Levantamento de medidas no local para portões e grades: vão, prumo, nível e referências

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Conceitos essenciais: vão, prumo, nível e referências

Vão é o espaço disponível onde o portão ou a grade será instalado(a). O vão raramente é perfeitamente reto e “quadrado”, por isso a medição precisa identificar variações de largura, altura, prumo e nível.

Prumo indica se uma face/coluna está vertical. Uma coluna fora de prumo altera folgas, alinhamento de dobradiças e pode causar atrito do portão ao abrir/fechar.

Nível indica se piso, soleira, mureta ou travessa superior estão horizontais. Desnível no piso muda a folga inferior e pode exigir compensação (folga maior, corte, rodízio, etc.).

Linha de referência (ponto zero) é uma base fixa para todas as medidas e anotações. Sem referência, as medidas “não conversam” entre si e fica fácil errar posição de furos, batentes e interferências.

Ferramentas e preparação rápida

  • Trena (preferencialmente 5 m ou 8 m, com trava funcionando).
  • Nível (de bolha ou laser). Se for de bolha, verifique se está confiável (sem folga e com leitura consistente).
  • Prumo (prumo de centro ou linha com peso). Pode ser substituído por nível a laser com linha vertical, quando disponível.
  • Esquadro (opcional, útil para checar cantos e marcar referências).
  • Fita crepe e marcador para marcar pontos no local sem danificar.
  • Papel/planilha de medição com campos para: larguras (topo/meio/base), alturas (esquerda/direita), diagonais, prumo, nível, interferências e pontos de fixação.

Como escolher o “ponto zero” (referência)

Defina um ponto fixo e fácil de reencontrar. Exemplos práticos:

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  • Piso acabado (se já estiver pronto e não será alterado).
  • Topo de uma mureta (se for definitivo e contínuo).
  • Face externa de uma coluna (quando a instalação precisa alinhar com a fachada).

Regra prática: escolha um ponto que não será removido/revestido depois. Anote no desenho: “Referência 0,00 = piso acabado no lado esquerdo” ou “Referência 0,00 = face externa da coluna direita”.

Passo a passo: medindo o vão com trena (largura e altura)

1) Medir a largura em pelo menos três alturas

Meça a largura do vão em três níveis: parte superior, meio e parte inferior. Isso revela se as colunas “fecham” ou “abrem” e se há barriga/estreitamento.

  • Largura superior (LS): trena encostada nas faces internas (ou faces de fixação) no topo do vão.
  • Largura média (LM): aproximadamente na metade da altura.
  • Largura inferior (LI): próximo ao piso/soleira.

Como registrar: anote as três medidas e destaque a menor. Exemplo:

LS = 1.205 mm  LM = 1.198 mm  LI = 1.192 mm  → menor = 1.192 mm

Na prática, a menor largura costuma governar o dimensionamento do conjunto (considerando folgas e ferragens), porque é o ponto onde mais tende a encostar.

2) Medir a altura em mais de um ponto

Meça a altura em pelo menos dois pontos: lado esquerdo e lado direito. Se o vão for largo, inclua um terceiro ponto no centro.

  • Altura esquerda (AE): do piso de referência até a travessa superior/limite superior do vão.
  • Altura direita (AD): mesma referência do lado direito.

Exemplo de anotação:

AE = 1.520 mm  AD = 1.507 mm  (diferença = 13 mm)

Diferenças indicam desnível no topo, no piso, ou ambos. Por isso, em seguida, confirme nível do piso e do topo.

Identificando empenos do vão e desníveis do piso

3) Verificar prumo das laterais (colunas/batentes)

Use prumo ou linha vertical do laser encostada na face onde haverá fixação (ou na face interna do vão). O objetivo é descobrir se a coluna está inclinada para dentro/fora.

Método com prumo:

  • Encoste a linha do prumo próximo ao topo da coluna.
  • Meça a distância da linha até a face da coluna no topo e na base.
  • Diferença entre topo e base indica fora de prumo.

Registro sugerido:

Coluna esquerda: topo 8 mm / base 2 mm → fora de prumo 6 mm (inclina para dentro)

Faça o mesmo no lado direito. Se houver batente metálico existente, verifique o prumo do batente também (ele pode estar “torcido” mesmo com a alvenaria correta).

4) Verificar nível do piso (desnível e caimento)

Com nível (ou laser), verifique o piso na linha onde ficará a folga inferior do portão/grade.

  • Posicione o nível no sentido da largura do vão (da esquerda para a direita).
  • Anote qual lado está mais alto e a diferença.
  • Repita em duas posições: próximo à frente e próximo ao fundo (se houver profundidade/soleira).

Exemplo de anotação:

Piso: lado esquerdo +10 mm (mais alto) em relação ao direito

Esse dado é essencial para definir folga inferior e evitar que o portão “varra” o piso no lado mais alto.

5) Verificar nível do topo (travessa superior, viga, pingadeira)

Se existir travessa superior, viga ou pingadeira que limite a altura, confira o nível. Um topo caído pode reduzir a altura útil em um lado.

  • Meça a altura útil em ambos os lados (já feito no passo 2).
  • Confirme com nível/laser para entender se a diferença é do topo, do piso ou dos dois.

Medindo diagonais para antecipar problemas de esquadro

O esquadro do vão é avaliado comparando as diagonais (canto superior esquerdo ao canto inferior direito, e canto superior direito ao canto inferior esquerdo). Se as diagonais forem iguais (ou muito próximas), o vão está próximo do esquadro.

6) Como medir as diagonais com trena

  • Identifique os quatro cantos do vão (superior esquerdo, superior direito, inferior esquerdo, inferior direito) na face onde será instalado.
  • Meça a diagonal D1: superior esquerdo → inferior direito.
  • Meça a diagonal D2: superior direito → inferior esquerdo.

Exemplo:

D1 = 1.980 mm  D2 = 1.992 mm  → diferença = 12 mm (vão fora de esquadro)

Como usar essa informação: diferença de diagonais indica que, mesmo que largura e altura pareçam “ok”, o conjunto pode exigir folgas maiores, ajuste no batente, calços, ou correção de fixação para não forçar folha e ferragens.

Coleta de medidas para batentes, colunas, muretas e pontos de fixação

7) Definir faces de fixação e medir “onde o portão/grade encosta”

Antes de medir pontos de furo, defina claramente:

  • Se a fixação será na face interna do vão (entre colunas) ou na face externa (sobreposta).
  • Se haverá batente metálico (novo ou existente) e qual sua largura/espessura.
  • Se a grade/portão ficará alinhado com a fachada ou recuado.

Meça a largura disponível na face de fixação (por exemplo, largura da coluna onde entrará chumbador/parafuso) e a condição do substrato (alvenaria, concreto, pedra, revestimento oco).

8) Medir colunas e muretas (larguras, espessuras e alturas úteis)

  • Largura da coluna (face de fixação): importante para posicionar dobradiças, fechos e parafusos sem “estourar” borda.
  • Espessura/avanço (se há ressalto, moldura, revestimento): pode criar interferência na abertura.
  • Altura da mureta (se a grade apoia/encerra nela): medir em mais de um ponto para identificar variação.

Exemplo de registro:

Coluna direita: face útil p/ fixação = 120 mm; ressalto de 15 mm na borda externa

9) Marcar e medir pontos de fixação (coordenadas a partir do ponto zero)

Para evitar erro, registre pontos como coordenadas em relação à referência. Um formato simples é:

  • X = distância horizontal a partir da referência (ex.: face interna da coluna esquerda).
  • Y = altura a partir do ponto zero (ex.: piso acabado).

Exemplo:

Ponto de fixação do batente (furo 1): X = 40 mm a partir da face interna; Y = 250 mm do piso

Se houver vários furos, crie uma pequena tabela para cada lado (esquerdo/direito) e para a travessa superior, se existir.

Interferências: como localizar e registrar no desenho

Interferências são elementos que podem impedir a instalação, atrapalhar abertura, bloquear fechadura ou inviabilizar furação. O procedimento é sempre o mesmo: identificar, medir posição e medir projeção.

10) O que mapear (lista prática)

  • Caixa de correio (altura, avanço e distância até a borda do vão).
  • Registros/hidrômetros (tampa, área de acesso e necessidade de abertura).
  • Tomadas, interfone, botoeira (posição e rota de eletroduto).
  • Pingadeiras, molduras, frisos (podem limitar altura ou criar ressalto).
  • Ralos, grelhas, canaletas (podem afetar base e fixação).
  • Desníveis, soleiras e degraus (impactam folga inferior e alinhamento).

11) Como medir interferências (posição + tamanho + avanço)

Para cada interferência, registre:

  • Posição horizontal (X) a partir da referência.
  • Altura (Y) a partir do ponto zero.
  • Largura/altura do elemento (dimensão ocupada).
  • Avanço (quanto “sai” da parede/coluna), que pode bater na folha ao abrir.

Exemplo:

Caixa de correio: X = 180 mm (da coluna esquerda), Y = 1.100 mm (do piso), 260 x 180 mm, avanço 90 mm

Se a interferência estiver no caminho de abertura, anote também o lado de abertura pretendido e a área de varredura aproximada.

Modelo de ficha de medição (para evitar lacunas)

ItemMedidas/Observações
Larguras do vãoLS: ____ mm | LM: ____ mm | LI: ____ mm
Alturas do vãoAE: ____ mm | AD: ____ mm | (Centro: ____ mm)
DiagonaisD1: ____ mm | D2: ____ mm | Dif.: ____ mm
PrumoColuna E: ____ mm | Coluna D: ____ mm (sentido da inclinação)
NívelPiso: ____ mm (lado alto/baixo) | Topo: ____ mm
Faces de fixaçãoInterna/Externa | alinhamento com fachada: sim/não
Colunas/muretasFace útil: ____ mm | ressalto: ____ mm | mureta: ____ mm
InterferênciasElemento | X | Y | dimensões | avanço

Roteiro de conferência (leitura e anotação sem erro)

Checklist de conferência no local

  • Confirmar qual é o ponto zero e escrever na folha exatamente como foi definido.
  • Repetir as medidas críticas: LI (largura inferior) e menor altura (lado mais baixo).
  • Checar se as larguras foram feitas nas mesmas faces (não misturar face interna com externa).
  • Conferir se as unidades estão consistentes (preferir mm em tudo).
  • Repetir as diagonais e anotar a diferença.
  • Registrar sentido do desnível do piso (qual lado está mais alto) e o valor.
  • Registrar sentido do fora de prumo (inclina para dentro/fora) e o valor.
  • Fotografar o vão com marcações (fita crepe e setas) e uma foto geral do contexto (interferências).
  • Revisar anotações procurando números “suspeitos” (ex.: inversão de dígitos, 1.290 anotado como 1.920).
  • Ler em voz alta cada medida e comparar com o que está escrito (dupla checagem reduz erro de transcrição).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao levantar medidas de um vão para instalar um portão, por que é recomendado medir a largura em três alturas (topo, meio e base) e considerar a menor medida no dimensionamento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Como o vão raramente é perfeitamente reto e “quadrado”, medir em topo/meio/base revela estreitamentos e empenos. A menor largura costuma governar o dimensionamento, pois é onde o conjunto tende a encostar, exigindo folgas e ajustes adequados.

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Definição de folgas e alinhamentos na instalação de portões e grades

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