O que a banca costuma cobrar em Língua Portuguesa
Em provas objetivas para Guarda Municipal, Língua Portuguesa é cobrada de forma aplicada: o candidato precisa interpretar textos, reconhecer sentidos produzidos por recursos linguísticos e identificar a alternativa correta com base em regras de gramática e de uso. Em geral, a banca mistura questões de leitura (comandos como “infere-se”, “depreende-se”, “assinale a ideia central”) com itens de norma-padrão (concordância, regência, crase, pontuação, colocação pronominal) e de estrutura do texto (coesão e coerência).
O ponto-chave é entender que a resposta correta quase sempre está ancorada em evidências do enunciado e do texto: uma palavra, um conectivo, um tempo verbal, uma pontuação ou uma relação lógica explícita. Por isso, o estudo deve focar em reconhecer padrões de cobrança e aplicar um método de resolução.
Interpretação de texto: como acertar com evidência
Ideia central, tema e finalidade
Tema é o assunto geral (por exemplo, “segurança urbana”). Ideia central é o recorte defendido ou explicado (por exemplo, “a iluminação pública reduz oportunidades de crime”). Finalidade é o objetivo do texto (informar, convencer, alertar, instruir).
- Como a banca confunde: alternativas com tema amplo (genéricas) competem com a ideia central (específica). A correta tende a ser a mais fiel e específica, sem extrapolar.
- Exemplo prático: se o texto descreve dados e resultados, a finalidade costuma ser informar; se usa apelos e juízos de valor, tende a persuadir.
Inferência e pressupostos
Inferir é concluir algo que não está dito literalmente, mas é sustentado por pistas do texto. Pressuposto é uma informação implícita acionada por certas palavras/estruturas (como “parar de”, “voltar a”, “ainda”).
- Armadilha comum: confundir inferência com opinião pessoal. A inferência precisa ser verificável por trechos do texto.
- Exemplo: “O município voltou a investir em patrulhamento comunitário.” Pressupõe que já investia antes e havia interrompido.
Sentido de palavras e expressões no contexto
A banca cobra polissemia (uma palavra com vários sentidos) e conotação/denotação. O acerto depende do contexto e dos termos vizinhos.
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- Dica prática: substitua mentalmente a palavra por um sinônimo possível e veja se o período continua coerente.
- Exemplo: “medida” pode ser “providência”, “tamanho” ou “ação administrativa”. O entorno define.
Coesão e coerência: conectivos e retomadas
Coesão referencial (pronomes e retomadas)
Coesão é a “costura” do texto. A banca pede para identificar a que um pronome se refere (“isso”, “aquilo”, “ele”, “tal medida”) ou para substituir um termo sem alterar o sentido.
- Passo a passo: 1) localize o pronome; 2) volte ao período anterior e identifique o substantivo/ideia mais compatível; 3) teste a substituição; 4) elimine alternativas que retomem algo distante ou incompatível em gênero/número/ideia.
Coesão sequencial (conectivos e relações lógicas)
Conectivos indicam relações: causa, consequência, oposição, condição, conclusão, explicação, adição, comparação.
- Oposição: mas, porém, contudo, entretanto.
- Causa: porque, visto que, já que.
- Consequência: portanto, por isso, assim, de modo que.
- Condição: se, caso, desde que.
Armadilha: “porque” pode ser causa (“Não fui porque choveu”) ou explicação (“Feche a janela, porque está frio”). O contexto define.
Gramática aplicada: o que mais derruba em prova
Concordância verbal e nominal
Concordância é a adequação entre verbo e sujeito (verbal) e entre nomes (nominal). Em prova, caem sujeitos complexos, porcentagens, expressões partitivas e coletivos.
- Sujeito posposto: “Chegaram os agentes.” (verbo concorda com “os agentes”).
- Porcentagem: “Vinte por cento dos candidatos faltaram/faltou.” Em geral, concorda com o termo após “de” quando ele é plural e relevante (“dos candidatos faltaram”).
- Expressões como “a maioria de”: “A maioria dos guardas participou/participaram.” Ambas podem aparecer; a banca costuma aceitar a concordância com o núcleo (“maioria participou”) e, em muitos casos, com o termo plural (“participaram”) quando se enfatiza o conjunto. Em questões objetivas, observe o padrão da banca e o contexto.
Regência verbal e nominal
Regência é a relação de dependência entre verbo/nome e seus complementos, com ou sem preposição. A banca cobra verbos clássicos e troca de preposição.
- Assistir (ver): “assistir a ao jogo.”
- Preferir: “preferir X a Y” (sem “do que”).
- Informar: “informar algo a alguém” ou “informar alguém de algo” (variações possíveis conforme a construção).
Passo a passo para resolver regência: 1) identifique o verbo/nome núcleo; 2) pergunte “o quê?” e “a quem/de quem/em quê?”; 3) compare com a preposição exigida; 4) verifique se a alternativa muda o sentido (por exemplo, “visar” pode ser “mirar” sem preposição ou “ter por objetivo” com “a”).
Crase: quando ocorre e como testar
Crase é a fusão de a (preposição) + a (artigo feminino) ou pronomes demonstrativos iniciados por “a” (aquele, aquela, aquilo). A banca cobra o uso antes de palavras femininas, locuções e casos proibidos.
- Teste prático (substituição por masculino): se no masculino vira “ao”, no feminino tende a ser “à”. Ex.: “dirigir-se à secretaria” → “dirigir-se ao setor”.
- Locuções femininas: “à tarde”, “à medida que”, “às vezes”.
- Não ocorre: antes de verbo (“a partir”), antes de palavra masculina (“a prazo”), antes de pronomes pessoais (“a ela”), antes de nomes de cidade sem artigo (“a Brasília”).
Pontuação: sentido e estrutura
Pontuação é cobrada como mecanismo de clareza e de sentido. A banca explora vírgula entre sujeito e verbo, orações subordinadas, aposto, vocativo e adjuntos adverbiais deslocados.
- Proibição clássica: não separar sujeito do verbo por vírgula: “Os guardas municipais, atuam...” (incorreto, salvo intercalações explicativas bem justificadas).
- Adjunto adverbial deslocado: “No período noturno, intensificou-se a ronda.” (vírgula geralmente aceita).
- Orações explicativas: “Os agentes, que estavam de plantão, atenderam a ocorrência.” (vírgulas mudam o sentido: explicativa vs restritiva).
Exemplo de pegadinha de sentido: “Os guardas que estavam de plantão atenderam a ocorrência.” (somente os de plantão). “Os guardas, que estavam de plantão, atenderam a ocorrência.” (todos estavam de plantão).
Colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise)
Em provas objetivas, o foco é reconhecer quando há elemento atrativo para próclise e quando a ênclise é preferida na norma-padrão.
- Próclise (antes do verbo): com “não”, pronomes relativos, advérbios, conjunções subordinativas: “Não se admite”, “Quando se trata”.
- Ênclise (depois do verbo): início de oração sem atrativo: “Apresentou-se o relatório.”
- Futuro do presente/pretérito (tendência formal): “far-se-á”, “dir-se-ia” (mesóclise), embora muitas bancas aceitem alternativas com próclise quando há atrativo.
Classes de palavras e valores semânticos
A banca cobra o valor de conectivos e de termos como “mesmo”, “só”, “até”, “como”, “que”, além de diferenças entre adjetivo, advérbio e pronome.
- “Mesmo”: pode ser pronome (“o mesmo”), advérbio de intensidade (“mesmo cansado”) ou reforço (“ele mesmo”).
- “Que”: pode ser pronome relativo, conjunção, partícula expletiva; o papel depende da função na oração.
Reescrita de frases: equivalência e correção
Questões de reescrita pedem para manter sentido e correção gramatical ao trocar voz verbal, ordem de termos, conectivos ou pontuação.
Voz ativa e passiva
- Ativa: “A equipe registrou a ocorrência.”
- Passiva analítica: “A ocorrência foi registrada pela equipe.”
- Passiva sintética: “Registrou-se a ocorrência.”
Passo a passo: 1) identifique sujeito, verbo e objeto; 2) na passiva, o objeto vira sujeito paciente; 3) ajuste o verbo (ser + particípio) e a concordância; 4) mantenha tempo e modo verbal equivalentes.
Substituição de conectivos sem mudar a lógica
Trocas comuns: “porém” ↔ “contudo” (oposição), “portanto” ↔ “logo” (conclusão), “porque” ↔ “visto que” (causa). O erro típico é trocar por conectivo de outra relação.
- Exemplo: “Houve reforço, portanto reduziu-se o tempo de resposta.” Não pode virar “Houve reforço, porque reduziu-se...” (muda a relação).
Ortografia e acentuação: foco em padrões
Em provas, ortografia aparece em itens de correção de palavras, homônimos/parônimos e acentuação (oxítonas, paroxítonas, hiatos). O mais cobrado é reconhecer o padrão, não decorar listas extensas.
- Hiato: “sa-ú-de”, “pa-ís” (acentua-se a vogal tônica do hiato em muitos casos, observadas as regras).
- Parônimos úteis: “descrição” (ato de descrever) x “discrição” (reserva); “ratificar” (confirmar) x “retificar” (corrigir).
Passo a passo de resolução para questões objetivas de Português
1) Leia o comando antes do texto (quando houver)
Identifique o que a questão quer: ideia central, inferência, substituição, correção gramatical, pontuação, regência, crase. Isso direciona a leitura.
2) Marque palavras-chave e conectivos
Sublinhe mentalmente termos como “porém”, “portanto”, “se”, “embora”, “além disso”, “isto”, “tal”. Eles indicam a lógica e as retomadas.
3) Procure evidência textual
Para interpretação, localize o trecho que sustenta a alternativa. Se não houver sustentação clara, a opção tende a ser extrapolação.
4) Use testes rápidos de gramática
- Crase: teste do “ao”.
- Concordância: encontre o núcleo do sujeito e do predicativo.
- Regência: pergunte “o quê?” e “a quem/de quê?”.
- Pontuação: verifique se a vírgula separa termos essenciais (sujeito/verbo, verbo/objeto) sem justificativa.
5) Elimine alternativas por erro objetivo
Em itens de reescrita, elimine opções que: mudam tempo verbal, alteram relação lógica, criam ambiguidade, quebram concordância/regência ou mudam o foco do texto.
Modelos de questões comentadas (estilo objetivo)
Modelo 1: inferência
Enunciado: “Depreende-se do texto que a intensificação de rondas noturnas...”
Como resolver: procure no texto menção a “rondas noturnas” e observe o efeito descrito (redução de ocorrências, aumento de sensação de segurança, etc.). A alternativa correta será a que reproduz esse efeito sem generalizar para “toda criminalidade” se o texto fala apenas de um tipo de ocorrência.
Modelo 2: crase
Enunciado: Assinale a opção correta quanto ao uso da crase.
Como resolver: aplique o teste do masculino. Se “dirigiu-se ao setor”, então “dirigiu-se à secretaria”. Elimine opções com crase antes de verbo (“à partir”) ou antes de palavra masculina (“à prazo”).
Modelo 3: pontuação e sentido
Enunciado: A substituição da pontuação mantém o sentido e a correção?
Como resolver: identifique se a oração entre vírgulas é explicativa. Se retirar as vírgulas e o trecho virar restritivo, o sentido muda. Em prova, a alternativa correta deve manter o mesmo tipo (explicativa ou restritiva) e a mesma referência.
Modelo 4: regência
Enunciado: Assinale a frase correta.
Como resolver: verifique verbos-alvo: “assistir a”, “preferir X a Y”, “implicar” (no sentido de acarretar, geralmente sem preposição), “obedecer a”. A alternativa correta respeita a preposição exigida e mantém o sentido.
Checklist rápido de revisão para Português em prova
- Interpretação: alternativa tem apoio explícito no texto ou é extrapolação?
- Conectivos: a relação é causa, consequência, oposição ou condição?
- Pronomes: “isso/ele/essa” retoma exatamente qual termo/ideia?
- Crase: dá para trocar por masculino e virar “ao”?
- Concordância: qual é o núcleo do sujeito? há expressões como “maioria”, “parte”, “porcentagem”?
- Regência: o verbo exige preposição? qual?
- Pontuação: a vírgula separa termos essenciais? muda o sentido (explicativa vs restritiva)?