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Preparação Completa para Técnico do IBGE - Informações Geográficas e Estatísticas

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19 páginas

Interpretação de gráficos e tabelas para Técnico do IBGE: leitura crítica e cálculos rápidos

Capítulo 15

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Leitura crítica: o checklist que evita erros

Em provas do IBGE, gráficos e tabelas costumam exigir duas habilidades ao mesmo tempo: (1) interpretar corretamente o que está sendo mostrado e (2) fazer contas rápidas e confiáveis. A leitura crítica começa por um checklist fixo, aplicado sempre na mesma ordem, para reduzir distrações e “pegadinhas”.

1) Título e recorte

  • O que está medindo? (população, produção, taxa, índice, valor monetário etc.)
  • Onde? (Brasil, UF, município, região, setor)
  • Quando? (ano, trimestre, mês; período acumulado)
  • Qual recorte? (total, por sexo, faixa etária, atividade, situação urbana/rural)

Atalho: sublinhe mentalmente “variável + local + período”. Se um item faltar, desconfie: pode haver nota de rodapé ou fonte explicando.

2) Eixos, escalas e unidades

  • Eixo X: geralmente tempo ou categorias.
  • Eixo Y: valor numérico (nível, taxa, percentual).
  • Unidade: R$, mil R$, toneladas, habitantes, %, p.p. (pontos percentuais).
  • Escala: linear, logarítmica; início em zero ou “cortado”.

Pegadinha comum: eixo Y não começa em zero, ampliando visualmente diferenças. Em barras, isso pode distorcer a percepção; confirme pelos números.

3) Fonte, notas e definição do indicador

  • Fonte indica origem e, às vezes, metodologia.
  • Notas podem dizer “valores em milhares”, “preços constantes”, “revisão”, “estimativa”, “acumulado em 12 meses”.

Atalho: se aparecer “(em mil)” ou “(%)”, ajuste imediatamente a conta. Ex.: 250 (em mil) = 250.000.

Identificação de tendências, comparações e consistência

Tendência e padrão

  • Crescimento/queda: compare início e fim do período.
  • Volatilidade: oscilações grandes entre pontos.
  • Sazonalidade: padrão que se repete (ex.: meses).
  • Quebra de nível: mudança abrupta pode indicar evento, mudança metodológica ou erro de leitura.

Comparações corretas

  • Mesma unidade: não compare “R$” com “%”.
  • Mesma base: índices podem ter base 100 em anos diferentes.
  • Mesmo denominador: taxas dependem do “por 100 mil”, “por 1.000”, “por 100”.

Verificação rápida de consistência: em gráfico de setores (pizza), as partes devem somar 100% (ou muito próximo, por arredondamento). Em tabelas com total, a soma das categorias deve bater com o total (diferenças pequenas podem ser arredondamento).

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Variação absoluta

Definição: diferença direta entre dois valores.

Variação absoluta = Valor final − Valor inicial

Exemplo: 2022: 180; 2023: 210. Variação absoluta = 210 − 180 = 30.

Variação relativa (percentual)

Definição: quanto variou em relação ao valor inicial.

Variação relativa (%) = (Final − Inicial) / Inicial × 100

Atalho: calcule primeiro a diferença e depois divida pelo inicial. Se a diferença for “redonda”, simplifique frações.

Exemplo: de 180 para 210: diferença 30; 30/180 = 1/6 ≈ 0,1667 → 16,7%.

Pontos percentuais (p.p.) x porcentagem

  • Pontos percentuais: diferença entre percentuais.
  • Porcentagem: variação relativa do percentual.

Exemplo: taxa de 12% para 15%: aumento de 3 p.p. A variação relativa é 3/12 = 25%.

Participação percentual (share)

Participação (%) = Parte / Total × 100

Atalho: se o total for 1.000, basta “mover a vírgula”: 250/1000 = 25%.

Exemplo: setor A = 48, total = 160 → 48/160 = 3/10 = 30%.

Razões e relações (A por B)

Razão = A / B

Leitura: “A é quantas vezes B” (se adimensional) ou “A por unidade de B” (se unidades diferentes).

Exemplo: 90 ocorrências em 30 dias → 90/30 = 3 ocorrências/dia.

Média simples e média ponderada (quando aparecerem pesos)

Média simples = (x1 + x2 + ... + xn) / n
Média ponderada = (x1·p1 + x2·p2 + ... + xn·pn) / (p1 + p2 + ... + pn)

Atalho: em ponderada, verifique se os pesos somam 100 (ou 1). Se somarem 100, o denominador fica 100 e a conta vira “somar produtos e dividir por 100”.

Taxas (por 1.000, por 100.000) e conversões

Taxa = (Número de eventos / População de referência) × k

Atalho: se k = 100.000, pense em “eventos por 100 mil”. Para converter taxa em número aproximado de eventos:

Eventos ≈ Taxa × População / k

Exemplo: taxa 50 por 100.000 em população 2.000.000 → eventos ≈ 50 × 2.000.000 / 100.000 = 50 × 20 = 1.000.

Tipos de gráficos: como ler e o que costuma cair

Gráfico de barras (colunas)

Uso típico: comparar categorias (UFs, setores, faixas).

  • Compare alturas e confirme valores no eixo.
  • Se houver barras agrupadas (ex.: homens/mulheres), compare dentro do grupo e entre grupos.
  • Se houver barras empilhadas, observe total e composição.

Verificação: em empilhado, a soma das partes deve igualar o topo (total) indicado.

Gráfico de linhas

Uso típico: evolução no tempo.

  • Identifique tendência geral (subida/queda).
  • Procure picos/vales e mudanças de inclinação.
  • Se houver várias linhas, compare níveis e cruzamentos (quando uma série ultrapassa outra).

Atalho: para variação percentual entre dois pontos, use a leitura aproximada do eixo e refine só se a questão exigir.

Gráfico de setores (pizza)

Uso típico: composição do total em um momento.

  • Confirme se é % e se soma 100%.
  • Compare fatias: diferenças pequenas são difíceis visualmente; prefira os números/legenda.

Pegadinha: setores com valores próximos podem parecer diferentes por efeito visual; use a legenda.

Histograma

Uso típico: distribuição de frequências por classes (intervalos).

  • Classe: intervalo (ex.: 0–10, 10–20).
  • Frequência: altura da barra (ou área, se classes com larguras diferentes).
  • Amplitude: largura do intervalo.

Ponto crítico: se as classes tiverem larguras diferentes, a comparação correta pode depender da densidade (frequência/largura). Em provas, isso pode aparecer como “qual classe tem maior concentração?”.

Tabelas: leitura rápida e tabela de dupla entrada

Estratégia de leitura

  • Leia o cabeçalho: o que são linhas e colunas.
  • Localize unidade (%, R$, mil pessoas).
  • Identifique totais por linha/coluna e totais gerais.

Tabela de dupla entrada (cruzamento)

Ideia: linhas e colunas representam duas classificações ao mesmo tempo (ex.: região x sexo; setor x ano).

Passo a passo prático:

  • 1) Escolha a célula correta (interseção linha/coluna).
  • 2) Se pedir participação, defina o total correto: total da linha, da coluna ou geral.
  • 3) Se pedir comparação, mantenha o mesmo denominador (ex.: comparar regiões dentro do mesmo ano).

Atalho: quando a pergunta diz “dentro de X”, o total costuma ser o de X (linha ou coluna de X), não o total geral.

Exercícios (com tempo sugerido) e comentários de cálculo

Exercício 1 (2 min) — Variação absoluta e relativa

Um gráfico informa que a produção passou de 240 para 300 (mesma unidade) entre 2022 e 2023. Calcule: (a) variação absoluta; (b) variação relativa.

Comentários/atalhos:

  • (a) 300 − 240 = 60.
  • (b) 60/240 = 1/4 = 0,25 → 25%. Atalho: simplifique dividindo numerador e denominador por 60.

Exercício 2 (3 min) — Participação percentual

Uma tabela mostra total de 1.250 registros, sendo 375 de uma categoria. Qual a participação da categoria no total?

Comentários/atalhos:

  • 375/1250 = 3/10 = 0,3 → 30%. Atalho: divida ambos por 125 (375/125=3; 1250/125=10).

Exercício 3 (3 min) — Pontos percentuais x variação percentual

Em um gráfico de linhas, a taxa de desocupação vai de 10% para 8%. Determine: (a) variação em p.p.; (b) variação relativa.

Comentários/atalhos:

  • (a) 8% − 10% = −2 p.p.
  • (b) (−2)/10 = −0,2 → −20%. Verificação: cair de 10 para 8 é reduzir 1/5 do valor inicial.

Exercício 4 (4 min) — Razão e taxa por 100.000

Uma região teve 360 ocorrências em uma população de 900.000 habitantes. Calcule a taxa por 100.000 habitantes.

Comentários/atalhos:

  • Taxa = (360/900.000)×100.000.
  • 360/900.000 = 4/10.000 (dividindo por 90). Então taxa = (4/10.000)×100.000 = 40.
  • Resposta: 40 por 100.000.

Exercício 5 (5 min) — Tabela de dupla entrada (participação “dentro de”)

Considere a tabela (valores em milhares):

             2022   2023   Total (linha)  Setor A      80     100       180  Setor B     120     150       270  Total(col)  200     250       450

(a) Qual a participação do Setor A no total de 2023? (b) Qual a participação de 2023 no total do Setor B?

Comentários/atalhos:

  • (a) “no total de 2023” → denominador é o total da coluna 2023: 100/250 = 0,4 → 40%.
  • (b) “no total do Setor B” → denominador é o total da linha Setor B: 150/270 = 5/9 ≈ 55,6%.
  • Verificação: em (b), 150 é mais da metade de 270, então ~55% faz sentido.

Exercício 6 (6 min) — Histograma e concentração por classe

Um histograma apresenta classes de renda (em R$) e frequências: 0–1000: 40; 1000–2000: 60; 2000–4000: 80. Pergunta: (a) qual classe tem maior frequência? (b) qual classe tem maior concentração por unidade de renda (densidade), considerando larguras diferentes?

Comentários/atalhos:

  • (a) Maior frequência: 2000–4000 (80).
  • (b) Densidade = frequência/largura: 0–1000: 40/1000=0,040; 1000–2000: 60/1000=0,060; 2000–4000: 80/2000=0,040. Maior densidade: 1000–2000.
  • Pegadinha: a classe 2000–4000 tem maior frequência, mas não maior densidade por ter largura dobrada.

Exercício 7 (7 min) — Gráfico de setores e consistência

Um gráfico de setores informa: A=35%, B=25%, C=20%, D=18%. (a) Está consistente? (b) Se houver arredondamento, qual ajuste mínimo seria esperado?

Comentários/atalhos:

  • (a) Soma = 35+25+20+18 = 98%. Não fecha 100%.
  • (b) Pode haver categoria omitida (2%) ou arredondamento. Se o enunciado disser “demais categorias”, espere uma fatia de 2% ou nota indicando arredondamento. Verificação: sem nota, trate como inconsistente e procure no enunciado/legenda a parte faltante.

Exercício 8 (8 min) — Comparação entre séries e leitura de escala

Em um gráfico de linhas com duas séries (X e Y), o eixo Y vai de 90 a 110 (não começa em zero). Em 2022: X=100, Y=98. Em 2023: X=102, Y=101. Responda: (a) qual série cresceu mais em termos absolutos? (b) qual teve maior crescimento relativo?

Comentários/atalhos:

  • (a) X: 102−100=2; Y: 101−98=3 → Y cresceu mais em absoluto.
  • (b) X: 2/100=2%; Y: 3/98≈3,06% → Y cresceu mais em relativo.
  • Alerta de escala: como o eixo começa em 90, a diferença visual pode parecer enorme; confirme pelos valores.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um histograma com classes de larguras diferentes, qual procedimento é mais adequado para identificar a classe com maior concentração de ocorrências por unidade de intervalo?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quando as classes têm larguras diferentes, a comparação correta de “concentração” deve usar a densidade: frequência/largura. Só olhar a frequência pode levar a erro, pois uma classe mais larga pode ter mais casos, mas menor concentração por unidade.

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Dados estatísticos para Técnico do IBGE: indicadores, taxas e consistência da informação

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