Como estudar gramática para concurso (foco em acerto rápido)
Em provas do IBGE, a gramática costuma aparecer aplicada a frases curtas, com cobrança de identificação (classe/valor), correção gramatical, reescrita e pontuação. A estratégia mais eficiente é trabalhar com regras operacionais: um roteiro de verificação que permita decidir a alternativa correta sem “decorar” listas extensas.
Critérios objetivos para eliminar alternativas (checklist)
- Concordância: procure primeiro o núcleo do sujeito e o núcleo do predicado; desconfie de palavras “entre” eles (adjuntos, apostos, orações).
- Regência e crase: identifique o verbo/nome regente e pergunte “exige preposição?”; depois verifique se o termo seguinte admite artigo.
- Pronomes: localize o referente (a quem/ao quê se refere) e verifique se há ambiguidade; em colocação, procure palavras atrativas e início de período.
- Verbos: confira tempo/modo coerentes com marcadores (se, quando, caso, embora) e com a linha temporal do enunciado.
- Pontuação: vírgula não separa sujeito de verbo nem verbo de complemento; vírgulas costumam marcar deslocamento, intercalação ou enumeração.
1) Classes de palavras e valores semânticos
Conceito
Classes de palavras são categorias (substantivo, adjetivo, advérbio, pronome, preposição, conjunção etc.). Em concurso, além de identificar a classe, é comum cobrar o valor semântico que a palavra assume no contexto (tempo, causa, condição, concessão, finalidade, intensidade, negação, inclusão/exclusão).
Regra operacional (como identificar rapidamente)
- Substantivo: nomeia seres/ideias; pode ser núcleo do sujeito/objeto; aceita determinantes (o, um, este).
- Adjetivo: caracteriza substantivo; pode ser substituído por “que é/está” (ex.: dado confiável = dado que é confiável).
- Advérbio: modifica verbo/adjetivo/outro advérbio; costuma responder “como? quando? onde? quanto?” (ex.: muito preciso).
- Preposição: liga termos e cria relação (de, a, em, por, para, com); teste: se retirar, a relação sintática quebra.
- Conjunção: liga orações/termos; identifique o sentido: adição (e), oposição (mas), causa (porque), condição (se), concessão (embora), finalidade (para que).
- Valor semântico: pergunte “qual relação lógica esta palavra cria?” e tente substituir por outra equivalente (ex.: “portanto” ≈ “logo” = conclusão).
Exemplos contextualizados
- “Os resultados foram divulgados rapidamente.” (rapidamente = advérbio de modo)
- “A equipe revisou os dados para evitar inconsistências.” (para = preposição; relação de finalidade)
- “Embora haja limitações, a amostra é representativa.” (embora = conjunção concessiva)
Questões comentadas
1. Em “Os microdados foram disponibilizados apenas após a validação”, a palavra “apenas” expressa, principalmente:
- A) tempo
- B) exclusão/restrição
- C) causa
- D) conclusão
Gabarito: B. “Apenas” restringe (“somente”). Não indica tempo; o tempo está em “após”.
2. Em “A coleta ocorreu porque havia demanda institucional”, “porque” introduz oração:
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- A) final
- B) causal
- C) condicional
- D) concessiva
Gabarito: B. “Porque” aqui equivale a “pois”, indicando causa.
3. Em “Relatórios técnicos orientam decisões”, “técnicos” é:
- A) substantivo
- B) adjetivo
- C) advérbio
- D) pronome
Gabarito: B. Caracteriza “relatórios”.
2) Emprego de pronomes (referência, coesão e sentido)
Conceito
Pronomes substituem ou acompanham nomes e organizam a referência no texto (quem é “ele”, “isso”, “aquele”). Em prova, cobra-se: correção do pronome, clareza do referente, adequação de demonstrativos e tratamento.
Regra operacional (como identificar rapidamente)
- Referente: sublinhe o pronome e volte no período para achar o termo a que ele se refere; se houver dois possíveis, há risco de ambiguidade.
- Demonstrativos: este/esta/isto (próximo de quem fala; ou o que será dito); esse/essa/isso (próximo do interlocutor; ou o que já foi dito); aquele/aquela/aquilo (distante no espaço/tempo; ou elemento mais distante no texto).
- Tratamento: “Vossa Senhoria” (autoridades em geral), “Vossa Excelência” (altas autoridades); concordância costuma ir para a 3ª pessoa: “Vossa Senhoria solicita”.
- Oblíquos: “o/a/os/as” (objeto direto), “lhe(s)” (objeto indireto). Pergunte ao verbo: “quem?” (OD) ou “a quem/para quem?” (OI).
Exemplos contextualizados
- “O instituto divulgou o relatório e o encaminhou às unidades.” (o = OD: encaminhou o relatório)
- “A coordenação enviou orientações aos recenseadores e lhes pediu confirmação.” (lhes = OI: pediu a eles)
- “Isto será detalhado a seguir: critérios de validação.” (isto antecipa)
Questões comentadas
1. Assinale a opção em que o pronome está corretamente empregado:
- A) A equipe entregou o formulário e pediu para lhe revisar.
- B) A equipe entregou o formulário e pediu para o revisar.
- C) A equipe entregou o formulário e pediu para ele revisar.
- D) A equipe entregou o formulário e pediu para si revisar.
Gabarito: C. “Pediu para ele revisar” é construção aceita (sujeito do infinitivo = ele). Em A, “lhe” não funciona como OD; em B, “o” seria OD, mas “pedir para o revisar” é inadequado; em D, “si” exigiria sujeito “a equipe pediu para si revisar” (reflexivo), o que não faz sentido.
2. Em “Foram apresentados dois indicadores: taxa de resposta e taxa de cobertura. Este é mais sensível a sub-registro”, “este” retoma:
- A) os dois indicadores
- B) taxa de resposta
- C) taxa de cobertura
- D) nenhum termo anterior
Gabarito: C. Em retomada, “este” costuma referir-se ao termo mais próximo (o último citado).
3. Em “A direção comunicou aos servidores que eles deveriam atualizar o cadastro”, há problema de:
- A) regência
- B) ambiguidade de referente
- C) crase
- D) concordância verbal
Gabarito: B. “Eles” pode retomar “direção” (improvável) ou “servidores”; a prova costuma cobrar reescrita para eliminar ambiguidade (“... comunicou aos servidores: ‘Vocês devem...’” ou “... que os servidores deveriam...” ).
3) Tempos e modos verbais (valor e correlação)
Conceito
Tempo verbal situa a ação (passado/presente/futuro). Modo verbal indica atitude do falante: indicativo (fato), subjuntivo (hipótese/desejo/dúvida), imperativo (ordem/pedido). Em concurso, é comum cobrar correlação em períodos com conectivos (se, quando, caso, embora) e valor do infinitivo/gerúndio/particípio.
Passo a passo prático (correlação mais cobrada)
- 1) Ache o conectivo: se/quando/caso/embora/para que.
- 2) Identifique o tipo: condição (se/caso), concessão (embora), tempo (quando), finalidade (para que).
- 3) Aplique o par típico:
- Se + futuro do subjuntivo → futuro do indicativo: “Se houver, será.”
- Se + imperfeito do subjuntivo → condicional: “Se houvesse, seria.”
- Embora + subjuntivo: “Embora seja, ...”
- Quando + futuro do subjuntivo (futuro): “Quando terminar, ...”
- 4) Verifique coerência temporal: não misture futuro hipotético com passado factual sem motivo.
Exemplos contextualizados
- “Se o sistema apresentar instabilidade, a equipe abrirá chamado.”
- “Embora os dados sejam preliminares, a análise indica tendência.”
- “Quando a coleta terminar, os resultados serão consolidados.”
Questões comentadas
1. Assinale a alternativa com correlação verbal adequada:
- A) Se o relatório for aprovado, a equipe publicava os resultados.
- B) Se o relatório fosse aprovado, a equipe publicará os resultados.
- C) Se o relatório for aprovado, a equipe publicará os resultados.
- D) Se o relatório será aprovado, a equipe publicará os resultados.
Gabarito: C. Condição futura: “se + futuro do subjuntivo” (for) + “futuro do indicativo” (publicará). A e B misturam tempos; D erra o modo (“será” não cabe após “se” condicional).
2. Em “É possível que os dados apresentem variação”, o modo subjuntivo ocorre porque:
- A) indica ordem
- B) expressa certeza
- C) expressa possibilidade/hipótese
- D) expressa tempo passado
Gabarito: C. “É possível que” exige subjuntivo por valor de incerteza.
3. Assinale a reescrita que mantém o sentido de hipótese irreal no passado: “Se a equipe tivesse mais tempo, revisaria todos os questionários.”
- A) Se a equipe tem mais tempo, revisa todos os questionários.
- B) Se a equipe tivesse mais tempo, revisará todos os questionários.
- C) Caso a equipe tivesse mais tempo, revisaria todos os questionários.
- D) Quando a equipe tivesse mais tempo, revisaria todos os questionários.
Gabarito: C. “Caso” mantém valor condicional; A muda para hábito; B quebra correlação; D troca condição por tempo.
4) Concordância nominal e verbal
Conceito
Concordância é o ajuste de flexões (gênero/número/pessoa) entre termos relacionados. Em concurso, o foco é localizar o núcleo e ignorar “interferências” (expressões intercaladas, adjuntos, aposto, termos preposicionados).
Passo a passo prático
- 1) Encontre o núcleo do sujeito: pergunte “quem é que + verbo?”.
- 2) Elimine os termos acessórios: expressões entre vírgulas, adjuntos adnominais longos, complementos preposicionados.
- 3) Concorde o verbo com o núcleo: atenção a sujeito posposto e a expressões partitivas.
- 4) Na concordância nominal: identifique o substantivo núcleo e veja quais adjetivos/particípios o qualificam.
Pontos de alta incidência
- Expressões partitivas: “a maioria de”, “parte de”, “grande parte de” → verbo pode ir ao singular (núcleo = maioria/parte) e, em alguns casos, ao plural por atração (“A maioria dos servidores compareceu / compareceram”). Em prova, prefira o singular quando a banca busca padrão formal.
- Sujeito composto: em geral, verbo no plural (“coleta e validação ocorreram”). Se houver ideia de unidade, pode haver singular em casos específicos, mas é menos cobrado.
- “Um dos que”: verbo no plural após “que” (“Ele é um dos que defendem a padronização”).
- “Mais de um”: verbo no singular (“Mais de um setor solicitou revisão”), salvo reciprocidade (“Mais de um servidor se cumprimentaram” é caso especial).
Exemplos contextualizados
- “A lista de municípios foi atualizada.” (núcleo = lista)
- “Os dados e as tabelas foram revisados.”
- “Um dos relatórios que apresentam inconsistências será refeito.”
Questões comentadas
1. Assinale a opção correta:
- A) A lista de variáveis foram revisadas.
- B) A lista de variáveis foi revisada.
- C) A lista de variáveis foram revisada.
- D) A lista de variáveis foi revisadas.
Gabarito: B. Núcleo do sujeito = “lista” (singular). “De variáveis” é termo preposicionado e não comanda concordância.
2. Em “A maioria dos questionários foi preenchida corretamente”, a concordância está:
- A) errada, pois deveria ser “foram preenchidos”
- B) correta, pois o núcleo é “maioria”
- C) errada, pois “questionários” está no plural
- D) correta apenas se houver vírgula após “maioria”
Gabarito: B. “Maioria” é núcleo singular; a forma é padrão formal.
3. Assinale a alternativa correta:
- A) Ele é um dos que defende a padronização.
- B) Ele é um dos que defendem a padronização.
- C) Ele é um dos que defenderá a padronização.
- D) Ele é um dos que defendia a padronização.
Gabarito: B. Após “um dos que”, o verbo concorda com o antecedente plural implícito (“os que”).
5) Regência nominal e verbal
Conceito
Regência é a relação de dependência em que um verbo ou nome exige (ou não) preposição para ligar-se ao complemento. Em concurso, o erro típico é trocar “assistir a” por “assistir”, “preferir X a Y” por “preferir do que”, “informar algo a alguém” por “informar alguém de algo” (mudando estrutura) etc.
Passo a passo prático
- 1) Localize o termo regente: o verbo (regência verbal) ou o nome (regência nominal: “necessário a”, “favorável a”, “ciente de”).
- 2) Faça a pergunta: o verbo pede “o quê?” (OD) ou “a quem/de quê/em quê?” (com preposição)?
- 3) Verifique a preposição exigida: se a alternativa troca a preposição, provavelmente está errada.
- 4) Atenção à mudança de sentido: alguns verbos mudam de significado conforme a regência (ex.: “assistir a” = ver; “assistir” = prestar assistência).
Regências muito cobradas (com exemplos)
- Assistir a (ver): “Assistiu ao treinamento.”
- Preferir X a Y: “Prefere análise a suposições.”
- Informar algo a alguém: “Informou o resultado aos gestores.”
- Obedecer a: “Obedeceu às normas.”
- Visar a (objetivar): “A medida visa à melhoria.”
- Implicar (acarretar) sem preposição: “A mudança implica custos.”
- Simpatizar com: “Simpatiza com o método.”
- Ciente de / favorável a / contrário a: “Ciente de riscos; favorável à revisão; contrário a cortes.”
Questões comentadas
1. Assinale a alternativa correta:
- A) A equipe assistiu o treinamento de validação.
- B) A equipe assistiu ao treinamento de validação.
- C) A equipe assistiu no treinamento de validação.
- D) A equipe assistiu para o treinamento de validação.
Gabarito: B. “Assistir” no sentido de ver exige preposição “a”.
2. Assinale a opção correta:
- A) A proposta visa a melhoria do processo.
- B) A proposta visa à melhoria do processo.
- C) A proposta visa para a melhoria do processo.
- D) A proposta visa na melhoria do processo.
Gabarito: B. “Visar a” (objetivar) exige “a”; como “melhoria” admite artigo “a”, ocorre crase: “à”.
3. Em “A alteração implica em custos adicionais”, a forma mais adequada ao padrão formal é:
- A) manter “implica em”
- B) “implica a custos”
- C) “implica custos adicionais”
- D) “implica de custos adicionais”
Gabarito: C. No sentido de acarretar, “implicar” é transitivo direto (sem preposição).
6) Crase (uso do acento grave)
Conceito
Crase é a fusão de preposição a + artigo a/as (ou “a” inicial de demonstrativos: aquele/aquela/aquilo). O acento grave indica essa fusão: “à”, “às”.
Passo a passo prático (método infalível)
- 1) O termo anterior exige preposição “a”? (verbo/nome regente)
- 2) O termo seguinte aceita artigo “a/as”? (substitua por “o/os”: se virar “ao/aos”, há crase)
- 3) Se as duas respostas forem “sim”, há crase.
Casos típicos
- Antes de palavra feminina determinada: “Entregou o documento à coordenação.”
- Locuções femininas: “à medida que”, “à tarde”, “às vezes”.
- Com demonstrativos: “Referiu-se àquela norma.”
- Proibições frequentes: não há crase antes de palavra masculina (“a prazo”), verbo (“a partir”), pronome pessoal (“a ela”), nome de cidade sem artigo (“a Brasília”), artigo indefinido (“a uma”).
Exemplos contextualizados
- “O servidor se dirigiu à sala de treinamento.” (dirigir-se a + a sala)
- “O comunicado foi enviado a todos.” (pronome indefinido; sem artigo)
- “A equipe retornará à unidade às 14 horas.” (locução de tempo e horas)
Questões comentadas
1. Assinale a alternativa correta:
- A) O gestor referiu-se a aquela norma interna.
- B) O gestor referiu-se àquela norma interna.
- C) O gestor referiu-se aquela norma interna.
- D) O gestor referiu-se à aquele norma interna.
Gabarito: B. “Referir-se a” + “aquela” (inicia com “a”) → crase: “àquela”.
2. Em “O relatório foi encaminhado a secretaria”, a correção adequada é:
- A) a secretaria
- B) à secretaria
- C) para à secretaria
- D) na secretaria
Gabarito: B. “Encaminhar a” + “a secretaria” (com artigo) → “à secretaria”.
3. Assinale a opção em que não ocorre crase:
- A) à medida que os dados chegam
- B) à equipe técnica
- C) a ela
- D) às vezes
Gabarito: C. Antes de pronome pessoal (“ela”), não há artigo; logo, sem crase.
7) Colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise)
Conceito
Colocação pronominal é a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes) em relação ao verbo. Em provas, o padrão cobrado é: próclise com palavras atrativas; ênclise quando não há atrator e especialmente no início de oração; mesóclise com futuro do presente/pretérito em registro formal (pouco frequente, mas aparece).
Regra operacional (decisão rápida)
- 1) Há palavra atrativa antes do verbo? (não, nunca, jamais, ninguém, nada, que, quem, onde, quando, se, advérbio anteposto sem pausa, pronomes relativos/indefinidos) → use próclise: “Não se confirmou”.
- 2) O verbo inicia a oração? → prefira ênclise: “Confirmou-se o resultado.”
- 3) Verbo no futuro sem atrator? → pode ocorrer mesóclise: “Confirmar-se-á”. (Em muitas bancas, aceita-se próclise se houver atrator: “Não se confirmará”.)
Exemplos contextualizados
- “Não se identificaram inconsistências.” (próclise por negação)
- “Identificaram-se inconsistências na planilha.” (ênclise no início do período)
- “Confirmar-se-á a amostra após a checagem.” (mesóclise formal)
Questões comentadas
1. Assinale a alternativa adequada ao padrão formal:
- A) Não identificaram-se falhas.
- B) Não se identificaram falhas.
- C) Identificaram se falhas.
- D) Não identificaram falhas-se.
Gabarito: B. “Não” atrai próclise: “Não se identificaram...”.
2. Assinale a alternativa correta:
- A) Se concluiu o relatório ontem.
- B) Concluiu-se o relatório ontem.
- C) Concluiu o relatório-se ontem.
- D) Concluiu-se ontem o relatório-se.
Gabarito: B. Início de oração sem atrator: ênclise (“Concluiu-se”).
3. Em registro formal, assinale a opção correta:
- A) Divulgar-se-á os resultados amanhã.
- B) Divulgar-se-ão os resultados amanhã.
- C) Se divulgarão os resultados amanhã.
- D) Divulgarão-se os resultados amanhã.
Gabarito: B. Mesóclise com futuro: “divulgar-se-ão”; concordância do verbo com “os resultados” (plural). A erra a concordância; C exigiria atrator (não há); D é possível em alguns contextos, mas a banca tende a preferir mesóclise no futuro sem atrator.
8) Pontuação (vírgula, dois-pontos, ponto e vírgula)
Conceito
Pontuação organiza a estrutura sintática e o sentido. Em concurso, a vírgula é o foco: quando é obrigatória, quando é proibida e quando muda o sentido. Também aparecem dois-pontos (explicação/enumeração) e ponto e vírgula (separar itens complexos).
Passo a passo prático (vírgula)
- 1) Ache o esqueleto: sujeito + verbo + complementos.
- 2) Verifique proibições: não separe sujeito do verbo; não separe verbo de objeto/complemento essencial.
- 3) Verifique usos obrigatórios:
- orações subordinadas adverbiais deslocadas: “Quando a coleta termina, os dados são consolidados.”
- apostos explicativos e termos intercalados: “Os dados, segundo a equipe, são consistentes.”
- orações adjetivas explicativas: “Os relatórios, que foram revisados, seguiram para publicação.”
- 4) Enumeração e paralelismo: itens coordenados podem ser separados por vírgula; se os itens tiverem vírgulas internas, use ponto e vírgula.
Exemplos contextualizados
- Proibido: “Os resultados , indicam melhora.” (separa sujeito de verbo)
- Obrigatório (deslocamento): “Após a validação, os microdados foram liberados.”
- Dois-pontos: “Foram definidos três critérios: completude, consistência e atualidade.”
- Ponto e vírgula: “Foram avaliados: (i) cobertura, com base em registros; (ii) resposta, com base em questionários; (iii) consistência, com base em regras.”
Questões comentadas
1. Assinale a alternativa em que a vírgula está corretamente empregada:
- A) Os técnicos, analisaram os dados com cuidado.
- B) Os técnicos analisaram, os dados com cuidado.
- C) Após a checagem, os técnicos analisaram os dados com cuidado.
- D) Os técnicos analisaram os dados, com cuidado.
Gabarito: C. Vírgula após adjunto adverbial deslocado (“Após a checagem”). A separa sujeito de verbo; B separa verbo de objeto; D cria pausa indevida entre objeto e adjunto de modo (em geral, desnecessária e pode ser considerada erro).
2. Em “Os relatórios que foram revisados seguiram para publicação”, a inserção de vírgulas em “que foram revisados”:
- A) é obrigatória, pois toda oração adjetiva leva vírgula
- B) é proibida, pois oração adjetiva nunca leva vírgula
- C) é possível, mas muda o sentido para explicativo
- D) é indiferente ao sentido
Gabarito: C. Sem vírgulas, a oração é restritiva (seleciona quais relatórios). Com vírgulas, vira explicativa (todos foram revisados).
3. Assinale a opção em que os dois-pontos estão adequados:
- A) A equipe informou: que os dados seriam revisados.
- B) A equipe informou que: os dados seriam revisados.
- C) A equipe informou o seguinte: os dados seriam revisados.
- D) A equipe informou: os dados seriam revisados, amanhã.
Gabarito: C. Dois-pontos introduzem explicação/enumeração após expressão anunciadora (“o seguinte”). Em A e B, os dois-pontos quebram a estrutura; em D, falta elemento anunciador claro e a vírgula final é inadequada.
Quadro de erros frequentes (o que a banca mais explora)
- Concordância por atração: “A lista de itens foram...” (errado: núcleo singular).
- “Assistir” sem preposição (ver): “assistiu o” (errado no padrão formal).
- “Visar” com sentido de objetivo sem crase: “visa a melhoria” (tende a ser cobrado como “visa à”).
- Crase antes de pronome pessoal: “à ela” (errado).
- Colocação com negação: “Não fez-se” (errado: “Não se fez”).
- Vírgula separando sujeito e verbo: “Os resultados, indicam...” (erro clássico).
- Demonstrativos trocados na retomada: usar “este” para retomar o termo mais distante quando a banca espera o mais próximo.
- Correlação verbal: “Se for..., publicava...” (mistura de futuro com pretérito imperfeito sem justificativa).
Modelo de análise de alternativas (aplicável a vários tópicos)
Ao comparar alternativas, aplique esta sequência:
- 1) Estrutura: a frase mantém sujeito-verbo-complementos sem rupturas?
- 2) Regência: o verbo/nome exige preposição? a alternativa respeita?
- 3) Concordância: verbo e termos nominais concordam com seus núcleos?
- 4) Pronomes: referente está claro? há colocação adequada (atração/início de oração)?
- 5) Crase: há “a” + “a”? teste do “ao”.
- 6) Pontuação: há vírgula proibida (sujeito-verbo/verbo-objeto) ou falta vírgula obrigatória (intercalação/deslocamento)?
Checklist rápido (marcação no enunciado):
1) Circule o verbo principal.
2) Sublinhe o sujeito (núcleo).
3) Marque preposições exigidas (a/de/em/por/para).
4) Localize pronomes e a palavra atrativa (se houver).
5) Releia só o “esqueleto” sem adjuntos para checar vírgulas.