O escrivão produz textos com impacto direto em direitos, prazos e decisões. Por isso, a correção linguística não é “estética”: é requisito de validade, clareza e segurança. Neste capítulo, o foco é aplicar gramática e textualidade às peças oficiais, reduzindo erros que geram retrabalho, dúvidas interpretativas e fragilidades na narrativa.
1) Correção linguística aplicada: o que mais compromete textos cartorários
1.1 Concordância verbal e nominal (clareza e precisão)
Conceito: concordância é o ajuste entre verbo e sujeito (verbal) e entre nomes (nominal) para manter coerência gramatical e evitar leituras equivocadas.
- Sujeito posposto: o verbo concorda com o núcleo do sujeito, mesmo após o verbo.
- Expressões partitivas (“a maioria de”, “parte de”): admite-se concordância com o núcleo (“maioria”) ou com o termo plural, mas em peça oficial prefira a forma mais estável e menos ambígua.
- Concordância com “haver” impessoal: “haver” no sentido de existir fica no singular.
Erros recorrentes e correções:
- Errado: “Haviam indícios de arrombamento.” Certo: “Havia indícios de arrombamento.”
- Errado: “Seguem anexo a cópia do RG e do CPF.” Certo: “Segue anexa a cópia do RG e do CPF.” (ou “Seguem anexas as cópias...”, se pluralizar “cópias”).
- Errado: “Foi apreendido duas facas.” Certo: “Foram apreendidas duas facas.”
- Errado: “A equipe e o perito compareceu ao local.” Certo: “A equipe e o perito compareceram ao local.”
1.2 Regência verbal e nominal (preposições que mudam sentido)
Conceito: regência é a relação de dependência entre termos, especialmente a exigência de preposição por verbos e nomes. Erros de regência criam construções “estranhas” e podem alterar o sentido.
Casos frequentes em peças:
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- Informar: “informar algo a alguém” / “informar sobre algo”.
- Comunicar: “comunicar algo a alguém”.
- Comparecer: “comparecer a (local/ato)”.
- Implicar (no sentido de acarretar): “implicar algo” (sem preposição). “Implicar em” é comum na fala, mas em texto formal prefira “implicar” (acarretar) sem “em”.
- Obedecer: “obedecer a”.
Erros recorrentes e correções:
- Errado: “A vítima informou para a equipe que...” Certo: “A vítima informou à equipe que...”
- Errado: “O investigado compareceu no plantão.” Certo: “O investigado compareceu ao plantão.”
- Errado: “O fato implicou em lesões.” Certo: “O fato implicou lesões.” (ou “acarretou lesões”).
1.3 Crase (marcador de preposição + artigo)
Conceito: ocorre crase quando há fusão da preposição “a” com o artigo “a/as” (ou com pronomes demonstrativos iniciados por “a”: “aquele(s)”, “aquela(s)”, “aquilo”).
Passo a passo prático (teste rápido):
- 1) Verifique se o termo anterior exige preposição “a” (ex.: “comparecer a”, “dirigir-se a”, “proceder a”).
- 2) Verifique se o termo seguinte admite artigo “a/as” (substitua por “o/os”: se “ao/aos” fizer sentido, há crase).
- 3) Se for palavra masculina (“ao”), não há crase; se for feminina com artigo (“à”), há crase.
Erros recorrentes e correções:
- Errado: “Compareceu a Delegacia.” Certo: “Compareceu à Delegacia.”
- Errado: “Encaminhado a autoridade policial.” Certo: “Encaminhado à autoridade policial.”
- Errado: “Referiu-se a aquela pessoa.” Certo: “Referiu-se àquela pessoa.”
- Sem crase (atenção): “Dirigiu-se a este setor” (sem artigo “a”).
1.4 Pontuação (controle de períodos longos e hierarquia de ideias)
Conceito: pontuação organiza a lógica do texto. Em peças oficiais, o problema mais comum é o período longo com muitas informações sem marcação clara de causa, tempo, condição e consequência.
Princípios práticos:
- Uma ideia principal por frase (sempre que possível).
- Use dois-pontos para introduzir enumeração, esclarecimento ou transcrição.
- Evite vírgula entre sujeito e verbo (“A equipe, compareceu” é erro).
- Orações explicativas: use vírgulas para isolar explicações (“o declarante, que se identificou..., informou...”).
- Adjuntos adverbiais longos no início: use vírgula (“No dia X, por volta de..., a equipe...”)
Erros recorrentes e correções:
- Errado: “A equipe compareceu ao local e constatou a porta aberta sendo que a vítima informou que saiu cedo e quando voltou percebeu o sumiço do aparelho.” Certo: “A equipe compareceu ao local e constatou a porta aberta. A vítima informou que saiu cedo e, ao retornar, percebeu o desaparecimento do aparelho.”
- Errado: “O declarante, informou que...” Certo: “O declarante informou que...”
- Errado: “Foi localizado o objeto, porém, não foi reconhecido.” Certo: “Foi localizado o objeto; porém, não foi reconhecido.” (ou “Foi localizado o objeto, porém não foi reconhecido.”)
1.5 Colocação pronominal (formalidade e fluidez)
Conceito: é a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes) em relação ao verbo. Em textos formais, a colocação deve evitar construções artificiais e respeitar fatores de atração.
Regras úteis no dia a dia:
- Próclise (pronome antes do verbo) com palavras atrativas: “não”, “nunca”, “já”, “ainda”, pronomes relativos (“que”), conjunções subordinativas (“quando”, “se”).
- Ênclise (pronome depois do verbo) é comum no início de frase em registro formal: “Encaminhou-se...”, “Procedeu-se...”.
- Evite mesóclise (ex.: “far-se-á”) se não for padrão institucional; prefira reescrever: “será feito”.
Erros recorrentes e correções:
- Errado: “Não procedeu-se à oitiva.” Certo: “Não se procedeu à oitiva.”
- Errado: “Se encaminhou o ofício.” (ambíguo: quem encaminhou?) Certo: “Encaminhou-se o ofício.” (voz impessoal) ou “O servidor encaminhou o ofício.” (agente definido)
- Errado: “Foi lhe entregue a intimação.” Certo: “Foi-lhe entregue a intimação.” (ou “A intimação foi entregue a ele/ela.”)
1.6 Ortografia e acentuação (padronização e credibilidade)
Conceito: ortografia e acentuação garantem uniformidade e evitam ruídos. Em documentos, erros simples podem comprometer a percepção de rigor e gerar dúvidas em nomes, locais e qualificações.
Pontos críticos:
- Por que/porque/porquê/por quê em perguntas e explicações.
- Mal x mau; há x a (tempo decorrido x futuro/distância).
- “A fim de” x “afim”; “em vez de” x “ao invés de”.
- Uso de maiúsculas: padronize (cargos, setores, órgãos) conforme norma interna; evite “Maiúsculas Aleatórias”.
Erros recorrentes e correções:
- Errado: “A vítima relatou a cerca de dois meses...” Certo: “A vítima relatou há cerca de dois meses...”
- Errado: “Foi feito afim de esclarecer.” Certo: “Foi feito a fim de esclarecer.”
- Errado: “Não soube dizer o por que.” Certo: “Não soube dizer o porquê.”
2) Textualidade: coesão e coerência na narrativa oficial
2.1 Coesão (ligações visíveis entre frases)
Conceito: coesão é o conjunto de mecanismos linguísticos que conectam frases e parágrafos (referência, substituição, elipse, conectores). Em textos cartorários, falhas de coesão geram “saltos” e dificultam reconstruir a sequência de fatos.
Ferramentas práticas:
- Referência clara: pronomes (“ele”, “ela”, “o referido”) só quando não houver dúvida sobre o referente.
- Conectores para relação lógica: “em seguida”, “posteriormente”, “diante disso”, “por esse motivo”, “contudo”.
- Substituição controlada: alternar “vítima/declarante/ofendido” sem critério pode confundir; escolha um termo principal e use variações apenas quando agregarem precisão.
Exemplo de ajuste de coesão:
- Antes: “A vítima informou que viu o autor. Ele saiu correndo. O declarante chamou a polícia.” (Quem chamou? vítima ou outra pessoa?)
- Depois: “A vítima informou que viu o autor e que este saiu correndo. Em seguida, a própria vítima acionou a polícia.”
2.2 Coerência (sentido global e compatibilidade interna)
Conceito: coerência é a consistência do texto: fatos, tempos verbais, locais, agentes e sequência temporal precisam “fechar”. Em peças, incoerência aparece como contradição (horários incompatíveis), troca de sujeitos, ou afirmações sem base (“com certeza”, “obviamente”).
Checklist de coerência:
- Tempo: horários e datas compatíveis; “antes/depois” bem marcados.
- Agente: quem fez o quê (evitar voz passiva sem agente quando isso gerar dúvida).
- Fonte: diferenciar “constatou-se” (observação direta) de “relatou” (informação de terceiro).
- Modalizadores: evitar termos absolutos sem suporte (“certamente”, “sem dúvida”); prefira “segundo relato”, “em tese”, “aparentemente”, quando adequado.
3) Problemas comuns em textos cartorários e como corrigir
3.1 Períodos longos (técnica de fatiamento)
Problema: frases extensas acumulam ações, circunstâncias e justificativas, aumentando risco de erro de concordância, pontuação e ambiguidade.
Passo a passo prático (fatiamento em 4 blocos):
- 1) Ação principal: o que ocorreu (verbo central).
- 2) Circunstâncias: quando/onde/como.
- 3) Fonte: quem informou/quem constatou.
- 4) Consequência: providências/encaminhamentos.
Exemplo:
- Original (longo): “Compareceu nesta unidade a vítima informando que ao chegar em sua residência percebeu que a janela estava aberta e que deram falta de um notebook e que vizinhos disseram ter visto um indivíduo de camiseta preta saindo do local.”
- Revisado (fatiado): “Compareceu nesta unidade a vítima, a qual informou que, ao chegar à residência, percebeu a janela aberta. Relatou o desaparecimento de um notebook. Acrescentou que vizinhos teriam visto um indivíduo com camiseta preta saindo do local.”
3.2 Ambiguidade (referentes e termos vagos)
Problema: pronomes sem referente (“ele”, “o mesmo”), adjuntos mal posicionados e termos vagos (“certo indivíduo”, “um negócio”, “um tempo”) dificultam a interpretação.
Técnicas de correção:
- Nomear o referente na primeira ocorrência e retomar com termo inequívoco (“o investigado”, “a vítima”).
- Evitar “o mesmo” como pronome (uso frequente e pouco elegante); prefira “ele/ela”, “este/esta”, ou repita o termo com parcimônia.
- Posicionar adjuntos perto do termo a que se referem.
Exemplos:
- Ambíguo: “A vítima encontrou o suspeito com a irmã.” Claro: “A vítima, acompanhada da irmã, encontrou o suspeito.” (ou “A vítima encontrou o suspeito, que estava com a irmã dela.”)
- Fraco: “Foi visto um indivíduo em atitude suspeita.” Melhor: “Foi visto um indivíduo rondando veículos estacionados, olhando para o interior dos automóveis.”
3.3 Termos coloquiais e juízos de valor (neutralidade)
Problema: expressões coloquiais (“tava”, “pegou”, “sumiu do nada”), gírias e adjetivos opinativos (“muito nervoso”, “cara de suspeito”) reduzem formalidade e podem introduzir julgamento indevido.
Como ajustar:
- Substituir coloquial por verbo preciso: “subtrair”, “evadir-se”, “arremessar”, “ameaçar”, “proferir”.
- Descrever comportamento observável em vez de rotular: “falava em tom elevado”, “apresentava odor etílico”, “dificultava a comunicação”.
Exemplos:
- Coloquial: “O autor saiu vazado.” Formal: “O autor evadiu-se do local.”
- Juízo: “O suspeito estava muito alterado.” Descritivo: “O suspeito falava em tom elevado e gesticulava de forma intensa.”
3.4 Repetição (variação controlada e economia)
Problema: repetição excessiva de “informou”, “relatou”, “compareceu”, “no local” torna o texto pesado.
Técnicas:
- Elipse (omitir o óbvio sem perder sentido).
- Substituição por conectores: “em seguida”, “na sequência”, “posteriormente”.
- Variação moderada de verbos de dizer: “informou”, “relatou”, “declarou”, “afirmou” (sem exagero e mantendo fidelidade ao teor).
4) Técnicas de revisão: método rápido para peças oficiais
4.1 Revisão em 3 passadas (eficiência sob pressão)
Objetivo: revisar com foco, mesmo com tempo curto.
Passo a passo prático:
- 1ª passada (sentido): verifique coerência temporal, agentes, fonte da informação (relato x constatação) e ausência de contradições.
- 2ª passada (estrutura): quebre períodos longos, ajuste pontuação, conectores e ordem lógica (do geral ao específico; do fato à providência).
- 3ª passada (gramática fina): concordância, regência, crase, pronomes, ortografia/acentuação, padronização de termos.
4.2 Lista de verificação (checklist) para erros críticos
- Concordância: sujeito composto? “haver” impessoal? plural de “cópia(s)” e “anexo(s)” coerente?
- Regência: “comparecer a”, “informar a”, “obedecer a”, “assistir a” (ver)?
- Crase: “à Delegacia”, “à autoridade”, “às fls.” (se aplicável), “àquela”?
- Pontuação: vírgula entre sujeito e verbo? excesso de “e” encadeando ações?
- Pronomes: “não se” (e não “não ...-se”)? pronomes com hífen quando necessário (“foi-lhe”)?
- Ortografia: “há” (tempo decorrido), “a fim de”, “porquê” (substantivo)?
- Neutralidade: há gírias, adjetivos opinativos ou conclusões sem base?
- Ambiguidade: pronomes sem referente? “o mesmo” usado como pronome?
5) Miniatividades de edição (trechos para corrigir)
Atividade 1 — Concordância e “haver”
Trecho: “Haviam várias mensagens no aparelho e foi apreendido dois chips.”
Tarefa: reescreva corrigindo concordância e mantendo o sentido.
Gabarito comentado: “Havia várias mensagens no aparelho e foram apreendidos dois chips.” (“haver” = existir, impessoal; “dois chips” exige plural no particípio e no verbo.)
Atividade 2 — Crase e regência
Trecho: “O declarante compareceu a unidade e informou para autoridade policial sobre os fatos.”
Tarefa: ajuste crase e regência.
Gabarito comentado: “O declarante compareceu à unidade e informou à autoridade policial os fatos.” (Comparecer a + artigo “a” = “à”; informar algo a alguém.)
Atividade 3 — Pontuação e fatiamento
Trecho: “A vítima relatou que saiu para trabalhar por volta das 07h00 e quando voltou as 18h00 viu a porta aberta e que sumiu um televisor e que o vizinho disse que viu um homem saindo.”
Tarefa: reescreva em 2 a 4 frases, com pontuação adequada.
Gabarito comentado: “A vítima relatou que saiu para trabalhar por volta de 07h00. Ao retornar, às 18h00, encontrou a porta aberta e percebeu o desaparecimento de um televisor. Informou, ainda, que um vizinho teria visto um homem saindo do local.” (Quebra do encadeamento por “e”; marcação temporal; “teria visto” preserva fonte indireta.)
Atividade 4 — Ambiguidade (referente)
Trecho: “A vítima encontrou o suspeito e falou com ele, e ele disse que não foi.”
Tarefa: elimine a ambiguidade de “ele”.
Gabarito comentado: “A vítima encontrou o suspeito e falou com este, que afirmou não ter praticado o fato.” (Retomada clara do referente.)
Atividade 5 — Colocação pronominal
Trecho: “Não realizou-se a diligência por falta de efetivo.”
Tarefa: corrija a colocação do pronome.
Gabarito comentado: “Não se realizou a diligência por falta de efetivo.” (“não” atrai próclise.)
6) Questões objetivas (com comentários)
Questão 1 — Crase
Assinale a alternativa corretamente grafada:
- A) “O declarante dirigiu-se a autoridade policial.”
- B) “O declarante dirigiu-se à autoridade policial.”
- C) “O declarante dirigiu-se à uma autoridade policial.”
- D) “O declarante dirigiu-se a à autoridade policial.”
Gabarito: B.
Comentário: “Dirigir-se” rege preposição “a” e “autoridade” admite artigo “a”: ocorre crase (“à”). Em C, não se usa crase antes de “uma” (“a uma”). D é duplicação indevida.
Questão 2 — “Haver” impessoal
Assinale a frase correta:
- A) “Haviam sinais de arrombamento.”
- B) “Havia sinais de arrombamento.”
- C) “Houveram sinais de arrombamento.”
- D) “Haviam-se sinais de arrombamento.”
Gabarito: B.
Comentário: “Haver” no sentido de existir é impessoal e fica no singular (“havia”).
Questão 3 — Regência
Assinale a alternativa adequada ao padrão formal:
- A) “O investigado compareceu no setor para esclarecimentos.”
- B) “O investigado compareceu ao setor para esclarecimentos.”
- C) “O investigado compareceu para o setor para esclarecimentos.”
- D) “O investigado compareceu a o setor para esclarecimentos.”
Gabarito: B.
Comentário: “Comparecer” rege “a”: “ao setor”. Em D, a contração correta é “ao”, não “a o”.
Questão 4 — Pontuação
Assinale a alternativa com pontuação mais adequada:
- A) “No dia 10, a equipe, deslocou-se ao local.”
- B) “No dia 10 a equipe deslocou-se ao local.”
- C) “No dia 10, a equipe deslocou-se ao local.”
- D) “No dia 10 a equipe, deslocou-se ao local.”
Gabarito: C.
Comentário: Vírgula após adjunto adverbial inicial (“No dia 10,”) é adequada; não se separa sujeito e verbo por vírgula (“a equipe deslocou-se”).
Questão 5 — Colocação pronominal
Assinale a alternativa correta:
- A) “Não realizou-se a oitiva.”
- B) “Não se realizou a oitiva.”
- C) “Realizou-se não a oitiva.”
- D) “Se não realizou a oitiva.”
Gabarito: B.
Comentário: A palavra “não” atrai o pronome para antes do verbo (próclise): “não se realizou”.
Questão 6 — Coesão e ambiguidade
Qual reescrita reduz melhor a ambiguidade?
- A) “A vítima viu o suspeito e ele correu.”
- B) “A vítima viu o suspeito e o mesmo correu.”
- C) “A vítima viu o suspeito, que correu em seguida.”
- D) “A vítima viu o suspeito e correu.”
Gabarito: C.
Comentário: Em C, o relativo “que” retoma “suspeito” de forma direta. B usa “o mesmo” como pronome, construção desaconselhada; A permanece ambígua; D altera o sentido (quem correu passa a ser a vítima).
7) Modelos curtos de reescrita (antes/depois) para treino
7.1 Neutralidade e fonte da informação
- Antes: “O autor com certeza estava drogado.”
- Depois: “Segundo relato, o indivíduo apresentava sinais compatíveis com alteração psicomotora.”
7.2 Economia e precisão
- Antes: “Foi feito contato com a vítima para poder estar comparecendo.”
- Depois: “A vítima foi contatada para comparecer.”
7.3 Padronização e clareza temporal
- Antes: “Aconteceu ontem de noite.”
- Depois: “O fato ocorreu em 12/01/2026, no período noturno, em horário aproximado informado pelo declarante.”
8) Quadro-resumo de erros recorrentes (com correção imediata)
- “Haviam” (existir) → “Havia”.
- “Compareceu no” → “Compareceu ao/à”.
- “Informou para” → “Informou a/à” (ou “informou sobre”).
- “A fim” x “afim” → “a fim de” (finalidade) / “afim” (semelhante).
- “a cerca de” (tempo passado) → “há cerca de”.
- Vírgula entre sujeito e verbo → remover.
- “o mesmo” como pronome → “ele/ela/este/esta” ou repetir o termo.
- Período com muitos “e” → fatiar em frases e usar conectores.