Limpeza e inspeção da serpentina (evaporador) do ar-condicionado split

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que é a serpentina (evaporador) e por que ela exige atenção

A serpentina do evaporador é o conjunto de tubos e aletas metálicas localizado na unidade interna (evaporadora). Ela é responsável por absorver calor do ar do ambiente: o ar passa pelas aletas, troca calor com o refrigerante que circula nos tubos e sai mais frio. Quando a serpentina está suja ou danificada, o fluxo de ar diminui, a troca térmica piora e aumentam as chances de odores, gotejamento e consumo elevado.

Na manutenção preventiva, o objetivo é remover sujeira superficial e biofilme leve sem agredir as aletas nem molhar componentes sensíveis, além de identificar sinais que exigem intervenção mais profunda.

Como avaliar a serpentina: o que observar e como interpretar

1) Acúmulo de poeira e “feltro” de sujeira

Observe a face da serpentina (lado por onde o ar entra) com lanterna. Poeira acumulada costuma formar uma camada acinzentada e, em casos mais severos, um “tapete” que fecha os vãos entre as aletas. Indícios práticos:

  • Leve: poeira fina visível, aletas ainda “respiram” (vãos aparentes).
  • Moderado: vãos parcialmente obstruídos, aparência opaca e irregular.
  • Severo: vãos quase fechados, placas de sujeira; tendência a reduzir muito a vazão de ar.

2) Biofilme (limo) e sinais associados

Biofilme é uma película pegajosa que pode aparecer em ambientes úmidos, com pouca renovação de ar ou quando há condensação frequente. Pode ter aspecto brilhante, escurecido ou esverdeado. Indícios comuns:

  • Cheiro desagradável ao ligar (principalmente nos primeiros minutos).
  • Superfície com aspecto “melado” ou com pontos escuros.
  • Resíduos que não saem bem apenas com aspiração.

3) Aletas amassadas e deformações

As aletas são finas e amassam com facilidade. Amassados reduzem passagem de ar e criam áreas de turbulência e sujeira localizada. Avalie:

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  • Faixas “fechadas” (aletas coladas) em linhas verticais ou horizontais.
  • Marcas de contato com escova inadequada, jato forte ou impacto.
  • Regiões com aletas onduladas que parecem “apertadas”.

4) Sinais de corrosão/oxidação

Corrosão pode aparecer como manchas esbranquiçadas, pontos escuros, aspecto “farinhento” no alumínio, ou oxidação em partes metálicas próximas. Atenção especial a:

  • Manchas persistentes que não são sujeira (não saem com limpeza leve).
  • Pontos de corrosão concentrados perto de emendas, bordas e áreas que ficam molhadas com frequência.
  • Cheiro metálico e aparência de material “comido” (pitting).

Métodos compatíveis com manutenção preventiva (sem acesso profundo)

Ferramentas e materiais recomendados

  • Aspirador com bocal de escova macia (ou bocal estreito com cuidado).
  • Pincel/escova de cerdas macias (própria para aletas).
  • Bolsa de limpeza para evaporadora (coletora) para direcionar água e resíduos.
  • Plástico/filme e fita para proteger componentes elétricos e a placa (quando aplicável).
  • Limpador específico para evaporadora (quando indicado) e borrifador.
  • Pente de aletas (fin comb) compatível com o espaçamento das aletas.
  • Panos absorventes para conter respingos.

Passo a passo prático: limpeza leve (poeira superficial)

Este método é indicado quando há poeira fina e pouca obstrução, sem sinais fortes de biofilme.

  1. Acesso e iluminação: com a tampa aberta e filtros removidos (já tratados em outro capítulo), ilumine a serpentina com lanterna para identificar as áreas mais carregadas.
  2. Proteção e contenção: instale a bolsa de limpeza na evaporadora para coletar resíduos. Proteja componentes elétricos visíveis com plástico, evitando vedar totalmente áreas que precisam “respirar” (não comprimir cabos nem forçar conectores).
  3. Aspiração suave: use aspirador com escova macia, encostando de leve. Faça movimentos no sentido das aletas (geralmente vertical). Evite “arrastar” lateralmente para não dobrar as aletas.
  4. Escovação delicada: onde a aspiração não remove, use pincel/escova macia com movimentos curtos e leves, sempre acompanhando o sentido das aletas.
  5. Reinspeção: verifique se os vãos entre aletas voltaram a ficar visíveis e se não houve amassamento. Se ainda houver áreas opacas e pegajosas, considere o método com limpador específico.

Passo a passo prático: limpeza com limpador específico (quando indicado)

Indicada quando há biofilme leve/moderado, sujeira aderida ou odor recorrente associado à serpentina. Use apenas produto compatível com evaporadora e siga o rótulo (diluição, tempo de ação e necessidade de enxágue).

  1. Preparar a coleta: confirme a bolsa coletora bem posicionada e com caimento para o recipiente/ralo. Coloque panos onde houver risco de respingo.
  2. Proteger elétricos: cubra placa eletrônica, conectores e sensores expostos com plástico. A ideia é evitar que o produto e a água atinjam diretamente essas partes.
  3. Aplicação controlada: borrife o limpador na serpentina a uma distância que não “amasse” as aletas (evite jato concentrado). Aplique de cima para baixo, cobrindo uniformemente as áreas sujas.
  4. Tempo de ação: aguarde o tempo recomendado pelo fabricante. Não deixe secar completamente sobre a serpentina se o produto não for do tipo “sem enxágue”.
  5. Remoção/enxágue (se aplicável): se o produto exigir enxágue, use borrifador com água em fluxo suave, direcionando para a bolsa coletora. Evite encharcar; o objetivo é carregar o resíduo para baixo sem espalhar para dentro do equipamento.
  6. Checagem de drenagem: observe se a água e a sujeira estão sendo conduzidas para a bolsa e escoando sem transbordar. Se houver retorno de água para dentro da evaporadora, interrompa e ajuste a coleta.
  7. Secagem e inspeção final: remova proteções com cuidado para não derramar água sobre a placa. Inspecione se a serpentina ficou com aparência uniforme e com vãos desobstruídos.

Cuidados essenciais para não danificar as aletas

O que evitar

  • Jato forte (borrifador pressurizado, lavadora, compressor) diretamente nas aletas.
  • Escovas duras ou movimentos laterais que “raspam” e dobram as aletas.
  • Produtos agressivos (muito alcalinos/ácidos) não indicados para evaporadora, que podem acelerar corrosão.
  • Encharcamento sem controle de coleta, aumentando risco de atingir eletrônica e causar gotejamento posterior.

Quando e como usar o pente de aletas

Use o pente de aletas quando houver áreas amassadas que estejam reduzindo visivelmente a passagem de ar. Procedimento prático:

  1. Escolha do pente: selecione a medida (passo) compatível com a serpentina. Um pente incompatível pode piorar o dano.
  2. Teste em área pequena: comece em um canto pouco visível para validar o encaixe.
  3. Alinhamento gradual: passe o pente com leveza, em trajetos curtos, sem forçar. Se travar, pare e reposicione.
  4. Limpeza após alinhar: aspire novamente para remover partículas soltas geradas pelo alinhamento.

Se a área amassada for extensa, muito profunda ou próxima a tubos, o risco de perfuração aumenta; nesse caso, é mais seguro encaminhar para intervenção profissional.

Critérios para repetir a limpeza (na mesma visita) e como decidir

Repita a limpeza na mesma sessão quando, após o primeiro ciclo, ainda houver sinais claros de restrição ou contaminação:

  • Vãos ainda obstruídos em faixas (aparência de “tapete” persistente).
  • Biofilme pegajoso que permanece após o tempo de ação do produto.
  • Água de enxágue saindo muito escura e com partículas, indicando que ainda há carga de sujeira relevante.
  • Odor que permanece forte logo após a limpeza (considerando que alguns produtos têm cheiro próprio temporário).

Boa prática: prefira duas aplicações leves (com coleta eficiente) em vez de uma aplicação agressiva com muito jato e escovação forte.

Sinais que indicam necessidade de intervenção avançada por profissional

Algumas condições fogem do escopo da manutenção preventiva simples por exigirem desmontagem, acesso profundo, instrumentos específicos ou risco de dano ao sistema:

  • Suspeita de vazamento de refrigerante: manchas oleosas na serpentina, odor incomum associado a óleo, ou desempenho muito abaixo do normal mesmo com filtros limpos e serpentina aparentemente desobstruída. Vazamento exige diagnóstico técnico e reparo.
  • Oxidação/corrosão severa: áreas com material esfarelando, pontos profundos (pitting) ou corrosão extensa. Pode comprometer integridade e causar vazamentos.
  • Serpentina muito obstruída internamente (sujeira compactada em profundidade) que não responde a aspiração e limpador leve. Geralmente requer desmontagem parcial, limpeza técnica e controle rigoroso de água.
  • Aletas muito amassadas em grande área, especialmente próximas aos tubos, com risco de perfuração ao tentar alinhar.
  • Molhamento recorrente de eletrônica ou sinais de água em conectores/placa durante tentativas de limpeza: indica necessidade de revisão de vedação, posicionamento e técnica.
  • Mofo intenso e recorrente apesar de limpezas regulares, sugerindo foco de contaminação em áreas não acessíveis (turbina, bandeja, isolamento interno) que demandam desmontagem e higienização técnica.

Checklist rápido de inspeção da serpentina (para usar no dia a dia)

ItemO que verificarAção preventiva típica
PoeiraVãos entre aletas visíveis? Há “tapete” de sujeira?Aspiração suave + escova macia
BiofilmePelícula pegajosa, pontos escuros, odor associadoLimpador específico (conforme rótulo) + coleta
AletasFaixas amassadas reduzindo passagem de arPente de aletas (com medida correta) ou encaminhar
CorrosãoManchas persistentes, pitting, material esfarelandoRegistrar e encaminhar para avaliação técnica
Resíduos na limpezaÁgua muito escura/partículas após 1 cicloRepetir ciclo leve, sem agressão

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante a manutenção preventiva, qual conduta é mais adequada ao identificar biofilme leve/moderado na serpentina, com odor recorrente ao ligar o equipamento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Biofilme e odor recorrente indicam necessidade de limpador específico para evaporadora, aplicado de forma controlada, com proteção da eletrônica e coleta adequada, evitando jato forte e escovas duras que danificam as aletas.

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