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Analista Judiciário - Tecnologia da Informação: Preparação Completa para Concursos do Judiciário

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Governança de TI para Analista Judiciário - TI: princípios, estruturas e alinhamento institucional

Capítulo 17

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Governança de TI é o conjunto de princípios, estruturas e mecanismos de decisão que direcionam e controlam o uso da TI para apoiar a missão institucional. Em órgãos do Judiciário, isso significa garantir que investimentos, prioridades, riscos e conformidade em TI estejam alinhados às necessidades do negócio (atividade-fim e atividade-meio), com transparência, prestação de contas e foco em resultados.

Governança de TI x Gestão de TI (diferenças cobradas em prova)

Governança: direcionar e controlar

  • Foco: definir rumos, priorizar, aprovar, monitorar resultados e riscos.
  • Perguntas típicas: “Estamos fazendo as coisas certas?”, “O risco está aceitável?”, “O investimento entrega valor público?”
  • Entregáveis: políticas, diretrizes, comitês, portfólio priorizado, indicadores e metas, apetite a risco, decisões de investimento.

Gestão: planejar e executar

  • Foco: executar o que foi direcionado, operar serviços, entregar projetos, manter qualidade e eficiência.
  • Perguntas típicas: “Como faremos?”, “Qual o cronograma?”, “Como garantir nível de serviço?”
  • Entregáveis: planos de projeto, procedimentos operacionais, catálogos de serviço, relatórios de execução, melhorias contínuas.

Regra prática para memorizar: governança define o quê e por quê; gestão define como, quando e com quais recursos.

Princípios centrais: alinhamento, valor, riscos e conformidade

Alinhamento estratégico

É a capacidade de a TI traduzir objetivos institucionais (ex.: celeridade processual, transparência, acessibilidade, continuidade) em objetivos e iniciativas de TI (ex.: automação de fluxos, dados para gestão, canais digitais, infraestrutura resiliente).

  • Sinal de alinhamento: o portfólio de TI é explicado em linguagem de negócio (benefícios, indicadores, riscos) e não apenas em termos técnicos.
  • Anti-padrão: “projetos por oportunidade” (porque surgiu tecnologia nova) sem vínculo com metas institucionais.

Entrega de valor

Valor em TI no setor público é medido por benefícios para o cidadão e para a organização: melhoria de serviço, redução de tempo, aumento de confiabilidade, redução de retrabalho, conformidade e transparência. Governança garante que o valor seja definido (o que é sucesso), medido (indicadores) e cobrado (monitoramento).

  • Exemplo: implantar assinatura eletrônica não é “valor” por si só; valor é reduzir tempo de tramitação, diminuir custos e aumentar rastreabilidade.

Gestão de riscos

Governança define como riscos serão identificados, avaliados, tratados e aceitos. Em TI, riscos comuns incluem indisponibilidade de sistemas críticos, falhas em integridade de dados, dependência de fornecedor, atrasos em projetos e não conformidade.

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  • Apetite a risco: nível de risco que a instituição aceita para atingir objetivos.
  • Tolerância: variação aceitável em torno de uma meta (ex.: indisponibilidade máxima mensal).

Conformidade (compliance) e controles

Conformidade é atender leis, normas internas, requisitos de auditoria e diretrizes de órgãos de controle. Em governança, conformidade é tratada como requisito de decisão: projetos e serviços devem nascer com controles, evidências e responsabilidades definidas.

  • Exemplo: contratação de solução em nuvem exige requisitos de segurança, privacidade, continuidade, gestão contratual e evidências para auditoria.

Estruturas e instâncias comuns de governança no Judiciário

Comitês e fóruns (instâncias decisórias)

  • Comitê de Governança de TI (CGTI): prioriza demandas, aprova diretrizes, acompanha indicadores e riscos, decide sobre investimentos e portfólio.
  • Comitê de Segurança da Informação: define políticas e prioridades de segurança, avalia riscos relevantes, acompanha incidentes e planos de tratamento.
  • Comitê de Dados/Transformação Digital (quando existente): define diretrizes para dados, interoperabilidade, qualidade e uso analítico.
  • Comitê de Contratações/Portfólio: integra planejamento, orçamento e contratações, reduzindo compras desconectadas da estratégia.

Papéis e responsabilidades (quem faz o quê)

  • Alta Administração: patrocina, define prioridades institucionais, aprova diretrizes e cobra resultados.
  • Área de TI: propõe soluções, executa projetos/serviços, reporta desempenho, riscos e necessidades.
  • Unidades demandantes (negócio): definem necessidades, validam requisitos e benefícios, participam da priorização e aceitação.
  • Controle interno: avalia aderência a normas e efetividade de controles, recomenda melhorias.
  • Auditoria: verifica evidências, conformidade e resultados, apontando achados e recomendações.
  • Gestão de riscos/compliance (quando estruturada): apoia metodologia, registros de risco, planos de ação e monitoramento.
  • Gestão de contratos: acompanha execução contratual, SLAs, penalidades, riscos de fornecedor e evidências.

Dica de prova: governança não “tira” responsabilidade da TI; ela distribui decisões e formaliza accountability (quem decide, quem executa, quem aprova, quem é consultado e quem é informado).

Como traduzir objetivos institucionais em objetivos de TI (passo a passo prático)

Um método simples e cobrado em cenários é a cadeia: Objetivo institucional → Necessidade de informação/serviço → Capacidades de TI → Iniciativas → Indicadores.

Passo 1: listar objetivos institucionais e metas mensuráveis

  • Exemplos de objetivos: reduzir tempo médio de tramitação, aumentar transparência, ampliar atendimento digital, garantir continuidade de serviços críticos.
  • Transforme em meta: “reduzir em X%”, “aumentar em Y pontos”, “atingir disponibilidade mínima Z”.

Passo 2: identificar processos e pontos de dor (onde TI influencia)

  • Mapeie quais etapas do fluxo dependem de sistemas, integrações, dados, autenticação, infraestrutura e suporte.
  • Liste gargalos: retrabalho, filas, falta de integração, baixa qualidade de dados, indisponibilidade.

Passo 3: definir objetivos de TI derivados (em linguagem de resultado)

  • Exemplos: “aumentar disponibilidade do sistema X”, “reduzir tempo de resposta do serviço Y”, “automatizar validações do fluxo Z”, “melhorar qualidade do dado cadastral”.
  • Evite objetivos do tipo “implantar tecnologia A”; prefira “entregar capacidade B”.

Passo 4: selecionar iniciativas e montar portfólio

  • Iniciativas típicas: melhoria de sistema, integração, automação, observabilidade, continuidade, modernização, capacitação, revisão de processos.
  • Classifique por tipo: projeto, melhoria contínua, manutenção evolutiva, ação de risco/compliance.

Passo 5: priorizar com critérios de governança

  • Valor: impacto em metas institucionais, usuários atendidos, ganho de eficiência.
  • Risco: criticidade, exposição, dependências, obsolescência.
  • Conformidade: exigência legal/normativa, auditoria, prazos mandatórios.
  • Esforço: custo, prazo, complexidade, capacidade da equipe.

Uma priorização simples pode usar pontuação (1 a 5) para cada critério e um peso maior para valor e risco.

Passo 6: definir indicadores e evidências

  • Indicadores de resultado: tempo de tramitação, satisfação, disponibilidade, tempo de atendimento.
  • Indicadores de entrega: marcos cumpridos, lead time de mudanças, backlog.
  • Evidências: atas de comitê, relatórios, logs, registros de risco, aceite de usuário, relatórios de SLA.

Mapas conceituais (para memorização rápida)

Mapa 1: Governança x Gestão

GOVERNANÇA (direciona e controla)                GESTÃO (planeja e executa)  - Define prioridades e políticas                 - Implementa projetos e opera serviços  - Aprova portfólio e investimentos               - Cumpre SLAs e cronogramas  - Define apetite a risco                          - Gerencia recursos e mudanças  - Monitora valor e conformidade                   - Resolve incidentes e problemas

Mapa 2: Cadeia de alinhamento

Objetivo institucional  →  Objetivo de TI  →  Iniciativas  →  Serviços/Produtos  →  Indicadores  (ex.: celeridade)        (ex.: automação)   (ex.: workflow)     (ex.: sistema)         (ex.: tempo médio)

Mapa 3: Valor, risco e conformidade na decisão

Decisão de TI (priorizar/contratar/mudar)  ├─ Valor: benefício público + eficiência + qualidade  ├─ Risco: disponibilidade + integridade + fornecedor + prazo  └─ Conformidade: normas internas + auditoria + requisitos legais

Cenários de decisão: como a governança orienta escolhas

Cenário A: duas demandas concorrentes

Demanda 1: melhoria de usabilidade em portal externo. Demanda 2: correção de vulnerabilidade crítica em sistema interno. Pela ótica de governança, a priorização tende a favorecer a demanda 2 se o risco for alto e houver impacto em conformidade, mesmo que a demanda 1 tenha valor percebido pelo usuário.

Cenário B: contratação com prazo curto

Uma unidade pede contratação urgente de ferramenta. Governança exige: justificativa vinculada a objetivo institucional, análise de riscos (dependência de fornecedor, continuidade), requisitos de conformidade e definição de indicadores. Se faltar isso, a decisão pode ser “não aprovar ainda” ou “aprovar com condicionantes”.

Cenário C: mudança técnica com impacto no negócio

Atualização de infraestrutura pode reduzir indisponibilidade, mas exige janela de manutenção. Governança define critérios: comunicação, aprovação, plano de rollback, evidências e tolerância a indisponibilidade para serviços críticos.

Exercícios (estilo concurso): correspondência entre conceitos e situações

Exercício 1: associe o conceito ao cenário

Conceitos

  • (1) Alinhamento estratégico
  • (2) Entrega de valor
  • (3) Gestão de riscos
  • (4) Conformidade
  • (5) Governança (direcionamento)
  • (6) Gestão (execução)

Cenários

  • (A) Definir critérios e aprovar a ordem de execução do portfólio anual de TI.
  • (B) Elaborar cronograma, alocar equipe e acompanhar entregas semanais de um projeto.
  • (C) Exigir evidências e trilhas de auditoria para uma contratação e para o aceite do serviço.
  • (D) Priorizar correção de falha crítica após avaliar impacto e probabilidade de indisponibilidade.
  • (E) Medir se a nova funcionalidade reduziu o tempo de atendimento e aumentou a satisfação do usuário.
  • (F) Converter a meta “reduzir tempo de tramitação” em iniciativa de automação e integração de sistemas.

Gabarito

  • A → (5)
  • B → (6)
  • C → (4)
  • D → (3)
  • E → (2)
  • F → (1)

Exercício 2: complete a cadeia de alinhamento

Preencha os espaços com o termo mais adequado: objetivo institucional, objetivo de TI, iniciativa, indicador.

  • (a) “Aumentar a disponibilidade do sistema processual para 99,9%” = ________
  • (b) “Implantar monitoramento e alerta proativo 24x7” = ________
  • (c) “Disponibilidade mensal do sistema (%)” = ________
  • (d) “Garantir continuidade de serviços digitais ao cidadão” = ________

Gabarito

  • (a) objetivo de TI
  • (b) iniciativa
  • (c) indicador
  • (d) objetivo institucional

Exercício 3: decisão com pesos (valor x risco x conformidade x esforço)

Considere a escala 1 (baixo) a 5 (alto) e pesos: Valor 3, Risco 3, Conformidade 2, Esforço -2 (quanto maior o esforço, menor a prioridade). Calcule a pontuação: P = 3V + 3R + 2C - 2E.

  • Iniciativa X: V=4, R=2, C=1, E=2
  • Iniciativa Y: V=3, R=5, C=4, E=3

Resolução

  • X: P = 3*4 + 3*2 + 2*1 - 2*2 = 12 + 6 + 2 - 4 = 16
  • Y: P = 3*3 + 3*5 + 2*4 - 2*3 = 9 + 15 + 8 - 6 = 26

Interpretação: Y tende a ser priorizada por risco e conformidade altos, mesmo com esforço maior.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um órgão do Judiciário, qual situação caracteriza uma decisão típica de governança de TI (e não de gestão de TI)?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Governança de TI envolve direcionar e controlar: definir prioridades, aprovar investimentos/portfólio e monitorar valor, riscos e conformidade. Gestão de TI foca em planejar e executar: cronogramas, operação, SLAs e resolução de incidentes.

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