Reforços para cargas no drywall: pontos de fixação, bloqueios e ancoragens

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Conceito: reforçar antes de fechar para que a carga vá para a estrutura

No drywall, a chapa funciona como fechamento e acabamento. Para receber cargas com segurança, o objetivo é transferir o esforço para a estrutura (montantes, travessas, perfis adicionais ou reforços internos) e evitar que a carga trabalhe “só na chapa”, o que pode causar arrancamento da bucha, esmagamento do gesso ou deformação do conjunto.

Reforço, neste contexto, é qualquer elemento instalado antes do fechamento das chapas para criar um ponto de fixação confiável: madeira tratada, chapa metálica, perfil adicional, travessas entre montantes, ou combinação desses itens. A escolha do reforço depende de: tipo de carga (estática/dinâmica), posição (parede/forro), alavanca (distância da carga até a parede), e necessidade de manutenção futura.

Tipos de carga e o que muda na prática

  • Cargas leves: objetos pequenos e com pouca alavanca (quadros, espelhos pequenos, acessórios). Normalmente podem usar fixadores específicos na chapa, desde que respeitada a capacidade do fabricante e a condição da chapa.
  • Cargas médias: itens com peso moderado e/ou uso frequente (prateleiras, nichos, armários pequenos, suportes de micro-ondas leve). Recomendável prever pontos de fixação em montantes ou travessas para distribuir.
  • Cargas maiores: TV grande com braço articulado, armários superiores cheios, bancadas, barras de apoio, portas de correr. Exigem reforço dedicado e fixação na estrutura, com distribuição de carga e controle de alavanca.

Limites de segurança: como pensar sem “chutar” capacidade

Regras práticas para evitar falhas comuns

  • Não confundir “aguenta parado” com “aguenta em uso”: portas de correr, barras de apoio e suportes articulados geram esforços dinâmicos e de arrancamento muito maiores.
  • Evitar fixação apenas na chapa para cargas médias/altas: mesmo buchas metálicas tipo basculante podem falhar por esmagamento do gesso se houver alavanca ou vibração.
  • Distribuir em mais pontos: preferir 4 pontos de fixação a 2, e espaçar para reduzir concentração de tensão.
  • Reduzir alavanca: quanto mais distante o peso fica da parede (ex.: braço articulado), maior o momento e maior a exigência do reforço.
  • Consultar carga nominal do fixador: usar a capacidade declarada pelo fabricante para o tipo de chapa/espessura e aplicar margem de segurança (especialmente em uso dinâmico).

Falhas típicas e como prevenir

  • Arrancamento (bucha sai): ocorre por tração excessiva, pouca área de apoio, ou chapa fragilizada. Prevenção: reforço interno, fixação em montante/travessa, mais pontos, bucha correta.
  • Esmagamento da chapa (afunda ao apertar): ocorre por aperto excessivo, arruela pequena, carga concentrada. Prevenção: usar arruelas/chapas de distribuição quando aplicável, torque controlado, reforço rígido atrás.
  • Rasgamento ao longo da borda: fixação muito próxima de bordas/recortes. Prevenção: respeitar afastamentos e evitar fixar em áreas recortadas sem reforço.

Planejamento antecipado: mapear pontos de fixação antes do fechamento

Passo a passo (parede/forro) para definir pontos

  1. Levantar o que será instalado: TV (tamanho e tipo de suporte), armários (largura, profundidade, carga prevista), bancada (tipo de tampo e apoios), barra de apoio (uso), trilho de porta de correr (peso da folha).
  2. Obter o gabarito de furação do fabricante (ou medir a peça) e marcar alturas e eixos no ambiente.
  3. Transferir marcações para a estrutura: marcar nos montantes/guias/perfis onde ficarão os parafusos, e indicar a faixa de reforço (ex.: “reforço de 1,20 m de largura entre 1,10 e 1,60 m de altura”).
  4. Definir o tipo de reforço conforme carga e acessibilidade (madeira, chapa metálica, perfil adicional, travessas).
  5. Registrar: fotografar a estrutura com trena visível e anotar medidas a partir de referências fixas (canto, piso acabado, eixo de porta). Isso evita “caça ao montante” depois.

Boas práticas de posicionamento

  • Preferir fixar em montantes sempre que possível. Se o gabarito não coincide, criar travessas entre montantes.
  • Reforço em faixa (e não só em pontos) para itens com tolerância de furação ou futuras mudanças (armários e prateleiras).
  • Evitar interferências: prever passagem de elétrica/hidráulica e manter área livre para parafusos (especialmente atrás de TVs e armários).

Tipos de reforço: quando usar madeira, metal e perfis adicionais

Madeira tratada (bloqueio interno)

Indicada para criar uma base “parafusável” contínua, especialmente útil em armários, barras e acessórios com múltiplos parafusos. Deve ser seca e tratada para reduzir empeno e ataque biológico.

  • Como instalar: cortar a peça para encaixar entre montantes; parafusar a madeira aos montantes com parafusos adequados; garantir que a face do bloqueio fique no plano correto para não empurrar a chapa.
  • Cuidados: madeira úmida pode empenar e gerar estufamento; usar espessura que não conflite com a chapa; prever afastamento para instalações.

Chapa metálica (placa de reforço)

Boa para cargas com parafusos próximos entre si e para reduzir risco de esmagamento local. Funciona como “arruela gigante” interna, distribuindo esforços.

  • Como instalar: fixar a chapa metálica aos montantes/travessas com parafusos; evitar bordas cortantes expostas; garantir rigidez (não pode vibrar solta).
  • Cuidados: proteger contra corrosão quando necessário; evitar contato com umidade; planejar para não atrapalhar caixas elétricas.

Perfil adicional e travessas entre montantes

Travessas criam pontos de fixação alinhados ao gabarito do equipamento. Perfis adicionais aumentam rigidez e reduzem deformação.

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  • Como instalar travessas: medir altura do ponto de fixação; cortar perfil para encaixe; fixar nas almas dos montantes com parafusos; repetir em duas alturas quando o suporte exigir.
  • Cuidados: travessa deve ficar firme (sem “jogo”); alinhar para não criar barriga na chapa; prever múltiplas travessas para suportes articulados.

Escolha de fixadores: bucha certa para cada situação

Fixação na chapa (quando permitido)

Para cargas leves (e algumas médias com baixa alavanca), usar buchas específicas para drywall conforme o tipo de chapa e espessura. Exemplos comuns: bucha metálica tipo basculante, bucha tipo “parafuso” para drywall, bucha com expansão controlada. A seleção depende de: espessura total (1 ou 2 chapas), distância até a estrutura, e tipo de esforço (cisalhamento x tração).

  • Boas práticas: furo no diâmetro correto; não “mastigar” o gesso; apertar sem exceder torque; usar arruela quando o suporte tiver furo oblongo ou borda fina.
  • Evitar: fixar em áreas com recortes grandes, bordas de chapas, ou regiões com chapa danificada/úmida.

Fixação na estrutura (preferencial para cargas médias e maiores)

Quando o parafuso entra em montante/travessa/bloqueio, a capacidade aumenta e a segurança melhora. Aqui, o fixador principal é o parafuso adequado ao material (metal ou madeira) e ao tipo de suporte.

  • Em metal: parafusos para metal com comprimento suficiente para pegar bem no perfil, sem “espancar” a rosca.
  • Em madeira: parafusos para madeira com comprimento que garanta ancoragem efetiva, evitando atravessar e pegar instalações atrás.

Chumbadores (quando necessário)

Em alguns casos, a carga deve ser transferida para a estrutura do edifício (laje, viga, alvenaria), especialmente em forros com equipamentos pesados ou portas de correr com trilhos que exigem ancoragem superior robusta. Nesses casos, utilizar chumbadores apropriados ao substrato (mecânicos ou químicos), seguindo especificação do fabricante e respeitando profundidade mínima, distância de borda e cura (no caso de químico).

Distribuição de cargas: como dimensionar na prática (sem cálculo complexo)

Estratégias simples que aumentam muito a segurança

  • Multiplicar pontos: se o suporte permite 4 parafusos, usar 4 (ou mais, se houver furação adicional e reforço).
  • Usar duas linhas de fixação (superior e inferior) em suportes altos: reduz momento e evita “descascamento” da chapa.
  • Reforço contínuo para armários: uma faixa de madeira/perfil na altura do trilho/suporte do armário distribui o peso por toda a extensão.
  • Evitar concentrar tudo em um único montante: preferir travessas que levem carga para dois montantes.

Procedimentos por aplicação

1) Suporte de TV (fixo e articulado)

Risco principal: alavanca (especialmente em suporte articulado) gerando tração forte nos parafusos superiores.

Passo a passo recomendado:

  1. Definir centro da TV e altura do suporte conforme ergonomia e posição do sofá/cama.
  2. Obter gabarito do suporte (distância entre furos) e marcar na estrutura.
  3. Instalar duas travessas (superior e inferior) alinhadas aos furos do suporte, fixadas em dois montantes (não apenas em um).
  4. Se o suporte for articulado ou TV grande, adicionar perfil adicional ou reforço em chapa metálica atrás da área do suporte para aumentar rigidez.
  5. Após fechar a chapa, localizar os pontos (com base no registro/fotos) e fixar o suporte com parafusos adequados ao reforço (metal/madeira).

Dica prática: prever uma “zona técnica” atrás da TV (passagem de cabos e tomada) sem conflitar com os parafusos do suporte.

2) Armários (cozinha, lavanderia, aéreo)

Risco principal: carga elevada e contínua, com variação (armário vazio x cheio) e esforço de arrancamento na linha superior.

Passo a passo recomendado:

  1. Definir largura, altura e profundidade do armário e o tipo de fixação (trilho, cantoneiras, suportes).
  2. Instalar reforço contínuo (madeira tratada ou perfil/travessa contínua) na altura da linha de fixação do armário.
  3. Se houver dois níveis de fixação (superior e inferior), reforçar ambos para evitar “basculamento”.
  4. Garantir que o reforço esteja nivelado e no plano correto para não criar empeno na chapa.
  5. Após fechamento, fixar o armário preferencialmente atravessando a chapa e prendendo no reforço, distribuindo parafusos ao longo do comprimento.

Boa prática: considerar a carga real (louças, mantimentos) e evitar “economizar” em pontos de fixação.

3) Bancadas (banheiro, cozinha, apoio técnico)

Risco principal: carga vertical + esforço de alavanca na borda (pessoa apoiando, impacto), além de possíveis vibrações.

Passo a passo recomendado:

  1. Definir tipo de bancada (tampo leve/pesado) e se terá mãos francesas, suportes metálicos ou estrutura lateral.
  2. Instalar travessas reforçadas na altura dos suportes e, se necessário, reforço em faixa para permitir ajuste de posição.
  3. Para mãos francesas, garantir que cada suporte esteja fixado em travessa rígida conectada a montantes.
  4. Evitar fixar suportes apenas na chapa; usar parafusos que trabalhem no reforço.

Dica prática: em bancadas sujeitas a água, planejar selagens e evitar que o reforço fique exposto a umidade recorrente.

4) Barras de apoio (banheiro, acessibilidade)

Risco principal: carga dinâmica e imprevisível (puxões, quedas parciais), exigindo alta confiabilidade.

Passo a passo recomendado:

  1. Definir posição exata e altura conforme projeto/necessidade do usuário.
  2. Instalar bloqueio de madeira tratada ou chapa metálica robusta na área completa da barra (preferir reforço em faixa que cubra toda a extensão e pontos de parafuso).
  3. Conectar o reforço a dois montantes no mínimo, com fixação firme (sem folgas).
  4. Após fechamento, fixar a barra com parafusos adequados ao reforço, usando arruelas quando necessário para melhor distribuição.

Observação de segurança: para barras de apoio, evitar soluções “somente com bucha na chapa”, mesmo que a bucha tenha alta carga nominal; priorizar reforço interno dedicado.

5) Portas de correr (trilho superior e guias)

Risco principal: carga dinâmica repetitiva e concentração no trilho superior; desalinhamento causa esforço extra e ruído.

Passo a passo recomendado:

  1. Definir peso da folha, tipo de roldana e exigência do fabricante para fixação do trilho.
  2. Prever reforço linear contínuo no topo (perfil adicional/travessa contínua/chapa metálica), acompanhando todo o comprimento do trilho.
  3. Garantir que o reforço esteja rigidamente conectado à estrutura para evitar vibração e “trabalho” do trilho.
  4. Se houver guia inferior ou batentes, reforçar também os pontos de impacto/encosto.

Dica prática: trilho fixado em reforço contínuo facilita manutenção e reduz risco de afrouxamento com o uso.

Como evitar arrancamento e esmagamento na instalação (técnica de aperto e apoio)

Checklist de execução durante a fixação

  • Furo correto: diâmetro e limpeza adequados; furo “folgado” reduz capacidade.
  • Apoio do suporte: se o suporte tiver chapa fina, usar arruela para aumentar área de contato e reduzir esmagamento.
  • Torque controlado: apertar até firmar; excesso trinca o gesso e “come” a chapa.
  • Sem folga: suporte com folga gera impacto e fadiga nos fixadores.
  • Distância de bordas: evitar fixar muito próximo a bordas de chapa, recortes e cantos sem reforço.

Checklist antes do fechamento das chapas (conferência final de reforços)

  • Todos os pontos de carga (TV, armários, bancada, barra, trilho) estão marcados com altura e eixo?
  • Os reforços foram instalados no plano correto (sem criar barriga na chapa)?
  • Travessas e perfis adicionais estão firmes, sem torção e sem folgas?
  • Reforços estão ancorados em pelo menos dois montantes quando a carga exige distribuição?
  • faixa contínua onde o item pode exigir ajuste (armários e trilhos)?
  • Interferências conferidas: elétrica/hidráulica não cruza a zona de parafusos?
  • Registro feito: fotos com trena e referências (canto/piso) + anotações das medidas?
  • Materiais adequados: madeira seca e tratada, metal protegido quando necessário?
  • Definidos os fixadores que serão usados após o fechamento (tipo e comprimento) para não improvisar na hora?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao planejar a instalação de uma carga maior (como TV grande com braço articulado ou armário superior cheio) em uma parede de drywall, qual abordagem é a mais segura para evitar arrancamento e esmagamento da chapa?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Para cargas maiores, a chapa deve atuar como fechamento, e o esforço precisa ser transferido para a estrutura. Reforços instalados antes do fechamento (travessas/perfis/placas) permitem distribuir a carga e controlar a alavanca, reduzindo risco de arrancamento e esmagamento.

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Cuidados com umidade no drywall: RU, impermeabilização e detalhes críticos

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