Logística com envio próprio: embalagem, postagem e redução de custos

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é logística com envio próprio (e o que muda na sua operação)

Logística com envio próprio é quando você controla a expedição a partir do seu estoque: separa (picking), confere, embala, etiqueta, documenta e posta em um ponto de coleta/transportadora. Na prática, isso exige um padrão operacional para reduzir erros, extravios, avarias e custos (materiais, tempo e reenvios).

O objetivo deste capítulo é transformar a expedição em um processo repetível: cada pedido sai com o mesmo nível de conferência, proteção e rastreabilidade, independentemente do volume do dia.

Estrutura mínima do seu “posto de expedição”

Áreas e organização

  • Área de picking: prateleiras identificadas (rua/coluna/nível) e produtos com localização fixa.
  • Mesa de conferência: espaço para abrir o pedido, checar itens e preparar embalagem.
  • Área de embalagem: materiais ao alcance (caixas, envelopes, fitas, plástico bolha, cantoneiras, etiquetas, lacres).
  • Área de expedição: pedidos prontos separados por transportadora/rota/data de postagem.

Materiais essenciais (com padrão)

  • Fita: uma principal (boa aderência) e uma de reforço (para caixas pesadas).
  • Proteção: plástico bolha, papel kraft, espuma, cantoneiras, saco plástico interno (barreira contra umidade).
  • Embalagens: caixas de tamanhos padronizados + envelopes (plástico coextrusado) + caixas reforçadas para itens frágeis.
  • Identificação: etiquetas adesivas A4 (ou térmica), caneta permanente, etiqueta “frágil” (quando fizer sentido).
  • Medição: balança (ideal com precisão de 1g a 10g conforme seu mix) e régua/trena.

Fluxo operacional de expedição (do pedido à postagem)

Visão geral do fluxo

1) Receber pedidos do dia (fila de expedição)  → 2) Picking (separação)  → 3) Conferência (itens e condição)  → 4) Embalagem (por categoria)  → 5) Etiquetagem  → 6) Documentação  → 7) Registro interno (rastreio/auditoria)  → 8) Postagem e comprovante

1) Picking: separação sem erro (e sem retrabalho)

Padrão de localização e coleta

O picking é onde a maioria dos erros nasce. Para reduzir falhas, use um padrão simples de endereçamento e uma rotina de coleta.

  • Endereçamento: algo como A-03-02 (corredor A, coluna 03, nível 02). Coloque a etiqueta na prateleira e, se possível, também na caixa do produto.
  • Rota: separe pedidos por “rota” (começar sempre do mesmo ponto e seguir a mesma sequência de prateleiras).
  • Separação por lote: em dias de volume, faça picking em lote (vários pedidos) e leve para a conferência em caixas separadoras.

Boas práticas de picking

  • Não confie apenas no “olho”: compare SKU interno + variação (cor/tamanho/modelo).
  • Itens parecidos devem ficar em locais diferentes (evita troca).
  • Produtos pequenos: use bins/caixas organizadoras com divisórias.

2) Conferência: o “ponto de controle” antes de embalar

Conferência em 3 camadas

  • Camada 1 — Pedido: itens, quantidades, variações, brindes (se houver), observações internas.
  • Camada 2 — Produto: integridade (sem avarias), acessórios inclusos, lacres, validade (quando aplicável).
  • Camada 3 — Embalagem: escolher o tipo correto e prever proteção.

Regra prática para reduzir trocas

Antes de embalar, diga em voz alta (ou registre) a combinação: Pedido #12345 — SKU X — 2 unidades — cor preta — tamanho M. Parece simples, mas reduz erro em operação com mais de uma pessoa.

3) Embalagem por categoria: padrão que reduz custo e avaria

Crie “receitas de embalagem” por categoria. Isso padroniza tempo, material e proteção.

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Categoria A: itens frágeis (vidro, cerâmica, eletrônicos sensíveis)

  • Proteção primária: plástico bolha (2 a 3 voltas) ou espuma + cantoneiras.
  • Barreira: saco plástico interno (umidade/poeira).
  • Caixa: sempre caixa rígida; evite envelope.
  • Preenchimento: papel kraft amassado/air pillows para eliminar folga.
  • Teste de folga: feche a caixa sem fita e agite levemente; se “bater”, falta preenchimento.

Categoria B: itens têxteis (roupas, tecidos, acessórios flexíveis)

  • Embalagem: envelope coextrusado ou caixa pequena (se precisar proteger formato).
  • Proteção: saco interno para evitar umidade e sujeira.
  • Redução de custo: padronize 2 ou 3 tamanhos de envelope e evite caixa quando não necessário.

Categoria C: itens com quinas/metal (ferramentas, peças)

  • Proteção: cantoneiras ou papelão adicional nas quinas.
  • Embalagem: caixa reforçada; itens pontiagudos devem ser “capados” com proteção extra.
  • Reforço: fita em “H” (tampa e fundo) para evitar abertura.

Categoria D: líquidos e cosméticos (quando permitido)

  • Vedação: fita no bico/tampa + saco plástico selado.
  • Absorção: papel absorvente interno (camada de contenção).
  • Caixa: rígida, com preenchimento para evitar impacto.

Categoria E: kits e múltiplos itens

  • Unificação: agrupe itens em saco interno por “subconjunto” (ex.: kit com 3 peças).
  • Checklist do kit: uma lista rápida impressa/na bancada para conferir componentes.
  • Preenchimento: evite que itens se choquem entre si.

4) Proteção e fechamento: padrões que evitam extravio e avaria

Fechamento de caixa (padrão “H”)

Use fita formando um “H” na parte superior e inferior: uma faixa central + duas faixas nas bordas. Em caixas pesadas, reforce as laterais.

Selos e lacres

  • Lacre ajuda em auditoria (indício de violação).
  • Evite reaproveitar caixas amassadas: aumenta avaria e contestação.

Evite “chamar atenção”

Não use embalagens que indiquem alto valor. Prefira caixa neutra e etiqueta limpa.

5) Etiquetagem: legibilidade, aderência e posicionamento

Regras práticas

  • Superfície: etiqueta sempre em área lisa, sem dobras e sem fita por cima do código de barras.
  • Posição: topo da caixa/envelope, centralizada.
  • Uma etiqueta por face: evite múltiplas etiquetas visíveis que confundam leitura.
  • Remover etiquetas antigas: se reutilizar embalagem (quando fizer sentido), cubra completamente o antigo código.

Quando imprimir a etiqueta

Imprima a etiqueta após a conferência dos itens e após escolher a embalagem (para evitar divergência de peso/dimensões e retrabalho).

6) Documentação: o que separar e como anexar

Dependendo do tipo de venda e regra do canal/transportadora, você pode precisar de documentos (ex.: declaração de conteúdo, nota fiscal, DANFE simplificada, etc.). O ponto operacional é: documento correto, visível quando exigido e protegido.

  • Envelope canguru (porta-documentos): protege e evita perda.
  • Posicionamento: na maior face da caixa, sem cobrir a etiqueta de envio.
  • Conferência: documento do pedido A não pode ir no pedido B (erro comum em expedição rápida).

Peso cúbico: como calcular e por que ele muda seu frete

Transportadoras e opções de envio podem cobrar pelo maior valor entre peso real e peso cubado (volumétrico). Se sua embalagem fica “grande demais”, você paga mais mesmo com produto leve.

Fórmula (padrão de mercado)

Uma forma comum é:

Peso cúbico (kg) = (Comprimento cm × Largura cm × Altura cm) ÷ Fator de cubagem

O fator de cubagem varia por transportadora/modal (ex.: 5000, 6000). Sempre valide o fator usado na sua opção de envio.

Exemplo prático

Caixa com 40 cm × 30 cm × 20 cm:

  • Volume: 40×30×20 = 24.000 cm³
  • Se o fator for 6000: 24.000 ÷ 6000 = 4,0 kg
  • Se o produto pesa 1,2 kg (real), o cobrado tende a ser 4,0 kg (cubado).

Como reduzir peso cúbico sem aumentar avaria

  • Padronize caixas “justas” por categoria (evite “caixa que sobra ar”).
  • Use envelope quando o produto permitir (têxteis e itens flexíveis).
  • Troque preenchimento volumoso por soluções eficientes (papel kraft bem aplicado, air pillows na medida).
  • Crie uma tabela interna: produto/categoria → embalagem recomendada → dimensões finais.

Escolha de transportadora/opções do marketplace: critérios operacionais

Sem entrar em configuração de plataforma, a decisão operacional pode seguir critérios objetivos:

Checklist de decisão

  • Prazo prometido: consegue postar dentro do corte diário? Há coleta?
  • Risco do item: frágil/alto valor pede melhor manuseio e rastreio.
  • Região: algumas rotas têm mais extravio/atraso; use seu histórico.
  • Regras de postagem: tamanho/peso máximos, exigência de documento, embalagem aceita.
  • Rastreio: eventos de rastreio frequentes e claros ajudam em atendimento e disputas.
  • Custo total: frete + embalagem + tempo de operação + taxa de reenvio por falha.

Matriz simples (para usar no dia a dia)

Tipo de pedidoPrioridadeOpção recomendada
Leve e não frágilMenor custoModal econômico com rastreio
Frágil ou alto valorMenor riscoModal com melhor manuseio + seguro quando disponível
Prazo curtoVelocidadeExpresso/coleta
Região com histórico de extravioRastreabilidadeTransportadora com eventos detalhados e baixa incidência

Redução de extravios: boas práticas que realmente funcionam

1) Rastreabilidade interna (antes do rastreio externo)

  • Registre quem separou, quem conferiu e quando foi postado.
  • Guarde comprovante de postagem associado ao ID do pedido.

2) Evidência de embalagem (sem burocracia)

Para itens de maior risco (alto valor, frágil, histórico de disputa), tire 2 fotos rápidas:

  • Produto + itens do pedido na bancada (antes de fechar).
  • Caixa fechada com etiqueta visível (sem expor dados em locais públicos; uso interno).

3) Padronização de peso e dimensões

  • Pese e meça sempre após embalar (principalmente em itens que variam embalagem).
  • Evite divergência entre etiqueta e pacote real (pode gerar retenção, cobrança extra e atrasos).

4) Separação física por status

  • “A conferir” (picking feito, falta conferência)
  • “Pronto para etiqueta”
  • “Etiquetado, falta documento”
  • “Pronto para postar”

Isso reduz o erro clássico: pacote etiquetado indo para a pilha errada.

Checklists operacionais (use como rotina diária)

Checklist 1 — Antes de imprimir a etiqueta

  • Itens e quantidades conferidos (SKU/variação).
  • Produto sem avaria e com acessórios completos.
  • Embalagem escolhida (tipo e tamanho) definida.
  • Proteção necessária separada (bolha/cantoneira/preenchimento).
  • Dimensões estimadas fazem sentido (evitar caixa grande demais).
  • Pedido está no status correto para expedição (sem pendências internas).

Checklist 2 — Antes de fechar a caixa/envelope

  • Produto protegido (sem folga interna).
  • Barreira contra umidade aplicada quando necessário (saco interno).
  • Componentes de kit conferidos (se aplicável).
  • Documentos internos/garantia/manual incluídos (se aplicável).
  • Teste de folga (agitar leve) aprovado.
  • Caixa íntegra (sem amassados estruturais).

Checklist 3 — Antes de postar

  • Etiqueta colada em superfície lisa, sem dobras e sem fita sobre código de barras.
  • Etiqueta antiga removida/coberta.
  • Documento exigido anexado em porta-documentos (quando aplicável).
  • Peso e dimensões finais registrados internamente.
  • Pedido separado na pilha da transportadora correta.
  • Comprovante de postagem será coletado/arquivado.

Padrão de registro interno para rastreio e auditoria

Um registro interno simples resolve 80% das investigações de extravio/avaria e melhora a gestão de custos. Pode ser planilha, sistema ou formulário, desde que seja consistente.

Campos recomendados

CampoExemploPara que serve
ID do pedidoML-984233 / SH-55421 / AMZ-7781Chave de busca
Data/hora de picking2026-01-30 10:12Rastrear tempo e gargalos
Responsável pickingOperador 01Auditoria de erro
Data/hora de conferência2026-01-30 10:25Controle de qualidade
Responsável conferênciaOperador 02Dupla checagem
Embalagem usadaCaixa P 20×15×10Padronização e custo
Peso real (kg)1,20Conferência de cobrança
Dimensões (cm)20×15×10Cálculo de cubagem
Peso cúbico (kg)0,50Comparar com peso real
Transportadora/modalColeta econômicaAnálise de performance
Código de rastreioBR123456789Atendimento e disputas
Foto evidêncialink/ID internoProva de embalagem
Data/hora de postagem2026-01-30 16:40SLA de envio
ComprovantePDF/Foto #8821Prova de entrega à transportadora
OcorrênciasCaixa reforçada / item frágilContexto para auditoria

Modelo de planilha (estrutura)

ID_Pedido | Data_Picking | Resp_Picking | Data_Conferencia | Resp_Conferencia | Embalagem | Peso_Real | CxLxA | Fator_Cubagem | Peso_Cubico | Modal | Rastreio | Foto_ID | Data_Postagem | Comprovante_ID | Observacoes

Redução de custos: onde normalmente está o dinheiro “escondido”

1) Padronização de embalagens

  • Tenha poucos tamanhos (ex.: 3 caixas + 2 envelopes) e encaixe seu mix neles.
  • Negocie volume com fornecedor e evite compra “picada”.

2) Tempo de operação (custo invisível)

  • “Receitas de embalagem” por categoria reduzem tempo por pedido.
  • Materiais posicionados por frequência de uso (o mais usado na altura das mãos).

3) Reenvios e disputas

  • Melhorar conferência e proteção reduz reenvio (que costuma ser o maior custo real).
  • Registro interno + comprovante reduz perdas em contestação.

4) Cubagem

  • Trocar uma caixa por outra 2 cm menor pode reduzir o peso cubado e mudar a faixa de cobrança.
  • Crie uma regra: “se sobrar mais de 20% de volume vazio, reavaliar embalagem”.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma operação de envio próprio, qual prática ajuda a reduzir o custo de frete quando a transportadora cobra pelo maior valor entre peso real e peso cúbico?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quando o frete considera o maior valor entre peso real e cúbico, embalagens grandes demais aumentam o peso cubado. Usar caixas/envelopes mais justos ao produto e reduzir volume vazio tende a diminuir a cobrança sem perder proteção.

Próximo capitúlo

Fulfillment e coleta: quando vale usar e como operar sem erros

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