Por que a bandeja de condensado e o dreno são críticos
No ar-condicionado split, a umidade do ar condensa na serpentina da unidade interna e escorre para a bandeja de condensado (também chamada de bandeja de dreno). Dali, a água segue pelo tubo/mangueira de dreno até o ponto de descarte (externo, ralo, caixa sifonada etc.). Quando esse caminho perde vazão (por sujeira, limo/biofilme, dobras, falta de caimento ou sifão mal dimensionado), a água encontra “o caminho mais fácil”: transborda pela bandeja e aparece como gotejamento, manchas na parede e, frequentemente, mau cheiro por proliferação de microrganismos no biofilme.
Principais causas de vazamento e odor
- Biofilme/limo na bandeja e no dreno (aspecto gelatinoso/escuro, cheiro de mofo).
- Obstrução parcial (vazão reduzida): pinga intermitente, transbordo só em dias úmidos ou em alta carga.
- Falta de caimento (dreno “subindo” em algum trecho) ou mangueira dobrada/estrangulada.
- Conexões frouxas (vazamento na emenda) e fixação inadequada do dreno.
- Sifão ausente quando necessário, mal vedado ou com altura/coluna d’água inadequada, permitindo retorno de odores ou dificultando o escoamento.
- Ponto de saída entupido (insetos, poeira, tinta, argamassa, folhas) ou descarte em local que “afoga” a saída.
Procedimento completo: inspeção, teste de escoamento e desobstrução
Ferramentas e materiais recomendados
- Lanterna.
- Seringa grande (50–100 ml) ou funil pequeno para introdução controlada de água.
- Garrafa com bico ou borrifador para enxágue.
- Escova pequena/escova de nylon (tipo escova de mamadeira) e pano.
- Arame flexível/guia passa-fio (para desobstrução leve) ou haste plástica flexível (evite objetos cortantes).
- Aspirador de pó e líquidos (se disponível) para sucção no ponto de saída.
- Recipiente para coletar água e proteger parede/piso.
1) Inspeção da bandeja de condensado
O objetivo é identificar sinais de transbordo, acúmulo de sujeira e presença de biofilme.
- Verifique marcas de nível: linhas de água, manchas amareladas e pontos de escorrimento indicam que a bandeja já transbordou.
- Procure limo/biofilme: aparência viscosa, escura ou esverdeada; pode formar “placas” que se soltam e vão para o dreno.
- Observe o ponto de captação (onde a água entra no dreno): é o local mais comum de entupimento por crostas e lodo.
- Cheque encaixes: bandeja mal posicionada ou deformada pode direcionar água para fora do dreno.
Exemplo prático: se a bandeja está relativamente limpa, mas há manchas recentes na parede e pingos intermitentes, suspeite mais de caimento do dreno ou obstrução parcial do que de transbordo por sujeira grossa.
2) Identificação de limo/biofilme e como diferenciar de sujeira comum
- Sujeira comum: poeira seca, partículas soltas, fácil de remover com pano úmido.
- Biofilme: camada escorregadia/gelatinosa, adere ao plástico, volta rapidamente se não houver enxágue do dreno; costuma ter odor característico de mofo.
Quando o biofilme está presente, não basta “limpar por cima”: é necessário restabelecer vazão e enxaguar o caminho do dreno para remover material que pode se desprender depois e entupir novamente.
3) Verificação do caimento do dreno (inclinação)
O dreno deve ter queda contínua desde a saída da unidade interna até o descarte. Qualquer trecho que “sobe” cria uma barriga de água, reduz vazão e favorece limo.
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- Inspecione visualmente o trajeto acessível: procure dobras, estrangulamentos, pontos prensados por abraçadeiras ou canaletas.
- Toque na mangueira: se houver um trecho “mole” e cheio, pode estar acumulando água (barriga).
- Verifique fixação: dreno solto tende a ceder com o tempo e perder caimento.
Referência prática: se o dreno percorre longas distâncias, priorize fixação em intervalos regulares para manter a inclinação. Em instalações com canaleta, confirme que a canaleta não está forçando uma curva ascendente.
4) Teste prático de escoamento (introdução controlada de água)
Esse teste confirma se a água percorre o dreno com vazão adequada e ajuda a localizar obstruções parciais.
Prepare o local: proteja parede e piso com pano/recipiente. Tenha uma lanterna para observar a bandeja.
Introduza água aos poucos: com seringa grande ou funil, adicione água limpa diretamente na bandeja, próximo ao ponto de saída do dreno. Faça em etapas (por exemplo, 100–200 ml por vez) para não forçar transbordo.
Observe o comportamento:
- Se a água desaparece rapidamente e não retorna, a vazão tende a estar ok.
- Se a água demora e o nível sobe, há restrição (obstrução parcial, caimento ruim, sifão problemático).
- Se a água retorna ou borbulha, pode haver sifão mal configurado, ponto de saída afogado ou obstrução mais adiante.
Confirme no ponto de descarte: peça para alguém observar a saída externa/ralo enquanto você adiciona água. O ideal é ver fluxo contínuo e compatível com o volume introduzido.
Dica de diagnóstico: se a bandeja escoa bem no início e depois começa a subir, é típico de obstrução móvel (placa de biofilme) que se desloca e trava o dreno em algum ponto.
5) Limpeza do ponto de saída do dreno
O ponto de saída é frequentemente negligenciado e pode ser o “gargalo” do sistema.
- Saída externa: remova sujeira visível, verifique se a ponta da mangueira não está encostada em parede/solo e se não há insetos.
- Saída em ralo/caixa sifonada: confirme que a mangueira não está submersa permanentemente e que o ralo não está entupido.
- Sucção (se houver aspirador de líquidos): aplique sucção na ponta do dreno por alguns segundos para puxar lodo e detritos. Repita e depois faça novo teste de água.
Boa prática: ao finalizar, deixe a ponta do dreno com corte limpo e sem rebarbas, e posicione de forma que não “cole” em superfícies, evitando efeito de capilaridade e retorno.
6) Desobstrução do dreno (sem danificar a mangueira)
Se o teste indicar restrição, faça a desobstrução de forma progressiva, do método menos invasivo ao mais efetivo.
- Enxágue repetido: introduza água em pequenas quantidades e observe se a vazão melhora. Muitas obstruções leves se desfazem com enxágue.
- Haste flexível: insira cuidadosamente uma haste plástica flexível pelo ponto de saída (ou pelo lado da bandeja, se acessível) para romper o tampão de limo. Evite arames rígidos que possam perfurar a mangueira.
- Sucção na saída: alternar enxágue pela bandeja e sucção na saída costuma remover biofilme com eficiência.
Critério de sucesso: após desobstruir, repita o teste de introdução controlada de água e confirme fluxo contínuo no descarte, sem subida de nível na bandeja.
7) Limpeza do sifão (quando existir) e verificação de vedação
Algumas instalações possuem sifão no dreno para bloquear retorno de odores. Se o sifão acumula lodo ou perde a coluna d’água, pode causar mau cheiro e reduzir vazão.
- Inspecione o sifão: procure acúmulo de limo, sedimentos e sinais de vazamento nas conexões.
- Limpe o sifão: se for do tipo desmontável, remova e lave internamente, eliminando biofilme. Se não for desmontável, use enxágue e sucção alternados.
- Confirme a vedação: conexões frouxas puxam ar e podem prejudicar o escoamento; além disso, permitem vazamentos ocultos.
- Teste de odor: após limpeza, verifique se o retorno de cheiro diminui. Se persistir, reavalie o ponto de descarte (ralo seco, caixa sifonada sem fecho hídrico etc.).
Boas práticas de prevenção (para reduzir gotejamento e mau cheiro)
Rotina de prevenção focada em bandeja e dreno
- Enxágue preventivo: periodicamente, faça um teste rápido com pequena quantidade de água na bandeja e confirme saída livre no descarte.
- Remoção de biofilme: ao notar limo, faça limpeza da bandeja e enxágue do dreno para evitar que placas se soltem e entupam o tubo.
- Evite dobras e estrangulamentos: ao recolocar canaletas ou ajustar a evaporadora, garanta que a mangueira não fique prensada.
- Fixação correta: prenda o dreno para manter caimento contínuo; mangueira “solta” tende a criar barriga com o tempo.
- Ponta do dreno bem posicionada: não deixe a saída submersa, encostada ou apontada para locais com sujeira/folhas.
- Compatibilidade do descarte: se o dreno vai para ralo, assegure que o ralo tenha condições de receber água (sem entupimento e sem refluxo).
Erros comuns que geram retorno do problema
- Limpar apenas a bandeja e não verificar a vazão do dreno (o entupimento permanece).
- Resolver com “empurrão” de objeto rígido e perfurar a mangueira (vazamento oculto).
- Deixar a mangueira com subida para “acompanhar” a canaleta (perde caimento).
- Ignorar o ponto de saída: a obstrução está no final e não perto da bandeja.
Checklist rápido: sinais de alerta e ações imediatas
| Sinal de alerta | O que pode indicar | Ação prática recomendada |
|---|---|---|
| Manchas na parede abaixo da evaporadora | Transbordo da bandeja ou vazamento em conexão do dreno | Inspecionar bandeja e conexões; fazer teste de água e observar se há subida de nível |
| Pingos intermitentes (às vezes pinga, às vezes para) | Obstrução parcial por biofilme ou caimento irregular | Teste de escoamento com água; verificar dobras/barrigas; desobstruir e fixar corretamente |
| Odor de mofo ao ligar | Biofilme na bandeja/dreno ou retorno de odores pelo sifão/ralo | Limpar bandeja e enxaguar dreno; checar sifão e ponto de descarte |
| Gotejamento constante mesmo em baixa umidade | Obstrução mais severa, dreno desconectado ou bandeja mal posicionada | Confirmar fluxo no ponto de saída; revisar encaixes e integridade da mangueira |
| Água não aparece no ponto de descarte durante o teste | Dreno entupido, esmagado ou saída afogada | Limpar saída; aplicar sucção; corrigir trajeto e caimento |
Mini-checklist operacional (para usar em campo)
- Inspecione bandeja: marcas de transbordo, limo, ponto de saída.
- Verifique trajeto do dreno: caimento contínuo, sem dobras, sem pontos prensados.
- Teste com água: introdução controlada + confirmação visual no descarte.
- Limpe ponto de saída: desobstrução e posicionamento correto.
- Se houver sifão: limpar, vedar e retestar vazão.
- Repetir teste final: fluxo contínuo, sem subida de nível na bandeja e sem retorno/borbulhamento.