Conceitos essenciais: vão, prumo, nível e referências
Vão é o espaço disponível onde o portão ou a grade será instalado(a). O vão raramente é perfeitamente reto e “quadrado”, por isso a medição precisa identificar variações de largura, altura, prumo e nível.
Prumo indica se uma face/coluna está vertical. Uma coluna fora de prumo altera folgas, alinhamento de dobradiças e pode causar atrito do portão ao abrir/fechar.
Nível indica se piso, soleira, mureta ou travessa superior estão horizontais. Desnível no piso muda a folga inferior e pode exigir compensação (folga maior, corte, rodízio, etc.).
Linha de referência (ponto zero) é uma base fixa para todas as medidas e anotações. Sem referência, as medidas “não conversam” entre si e fica fácil errar posição de furos, batentes e interferências.
Ferramentas e preparação rápida
- Trena (preferencialmente 5 m ou 8 m, com trava funcionando).
- Nível (de bolha ou laser). Se for de bolha, verifique se está confiável (sem folga e com leitura consistente).
- Prumo (prumo de centro ou linha com peso). Pode ser substituído por nível a laser com linha vertical, quando disponível.
- Esquadro (opcional, útil para checar cantos e marcar referências).
- Fita crepe e marcador para marcar pontos no local sem danificar.
- Papel/planilha de medição com campos para: larguras (topo/meio/base), alturas (esquerda/direita), diagonais, prumo, nível, interferências e pontos de fixação.
Como escolher o “ponto zero” (referência)
Defina um ponto fixo e fácil de reencontrar. Exemplos práticos:
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- Piso acabado (se já estiver pronto e não será alterado).
- Topo de uma mureta (se for definitivo e contínuo).
- Face externa de uma coluna (quando a instalação precisa alinhar com a fachada).
Regra prática: escolha um ponto que não será removido/revestido depois. Anote no desenho: “Referência 0,00 = piso acabado no lado esquerdo” ou “Referência 0,00 = face externa da coluna direita”.
Passo a passo: medindo o vão com trena (largura e altura)
1) Medir a largura em pelo menos três alturas
Meça a largura do vão em três níveis: parte superior, meio e parte inferior. Isso revela se as colunas “fecham” ou “abrem” e se há barriga/estreitamento.
- Largura superior (LS): trena encostada nas faces internas (ou faces de fixação) no topo do vão.
- Largura média (LM): aproximadamente na metade da altura.
- Largura inferior (LI): próximo ao piso/soleira.
Como registrar: anote as três medidas e destaque a menor. Exemplo:
LS = 1.205 mm LM = 1.198 mm LI = 1.192 mm → menor = 1.192 mmNa prática, a menor largura costuma governar o dimensionamento do conjunto (considerando folgas e ferragens), porque é o ponto onde mais tende a encostar.
2) Medir a altura em mais de um ponto
Meça a altura em pelo menos dois pontos: lado esquerdo e lado direito. Se o vão for largo, inclua um terceiro ponto no centro.
- Altura esquerda (AE): do piso de referência até a travessa superior/limite superior do vão.
- Altura direita (AD): mesma referência do lado direito.
Exemplo de anotação:
AE = 1.520 mm AD = 1.507 mm (diferença = 13 mm)Diferenças indicam desnível no topo, no piso, ou ambos. Por isso, em seguida, confirme nível do piso e do topo.
Identificando empenos do vão e desníveis do piso
3) Verificar prumo das laterais (colunas/batentes)
Use prumo ou linha vertical do laser encostada na face onde haverá fixação (ou na face interna do vão). O objetivo é descobrir se a coluna está inclinada para dentro/fora.
Método com prumo:
- Encoste a linha do prumo próximo ao topo da coluna.
- Meça a distância da linha até a face da coluna no topo e na base.
- Diferença entre topo e base indica fora de prumo.
Registro sugerido:
Coluna esquerda: topo 8 mm / base 2 mm → fora de prumo 6 mm (inclina para dentro)Faça o mesmo no lado direito. Se houver batente metálico existente, verifique o prumo do batente também (ele pode estar “torcido” mesmo com a alvenaria correta).
4) Verificar nível do piso (desnível e caimento)
Com nível (ou laser), verifique o piso na linha onde ficará a folga inferior do portão/grade.
- Posicione o nível no sentido da largura do vão (da esquerda para a direita).
- Anote qual lado está mais alto e a diferença.
- Repita em duas posições: próximo à frente e próximo ao fundo (se houver profundidade/soleira).
Exemplo de anotação:
Piso: lado esquerdo +10 mm (mais alto) em relação ao direitoEsse dado é essencial para definir folga inferior e evitar que o portão “varra” o piso no lado mais alto.
5) Verificar nível do topo (travessa superior, viga, pingadeira)
Se existir travessa superior, viga ou pingadeira que limite a altura, confira o nível. Um topo caído pode reduzir a altura útil em um lado.
- Meça a altura útil em ambos os lados (já feito no passo 2).
- Confirme com nível/laser para entender se a diferença é do topo, do piso ou dos dois.
Medindo diagonais para antecipar problemas de esquadro
O esquadro do vão é avaliado comparando as diagonais (canto superior esquerdo ao canto inferior direito, e canto superior direito ao canto inferior esquerdo). Se as diagonais forem iguais (ou muito próximas), o vão está próximo do esquadro.
6) Como medir as diagonais com trena
- Identifique os quatro cantos do vão (superior esquerdo, superior direito, inferior esquerdo, inferior direito) na face onde será instalado.
- Meça a diagonal D1: superior esquerdo → inferior direito.
- Meça a diagonal D2: superior direito → inferior esquerdo.
Exemplo:
D1 = 1.980 mm D2 = 1.992 mm → diferença = 12 mm (vão fora de esquadro)Como usar essa informação: diferença de diagonais indica que, mesmo que largura e altura pareçam “ok”, o conjunto pode exigir folgas maiores, ajuste no batente, calços, ou correção de fixação para não forçar folha e ferragens.
Coleta de medidas para batentes, colunas, muretas e pontos de fixação
7) Definir faces de fixação e medir “onde o portão/grade encosta”
Antes de medir pontos de furo, defina claramente:
- Se a fixação será na face interna do vão (entre colunas) ou na face externa (sobreposta).
- Se haverá batente metálico (novo ou existente) e qual sua largura/espessura.
- Se a grade/portão ficará alinhado com a fachada ou recuado.
Meça a largura disponível na face de fixação (por exemplo, largura da coluna onde entrará chumbador/parafuso) e a condição do substrato (alvenaria, concreto, pedra, revestimento oco).
8) Medir colunas e muretas (larguras, espessuras e alturas úteis)
- Largura da coluna (face de fixação): importante para posicionar dobradiças, fechos e parafusos sem “estourar” borda.
- Espessura/avanço (se há ressalto, moldura, revestimento): pode criar interferência na abertura.
- Altura da mureta (se a grade apoia/encerra nela): medir em mais de um ponto para identificar variação.
Exemplo de registro:
Coluna direita: face útil p/ fixação = 120 mm; ressalto de 15 mm na borda externa9) Marcar e medir pontos de fixação (coordenadas a partir do ponto zero)
Para evitar erro, registre pontos como coordenadas em relação à referência. Um formato simples é:
- X = distância horizontal a partir da referência (ex.: face interna da coluna esquerda).
- Y = altura a partir do ponto zero (ex.: piso acabado).
Exemplo:
Ponto de fixação do batente (furo 1): X = 40 mm a partir da face interna; Y = 250 mm do pisoSe houver vários furos, crie uma pequena tabela para cada lado (esquerdo/direito) e para a travessa superior, se existir.
Interferências: como localizar e registrar no desenho
Interferências são elementos que podem impedir a instalação, atrapalhar abertura, bloquear fechadura ou inviabilizar furação. O procedimento é sempre o mesmo: identificar, medir posição e medir projeção.
10) O que mapear (lista prática)
- Caixa de correio (altura, avanço e distância até a borda do vão).
- Registros/hidrômetros (tampa, área de acesso e necessidade de abertura).
- Tomadas, interfone, botoeira (posição e rota de eletroduto).
- Pingadeiras, molduras, frisos (podem limitar altura ou criar ressalto).
- Ralos, grelhas, canaletas (podem afetar base e fixação).
- Desníveis, soleiras e degraus (impactam folga inferior e alinhamento).
11) Como medir interferências (posição + tamanho + avanço)
Para cada interferência, registre:
- Posição horizontal (X) a partir da referência.
- Altura (Y) a partir do ponto zero.
- Largura/altura do elemento (dimensão ocupada).
- Avanço (quanto “sai” da parede/coluna), que pode bater na folha ao abrir.
Exemplo:
Caixa de correio: X = 180 mm (da coluna esquerda), Y = 1.100 mm (do piso), 260 x 180 mm, avanço 90 mmSe a interferência estiver no caminho de abertura, anote também o lado de abertura pretendido e a área de varredura aproximada.
Modelo de ficha de medição (para evitar lacunas)
| Item | Medidas/Observações |
|---|---|
| Larguras do vão | LS: ____ mm | LM: ____ mm | LI: ____ mm |
| Alturas do vão | AE: ____ mm | AD: ____ mm | (Centro: ____ mm) |
| Diagonais | D1: ____ mm | D2: ____ mm | Dif.: ____ mm |
| Prumo | Coluna E: ____ mm | Coluna D: ____ mm (sentido da inclinação) |
| Nível | Piso: ____ mm (lado alto/baixo) | Topo: ____ mm |
| Faces de fixação | Interna/Externa | alinhamento com fachada: sim/não |
| Colunas/muretas | Face útil: ____ mm | ressalto: ____ mm | mureta: ____ mm |
| Interferências | Elemento | X | Y | dimensões | avanço |
Roteiro de conferência (leitura e anotação sem erro)
Checklist de conferência no local
- Confirmar qual é o ponto zero e escrever na folha exatamente como foi definido.
- Repetir as medidas críticas: LI (largura inferior) e menor altura (lado mais baixo).
- Checar se as larguras foram feitas nas mesmas faces (não misturar face interna com externa).
- Conferir se as unidades estão consistentes (preferir mm em tudo).
- Repetir as diagonais e anotar a diferença.
- Registrar sentido do desnível do piso (qual lado está mais alto) e o valor.
- Registrar sentido do fora de prumo (inclina para dentro/fora) e o valor.
- Fotografar o vão com marcações (fita crepe e setas) e uma foto geral do contexto (interferências).
- Revisar anotações procurando números “suspeitos” (ex.: inversão de dígitos, 1.290 anotado como 1.920).
- Ler em voz alta cada medida e comparar com o que está escrito (dupla checagem reduz erro de transcrição).