Mapeamento do Layout do Estoque com Endereçamento e Sinalização

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

Do endereço ao “jeito de achar”: orientação visual no estoque

Um endereço bem definido só vira produtividade quando é fácil de ver e seguir. O objetivo do mapeamento e da sinalização é transformar a lógica do endereçamento em orientação visual imediata: a pessoa entra no estoque, identifica onde está, entende por onde pode circular e encontra a rua/módulo/nível sem precisar perguntar.

Pense em três camadas que trabalham juntas:

  • Mapa (visão geral): mostra a planta do estoque, ruas, áreas e referências.
  • Sinalização de navegação (visão média): placas de rua, setas de fluxo, zonas de restrição.
  • Identificação do endereço (visão de detalhe): módulo e nível marcados no porta-palete/estante, com leitura rápida e sem ambiguidades.

Como desenhar um mapa simples do estoque (planta prática)

1) Levante o contorno e os elementos fixos

Faça um rascunho do formato do ambiente (retangular, em “L”, etc.) e marque o que não muda:

  • Paredes, pilares, portas, docas, portões, escadas/elevadores.
  • Pontos de energia/segurança relevantes (hidrantes, extintores, quadro elétrico) para não bloquear circulação.
  • Áreas obrigatórias: recebimento, expedição, devoluções, quarentena, avarias (se existirem no seu layout).

Dica prática: use uma folha quadriculada ou um editor simples e mantenha proporção aproximada (não precisa escala perfeita, mas precisa coerência).

2) Desenhe as ruas e corredores com áreas de circulação

Represente as ruas (corredores entre estruturas) e diferencie:

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  • Corredor principal: via de maior fluxo (ex.: acesso entre recebimento e expedição).
  • Corredores secundários: acesso às posições de armazenagem.
  • Áreas de manobra: espaços para giro de paleteira/empilhadeira (quando aplicável).

Inclua no mapa as zonas de circulação com uma legenda (ex.: cinza claro para circulação, branco para armazenagem).

3) Posicione módulos e indique a orientação de leitura

Dentro de cada rua, desenhe os módulos (blocos de porta-paletes/estantes) como retângulos alinhados. Em seguida, defina e registre no mapa:

  • Sentido de numeração (ex.: da entrada da rua para o fundo).
  • Lado par/ímpar (ex.: lado esquerdo ímpar, lado direito par) para reduzir erro de leitura.
  • Ponto “início da rua” (marco físico e visual), para que qualquer pessoa saiba onde começa a contagem.

Sem isso, duas pessoas podem “ler” a mesma rua de formas diferentes, gerando divergência operacional.

4) Marque níveis (altura) e defina referência de “nível 1”

No mapa, não é necessário desenhar todos os níveis, mas é essencial definir a regra e registrar na legenda:

  • Nível 1 é o piso? Ou o primeiro nível de longarina acima do piso?
  • Como serão tratados mezaninos ou áreas com alturas diferentes?

Inclua uma nota no mapa com a convenção adotada para evitar interpretações diferentes entre turnos.

5) Crie pontos de referência (marcos) para orientação rápida

Marcos ajudam a pessoa a se localizar sem depender de memória. No mapa, inclua referências visuais e fixas:

  • “Próximo ao pilar P3”, “ao lado do hidrante”, “frente ao portão 2”.
  • Áreas com cor no piso (ex.: faixa amarela de circulação).
  • Quadros/placas grandes: “Recebimento”, “Expedição”, “Quarentena”.

Esses marcos devem existir fisicamente e aparecer no mapa com símbolos simples.

6) Faça uma legenda e um quadro de leitura do endereço

Inclua no mapa uma legenda com cores e símbolos e um quadro curto explicando como ler o endereço. Exemplo de quadro:

Como ler o endereço: RUA - MÓDULO - NÍVEL  (ex.: B-12-03)  Regra: ímpar à esquerda, par à direita; numeração do início da rua para o fundo.

O mapa deve ser autoexplicativo para alguém novo no estoque.

7) Valide caminhando (teste de navegação)

Teste prático: entregue o mapa para alguém que não participou do desenho e peça para localizar 3 endereços reais. Ajuste o mapa se houver dúvidas em:

  • Onde começa a rua.
  • Qual é o lado esquerdo/direito.
  • Como identificar o módulo correto.
  • Como diferenciar níveis.

Transformando o mapa em sinalização física (camadas de placas e marcações)

Placas por rua (identificação “macro”)

Objetivo: a pessoa entra no corredor e confirma imediatamente a rua em que está.

  • Onde instalar: no início de cada rua (entrada do corredor) e, se a rua for longa, repetir no meio e no final.
  • Altura recomendada: acima da linha de visão e livre de obstáculos, tipicamente entre 2,2 m e 3,0 m, ajustando ao pé-direito e ao tráfego de equipamentos.
  • Visibilidade: deve ser legível a distância (corredor principal: maior; corredor secundário: médio). Evite fontes finas e baixo contraste.
  • Padronização: mesma cor, mesmo formato, mesma posição relativa em todas as ruas.

Identificação de módulos (visão “média”)

Objetivo: ao caminhar pela rua, localizar rapidamente o módulo correto sem contar “no olho”.

  • Onde instalar: na face do módulo voltada para a rua, preferencialmente no primeiro montante/coluna de cada módulo, em posição repetível.
  • Repetição: em módulos longos, repetir a identificação em intervalos regulares (ex.: a cada 2 ou 3 vãos), mantendo o mesmo padrão.
  • Evite ambiguidades: não misture “Módulo 1” com “M01” em locais diferentes; escolha um padrão e aplique em todos.

Marcação de níveis (visão “detalhe”)

Objetivo: reduzir erro de separação/armazenagem por confusão de altura.

  • Onde instalar: no próprio porta-palete/estante, alinhado ao nível correspondente (ex.: etiqueta/placa no montante ao lado da longarina do nível).
  • Regra visual: o número do nível deve “apontar” para o nível certo (evite colocar todos os níveis em uma única placa distante, se isso gerar dúvida).
  • Consistência: se o nível 1 é o piso, isso deve refletir na sinalização (ex.: “01” próximo ao piso).

Setas de fluxo e sentido de circulação

Objetivo: organizar tráfego, reduzir cruzamentos e tornar o deslocamento previsível.

  • Onde aplicar: no piso (setas grandes) e em placas suspensas em cruzamentos.
  • Regras claras: se a rua é mão única, sinalize na entrada e na saída (placa de “sentido permitido” e “sentido proibido”).
  • Integração com o mapa: o sentido mostrado no mapa deve ser o mesmo do piso.

Zonas proibidas e áreas de segurança

Objetivo: impedir armazenagem indevida e manter áreas críticas livres.

  • Exemplos: frente de quadro elétrico, hidrantes, extintores, saídas de emergência, áreas de giro, portas corta-fogo.
  • Como sinalizar: marcação no piso (faixas) + placa vertical quando necessário.
  • Regra prática: se a área é “não armazenar”, ela precisa estar marcada de forma que não dependa de treinamento para ser respeitada.

Materiais recomendados e como escolher

Placas (ruas, áreas e avisos)

  • PVC expandido (leve, bom custo, uso interno).
  • ACM (mais rígido e durável, boa aparência).
  • Alumínio (alta durabilidade, indicado para ambientes mais agressivos).

Acabamento: prefira impressão com boa resistência e laminação quando houver poeira/limpeza frequente.

Etiquetas e identificação de módulos/níveis

  • Etiquetas vinílicas (boa durabilidade e contraste).
  • Placas rígidas pequenas presas em suportes (melhor quando há impacto/atrito).
  • Proteção: use porta-etiquetas ou capas quando houver risco de rasgo.

Fitas e tintas para piso

  • Fita de demarcação (rápida de aplicar, boa para ajustes e testes).
  • Tinta epóxi (mais durável, indicada quando o layout está estabilizado).

Regra prática: use fita para validar o fluxo e as áreas; depois consolide com pintura quando estiver aprovado.

Suportes e fixação

  • Suportes metálicos para placas suspensas (evitam queda e melhoram alinhamento).
  • Abraçadeiras e fixadores adequados ao tipo de estrutura (evite improvisos que soltam com vibração).
  • Distanciadores quando a placa precisa ficar “para fora” do montante e melhorar leitura.

Altura, posicionamento e visibilidade: regras práticas

Princípios para leitura rápida

  • Linha de visão desobstruída: não instale atrás de produtos, cantoneiras, filmes ou portas.
  • Contraste alto: fundo e texto bem distintos (ex.: fundo claro com texto escuro ou vice-versa).
  • Repetição inteligente: em ruas longas, repita placas para evitar “pontos cegos”.
  • Um lugar padrão: sempre no mesmo lado/altura (ex.: placa de módulo sempre no montante frontal esquerdo do módulo).

Alturas de referência (ajuste ao seu ambiente)

  • Placas de rua suspensas: geralmente entre 2,2 m e 3,0 m, respeitando passagem de equipamentos e pé-direito.
  • Identificação de módulo: em altura que não seja bloqueada por paletes e permita leitura a alguns metros (muitas operações usam entre 1,5 m e 2,0 m, mas depende do tipo de armazenagem).
  • Marcação de nível: próxima ao nível correspondente, com repetição quando necessário.

Use uma regra simples: se a etiqueta some quando há carga armazenada, ela está mal posicionada.

Padronização de cores (sem confundir com segurança)

Cores ajudam a orientar, mas precisam ser consistentes e não podem gerar leitura ambígua. Crie um padrão e documente na legenda do mapa e em um “guia de sinalização”. Exemplo de padronização:

ElementoCor sugeridaUso
CirculaçãoCinza ou brancoÁrea livre para deslocamento
Delimitação de armazenagemAzulLimites de posições/áreas de estoque
Zonas proibidasVermelhoNão armazenar / manter livre
Fluxo (setas)AmareloDireção de circulação
Áreas especiais (quarentena/avarias)LaranjaSeparação visual imediata

Importante: se sua operação já segue um padrão de cores de segurança (normas internas), adapte para não conflitar. O essencial é: uma cor = um significado.

Como evitar ambiguidades de leitura (erros comuns e correções)

Ambiguidade 1: “Onde começa a rua?”

  • Problema: rua pode ser lida de dois lados.
  • Correção: crie um marco físico de início (placa “Início da Rua B”) e repita a placa de rua sempre na entrada oficial.

Ambiguidade 2: lado esquerdo/direito muda conforme o sentido

  • Problema: operador entra por outro lado e inverte a leitura.
  • Correção: defina o “sentido oficial” da rua e sinalize fluxo; se houver entrada pelos dois lados, use placas em ambas as entradas indicando “Você está no início/fim” e mantenha a numeração coerente.

Ambiguidade 3: números parecidos e fontes ruins

  • Problema: 1/7, 0/8, 5/6 confundem de longe.
  • Correção: use fonte sem ambiguidades, tamanho adequado e, se necessário, complemente com separadores claros (ex.: B-12-03) e contraste alto.

Ambiguidade 4: placa “genérica” que não aponta o endereço

  • Problema: placa de nível longe do nível real; operador erra altura.
  • Correção: posicione a marcação junto ao nível e repita em cada módulo/vão conforme necessidade.

Ambiguidade 5: mistura de padrões (M12 vs 12, Rua B vs Corredor B)

  • Problema: cada área “inventou” um jeito.
  • Correção: crie um padrão único de nomenclatura e um modelo visual (template) para todas as placas e etiquetas.

Passo a passo de implantação (do zero ao estoque sinalizado)

Passo 1: rascunho do mapa e legenda

  • Desenhe contorno, ruas, módulos e áreas.
  • Defina marcos e sentido de leitura.
  • Crie legenda de cores e símbolos.

Passo 2: protótipo no chão (fita) e placas temporárias

  • Marque circulação, zonas proibidas e setas com fita.
  • Imprima placas simples (temporárias) para ruas e módulos.
  • Teste navegação com separação/armazenagem reais por alguns dias.

Passo 3: ajustes para eliminar dúvidas

  • Corrija pontos cegos (placas escondidas).
  • Reforce marcos de início/fim de rua.
  • Padronize tamanhos e posições.

Passo 4: produção final e instalação padronizada

  • Produza placas definitivas (material adequado).
  • Instale em alturas e posições padrão.
  • Substitua fitas por pintura/epóxi onde fizer sentido.

Passo 5: controle de mudanças (para não “despadronizar”)

  • Mantenha um arquivo mestre do mapa (versão e data).
  • Qualquer alteração de layout deve atualizar: mapa + placas + marcações de piso.
  • Guarde um “kit” de reposição (placas/etiquetas em branco, fita, suportes) para correções rápidas sem improviso visual.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual prática torna o endereçamento realmente produtivo ao transformar a lógica do endereço em orientação visual imediata no estoque?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O endereçamento gera produtividade quando pode ser visto e seguido: mapa (visão geral), sinalização de navegação (ruas/fluxo) e identificação de módulo e nível (detalhe), tudo padronizado e legível.

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