O que muda no fulfillment e na coleta (e por que isso afeta sua operação)
Fulfillment é quando o marketplace (ou um operador homologado) recebe seu estoque, armazena, separa, embala e envia os pedidos ao cliente final. Você deixa de “postar pedido a pedido” e passa a “repor estoque”.
Coleta é quando o marketplace (ou transportadora parceira) retira os pedidos (ou volumes consolidados) no seu endereço. Você continua com o estoque e a separação/embalagem, mas reduz deslocamento e pode ganhar janela de corte melhor.
Impactos diretos: prazos, custos, devoluções e elegibilidade
- Prazos: no fulfillment, o prazo tende a cair porque o estoque já está próximo do hub e o processamento é padronizado. Na coleta, o prazo melhora se sua expedição for consistente e se a coleta ocorrer antes do horário de corte.
- Custos: fulfillment costuma ter taxas de armazenagem e, às vezes, taxas por unidade processada. Em contrapartida, pode reduzir custo de embalagem, mão de obra e perdas por atraso. Coleta pode reduzir custo de deslocamento e tempo, mas você mantém custo de operação interna.
- Devoluções: no fulfillment, devoluções podem ser centralizadas e mais rápidas, porém exigem atenção a regras de reentrada (produto volta vendável? volta avariado? vai para descarte?). Na coleta, devoluções voltam para você ou para um ponto definido, exigindo triagem interna.
- Elegibilidade em programas: muitos marketplaces dão melhor posicionamento, selos/logística rápida e acesso a campanhas quando o item está em fulfillment ou atende SLAs de coleta. Isso pode aumentar conversão, mas só vale se a margem suportar.
Quando vale usar: critérios de decisão (checklist prático)
1) Giro (velocidade de venda)
Fulfillment favorece itens com giro previsível. Quanto mais previsível o giro, menor o risco de pagar armazenagem por tempo demais.
- Regra prática: priorize itens que vendem toda semana e têm histórico estável.
- Sinal de alerta: itens que vendem “1 por mês” tendem a ficar parados e encarecer.
2) Tamanho, peso e cubagem
Armazenagem e manuseio costumam considerar volume e/ou peso. Produtos volumosos podem ficar caros no fulfillment.
- Bom para fulfillment: pequenos, leves, fáceis de embalar, baixo risco de amassar.
- Cuidado: caixas grandes, itens frágeis, formatos irregulares.
3) Sazonalidade
Itens sazonais podem ser ótimos no fulfillment se você enviar perto do pico e retirar/zerar após a temporada.
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- Estratégia: envio em ondas (ex.: 2 a 3 remessas menores) para reduzir sobra.
- Risco: sobrar estoque após o pico e pagar armazenagem prolongada.
4) Risco de avaria e sensibilidade do produto
Quanto mais frágil, maior a importância de embalagem e padrão de caixa. No fulfillment, você perde parte do controle do manuseio, então a preparação precisa ser mais rigorosa.
- Bom para fulfillment: itens robustos, selados, com embalagem original resistente.
- Evite (ou teste com pouco volume): vidro, cerâmica, líquidos sem vedação excelente, itens que amassam com facilidade.
5) Custo de armazenagem vs. ganho de conversão
O ponto é comparar: custo adicional (armazenagem + preparação + eventuais taxas) versus ganho (mais vendas por prazo menor/benefícios).
Modelo simples de decisão (por SKU):
Margem líquida atual por unidade = Preço - (produto + comissões + frete + embalagem + perdas médias) [já calculado antes no curso]Custo adicional do fulfillment por unidade (estimado) = (armazenagem mensal / unidades vendidas no mês) + taxa de processamento + custo de preparaçãoVale se: (aumento esperado de unidades vendidas * margem líquida por unidade) > (unidades vendidas * custo adicional do fulfillment)6) Complexidade de separação (picking) e erro operacional
Se você tem muitos pedidos diários e sofre com erro de separação, fulfillment pode reduzir falhas. Se seu catálogo é pequeno e controlado, coleta pode ser suficiente.
Como operar sem erros: preparação de remessas para fulfillment
Antes de enviar: padronize o SKU e a unidade de envio
- SKU interno único: um código por variação (cor/tamanho/modelo).
- Unidade vendável: cada item deve estar pronto para ser vendido individualmente (embalagem, lacre, etiqueta).
- Kit/pack: se o marketplace exige que kit seja uma unidade, ele precisa estar montado e lacrado antes de ir ao fulfillment.
Etiquetagem: o que checar para não gerar divergência
O erro mais caro no fulfillment costuma ser etiqueta errada (SKU trocado) ou etiqueta ilegível.
- Tipo de etiqueta: use etiqueta com boa aderência e impressão nítida (térmica ou laser). Evite jato de tinta que borra.
- Posicionamento: em superfície plana, sem dobras, sem cobrir informações obrigatórias do produto.
- Uma unidade = uma etiqueta: se o padrão exigir etiqueta por unidade, não “economize” colocando só na caixa master.
- Conferência por amostragem + conferência total em itens críticos: para SKUs de alto giro ou alto valor, faça conferência 100%.
Padrões de caixa e acondicionamento (para reduzir avaria e recusa)
- Caixa resistente: sem deformação, sem umidade, sem reaproveitamento com excesso de emendas.
- Proteção interna: preenchimento para evitar movimento (papel, air pillows, espuma). Itens frágeis não podem “chacoalhar”.
- Separação por SKU: quando possível, agrupe por SKU e identifique a caixa (ex.: etiqueta externa com SKU e quantidade) conforme regras do operador.
- Peso por caixa: respeite limites do operador/transportadora para evitar recusa e danos.
- Lacre e integridade: fita adequada, sem excesso que dificulte abertura e conferência.
Passo a passo: montagem de uma remessa para fulfillment
- Planeje quantidades por SKU com base em giro e cobertura de estoque (ex.: 15 a 30 dias, ajustando por sazonalidade).
- Gere a remessa no painel e baixe/imprima documentos exigidos (etiquetas de unidade, etiquetas de caixa, comprovantes).
- Separe fisicamente os itens em uma área exclusiva de “pré-fulfillment” para não misturar com expedição diária.
- Etiquete as unidades conforme padrão (código/etiqueta do marketplace quando aplicável).
- Faça conferência dupla: uma pessoa separa, outra confere (ou você confere em duas etapas: após etiquetar e antes de fechar caixas).
- Embale por caixa respeitando limites e proteção. Registre o conteúdo de cada caixa (SKU x quantidade).
- Etiquete as caixas (quando exigido) e associe ao conteúdo no controle interno.
- Feche e pese as caixas. Compare com peso esperado (peso unitário x quantidade + tara). Diferença grande indica erro.
- Despache conforme janela (coleta agendada ou entrega no ponto). Guarde comprovantes e fotos das caixas fechadas.
- Monitore o recebimento até o status “recebido/conferido” e compare com o enviado.
Controle de divergências: procedimento padrão (SOP) para não perder dinheiro
Divergência é quando o sistema do fulfillment registra quantidade diferente do que você enviou, ou quando itens ficam “em processamento” por tempo demais.
SOP em 7 etapas (use sempre que houver diferença)
- Congelar o SKU: pause reposição e, se necessário, reduza campanhas para evitar ruptura ou venda sem lastro (dependendo do modelo de estoque).
- Comparar 3 fontes: (a) seu controle interno de remessa (SKU/quantidade por caixa), (b) comprovante de envio/coleta, (c) relatório de recebimento do fulfillment.
- Checar erros comuns: etiqueta trocada, unidade sem etiqueta, kit não lacrado, caixa com conteúdo diferente do declarado, duplicidade de SKU semelhante.
- Reunir evidências: fotos das unidades etiquetadas, fotos das caixas fechadas com etiqueta visível, lista de conteúdo por caixa, peso por caixa, nota/declaração exigida, comprovante de coleta/entrega.
- Abrir chamado com dados objetivos: informe ID da remessa, SKUs, quantidades enviadas x recebidas, número de caixas, datas, anexos e solicite auditoria de recebimento.
- Registrar no seu “Livro de divergências”: data, remessa, SKU, valor estimado, status do chamado, prazo prometido, resultado.
- Aplicar ação corretiva: ajuste de processo (ex.: etiqueta por unidade obrigatória, reforço de conferência, padronização de caixa, balança calibrada).
Modelo de “Livro de divergências” (tabela simples)
| Data | ID remessa | SKU | Enviado | Recebido | Diferença | Valor (R$) | Status chamado | Ação corretiva |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 10/01 | REM-123 | SKU-ABC | 50 | 47 | -3 | 210,00 | Em auditoria | Conferência dupla + peso por caixa |
Reconciliação de inventário: como bater seu estoque com o do fulfillment
Reconciliação é o processo de garantir que seu estoque teórico (o que você acredita ter) bate com o estoque do marketplace (o que está disponível, reservado, em transferência, danificado etc.). Faça isso em rotina fixa (ex.: semanal) e sempre após grandes remessas.
Estados de estoque mais comuns (como interpretar)
- Disponível: pronto para venda.
- Reservado: separado para pedidos ainda não enviados/faturados.
- Em processamento/recebimento: chegou ao centro, mas ainda não foi conferido/endereçado.
- Em transferência: movendo entre centros/hubs.
- Inutilizável/avariado: não vendável; pode gerar indenização conforme política.
- Devolvido (em triagem): retornos aguardando inspeção para voltar ao disponível ou virar avariado.
Passo a passo: reconciliação semanal por SKU
- Exporte o relatório de estoque do fulfillment (por SKU) com colunas de status (disponível, reservado, processamento, avariado etc.).
- Exporte o relatório de movimentações (entradas por remessa, saídas por venda, devoluções, ajustes).
- Calcule seu estoque teórico no período:
Estoque inicial + entradas confirmadas - vendas confirmadas + devoluções vendáveis - perdas/avarias. - Compare com o estoque total do fulfillment (somatório de todos os status). Diferença pequena e temporária pode ser “processamento/transferência”.
- Marque SKUs com diferença persistente por mais de X dias (defina X conforme seu ciclo; ex.: 7 dias).
- Abra investigação usando o SOP de divergências, anexando relatórios e IDs de remessa.
- Ajuste reposição: não reponha “no escuro”. Reponha com base em estoque confirmado e cobertura desejada.
Como ler relatórios de estoque sem cair em armadilhas
- Não confunda “disponível” com “total”: se muito estoque está em “processamento”, você pode ter ruptura temporária mesmo com total alto.
- Observe a idade do estoque (quando o relatório traz “dias em estoque”): itens parados elevam custo e risco de obsolescência.
- Identifique ajustes automáticos: alguns relatórios mostram “ajuste” (para mais ou para menos). Ajuste recorrente é sinal de falha de etiquetagem, contagem ou avaria.
- Separe devoluções vendáveis vs. não vendáveis: devolução não é “entrada garantida” no disponível.
Coleta: como operar com consistência (sem perder janela e sem gerar atraso)
O que muda na prática
- Você mantém estoque e separação, então o controle de qualidade e embalagem é 100% seu.
- O relógio é a janela de coleta: se você perde o horário, o pedido atrasa e sua performance sofre.
- Consolidação de volumes: você pode preparar um lote diário para retirada, reduzindo idas ao ponto de postagem.
Passo a passo: rotina diária de coleta (modelo operacional)
- Defina horário de corte interno (ex.: 2 horas antes da coleta) para separar, embalar e etiquetar sem correria.
- Imprima/organize etiquetas por rota/transportadora quando houver mais de uma.
- Separação por ondas: faça picking em blocos (ex.: a cada 2 horas) para reduzir deslocamento no estoque.
- Conferência final: pedido x etiqueta x item (principalmente em variações parecidas).
- Armazenamento temporário: área de expedição com caixas organizadas por transportadora e ordem de coleta.
- Checklist de coleta: conte volumes, fotografe o lote e registre hora/assinatura/comprovante.
- Monitoramento pós-coleta: verifique se houve “primeiro scan” no mesmo dia; ausência de scan é alerta para agir rápido.
Checklist de coleta (copie e use)
- Volumes contados e registrados
- Etiquetas legíveis e bem fixadas
- Pacotes sem abertura/rasgo
- Comprovante de coleta salvo
- Foto do lote (visão geral + 1 foto por pilha)
- Verificação de primeiro scan em até 24h