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Técnico do Seguro Social INSS: Preparação Completa

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19 páginas

Língua Portuguesa para Técnico do Seguro Social INSS: interpretação de textos e tipologias de questões

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que a banca costuma cobrar em interpretação de textos

Em provas para Técnico do Seguro Social, a interpretação de textos costuma aparecer em enunciados curtos e objetivos, com perguntas que exigem localizar evidências no texto. As tipologias mais frequentes são: (a) identificação da ideia central; (b) inferências (o que está implícito); (c) coesão e coerência (como as partes se conectam e fazem sentido); (d) sentido de palavras e expressões no contexto; (e) reconhecimento de estratégias argumentativas (como o autor tenta convencer).

Um erro comum é responder “pelo tema” (assunto geral) em vez de responder “pela tese” (o que o texto defende sobre o assunto). Outro erro é ignorar conectivos e pronomes, que geralmente carregam a lógica da questão.

Ideia central: tema, tese e recortes

Conceito

Tema é o assunto amplo (ex.: atendimento ao público). Ideia central ou tese é a afirmação principal do texto sobre esse tema (ex.: “atendimento melhora quando há padronização e linguagem clara”). A banca costuma pedir a ideia central por meio de comandos como: “assinale a alternativa que melhor resume”, “a finalidade do texto é”, “o autor defende que”.

Como localizar

  • Procure frases com generalização: “em geral”, “portanto”, “assim”, “o ponto é”, “o problema é”.
  • Observe o início e o final: muitos textos apresentam a tese no 1º parágrafo e a reforçam no último.
  • Distinga exemplos de tese: exemplos ilustram; tese orienta o texto.

Inferências: o que o texto sugere sem dizer

Conceito

Inferir é concluir algo a partir de pistas textuais. A inferência correta não pode contradizer o texto e precisa ser sustentada por elementos explícitos (palavras, relações lógicas, comparações, restrições).

Passo a passo prático

  • Identifique a frase-base (o trecho que dá a pista).
  • Repare em restrições e condições: “quando”, “se”, “apenas”, “desde que”.
  • Formule a conclusão em linguagem neutra, sem exageros (evite “sempre”, “nunca”, “todos”).
  • Cheque se a conclusão cabe no texto sem acrescentar informação externa.

Coesão e coerência: como o texto se amarra e faz sentido

Coesão (ligações na superfície)

Coesão é o conjunto de mecanismos linguísticos que conectam frases e parágrafos. A banca explora: (a) conectivos (causa, consequência, oposição); (b) referenciação (pronomes e expressões que retomam termos); (c) elipse (termo omitido, mas recuperável).

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Conectivos-chave e efeitos comuns:

  • Adição: “além disso”, “bem como”, “não só... mas também”.
  • Oposição/contraste: “porém”, “todavia”, “embora”, “ainda que”.
  • Causa: “porque”, “visto que”, “já que”.
  • Consequência: “portanto”, “logo”, “assim”, “de modo que”.
  • Condição: “se”, “desde que”, “contanto que”.
  • Finalidade: “para”, “a fim de”.

Coerência (sentido global)

Coerência é a compatibilidade de ideias no conjunto: não haver contradições internas e manter um encadeamento lógico. Questões de coerência costumam perguntar se uma afirmação “decorre do texto” ou se “contraria” o que foi dito.

Sentido de palavras no contexto: denotação, conotação e valor argumentativo

Conceito

Uma palavra pode mudar de sentido conforme o contexto. A banca cobra: (a) substituição por sinônimo sem alterar o sentido; (b) interpretação de expressões (“na prática”, “em tese”); (c) valor avaliativo (palavras que elogiam, criticam, ironizam).

Passo a passo prático

  • Leia a frase inteira e identifique o alvo (o que a palavra qualifica).
  • Teste um sinônimo provável e veja se mantém a intenção do trecho.
  • Observe marcas de avaliação: “apenas”, “meramente”, “robusto”, “frágil”, “suposto”.

Estratégias argumentativas: como o autor tenta convencer

Conceito

Estratégias argumentativas são recursos para sustentar uma tese. Em provas, é comum pedirem para reconhecer o tipo de argumento ou a função de um trecho.

Estratégias frequentes:

  • Exemplificação: apresenta casos para tornar a ideia concreta.
  • Comparação/contraste: aproxima ou diferencia situações para reforçar a tese.
  • Causa e consequência: mostra relação lógica para justificar uma conclusão.
  • Definição: delimita um conceito para orientar a leitura (“por X entende-se...” ).
  • Concessão: reconhece um ponto contrário e, ainda assim, sustenta a tese (“embora..., ...”).
  • Autoridade/dados: menciona especialistas, números ou pesquisas (quando presentes).

Método prático de leitura para provas: marcação inteligente

Objetivo

Responder com rapidez e precisão, localizando evidências no texto. O método abaixo é aplicável a textos curtos e médios, típicos de prova.

Passo a passo (executável em 2 a 4 minutos)

  • 1) Leia o comando da questão antes do texto: procure palavras como “ideia central”, “inferir”, “sentido”, “correto/incorreto”. Isso define o que você deve caçar no texto.
  • 2) Faça uma leitura linear marcando conectivos: circule mentalmente “porém”, “portanto”, “porque”, “embora”, “assim”, “se”. Eles indicam viradas e conclusões.
  • 3) Marque referenciação: identifique a que se referem “isso”, “esse”, “essa medida”, “tal prática”, “o que”. Volte uma frase/parágrafo para achar o antecedente.
  • 4) Encontre termos definidores: destaque estruturas de definição e delimitação: “isto é”, “ou seja”, “em outras palavras”, “por X entende-se”, “consiste em”. Geralmente viram questão de sentido e paráfrase.
  • 5) Localize a tese em uma frase: escreva mentalmente uma frase-resumo com sujeito + verbo + complemento (ex.: “O texto defende que...”).
  • 6) Volte ao texto para justificar a alternativa: cada resposta deve ter um “trecho-prova”. Se você não consegue apontar o trecho, desconfie.

Checklist de armadilhas típicas

  • Generalização indevida: o texto diz “em muitos casos” e a alternativa troca por “sempre”.
  • Inversão de relação lógica: o texto aponta causa e a alternativa transforma em consequência.
  • Troca de referente: pronome retoma um termo e a alternativa atribui a outro.
  • Paráfrase com desvio: parece igual, mas muda um advérbio (“apenas”, “principalmente”, “ainda”).

Textos curtos com questões estilo banca e comentários

Texto 1

“A clareza na comunicação não elimina a complexidade do trabalho, mas reduz retrabalho. Quando orientações são dadas com termos vagos, cada pessoa preenche as lacunas à sua maneira; por isso, o resultado tende a variar. Padronizar mensagens, contudo, não significa engessar o atendimento: significa definir o essencial e deixar espaço para ajustes conforme o caso.”

Questão 1 (ideia central)

Assinale a alternativa que melhor expressa a ideia central do texto.

  • A) A complexidade do trabalho decorre exclusivamente da falta de clareza na comunicação.
  • B) A padronização de mensagens é incompatível com ajustes conforme o caso.
  • C) A comunicação clara e a padronização do essencial reduzem retrabalho sem impedir adaptações.
  • D) Termos vagos são preferíveis porque permitem flexibilidade no atendimento.

Comentário: A tese aparece na oposição e no ajuste final: “não elimina..., mas reduz retrabalho” e “Padronizar..., contudo, não significa..., significa...”. A alternativa C recupera a concessão (“não engessar”) e a consequência (“reduz retrabalho”). A alternativa A erra por exclusividade (“exclusivamente”). A B contradiz “deixar espaço para ajustes”. A D contraria “termos vagos” como fonte de variação.

Questão 2 (coesão: conectivo)

No trecho “Padronizar mensagens, contudo, não significa engessar o atendimento”, o conectivo destacado introduz ideia de:

  • A) causa
  • B) consequência
  • C) oposição/contraste
  • D) finalidade

Comentário: “Contudo” sinaliza contraste com uma expectativa anterior (padronizar poderia ser entendido como engessar). Logo, oposição/contraste (C).

Texto 2

“Nem toda rapidez é eficiência. Responder depressa pode ser útil quando a demanda é simples; porém, em solicitações que exigem análise, a pressa aumenta a chance de erro e gera novas etapas de correção. Assim, a eficiência depende menos do tempo de resposta isolado e mais da adequação do procedimento ao tipo de demanda.”

Questão 3 (inferência)

Com base no texto, é correto inferir que:

  • A) a rapidez é sempre um indicador confiável de eficiência.
  • B) demandas simples e complexas devem receber o mesmo procedimento para garantir padronização.
  • C) em certas situações, responder mais rápido pode aumentar retrabalho.
  • D) a eficiência é determinada exclusivamente pelo tempo de resposta.

Comentário: A pista está em “a pressa aumenta a chance de erro e gera novas etapas de correção”. Isso sustenta a inferência de retrabalho (C). A, B e D trazem absolutizações (“sempre”, “mesmo”, “exclusivamente”) que o texto nega ao contrapor rapidez e adequação.

Questão 4 (sentido no contexto)

No trecho “a eficiência depende menos do tempo de resposta isolado”, a palavra “isolado” significa:

  • A) separado do contexto
  • B) demorado
  • C) repetido
  • D) sigiloso

Comentário: “Isolado” qualifica “tempo de resposta” como critério sozinho, sem considerar o tipo de demanda. Portanto, “separado do contexto” (A). As demais não se encaixam no encadeamento “menos... e mais...”.

Texto 3

“Chamar uma orientação de ‘simples’ pode ser enganoso: o que é simples para quem domina o assunto pode ser obscuro para quem o encontra pela primeira vez. Por isso, instruções eficazes costumam antecipar dúvidas e explicitar passos, em vez de pressupor conhecimentos.”

Questão 5 (referenciação)

No trecho “o que é simples para quem domina o assunto pode ser obscuro para quem o encontra pela primeira vez”, o pronome “o” retoma:

  • A) simples
  • B) assunto
  • C) enganoso
  • D) orientação

Comentário: “encontra” pede um objeto direto: encontra “o assunto”. A retomada é de “assunto” (B). “Simples” é predicativo; “enganoso” é avaliação; “orientação” está no início, mas não é o termo exigido pelo verbo “encontrar” no trecho.

Questão 6 (estratégia argumentativa)

O texto utiliza principalmente qual estratégia para sustentar a ideia de que “simples” pode ser enganoso?

  • A) definição formal do termo “simples”
  • B) comparação entre dois perfis de leitor (quem domina vs. quem é iniciante)
  • C) citação de autoridade
  • D) enumeração de dados estatísticos

Comentário: A sustentação vem do contraste “para quem domina” versus “para quem encontra pela primeira vez”, caracterizando comparação/contraste (B). Não há definição formal, nem autoridade, nem números.

Como transformar o texto em evidência: técnica de “trecho-prova”

Procedimento

  • Releia a alternativa e sublinhe mentalmente o núcleo: sujeito + verbo + complemento (ex.: “padronizar engessa”).
  • Volte ao texto e procure o conectivo que governa a relação (ex.: “contudo” indica que a ideia esperada será negada/ajustada).
  • Copie mentalmente a frase exata que confirma ou nega a alternativa (ex.: “não significa engessar... significa definir o essencial”).
  • Se a alternativa acrescenta um intensificador (“sempre”, “nunca”, “exclusivamente”), procure no texto algum limitador (“pode”, “quando”, “em geral”). Se houver limitador, a alternativa tende a estar errada.

Mini-exercício de aplicação

Considere a afirmação: “O texto 2 defende que a eficiência é medida apenas pela rapidez”.

  • Trecho-prova: “depende menos do tempo de resposta isolado e mais da adequação do procedimento”.
  • Resultado: a afirmação contraria o texto porque troca “menos... e mais...” por “apenas”.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao responder uma questão de inferência em interpretação de textos, qual procedimento torna a conclusão mais adequada ao que foi apresentado?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Inferir exige concluir a partir de pistas textuais, respeitando condições e restrições, sem contradizer o enunciado. Evitar absolutizações e checar se a conclusão cabe no texto ajuda a manter a inferência sustentada por evidências.

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