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Analista Judiciário - Tecnologia da Informação: Preparação Completa para Concursos do Judiciário

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Gestão de projetos e desenvolvimento de sistemas para Analista Judiciário - TI: preditivo e ágil

Capítulo 19

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Fundamentos de gestão de projetos cobrados em concursos

Em concursos do Judiciário, gestão de projetos costuma ser cobrada como um conjunto de áreas de conhecimento e decisões práticas para entregar um produto/serviço (por exemplo, um módulo de sistema processual) dentro de restrições e com controle. Os temas mais recorrentes são: escopo, prazo, custo, qualidade, riscos, partes interessadas (stakeholders) e comunicação.

Escopo: o que será entregue (e o que não será)

Escopo define entregas, requisitos e limites do trabalho. Em projetos de sistemas, escopo se materializa em funcionalidades, integrações, relatórios, perfis de acesso, regras de negócio e requisitos não funcionais (desempenho, disponibilidade, auditoria).

  • Escopo do produto: características do sistema (ex.: “peticionamento eletrônico com anexação de PDFs e validação de assinatura”).
  • Escopo do projeto: trabalho necessário para entregar o produto (ex.: análise, desenvolvimento, testes, homologação, migração, treinamento).
  • Controle de mudanças: qualquer alteração relevante deve ser avaliada quanto a impacto em prazo/custo/qualidade e aprovada por instância definida (comitê, patrocinador, product owner, conforme o modelo).

Exemplo prático (sistema judicial): no projeto de “Intimações por WhatsApp institucional”, o escopo pode incluir: cadastro de números autorizados, registro de consentimento, trilha de auditoria, integração com gateway oficial e relatórios de entrega. Fora do escopo: atendimento ao usuário final via chatbot (se não previsto).

Prazo: planejamento e controle do cronograma

Prazo é gerenciado por meio de decomposição do trabalho, estimativas e sequenciamento. Em concursos, é comum aparecerem conceitos como atividades, marcos, caminho crítico e folgas.

  • Decomposição: quebrar entregas em pacotes menores (ex.: “integração com serviço X”, “tela de consulta”, “testes de carga”).
  • Sequenciamento: dependências (ex.: não testar integração antes de ter ambiente e credenciais).
  • Marcos: pontos de controle sem duração (ex.: “homologação assinada”).

Armadilha de prova: confundir “atraso em uma atividade” com “atraso no projeto”. Se a atividade tem folga, o projeto pode não atrasar.

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Custo: orçamento e controle

Custo envolve estimar e controlar despesas (pessoas, licenças, infraestrutura, consultoria, nuvem, treinamento). Em TI no Judiciário, custos podem estar vinculados a contratos, termos de referência e consumo de serviços.

  • Estimativa: baseada em histórico, métricas (pontos de função, story points convertidos em capacidade), ou composição de itens (licenças, horas, equipamentos).
  • Linha de base de custos: referência aprovada para comparar realizado x planejado.
  • Controle: variações exigem análise e ação (replanejar, reduzir escopo, negociar prazo).

Qualidade: conformidade e adequação ao uso

Qualidade em projetos de sistemas envolve tanto processo (como se desenvolve) quanto produto (o que é entregue). Em contexto judicial, requisitos de qualidade frequentemente incluem rastreabilidade, auditoria, segurança, desempenho e disponibilidade.

  • Garantia da qualidade (QA): práticas para prevenir defeitos (padrões, revisões, critérios de pronto).
  • Controle da qualidade (QC): inspeções e testes para detectar defeitos (testes funcionais, regressão, carga).
  • Critérios de aceitação: condições objetivas para aprovar uma entrega (ex.: “registrar log com usuário, data/hora, IP e operação”).

Riscos: identificar, analisar e responder

Risco é um evento incerto que, se ocorrer, afeta objetivos do projeto. Pode ser negativo (ameaça) ou positivo (oportunidade). Provas cobram o ciclo: identificar, analisar (probabilidade/impacto), planejar respostas e monitorar.

  • Respostas a ameaças: evitar, mitigar, transferir, aceitar.
  • Respostas a oportunidades: explorar, melhorar, compartilhar, aceitar.

Exemplos (sistema judicial):

  • Risco: indisponibilidade do serviço externo de assinatura digital na semana de homologação. Resposta: mitigar com janela de testes antecipada e plano de contingência.
  • Risco: mudança normativa que altera prazos processuais. Resposta: aceitar com reserva de contingência e mecanismo configurável de regras.

Partes interessadas (stakeholders): influência e expectativas

Stakeholders são pessoas/grupos que afetam ou são afetados pelo projeto. Em sistemas judiciais, exemplos: magistrados, servidores, OAB, Ministério Público, TI, corregedoria, área de segurança, fornecedores, usuários externos.

  • Mapeamento: identificar interesse, influência/poder e impacto.
  • Engajamento: estratégias por perfil (informar, consultar, envolver, gerir de perto).
  • Conflitos comuns: prioridade entre celeridade (prazo) e robustez (qualidade/segurança), ou entre padronização institucional e necessidades locais.

Comunicação: fluxo certo, no momento certo

Comunicação é uma das maiores causas de falha em projetos. Em concursos, costuma aparecer como plano de comunicação, canais, periodicidade e responsabilidades.

  • Plano de comunicação: o que comunicar, para quem, quando, como e por quem.
  • Relatórios: status (prazo/custo/escopo), riscos, impedimentos, decisões pendentes.
  • Gestão de expectativas: alinhar o que será entregue e quando, evitando “surpresas” na homologação.

Modelos preditivos x ágeis: contraste objetivo

Modelo preditivo (tradicional)

No modelo preditivo, busca-se planejar o máximo possível no início, com fases mais definidas e controle forte de mudanças. É comum quando requisitos são estáveis, há necessidade de documentação formal e aprovações sequenciais.

  • Forças: previsibilidade, documentação robusta, facilidade de auditoria e contratação por escopo fechado.
  • Riscos: baixa flexibilidade para mudanças, feedback tardio do usuário, maior chance de entregar algo “correto no papel” mas inadequado na prática.

Exemplo: implantação de um módulo obrigatório por norma com requisitos bem definidos e prazo legal fixo pode se beneficiar de planejamento preditivo, desde que haja validações intermediárias.

Modelo ágil

No modelo ágil, o trabalho é organizado em ciclos curtos com entregas incrementais, priorizando valor e feedback frequente. Mudanças são esperadas e gerenciadas por priorização contínua.

  • Forças: adaptação rápida, validação contínua com usuários, redução de risco de “entrega tardia e inadequada”.
  • Riscos: se não houver disciplina, pode haver perda de rastreabilidade, escopo “elástico” e dificuldade de previsão; exige participação ativa do negócio.

Observação de prova: ágil não significa ausência de planejamento ou documentação; significa planejamento iterativo e documentação suficiente para o propósito (incluindo auditoria e conformidade quando necessário).

Scrum: conceitos essenciais cobrados em concursos

Scrum é um framework ágil para desenvolvimento de produtos complexos. Em provas, o foco costuma ser: papéis (accountabilities), eventos e artefatos, além de responsabilidades e objetivos.

Papéis (accountabilities) no Scrum

  • Product Owner (PO): maximiza o valor do produto; gerencia e ordena o Product Backlog; define prioridades com base em valor e necessidade; esclarece itens para o time.
  • Scrum Master (SM): garante que Scrum seja entendido e aplicado; remove impedimentos; facilita eventos; atua como líder servidor; protege o time de interferências indevidas.
  • Developers (Time de Desenvolvimento): profissionais que constroem o incremento; planejam o Sprint Backlog; asseguram qualidade; entregam incremento “pronto” conforme Definition of Done.

Armadilhas comuns:

  • PO não é “chefe do time” nem gerente de projeto tradicional; ele prioriza valor e backlog.
  • Scrum Master não é “secretário de reunião”; ele atua na melhoria do fluxo e remoção de impedimentos.
  • Developers não são apenas programadores; incluem quem for necessário para entregar (testes, análise, UX, etc.).

Eventos do Scrum

  • Sprint: ciclo fixo (time-box) em que se cria um incremento de valor.
  • Sprint Planning: planejamento do Sprint; define objetivo (Sprint Goal) e seleciona itens para o Sprint Backlog.
  • Daily Scrum: inspeção diária do progresso em direção ao Sprint Goal e adaptação do plano.
  • Sprint Review: inspeção do incremento com stakeholders e adaptação do Product Backlog.
  • Sprint Retrospective: melhoria do processo e acordos de ação para o próximo Sprint.

Artefatos do Scrum

  • Product Backlog: lista ordenada do que é necessário no produto (funcionalidades, melhorias, correções).
  • Sprint Backlog: itens selecionados para o Sprint + plano para entregá-los.
  • Incremento: soma de todos os itens concluídos no Sprint e anteriores, em estado utilizável.

Compromissos associados (cobrança frequente):

  • Product Backlog ↔ Product Goal
  • Sprint Backlog ↔ Sprint Goal
  • Incremento ↔ Definition of Done

Passo a passo prático: aplicando fundamentos em um projeto de sistema judicial

A seguir, um roteiro prático (independente de ser preditivo ou ágil) para estruturar um projeto de desenvolvimento de um módulo, por exemplo: “Painel de Produtividade de Unidades Judiciais”.

1) Definir escopo inicial e limites

  • Listar entregas: painéis, filtros, perfis de acesso, exportação, auditoria.
  • Definir fora do escopo: BI corporativo completo, integração com sistemas não priorizados.
  • Registrar critérios de aceitação: tempos máximos de resposta, trilha de auditoria, consistência de indicadores.

2) Identificar stakeholders e responsabilidades

  • Negócio: corregedoria/gestão estratégica (indicadores), secretarias (rotinas), magistrados (uso).
  • TI: desenvolvimento, infraestrutura, segurança, dados.
  • Externo: eventualmente CNJ (padrões e relatórios).

3) Planejar comunicação

  • Reunião quinzenal com área demandante para validação de entregas.
  • Status semanal para patrocinador com riscos e decisões pendentes.
  • Canal único para dúvidas e registro de decisões (evitar decisões “informais” sem rastreio).

4) Planejar prazo e custo em nível adequado

  • Quebrar em entregas menores (módulos/relatórios) e marcos (homologação, produção).
  • Estimar esforço e dependências (dados, integrações, ambientes).
  • Reservar contingência para riscos (ex.: indisponibilidade de base, mudança de regra).

5) Planejar qualidade e riscos

  • Definir Definition of Done (ou critérios equivalentes): testes, revisão, logs, documentação mínima, segurança.
  • Montar lista de riscos com probabilidade/impacto e respostas.
  • Prever validação com dados reais (anonimizados quando necessário) para evitar indicadores incorretos.

6) Executar e controlar (preditivo ou ágil)

  • No preditivo: controlar mudanças via solicitação formal e replanejamento quando necessário.
  • No ágil: reordenar backlog com base em feedback e valor, mantendo Sprint Goal protegido.
  • Em ambos: monitorar riscos, comunicar desvios e registrar decisões.

Exercícios (estilo concurso) com foco em Scrum e fundamentos

Exercício 1: Identificação de artefatos

Em um projeto para criar o “Módulo de Custas e Guias”, a equipe mantém uma lista priorizada com: “emissão de guia”, “integração bancária”, “relatório de arrecadação”, “correção de bug X”. Essa lista é revisada continuamente conforme feedback da área financeira.

  • Pergunta: qual artefato do Scrum descreve melhor essa lista?
  • Resposta esperada: Product Backlog.

Exercício 2: Responsabilidades (papéis)

Durante o desenvolvimento do “Portal do Advogado”, surge a necessidade de priorizar entre “recuperação de senha com duplo fator” e “melhoria no filtro de pesquisa de processos”. Alguém precisa decidir a ordem com base em valor e risco.

  • Pergunta: no Scrum, quem é responsável por ordenar o backlog e maximizar valor?
  • Resposta esperada: Product Owner.

Exercício 3: Eventos do Scrum

Ao final de um ciclo, a equipe demonstra o incremento do “Agendamento de Audiências” para servidores e magistrados, coleta feedback e atualiza prioridades para as próximas entregas.

  • Pergunta: qual evento do Scrum descreve essa atividade?
  • Resposta esperada: Sprint Review.

Exercício 4: Escopo x prazo x custo (triângulo de restrições)

Um projeto de “Integração com Diário de Justiça” tem prazo legal fixo e orçamento limitado. Durante a execução, é solicitada uma funcionalidade extra de “painel analítico avançado”.

  • Pergunta: qual é a decisão mais coerente com gestão de restrições?
  • Resposta esperada: avaliar impacto e, mantendo prazo e custo fixos, negociar redução/adiamento de escopo (ou obter aprovação para alterar custo/prazo).

Exercício 5: Riscos e respostas

Risco identificado: “A API do sistema legado pode não suportar o volume de consultas do novo painel em horário de pico”.

  • Pergunta: proponha uma resposta de mitigação.
  • Resposta esperada: realizar teste de carga antecipado, implementar cache/filas, otimizar consultas, e planejar janela de escalabilidade ou réplica de leitura.

Exercício 6: Comunicação e stakeholders

Em um projeto de “Assinatura em Lote”, a equipe recebe orientações conflitantes: a área de segurança exige logs detalhados; usuários reclamam de lentidão e pedem remover logs.

  • Pergunta: qual abordagem de comunicação e gestão de stakeholders é mais adequada?
  • Resposta esperada: mapear influência/necessidades, promover alinhamento com decisão registrada, explicitar trade-offs (segurança x desempenho), definir critérios de aceitação e alternativas técnicas (log assíncrono, níveis de auditoria).

Exercício 7: Incremento e Definition of Done

No Sprint, foi implementada a funcionalidade “consulta pública de movimentações”. O código está pronto, mas não há testes, nem revisão, nem validação de requisitos de auditoria.

  • Pergunta: isso pode ser considerado um Incremento pronto?
  • Resposta esperada: não, se não atende à Definition of Done; incremento deve estar em estado utilizável e com qualidade acordada.

Exercício 8: Cenário híbrido (preditivo + ágil)

Um tribunal exige documentação formal mínima para auditoria e contratação, mas quer entregas incrementais para reduzir risco de retrabalho.

  • Pergunta: como combinar sem contradição?
  • Resposta esperada: manter artefatos formais essenciais (escopo macro, requisitos rastreáveis, aprovações) e executar desenvolvimento incremental com ciclos curtos, revisões frequentes e controle de mudanças por priorização e registro.

Mini-casos de aplicação em projetos de sistemas judiciais (para fixação)

Caso A: Migração de dados de um sistema legado

  • Escopo: quais entidades migrar (processos, partes, movimentações), regras de transformação, validações.
  • Prazo: marcos de “carga piloto”, “validação amostral”, “corte para produção”.
  • Qualidade: reconciliação de totais, amostragem, trilha de auditoria da migração.
  • Riscos: inconsistência de dados, janelas insuficientes, indisponibilidade do legado.

Caso B: Novo serviço de notificação eletrônica

  • Stakeholders: unidades judiciais, TI, segurança, usuários externos.
  • Comunicação: plano de divulgação, treinamento, canal de suporte, registro de incidentes.
  • Ágil (Scrum): backlog com itens como “consentimento”, “comprovante”, “painel de falhas”, priorizados por valor e risco.

Caso C: Relatórios gerenciais para corregedoria

  • Escopo: indicadores, fórmulas, fontes de dados, periodicidade.
  • Qualidade: consistência com normativos, validação com amostras, performance.
  • Risco: divergência de interpretação de indicador; mitigação com critérios de aceitação e validação contínua.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em Scrum, qual afirmação descreve corretamente a responsabilidade do Product Owner em relação ao Product Backlog?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No Scrum, o Product Owner é responsável por maximizar o valor do produto por meio do gerenciamento e ordenação do Product Backlog, definindo prioridades e esclarecendo itens para o time. Facilitar eventos e remover impedimentos são atribuições do Scrum Master.

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