Neste capítulo você vai aprender a ler um diagrama de acorde, que é o desenho usado em quase todo site e livro de violão, e vai montar seus dois primeiros acordes: Mi menor e Lá menor. Você já conhece a numeração de cordas, casas e dedos do primeiro capítulo, já sabe deixar o violão afinado e já treinou a posição da mão esquerda no capítulo de postura. Agora essas três coisas se juntam e, pela primeira vez, o violão vai soar como acompanhamento de música.
O que é um acorde
Um acorde é um conjunto de notas tocadas ao mesmo tempo. Quando você toca uma corda solta, ouve uma nota só. Quando pressiona algumas cordas em casas certas e passa o polegar da mão direita por todas elas, várias notas soam juntas e formam um som cheio. Esse som cheio é o acorde. É ele que acompanha o canto na maior parte das músicas que você conhece. Por enquanto, não é preciso entender por que essas notas combinam. Basta saber onde colocar cada dedo e como fazer cada corda soar limpa. A teoria virá aos poucos, sempre ligada ao que você já toca.
Como ler um diagrama de acorde
Um diagrama de acorde é uma pequena grade que representa o começo do braço do violão. Imagine o violão em pé, com a cabeça apontando para o teto e o tampo virado para você. As linhas verticais são as cordas. A linha da esquerda é a corda 6, a mais grossa. A linha da direita é a corda 1, a mais fina. As linhas horizontais são os trastes, e o espaço entre duas linhas horizontais é uma casa. A linha de cima costuma ser mais grossa e representa a pestana, aquela peça branca no início do braço. Logo abaixo dela fica a casa 1, depois a casa 2, depois a casa 3, e assim por diante.
Os pontos pretos mostram onde os dedos pressionam. Dentro do ponto, ou logo abaixo do diagrama, aparece o número do dedo: 1 para o indicador, 2 para o médio, 3 para o anular e 4 para o mínimo, como combinamos no primeiro capítulo. Acima do diagrama, em cima de cada corda, pode aparecer uma letra O ou uma letra X. O círculo, letra O, quer dizer corda solta: toque essa corda sem pressionar nada. A letra X quer dizer corda muda: não toque essa corda. Quando o acorde fica em uma região mais alta do braço, um número ao lado do desenho indica em qual casa o diagrama começa.
Como este livro também é ouvido, cada diagrama será traduzido em uma frase falada, sempre na mesma ordem: dedo, corda, casa. Por exemplo, um ponto com o número 2, na segunda linha vertical contando da esquerda, dentro do segundo espaço de cima para baixo, vira a frase: dedo 2 na corda 5, casa 2. Se você vir um diagrama em qualquer site, faça essa tradução em voz alta. Em pouco tempo ela se torna automática.
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Montando o acorde de Mi menor
Mi menor aparece nas cifras como a letra E seguida de um m minúsculo. O m minúsculo significa menor. O acorde tem apenas dois dedos e usa as seis cordas, por isso é o melhor ponto de partida. A descrição falada é esta: dedo 2 na corda 5, casa 2. Dedo 3 na corda 4, casa 2. As cordas 6, 3, 2 e 1 ficam soltas. Toque as seis cordas.
Vamos montar passo a passo. Primeiro, coloque a mão esquerda na posição que você treinou: polegar atrás do braço, dedos curvados como uma pinça, pulso quase reto. Segundo, leve a ponta do dedo 2 até a corda 5, dentro da casa 2, encostando o dedo bem perto do traste que separa a casa 2 da casa 3, sem ficar em cima dele. Terceiro, coloque a ponta do dedo 3 na corda 4, também na casa 2, logo ao lado do dedo 2. Os dois dedos ficam lado a lado, como dois soldados em fila. Quarto, com o polegar da mão direita, passe devagar por todas as cordas, da corda 6 até a corda 1, em um movimento só. Diga em voz alta: Mi menor. Repare no som, um pouco sério e melancólico. Esse é o caráter dos acordes menores.

Checando corda por corda
Montar o acorde é metade do trabalho. A outra metade é conferir se cada corda soa limpa. Com o acorde montado, toque uma corda por vez com o polegar da mão direita, começando pela corda 6 e descendo até a corda 1. Cada uma deve soar clara e continuar vibrando por alguns segundos. Se alguma soar abafada, surda, curta ou com zumbido, há três causas comuns, e vale investigar nesta ordem.
- Dedo encostando na corda vizinha. É a causa mais frequente. Um dedo deitado demais toca de leve a corda de baixo e a abafa. Em Mi menor, o dedo 3 costuma encostar na corda 3. Curve mais o dedo e use só a pontinha, como se apontasse para dentro do braço.
- Pressão insuficiente. A corda vibra contra o traste e zumbe. Aperte um pouco mais, mas apenas o necessário. Apertar demais cansa a mão e não melhora o som.
- Dedo longe do traste. Se a ponta do dedo está no meio da casa ou perto do traste anterior, a corda zumbe mesmo com força. Deslize o dedo para mais perto do traste do lado do corpo do violão, sem subir em cima dele.
Depois de cada correção, toque a corda de novo e ouça. Confira também as unhas: unha comprida impede a ponta do dedo de chegar à corda. Essa checagem corda por corda deve virar hábito em todo acorde novo que você aprender.
Montando o acorde de Lá menor
Lá menor aparece nas cifras como a letra A seguida de um m minúsculo. Ele usa três dedos e cinco cordas. A descrição falada é esta: dedo 1 na corda 2, casa 1. Dedo 2 na corda 4, casa 2. Dedo 3 na corda 3, casa 2. As cordas 5 e 1 ficam soltas. A corda 6 não deve ser tocada. No diagrama, ela aparece com a letra X em cima.
Monte na seguinte ordem, que costuma ser mais fácil. Primeiro, coloque o dedo 2 na corda 4, casa 2. Segundo, coloque o dedo 3 na corda 3, casa 2, ao lado dele. Terceiro, coloque o dedo 1 na corda 2, casa 1, um pouco mais perto da cabeça do violão. A mão forma um pequeno triângulo. Com o polegar da mão direita, toque da corda 5 até a corda 1, sem passar pela corda 6. Diga em voz alta: Lá menor. Faça a checagem corda por corda, da 5 à 1. Os problemas típicos aqui são o dedo 1 deitado abafando a corda 1 e o dedo 3 encostando na corda 2. A solução é a mesma: mais curva, mais ponta, mais perto do traste.

A troca lenta de Mi menor para Lá menor
Agora repare em um detalhe que facilita muito a vida. Em Mi menor, os dedos 2 e 3 estão na casa 2, nas cordas 5 e 4. Em Lá menor, os mesmos dedos 2 e 3 estão na casa 2, nas cordas 4 e 3. É a mesma forma, apenas uma corda mais para baixo, em direção ao chão. Para trocar, você não desmonta a mão: levanta os dois dedos só o suficiente para sair das cordas, desliza uma corda para baixo e acrescenta o dedo 1 na corda 2, casa 1. Para voltar, tira o dedo 1 e sobe os dois dedos uma corda.
Faça assim. Monte Mi menor e toque as seis cordas. Deixe o som durar enquanto conta em voz alta, devagar: um, dois, três, quatro. Mova os dedos para Lá menor, toque da corda 5 para baixo e conte de novo: um, dois, três, quatro. Volte para Mi menor. Repita dez vezes, sem pressa. Se um acorde sair abafado, pare, faça a checagem corda por corda, corrija e continue. Mantenha os dedos perto das cordas durante a troca, sem levantá-los mais que um dedo de distância. Cinco minutos por dia desse exercício, dentro das sessões curtas recomendadas no capítulo de postura, já trazem resultado. A ardência normal nas pontas dos dedos é esperada. A dor de alerta no pulso ou no polegar pede pausa e revisão da posição da mão.
Recapitulando
Um acorde é um conjunto de notas tocadas juntas. No diagrama, as linhas verticais são as cordas, da 6 à esquerda até a 1 à direita, as linhas horizontais são os trastes, os pontos numerados são os dedos, a letra O marca corda solta e a letra X marca corda muda. Todo diagrama se traduz na frase dedo, corda, casa. Mi menor é dedo 2 na corda 5 casa 2 e dedo 3 na corda 4 casa 2, tocando as seis cordas. Lá menor é dedo 1 na corda 2 casa 1, dedo 2 na corda 4 casa 2 e dedo 3 na corda 3 casa 2, sem a corda 6. Sempre confira corda por corda e corrija dedo deitado, pressão fraca ou dedo longe do traste. E lembre que a troca entre esses dois acordes é apenas descer e subir os dedos 2 e 3 uma corda.