Por que controlar as finanças (de verdade)
Gestão financeira básica não é “virar contador” nem criar um sistema complexo. É ter informações suficientes para tomar decisões simples com segurança. Antes de pensar em planilhas, defina o objetivo do seu controle. Um controle bem feito serve para quatro coisas:
- Decidir: saber se dá para comprar, contratar, fazer promoção, investir ou segurar.
- Pagar: garantir que contas, impostos e fornecedores sejam pagos no prazo, sem sustos.
- Crescer: separar o que é lucro do que é caixa, planejar reposição de estoque, marketing e expansão.
- Evitar surpresas: enxergar faltas de caixa antes que virem atraso, multa ou empréstimo caro.
Princípios de simplicidade (para não abandonar no meio)
O melhor controle é o que você consegue manter. Para isso, use princípios práticos:
- Mínimo necessário: registre só o que ajuda a decidir e pagar. Detalhe demais vira abandono.
- Uma fonte de verdade: escolha um único lugar para registrar (caderno ou planilha) e não espalhe em vários locais.
- Rotina curta e frequente: 10–15 minutos por dia ou 30–45 minutos por semana, em vez de “mutirão” mensal.
- Separação por data: registre com data de ocorrência e, quando existir, data de vencimento.
- Organização antes de análise: primeiro registre e categorize; depois você olha números e decide.
Informações mínimas para acompanhar (o núcleo do controle)
Para gestão financeira básica do negócio, acompanhe apenas quatro blocos de informação. Eles já permitem enxergar a saúde do caixa e agir:
- Entradas: tudo que entra no caixa (vendas à vista, recebimentos de vendas a prazo, serviços, comissões, etc.).
- Saídas: tudo que sai (fornecedores, aluguel, internet, taxas, impostos, folha, combustível, embalagens, etc.).
- Saldo: quanto você tem disponível (caixa + banco) após considerar o que já entrou e saiu.
- Prazos: quando você vai receber e quando precisa pagar (datas de vencimento e datas previstas de recebimento).
Exemplo prático (mínimo que já funciona)
Imagine um negócio que vende por Pix e cartão. No dia a dia, você não precisa registrar “todas as informações do cliente”; basta:
- Entrada: “Venda Pix – R$ 180 – 10/01”.
- Entrada: “Cartão (a receber) – R$ 600 – previsto 20/01”.
- Saída: “Fornecedor – R$ 350 – vence 15/01”.
- Saída: “Internet – R$ 120 – vence 12/01”.
Com isso, você já enxerga se o saldo aguenta os vencimentos antes do recebimento do cartão.
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Organização de documentos (rotina leve, sem burocracia)
Documentos financeiros são seu “lastro” para conferir lançamentos, resolver divergências e comprovar despesas. O objetivo aqui é encontrar rápido, não criar um arquivo perfeito.
Quais documentos guardar
- Notas fiscais e recibos (compras, serviços, despesas recorrentes).
- Extratos bancários (conta PJ e, se usar, conta pessoal para o negócio).
- Comprovantes de pagamento (Pix, boletos, transferências).
- Faturas e relatórios (cartão, maquininhas, gateways, taxas).
- Contratos e boletos (aluguel, fornecedores, assinaturas).
Como guardar (padrão simples)
Escolha um formato principal (digital é o mais prático) e mantenha um padrão de nomes para localizar depois.
- Pasta digital por mês: 2026-01, 2026-02, 2026-03…
- Subpastas fixas: Entradas, Saídas, Bancos, Impostos, Contratos.
- Nome do arquivo:
AAAA-MM-DD_Tipo_Fornecedor_Valor
Exemplos de nomes:
2026-01-12_Despesa_Internet_1202026-01-15_Despesa_FornecedorX_3502026-01-20_Entrada_Cartao_600
Passo a passo: rotina leve de 10 minutos
- Capturar: ao pagar ou receber, salve o comprovante (print/PDF) na pasta do mês.
- Registrar: lance no seu modelo (caderno/planilha) com data, descrição, categoria, valor e prazo (se houver).
- Conferir: 1 vez por semana, compare seus lançamentos com extrato e faturas para achar esquecidos.
- Separar pendências: se algo não bate (taxa, estorno, cobrança duplicada), marque como “pendente” e resolva.
Checklist de estrutura inicial (para começar hoje)
1) Pasta digital (estrutura mínima)
- Criar uma pasta chamada Financeiro.
- Criar subpastas: 2026-01, 2026-02… (uma por mês).
- Dentro de cada mês: Entradas, Saídas, Bancos, Impostos, Contratos.
- Definir padrão de nome de arquivo e usar sempre.
2) Categorias de gastos (poucas e úteis)
Categoria serve para você entender para onde o dinheiro está indo. Comece com 8 a 12 categorias. Se passar disso, simplifique.
| Tipo | Categorias sugeridas | Exemplos |
|---|---|---|
| Operação | Fornecedores / Mercadorias | compra de estoque, matéria-prima |
| Operação | Embalagens e logística | caixas, etiquetas, frete |
| Estrutura | Aluguel e condomínio | ponto comercial, sala |
| Estrutura | Contas fixas | internet, energia, água, telefone |
| Vendas | Taxas e meios de pagamento | maquininha, antecipação, tarifas |
| Marketing | Divulgação | anúncios, designer, fotos |
| Pessoas | Mão de obra | salários, freelancers, comissões |
| Obrigatório | Impostos e taxas | guias, licenças, alvarás |
| Financeiro | Juros e encargos | multa, juros, tarifas bancárias |
| Outros | Diversos | gastos raros (use com moderação) |
Dica prática: se “Diversos” começar a ficar grande, crie uma nova categoria para o que mais aparece.
3) Calendário financeiro (visão de prazos)
O calendário financeiro é uma lista simples do que vence e do que entra, com datas. Pode ser em papel, agenda ou no próprio registro.
Estrutura mínima:
- Contas fixas: aluguel, internet, energia, sistemas, contador, etc. (com dia do mês).
- Impostos: datas de guias e obrigações.
- Recebimentos: datas de repasse de cartão, boletos, contratos.
- Compras planejadas: reposição de estoque e pagamentos a fornecedores.
Modelo de lista (exemplo):
SEMANA 1 (01–07): Internet (05), Fornecedor A (07) | Receber cartão (06) SEMANA 2 (08–14): Aluguel (10), Energia (12) | Receber boleto cliente (14) SEMANA 3 (15–21): Imposto X (20) | Receber cartão (20) SEMANA 4 (22–30): Fornecedor B (28) | Receber Pix (diário)4) Escolha de um modelo simples de registro (planilha ou caderno)
O modelo precisa permitir registrar entradas, saídas, saldo e prazos. Abaixo estão dois formatos simples; escolha um e mantenha por pelo menos 30 dias.
Opção A: Registro em tabela (recomendado para começar)
Use uma tabela com colunas fixas:
- Data
- Tipo (Entrada/Saída)
- Descrição
- Categoria
- Valor
- Vencimento/Recebimento (se diferente da data)
- Status (Pago/Recebido/Pendente)
- Saldo após (opcional, mas ajuda muito)
| Data | Tipo | Descrição | Categoria | Valor | Prazo | Status |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 10/01 | Entrada | Venda Pix | Vendas | 180 | 10/01 | Recebido |
| 10/01 | Saída | Embalagens | Embalagens e logística | 60 | 10/01 | Pago |
| 11/01 | Saída | Internet | Contas fixas | 120 | 12/01 | Pendente |
| 11/01 | Entrada | Cartão (repasse) | Vendas | 600 | 20/01 | Pendente |
Opção B: Caderno em duas páginas (super enxuto)
Divida o mês em duas listas: “Entradas” e “Saídas”, e marque prazos ao lado. No fim de cada semana, some e compare com o saldo do banco/caixa.
- Entradas: data, descrição, valor, quando cai.
- Saídas: data, descrição, valor, quando vence.
Regras de ouro para manter a organização (sem travar)
- Registrar no momento (ou no máximo no fim do dia). O que fica para depois vira esquecimento.
- Separar “pendente” de “pago/recebido” para não confundir compromisso com dinheiro disponível.
- Conferência semanal: extrato e faturas contra seus registros para capturar taxas, estornos e cobranças automáticas.
- Uma decisão por semana baseada no controle: cortar um gasto, renegociar um prazo, adiar uma compra ou reforçar caixa.