na prática)
Ponte acústica é qualquer ligação rígida que permita a vibração “pular” a cavidade. Em drywall, as pontes mais comuns são fáceis de criar sem perceber.
Pontes acústicas típicas e como prevenir
- Guias sem banda acústica: instale banda acústica sob guias em contato com piso, teto e paredes laterais. Isso reduz transmissão de vibração e ajuda na vedação de microirregularidades.
- Parafusos/peças atravessando: evite fixações que conectem uma face à outra (ex.: prender reforço atravessando a cavidade e “costurando” as chapas dos dois lados).
- Travamentos rígidos desnecessários: use apenas os travamentos previstos e evite “reforços” improvisados que encostem nas duas faces.
- Tubulações encostadas na chapa: mantenha folga e use abraçadeiras/isoladores adequados para reduzir vibração. Tubo rígido encostado na chapa vira transmissor.
- Caixas elétricas opostas: não alinhe caixas em faces opostas no mesmo vão. Prefira desencontrar (offset) e manter distância.
- Contato da chapa com estrutura do entorno: garanta que a chapa não fique “travada” em pilares/parede existente sem tratamento; use selagem e detalhes que evitem contato rígido indesejado.
Selagem perimetral: como fazer e onde não pode falhar
A selagem perimetral fecha o caminho do ar (e do som) entre a parede/forro e os elementos adjacentes. Deve ser contínua e elástica, acompanhando pequenas movimentações sem abrir frestas.
Materiais usuais
- Selante acústico/elástico (ex.: base acrílica/elastomérica indicada para vedação acústica): para juntas perimetrais e encontros.
- Espuma expansiva: pode ajudar em vazios grandes, mas deve ser usada com critério; não substitui selante de acabamento quando há risco de fissurar/abrir.
- Banda acústica sob guias: complementa a vedação e o desacoplamento.
Passo a passo de selagem perimetral
- Antes de fechar a última face: verifique se a banda acústica está contínua sob as guias e se não há trechos faltando.
- Após chapear: aplique selante no encontro da chapa com piso/teto/parede lateral, formando um cordão contínuo. Não deixe “falhas” em cantos e atrás de rodapés/sancas.
- Juntas com elementos irregulares: onde houver desnível, preencha primeiro o vazio (se necessário) e finalize com selante elástico para manter continuidade.
- Checagem visual: procure por microfrestas contínuas (linha escura) e refaça o cordão onde houver descontinuidade.
Selagem em passagens: caixas elétricas, tubulações e aberturas
Caixas elétricas (tomadas/interruptores)
- Evite alinhamento frente a frente em faces opostas. Desencontre as caixas em altura ou em montantes diferentes.
- Vedação do recorte: o furo da chapa deve ficar justo. Vãos ao redor da caixa devem ser selados com selante apropriado.
- Fundo da caixa: entradas de eletroduto devem ficar bem ajustadas; onde houver folga, vede para impedir passagem de ar.
Tubulações (hidráulica, dreno, gás, exaustão)
- Folga controlada: deixe folga mínima para movimentação, mas sem “anel” aberto ao redor do tubo.
- Selagem do anel: use selante elástico ao redor da passagem. Em aberturas maiores, preencha o volume e finalize com selante.
- Evite contato rígido: se o tubo encostar na chapa, pode transmitir vibração. Use suportes que reduzam vibração e mantenha afastamento.
Aberturas técnicas e inspeções
- Portinholas e tampas de inspeção devem ter vedação perimetral (gaxeta/selante) e fechamento firme. Uma tampa “folgada” vira vazamento acústico dominante.
- Passagens de shafts: trate como ponto crítico; o shaft costuma concentrar furos e mudanças de direção.
Uso de banda acústica sob guias: aplicação correta
A banda acústica é aplicada entre guia metálica e o substrato (piso, laje, parede lateral). Ela ajuda a reduzir transmissão de vibração e melhora a vedação de pequenas irregularidades.
Boas práticas
- Aplicar em toda a extensão das guias (sem emendas abertas). Emendas devem ser justas, sem sobreposição que crie desnível.
- Substrato limpo e seco para garantir aderência (quando autoadesiva).
- Não “pular” trechos em áreas escondidas (atrás de batentes, pilares, encontros).
Configurações típicas e onde cada uma funciona melhor
Parede simples com lã mineral (melhoria custo-benefício)
Configuração: uma estrutura única, chapas em cada face e preenchimento da cavidade com lã mineral.
- Vantagens: melhora significativa em relação à parede vazia; boa solução para divisórias internas comuns.
- Pontos críticos: selagem perimetral e caixas elétricas; evitar folgas na manta.
Parede dupla (alto desempenho por desacoplamento)
Configuração: duas estruturas independentes (ou solução que reduza a ligação rígida), cada uma com sua(s) chapa(s), com vão entre elas e lã mineral onde aplicável.
- Vantagens: o desacoplamento reduz a transmissão estrutural; tende a ser superior em baixas frequências.
- Pontos críticos: não criar ligações rígidas entre estruturas (travessas, reforços, instalações); selar perímetros de cada conjunto.
Shafts com selagem reforçada (controle de vazamentos e fumaça/ruído)
Configuração: fechamento de shaft com chapas adequadas ao requisito do projeto, manta quando prevista, e selagem rigorosa em todas as passagens.
- Vantagens: reduz ruído de prumadas e evita que o shaft vire “chaminé acústica”.
- Pontos críticos: passagens de tubulação, inspeções, encontros com lajes e paredes; vedar anéis ao redor de tubos e manter continuidade do fechamento.
Roteiro de verificação em obra: identificando vazamentos acústicos comuns
Checklist rápido (antes de fechar a segunda face)
- Manta: há preenchimento contínuo? Existem vazios nos cantos, no topo, atrás de caixas?
- Compressão: a manta está comprimida (espremida) em algum trecho? Há “barrigas” empurrando a chapa?
- Pontes: existe algum elemento rígido conectando as duas faces (parafuso comprido, reforço atravessando, tubo encostado)?
- Caixas elétricas: estão desencontradas entre faces opostas? Há recortes justos?
Checklist após fechamento e antes dos acabamentos finais
- Perímetro: existe fresta contínua no encontro com piso/teto/parede lateral? O selante está contínuo?
- Rodapé/sanca: há trechos sem vedação escondidos por acabamentos?
- Passagens: ao redor de tubos e conduítes, há anéis abertos? As portinholas vedam bem?
- Encontros com esquadrias: há folgas entre drywall e batentes/caixilhos sem selagem?
Teste prático de detecção (simples e eficaz)
- Teste de luz: em ambiente escuro, ilumine o perímetro e passagens pelo lado oposto (quando possível). Onde passa luz, tende a passar ar e som.
- Teste de fumaça/vento leve: com cuidado e segurança, use uma fonte de fumaça apropriada ou observe movimento de ar próximo a tomadas/rodapés (quando houver diferença de pressão). Vazamento de ar indica falha de vedação.
- Teste de ruído pontual: com uma fonte sonora constante de um lado, percorra o outro lado com atenção em tomadas, perímetros, portinholas e encontros. Picos localizados geralmente indicam vazamento, não falta de massa.