Mensagens de Posição, Reportes e Atualizações Operacionais por Rádio VHF

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é uma mensagem de posição (position report) e por que ela precisa ser consistente

Mensagens de posição são reportes padronizados transmitidos por rádio VHF para informar, de forma rápida e verificável, onde você está, como está se deslocando e o que pretende fazer a seguir. Elas são usadas para coordenação de tráfego, separação, consciência situacional e tomada de decisão por outras aeronaves/embarcações e por estações de serviço (quando aplicável).

Um reporte de posição “bom” tem três características: completo (inclui os elementos essenciais), consistente (ordem lógica e dados compatíveis entre si) e confirmável (referências que outros conseguem localizar: ponto conhecido, radial/distância, coordenadas, marco costeiro, waypoint, etc.).

Elementos essenciais do reporte: aviação e mar

Estrutura mental: “Onde / Movimento / Próximo / Tempo / Intenção / Condição”

  • Onde: referência geográfica clara (ponto, radial/distância, coordenadas, marco costeiro).
  • Movimento: rumo/curso e velocidade (ou velocidade no solo, quando relevante).
  • Nível: aviação usa altitude/nível; mar usa estado de navegação (em movimento, fundeado, à deriva, manobrando, restrito, etc.).
  • Próximo ponto: waypoint, ponto costeiro, fixo, entrada/saída de área, boia, farol, canal, etc.
  • Estimativa de tempo: hora estimada para o próximo ponto (ETA) e, quando útil, tempo para atingir (em minutos) ou hora sobre o ponto atual (se reportando “sobre”).
  • Intenção: o que fará depois (prosseguir, alterar rumo, iniciar descida/subida, ingressar no circuito, entrar no canal, cruzar a barra, etc.).
  • Condição operacional: meteorologia relevante, estado do mar, visibilidade, tráfego avistado, restrições (sem cobertura, falha parcial, etc.).

Aviação: itens típicos em um position report

  • Posição: sobre um ponto ou a partir de um ponto (ex.: “10 milhas a leste de X”).
  • Rumo: rumo magnético/curso conforme operação local.
  • Velocidade: quando ajuda a prever separação (ex.: tráfego local, áreas remotas).
  • Altitude/Nível: altitude atual e, se aplicável, intenção de mudança (subindo/descendo para).
  • Próximo ponto e ETA: “próximo Y, estimando HHMM”.
  • Após o próximo (quando aplicável): “depois Z”.

Mar: itens típicos em um position report

  • Posição: coordenadas, marcação/distância de um farol/boia, ou referência costeira.
  • Curso e velocidade: curso verdadeiro/magnético conforme prática local; velocidade em nós.
  • Estado de navegação: em movimento, fundeado, à deriva, manobrando, restrito por calado, etc.
  • Próximo ponto e ETA: entrada de canal, boia de recalada, ponto de mudança de rumo, etc.
  • Condições: vento, visibilidade, mar, corrente, restrições de manobra, tráfego.

Passo a passo para montar um reporte de posição completo

Passo 1 — Escolha uma referência geográfica “auditável”

Prefira referências que qualquer ouvinte consiga localizar rapidamente: waypoint publicado, ponto notável, boia numerada, farol, entrada de canal, radial/distância de um VOR, coordenadas em graus e minutos. Evite descrições vagas (“perto da costa”, “próximo da cidade”).

Passo 2 — Declare o movimento com dados coerentes

Rumo/curso e velocidade devem “combinar” com a estimativa de tempo. Se você diz que está a 20 milhas do próximo ponto e voa/navega a 120 nós, o tempo aproximado é 10 minutos. Inconsistências geram desconfiança e aumentam a necessidade de perguntas.

Passo 3 — Inclua nível (aviação) ou estado de navegação (mar)

Na aviação, altitude/nível é essencial para separação vertical. No mar, o estado de navegação informa capacidade de manobra e risco (por exemplo, “à deriva” muda completamente a leitura do cenário).

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Passo 4 — Informe próximo ponto e estimativa de tempo (ETA)

Use hora no formato operacional do serviço local. Se estiver em área com pouca cobertura, a ETA ajuda quem monitora a prever quando você reaparecerá ou quando cruzará áreas críticas.

Passo 5 — Acrescente intenção operacional (o “próximo passo”)

Intenção reduz ambiguidades: ingressar no circuito, cruzar uma perna, alterar rumo em um ponto, entrar no canal, fundear, reduzir velocidade, aguardar, etc.

Passo 6 — Adicione condições relevantes (somente o que muda decisões)

Inclua meteorologia/visibilidade/estado do mar quando afetar separação, navegação ou segurança. Evite “relatórios longos” que ocupam a frequência sem necessidade.

Modelos práticos (templates) para você preencher

Template — Aviação (tráfego local / posição e intenção)

[Estação/Tráfego], [Identificação], [Posição] [Altitude/Nível], [Rumo/Trajeto], [Velocidade se relevante], [Próximo ponto] estimando [Hora], [Intenção].

Exemplo (genérico):

Tráfego, PT-ABC, 8 milhas ao sul do ponto ALFA, 3.500 pés, rumo 360, 110 nós, próximo ponto BRAVO estimando 1420, prosseguindo para ingresso no circuito.

Template — Aviação (rota costeira / pontos sucessivos)

[Estação], [Identificação], posição [referência], nível [nível], estimando [próximo ponto] [hora], depois [ponto seguinte], [intenção/condição].

Exemplo (genérico):

Controle/Tráfego, PT-XYZ, posição 5 milhas a leste do farol COSTA, nível 055, estimando PONTO DELTA 1510, depois ECO, mantendo rota costeira, visibilidade reduzida em névoa.

Template — Mar (costeiro / entrada de canal)

[Estação/Canal], [Nome/Identificação do navio], posição [referência/coord], curso [xxx], velocidade [xx] nós, [estado de navegação], próximo [ponto] ETA [hora], [intenção/condição].

Exemplo (genérico):

Canal 16, MV ATLÂNTICO, posição 2 milhas a leste da boia 3, curso 270, velocidade 10 nós, em movimento, próximo entrada do canal ETA 0935, intenção seguir pelo canal, mar agitado e corrente de través.

Template — Mar (área sem cobertura constante / reporte “programado”)

[Estação/All stations], [Nome/Identificação], posição [coord], curso [xxx], velocidade [xx], em movimento, próximo [ponto] ETA [hora], próximo reporte em [hora] ou ao cruzar [ponto].

Exemplo (genérico):

All stations, SV LAGUNA, posição 23 graus 15 minutos Sul, 044 graus 30 minutos Oeste, curso 045, velocidade 6 nós, em movimento, próximo Ponta Norte ETA 1810, próximo reporte às 1900 ou ao avistar o farol.

Padrões de reporte por cenário operacional

1) Tráfego local (aeródromo não controlado / área de manobra)

Objetivo: permitir que outros tráfegos construam um “mapa mental” do circuito e das intenções. Priorize posição relativa ao aeródromo, altitude e intenção imediata.

  • Posição: distância/direção do aeródromo ou perna do circuito.
  • Altitude: atual e alvo (se mudando).
  • Intenção: ingressar, cruzar, alongar perna, toque e arremetida, sair da área.

2) Rotas costeiras (aviação e mar)

Objetivo: coordenação com tráfego que usa os mesmos marcos costeiros. Use pontos notáveis (faróis, pontas, baías, boias) e mantenha consistência de sequência (ponto atual → próximo → depois).

  • Inclua condições: névoa, chuva, mar grosso, corrente forte, porque afetam velocidade efetiva e separação.
  • Se houver muitos pontos, reporte apenas os próximos 1–2 para manter a mensagem curta.

3) Áreas sem cobertura constante (vales, costa recortada, mar aberto)

Objetivo: maximizar previsibilidade. Faça reportes em marcos de tempo (a cada X minutos) ou em marcos de navegação (ao cruzar pontos). Inclua próximo reporte para que quem monitora saiba quando esperar nova atualização.

  • Declare a limitação: “cobertura intermitente” ou “sinal fraco” (sem dramatizar).
  • Use coordenadas ou referências grandes (farol/boia principal) para reduzir erro.
  • Evite mensagens longas; priorize posição, movimento, próximo ponto e ETA.

Atualizações operacionais por rádio: quando e como atualizar

Quando atualizar

  • Alteração de rumo/curso significativa.
  • Alteração de velocidade que mude ETA de forma relevante.
  • Mudança de nível (aviação): iniciando subida/descida, nivelando.
  • Mudança de estado (mar): fundeando, ficando à deriva, restrito, manobrando.
  • Condição meteorológica que afete segurança (visibilidade, vento forte, tempestade, mar grosso).
  • Tráfego avistado e necessidade de coordenação.

Como atualizar (formato curto e objetivo)

[Estação], [Identificação], atualização: [o que mudou], agora [novo dado], revisando ETA [ponto] [hora], [intenção].

Exemplo (aviação):

Tráfego, PT-ABC, atualização: iniciando descida, agora 4.500 pés descendo para 2.500, revisando ETA BRAVO 1424, intenção ingressar perna do vento.

Exemplo (mar):

Canal 16, MV ATLÂNTICO, atualização: reduzindo velocidade para 6 nós devido a mar de proa, revisando ETA entrada do canal 0945, mantendo curso 270.

Readback (leitura de volta) dos elementos essenciais

O que é “readback” neste contexto

Readback é a repetição dos elementos essenciais recebidos para confirmar entendimento e reduzir erros. Em reportes de posição, ele é útil quando alguém lhe passa informação crítica (por exemplo, instrução, coordenação de passagem, restrição, ponto de reporte obrigatório, horário/ETA combinado).

O que deve entrar no readback

  • Identificação de quem responde.
  • Elemento crítico recebido (ponto, rumo/curso, nível/altitude, restrição, horário/ETA acordado).
  • Confirmação curta (ex.: “correto”, “confirmo”, “copiado”).

Exemplos de readback (práticos)

Aviação (coordenação de separação por nível):

Estação, PT-XYZ, copiado: manter nível 055 até PONTO DELTA, estimando 1510.

Mar (coordenação de passagem no canal):

Canal, MV ATLÂNTICO, copiado: manter pela margem de boreste e chamar ao passar a boia 5.

Exercícios: construir mensagens a partir de dados brutos

Como fazer (método rápido em 4 linhas)

  1. Escreva a posição com referência clara.
  2. Escreva movimento: rumo/curso + velocidade.
  3. Escreva próximo ponto + ETA.
  4. Escreva intenção + condição (somente o relevante).

Exercício 1 — Aviação (tráfego local)

Dados brutosMonte a mensagem
Identificação: PT-KLM
Posição: 12 milhas a oeste do aeródromo
Altitude: 5.500 pés
Rumo: 090
Velocidade: 115 nós
Próximo: vertical do aeródromo
ETA: 1622
Intenção: ingressar no circuito para pouso
Meteorologia: base baixa, visibilidade boa
Escreva um reporte curto para tráfego local, incluindo posição, altitude e intenção.

Resposta sugerida (uma possibilidade):

Tráfego, PT-KLM, 12 milhas a oeste do aeródromo, 5.500 pés, rumo 090, 115 nós, estimando vertical 1622, intenção ingressar no circuito para pouso, base baixa.

Exercício 2 — Aviação (rota costeira com pontos sucessivos)

Dados brutosMonte a mensagem
Identificação: PR-JET
Posição: sobre FAROL SUL
Nível: 075
Próximo: PONTA AZUL
ETA: 1015
Depois: BAÍA GRANDE
Intenção: manter rota costeira
Condição: névoa esparsa, visibilidade 6 km
Escreva um position report com “sobre”, “próximo” e “depois”.

Resposta sugerida:

Estação/Tráfego, PR-JET, sobre FAROL SUL, nível 075, estimando PONTA AZUL 1015, depois BAÍA GRANDE, mantendo rota costeira, névoa esparsa visibilidade 6 quilômetros.

Exercício 3 — Mar (costeiro, intenção de entrar em canal)

Dados brutosMonte a mensagem
Identificação: FV MARINHEIRO
Posição: 1,5 milha ao norte da boia 2
Curso: 180
Velocidade: 8 nós
Estado: em movimento
Próximo: entrada do canal
ETA: 0740
Intenção: entrar no canal e seguir para o cais
Condição: corrente forte de través
Escreva um reporte objetivo para coordenação com outras embarcações.

Resposta sugerida:

Canal 16, FV MARINHEIRO, posição 1,5 milha ao norte da boia 2, curso 180, velocidade 8 nós, em movimento, próximo entrada do canal ETA 0740, intenção entrar no canal e seguir para o cais, corrente forte de través.

Exercício 4 — Mar (sem cobertura constante, reporte programado)

Dados brutosMonte a mensagem
Identificação: SV VENTO LESTE
Posição: 22°40' S 043°05' W
Curso: 060
Velocidade: 5 nós
Estado: em movimento
Próximo: FAROL ILHA
ETA: 2130
Intenção: manter rumo até o farol
Condição: chuva moderada, visibilidade reduzida
Plano: próximo reporte em 30 minutos
Escreva um reporte incluindo “próximo reporte”.

Resposta sugerida:

All stations, SV VENTO LESTE, posição 22 graus 40 minutos Sul, 043 graus 05 minutos Oeste, curso 060, velocidade 5 nós, em movimento, próximo FAROL ILHA ETA 2130, mantendo rumo, chuva moderada e visibilidade reduzida, próximo reporte em 30 minutos.

Checklist rápido antes de transmitir

  • Minha posição é inequívoca e fácil de localizar?
  • Rumo/curso, velocidade e ETA estão coerentes?
  • Incluí nível (aviação) ou estado (mar)?
  • Informei próximo ponto e hora estimada?
  • Minha intenção está clara?
  • Condições informadas são relevantes e curtas?
  • Se recebi algo crítico, fiz readback do essencial?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao montar um reporte de posição por rádio VHF, qual abordagem torna a mensagem mais útil para coordenação e reduz a necessidade de perguntas adicionais?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Um bom reporte deve ser completo, consistente e confirmável: posição com referência localizável, movimento e ETA coerentes, além de nível (aviação) ou estado (mar) e intenção. Isso melhora a consciência situacional e reduz retrabalho na frequência.

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