Jornada do cliente aplicada ao Funil de Vendas: mapear do primeiro contato à compra

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que é “jornada do cliente” quando você está construindo um funil

Jornada do cliente é a sequência de situações e decisões que uma pessoa atravessa desde o primeiro contato com o seu tema até a compra (e, muitas vezes, até o uso). No funil, você transforma essa sequência em pontos observáveis: perguntas que o cliente faz, dúvidas que aparecem, comparações que ele realiza, barreiras que o travam e sinais de que está pronto para avançar.

Na prática, mapear a jornada serve para você parar de “chutar conteúdo” e passar a construir ativos (conteúdos, páginas, mensagens, ofertas) que respondem exatamente ao que o cliente precisa em cada momento, no canal em que ele realmente está.

Jornada não é opinião: é evidência

Um bom mapa de jornada é construído com evidências mínimas e repetidas: frases reais de clientes, prints de mensagens, perguntas em comentários, objeções no suporte, motivos de compra e de desistência. Você não precisa de um estudo complexo; precisa de um processo simples e constante de coleta.

Informações mínimas para mapear (o “kit essencial”)

Antes de desenhar etapas, reúna um conjunto pequeno de informações. Isso evita mapas genéricos e ajuda a identificar onde o funil está perdendo pessoas.

  • Quem é o cliente: contexto, nível de experiência, rotina, restrições (ex.: “autônoma, pouco tempo, faz tudo sozinha”).
  • Qual problema quer resolver: dor principal e resultado desejado (ex.: “quero vender sem depender de indicação”).
  • Gatilhos que iniciam a busca: evento que faz a pessoa agir (ex.: “queda de faturamento”, “concorrente crescendo”, “preciso de renda extra”).
  • Critérios de escolha: o que pesa na decisão (ex.: preço, rapidez, prova social, garantia, suporte, facilidade).
  • Barreiras: o que impede avançar (tempo, dinheiro, confiança, medo de errar, complexidade, experiências ruins).
  • Momentos de decisão: pontos em que a pessoa escolhe entre alternativas (ex.: “faço sozinho vs. compro”, “compro agora vs. depois”, “marca A vs. marca B”).

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  • Gatilho: “gastei e não vendi”.
  • Critério: “quero alguém que mostre o que ajustar e por quê”.
  • Barreira: “tenho medo de pagar e continuar sem resultado”.
  • Momento de decisão: “peço diagnóstico ou tento mais uma semana sozinho?”.

Como transformar etapas de decisão em pontos do funil

Em vez de criar etapas abstratas, use decisões e perguntas como marcos. Um ponto do funil é um “degrau” quando:

  • o cliente muda o tipo de pergunta (de “o que é?” para “qual é melhor?”);
  • surge uma objeção recorrente (ex.: preço, confiança, tempo);
  • ele precisa de uma prova (ex.: depoimentos, demonstração, comparação);
  • ele precisa de um próximo passo claro (ex.: checklist, diagnóstico, orçamento, teste).

Regra prática: cada etapa deve ter uma pergunta dominante

Se você não consegue escrever a pergunta principal daquela etapa, a etapa está vaga demais. Exemplo de perguntas dominantes:

  • “Isso serve para mim?”
  • “Qual é a forma mais simples de começar?”
  • “Quanto custa e o que está incluso?”
  • “Por que eu confiaria em você?”
  • “O que acontece depois que eu compro?”

Passo a passo prático para mapear a jornada (em 60–90 minutos)

Passo 1 — Escolha um recorte (um perfil + um problema)

Defina um único cenário para mapear. Exemplo: “profissional liberal que quer aumentar captação de clientes” (não “todo mundo que quer vender mais”).

Checklist do recorte:

  • Quem é (perfil)?
  • Qual problema específico?
  • Qual resultado desejado?

Passo 2 — Liste os gatilhos de busca (3 a 5)

Pergunte: “o que aconteceu na vida/negócio que fez essa pessoa parar e pensar: preciso resolver isso?”.

  • Ex.: “perdi um cliente grande”
  • Ex.: “meu conteúdo não dá retorno”
  • Ex.: “vi um concorrente fazendo e fiquei para trás”

Passo 3 — Colete linguagem real (sem inventar)

Você vai alimentar o mapa com frases reais. Use duas fontes rápidas:

  • Entrevistas rápidas (10–15 min cada).
  • Análise de mensagens (comentários, DMs, WhatsApp, e-mails, tickets de suporte).

Meta mínima: 10 a 20 frases que se repetem (perguntas, objeções, comparações, pedidos de indicação).

Passo 4 — Identifique critérios de escolha e barreiras

Separe o que faz a pessoa avançar do que faz travar. Um jeito simples:

  • Critérios = “eu escolho se…”
  • Barreiras = “eu não compro porque…”

Exemplos comuns de barreiras para mapear:

  • Tempo: “não consigo implementar agora”.
  • Dinheiro: “não cabe no orçamento / preciso parcelar”.
  • Confiança: “já tentei e não funcionou / medo de golpe”.
  • Complexidade: “parece difícil / não sei por onde começar”.

Passo 5 — Marque os momentos de decisão (os “pontos de virada”)

Procure no material coletado frases que indicam escolha entre caminhos. Exemplos:

  • “Vou tentar mais um pouco sozinho.”
  • “Se tivesse alguém para olhar meu caso…”
  • “Estou entre você e mais duas opções.”
  • “Se eu tivesse garantia, eu iria.”

Esses pontos de virada viram oportunidades de ativo (conteúdo/página/mensagem) e de próxima ação.

Passo 6 — Converta em etapas do mapa (5 a 8 etapas)

Monte uma sequência curta. Um mapa útil costuma ter entre 5 e 8 etapas, cada uma com:

  • pergunta dominante;
  • mensagem/resposta necessária;
  • canal provável;
  • ativo que entrega a resposta;
  • próxima ação.

Evite etapas demais: se você criar 15 etapas, você não vai produzir ativos para todas.

Roteiro para entrevistas rápidas (10–15 minutos)

Objetivo: capturar linguagem, gatilhos, critérios e barreiras. Faça perguntas abertas e peça exemplos concretos.

Estrutura sugerida

  • 1) Contexto (1–2 min)
    • “O que você faz hoje e como é sua rotina?”
    • “Qual seu nível de experiência com esse assunto?”
  • 2) Problema e gatilho (3–4 min)
    • “Qual foi o momento em que você percebeu que precisava resolver isso?”
    • “O que aconteceu naquela semana/dia?”
    • “O que você tentou primeiro?”
  • 3) Busca e comparação (3–4 min)
    • “Onde você procurou informação?”
    • “Quais opções você considerou?”
    • “O que te fez descartar alguma opção?”
  • 4) Critérios e barreiras (3–4 min)
    • “O que é indispensável para você escolher?”
    • “O que te dá medo ou te trava?”
    • “O que faria você decidir mais rápido?”
  • 5) Decisão (1–2 min)
    • “O que te fez decidir (ou não decidir)?”
    • “Se você pudesse voltar, o que gostaria de ter visto antes de comprar?”

Como registrar (para virar mapa)

Enquanto a pessoa fala, anote em duas colunas:

  • Frase exata do cliente (sem “traduzir”).
  • O que isso revela (gatilho, critério, barreira, dúvida, comparação).

Análise de mensagens de clientes (comentários, DMs, suporte)

Você pode mapear a jornada mesmo sem entrevistas, usando conversas já existentes. O segredo é organizar por padrões.

Passo a passo (30 minutos)

  • 1) Reúna material: 30–50 mensagens (comentários, DMs, e-mails, tickets, WhatsApp).
  • 2) Marque com etiquetas: GATILHO, DÚVIDA, OBJEÇÃO, COMPARAÇÃO, PROVA, PREÇO, PRAZO, CONFIANÇA.
  • 3) Conte repetições: quais 5 frases/temas mais aparecem?
  • 4) Relacione com etapas: cada repetição normalmente “mora” em uma etapa específica (ex.: preço aparece perto de decisão).
  • 5) Liste lacunas: perguntas frequentes que você ainda não responde com um ativo claro.

Exemplos de sinais por tipo de mensagem

TipoExemplo de fraseO que indica
Gatilho“Comecei a investir e não vi retorno.”Urgência e frustração; precisa de diagnóstico e clareza.
Critério“Quero algo passo a passo, sem complicar.”Preferência por simplicidade; valorize método e suporte.
Barreira (confiança)“Funciona para o meu caso?”Precisa de prova contextual (casos parecidos, exemplos).
Comparação“Qual a diferença entre você e X?”Precisa de posicionamento e comparação honesta.
Decisão“Se eu fechar hoje, quando começo?”Pronto para avançar; precisa de instrução objetiva de compra.

Template para construir o mapa da jornada (pronto para copiar)

Use o template abaixo para transformar tudo em um mapa acionável. Preencha com frases reais sempre que possível.

| Etapa | Pergunta do cliente | Resposta/mensagem (o que ele precisa ouvir/ver) | Canal | Ativo (conteúdo/página) | Próxima ação |

Exemplo preenchido (modelo)

EtapaPergunta do clienteResposta/mensagemCanalAtivoPróxima ação
1) Primeiro contato com o tema“Por que isso está acontecendo comigo?”Nomeie o problema e mostre sintomas comuns + 1 caminho simplesConteúdo curto / buscaPost explicando 3 causas comuns + checklistBaixar checklist / entrar na lista
2) Entendimento do problema“O que eu devo ajustar primeiro?”Priorize: o que dá mais impacto com menos esforçoE-mail / artigoGuia: ordem de prioridade (passo 1, 2, 3)Responder uma pergunta / pedir diagnóstico
3) Consideração de soluções“Faço sozinho ou contrato?”Mostre prós e contras e quando faz sentido cada opçãoVídeo / páginaPágina comparativa “DIY vs. serviço”Agendar conversa / preencher formulário
4) Comparação de fornecedores“Como sei que você é a melhor opção?”Diferenciais claros + prova social + processoDM / callEstudo de caso + explicação do métodoReceber proposta
5) Objeções finais“E se eu pagar e não funcionar?”Reduza risco: escopo, expectativas, garantia/condições, suportePágina / WhatsAppFAQ de objeções + termos clarosFinalizar compra
6) Decisão e compra“Como eu começo e o que acontece depois?”Passo a passo do onboarding + próximos marcosPágina / e-mailPágina de checkout + e-mail de boas-vindasEnviar dados / iniciar implementação

Como usar o mapa para criar ativos e não se perder

Priorize por impacto (matriz simples)

Para cada etapa, pergunte:

  • Frequência: quantas vezes essa dúvida/objeção aparece?
  • Bloqueio: isso impede a pessoa de avançar?
  • Esforço: dá para criar um ativo em 1–2 horas?

Comece pelos itens de alta frequência + alto bloqueio + baixo esforço (ex.: um FAQ bem feito pode destravar várias conversas).

Conecte “ativo” com “próxima ação” (sem salto)

Um erro comum é criar conteúdo que informa, mas não orienta o próximo passo. No template, a coluna próxima ação deve ser coerente com o que a pessoa está pronta para fazer naquela etapa.

  • Se a pessoa ainda está entendendo o problema, a próxima ação pode ser baixar um checklist ou responder um diagnóstico rápido.
  • Se a pessoa está comparando opções, a próxima ação pode ser ver um estudo de caso ou agendar uma conversa.
  • Se a pessoa está na decisão, a próxima ação deve ser comprar ou receber proposta com instruções claras.

Mini-diagnóstico: seu mapa está bom o suficiente?

  • Você consegue apontar 3 gatilhos que iniciam a busca?
  • Você tem 5 frases reais de dúvidas/objeções copiadas de mensagens?
  • Cada etapa tem uma pergunta dominante?
  • Para cada etapa existe um ativo (mesmo que simples) que responde a pergunta?
  • A próxima ação é pequena e coerente (sem pular etapas)?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao mapear a jornada do cliente para construir um funil de vendas, qual abordagem torna o mapa mais acionável e reduz o risco de criar conteúdo genérico?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Um mapa útil nasce de evidências (linguagem real) e vira pontos observáveis no funil: decisões, dúvidas, objeções e provas necessárias. Cada etapa deve ter uma pergunta dominante, evitando etapas vagas e ativos genéricos.

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