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Analista Judiciário - Área Administrativa: Preparação para Gestão no Serviço Público

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Gestão de Pessoas para Analista Judiciário: provimento, desenvolvimento e desempenho

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Gestão de pessoas no Judiciário: visão prática para a área administrativa

Gestão de pessoas, no contexto de tribunais, é o conjunto de subsistemas e instrumentos usados para assegurar que cada unidade tenha servidores e colaboradores em quantidade e perfil adequados, com desenvolvimento contínuo, condições de trabalho seguras e avaliação de desempenho alinhada às responsabilidades do cargo e às metas institucionais. Para o Analista Judiciário da área administrativa, o foco é operacionalizar regras e rotinas (normativas internas, legislação aplicável e orientações da área de gestão de pessoas), garantindo rastreabilidade documental, isonomia e prestação de contas.

Na prática, a gestão de pessoas no tribunal se materializa em decisões e rotinas como: definir perfil para lotação em gabinete ou secretaria, organizar integração de novos servidores, estruturar capacitações por competência, acompanhar afastamentos e restrições laborais, e conduzir ciclos de avaliação com feedback e registros formais.

Subsistema 1: Ingresso e movimentação (provimento, remoção, cessão e substituições)

O que envolve

Este subsistema trata do ingresso (nomeação/posse/exercício) e das movimentações internas e externas, como remoção, permuta, cessão, requisição, designações e substituições. Em tribunais, movimentações são frequentes por: necessidade de recomposição de equipes, criação/extinção de unidades, implantação de sistemas, e atendimento a demandas sazonais (mutirões, força-tarefa, picos de distribuição processual).

Situação típica no tribunal

Uma secretaria de turma recursal perde dois servidores por remoção e precisa manter prazos e sessões. A administração deve recompor rapidamente a equipe, avaliando perfil (conhecimento de sistemas, rotina de pauta, atendimento ao público) e garantindo que a movimentação respeite critérios objetivos e registros formais.

Passo a passo prático: como estruturar uma movimentação interna com critério e registro

  • 1) Identificar a demanda: formalizar a necessidade (vacância, afastamento, aumento de demanda, implantação de projeto) com dados mínimos: unidade, atividades críticas, prazo, impacto.
  • 2) Definir o perfil requerido: listar requisitos técnicos e comportamentais (ex.: domínio de sistema processual, capacidade de atendimento, organização, trabalho sob prazo).
  • 3) Consultar instrumentos internos: descrição de funções da unidade, matriz de competências, histórico de capacitações e avaliações (quando permitido e pertinente).
  • 4) Selecionar alternativas: candidatos internos, banco de talentos, remanejamento temporário, substituição, redistribuição de tarefas.
  • 5) Validar com a cadeia de comando: chefia imediata, direção da unidade, área de gestão de pessoas e autoridade competente, conforme norma interna.
  • 6) Formalizar o ato: minuta/portaria/ordem de serviço (conforme o caso), com vigência, unidade de origem/destino, justificativa objetiva e responsabilidades.
  • 7) Planejar transição: repasse de pendências, acesso a sistemas, definição de tutor de integração, e checklist de atividades.
  • 8) Acompanhar por período de adaptação: 30–90 dias, com pontos de controle e registro de ajustes necessários.

Instrumento: descrição de funções (para ingresso e movimentação)

A descrição de funções detalha atividades, entregas, interfaces, sistemas utilizados e riscos. Em tribunais, é útil para: reduzir subjetividade na escolha de lotação, orientar integração e facilitar substituições. Deve ser objetiva e revisada quando houver mudança de sistema, norma ou fluxo de trabalho.

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Modelo enxuto de descrição de funções (unidade judicial) 1) Finalidade da função: (ex.: apoiar a tramitação e a preparação de atos para julgamento) 2) Entregas principais: (ex.: minutas, movimentações, certidões, pautas) 3) Atividades críticas e prazos: (ex.: publicação, intimação, cumprimento de despacho) 4) Sistemas e ferramentas: (ex.: sistema processual, BI, e-mail institucional) 5) Interfaces: (gabinete, secretaria, MP, Defensoria, atendimento) 6) Competências requeridas: técnicas e comportamentais 7) Riscos e controles: (ex.: sigilo, conferência, dupla checagem) 

Subsistema 2: Lotação, alocação por perfil e dimensionamento de equipes

O que envolve

Lotação é a distribuição de pessoas entre unidades. No Judiciário, a lotação precisa considerar: volume de trabalho, complexidade, sazonalidade, competências disponíveis, restrições (teletrabalho, jornada, limitações de saúde), e prioridades institucionais. O Analista Judiciário frequentemente apoia a consolidação de dados, elaboração de propostas e acompanhamento de ajustes.

Situação típica no tribunal

Uma vara com acervo crescente solicita reforço. Ao mesmo tempo, outra unidade reduziu demanda após automatização de tarefas. A solução pode ser remanejamento parcial, redistribuição de tarefas e capacitação direcionada, em vez de apenas “transferir pessoas”.

Passo a passo prático: dimensionamento simplificado para apoiar decisão de lotação

  • 1) Mapear entregas e atividades: listar o que a unidade entrega (ex.: cumprimento de atos, atendimento, minutas, expedições).
  • 2) Levantar indicadores operacionais: entradas (novos casos), saídas (baixados), estoque (acervo), prazos médios, filas, retrabalho.
  • 3) Identificar gargalos: etapas com maior atraso, maior retrabalho ou maior risco (ex.: expedição de alvarás, publicações, intimações).
  • 4) Estimar esforço: usar séries históricas, amostras de tempo, ou parâmetros internos (quando existirem) para estimar carga de trabalho por tipo de tarefa.
  • 5) Comparar capacidade x demanda: capacidade disponível (quantidade de pessoas, jornada, ausências) versus demanda estimada.
  • 6) Propor alternativas: (a) redistribuir tarefas entre unidades; (b) reforço temporário; (c) automatização; (d) capacitação; (e) revisão de rotinas e checklists.
  • 7) Registrar premissas e decisão: documentar dados usados, critérios, riscos e prazo de reavaliação.

Instrumento: matriz de competências (para alocação por perfil)

A matriz de competências organiza, por unidade ou equipe, quais competências são necessárias e quais estão disponíveis. Ajuda a decidir lotação, substituições e plano de capacitação. Em tribunais, é comum separar competências por: sistemas processuais, rotinas cartorárias, atendimento, gestão de prazos, análise de dados, e conformidade (sigilo, LGPD, controles).

Exemplo de matriz de competências (recorte) Competência | Nível requerido (1-5) | Servidor A | Servidor B | Lacuna Domínio do sistema processual | 4 | 4 | 2 | B precisa desenvolver Gestão de pauta/sessão | 3 | 2 | 3 | A precisa desenvolver Atendimento ao público | 3 | 3 | 2 | B precisa desenvolver Análise de relatórios (BI) | 2 | 1 | 2 | A precisa desenvolver 

Subsistema 3: Capacitação e desenvolvimento (gestão de competências)

O que envolve

Capacitação no serviço público é orientada por necessidades institucionais e pelo desenvolvimento de competências para o desempenho do cargo e das funções comissionadas. Em tribunais, o desenvolvimento deve ser planejado para reduzir riscos operacionais (erros em atos, perda de prazo, falhas de sigilo), aumentar produtividade e preparar substituições e sucessões em funções de chefia.

Situação típica no tribunal

Após mudança normativa e atualização do sistema processual, aumentam erros de movimentação e retrabalho. Em vez de apenas cobrar resultados, a unidade precisa identificar lacunas de competência, capacitar e acompanhar a aplicação prática.

Passo a passo prático: construir um plano de desenvolvimento por competência (PDC/PDI)

  • 1) Definir a competência-alvo: ex.: “conferência e expedição de atos com dupla checagem” ou “gestão de prazos e filas”.
  • 2) Diagnosticar lacunas: usar matriz de competências, análise de erros, indicadores (retrabalho), observação da rotina e autoavaliação orientada.
  • 3) Estabelecer objetivos mensuráveis: ex.: reduzir retrabalho em expedições em 30% em 60 dias; aumentar conformidade em checklist para 95%.
  • 4) Selecionar ações de desenvolvimento: treinamento interno, tutoria, job rotation, acompanhamento por servidor referência, estudo dirigido de normativos, simulações em ambiente de teste.
  • 5) Definir evidências: quais entregas demonstram evolução (ex.: amostra de processos sem devolução por erro; relatórios de fila; checklists assinados).
  • 6) Pactuar prazos e responsáveis: servidor, chefia, tutor; agenda de acompanhamento.
  • 7) Registrar e acompanhar: registrar no instrumento adotado pelo tribunal e fazer checkpoints (quinzenal/mensal).

Instrumento: plano de desenvolvimento (modelo objetivo)

Plano de Desenvolvimento (exemplo) Servidor: ____ Unidade: ____ Competência: Gestão de prazos e filas (nível atual 2; alvo 4) Objetivo: reduzir pendências vencidas em 20% em 45 dias Ações: (1) tutoria com servidor referência 2h/semana; (2) checklist diário de filas; (3) revisão de normativos aplicáveis Evidências: relatório semanal de pendências; amostra de 30 processos conferidos; registro de feedback Checkpoints: D+15, D+30, D+45 Responsáveis: servidor / chefia / tutor Assinaturas/ciência: ____ 

Subsistema 4: Saúde, segurança e qualidade de vida no trabalho (QVT)

O que envolve

Saúde e QVT abrangem ações para prevenir adoecimento, gerenciar riscos ocupacionais, apoiar readaptação quando aplicável, e promover condições adequadas de trabalho. Em tribunais, fatores críticos incluem: carga mental por prazos, atendimento ao público em situações tensas, ergonomia (uso intensivo de computador), e organização do trabalho em períodos de pico.

Situação típica no tribunal

Uma equipe apresenta aumento de afastamentos e queda de produtividade após acúmulo de tarefas e mudanças de rotina. A resposta administrativa deve combinar: reorganização do trabalho, priorização, apoio institucional e encaminhamentos formais para áreas competentes (saúde ocupacional, assistência, gestão de pessoas), respeitando sigilo e normas.

Passo a passo prático: como tratar sinais de sobrecarga com responsabilidade e registro

  • 1) Identificar sinais objetivos: aumento de erros, atrasos, conflitos, afastamentos, horas extras recorrentes, queixas registradas.
  • 2) Mapear causas no trabalho: tarefas críticas sem cobertura, falta de substituição, falhas de treinamento, picos sazonais, interrupções constantes.
  • 3) Adotar medidas organizacionais imediatas: redistribuição temporária, filas e prioridades, checklists, rodízio de atendimento, blocos de concentração sem interrupção.
  • 4) Acionar canais institucionais: encaminhar demanda à área competente (saúde/QVT/GP), conforme protocolo interno.
  • 5) Registrar providências: memorando/e-mail institucional/registro em sistema, com medidas adotadas e necessidade de suporte.
  • 6) Reavaliar em prazo curto: 15–30 dias, verificando indicadores e ajustando a organização do trabalho.

Subsistema 5: Avaliação de desempenho e gestão do desempenho

O que envolve

Avaliação de desempenho é o processo formal de mensurar e registrar resultados e comportamentos esperados, conforme critérios institucionais. Gestão do desempenho é mais ampla: inclui definição de expectativas, acompanhamento contínuo, feedback e ações de desenvolvimento. Em tribunais, a avaliação deve estar conectada à entrega da unidade (prazos, qualidade, conformidade) e ao comportamento funcional (responsabilidade, cooperação, postura no atendimento, zelo por sigilo e normas).

Situação típica no tribunal

Dois servidores têm produtividade alta, mas um deles gera retrabalho por falhas de conferência e descumprimento de checklists. A gestão do desempenho precisa equilibrar quantidade e qualidade, com feedback objetivo e plano de melhoria, evitando avaliações genéricas.

Passo a passo prático: conduzir um ciclo de desempenho com feedback institucional

  • 1) Pactuar expectativas no início do ciclo: entregas, padrões de qualidade, prazos e comportamentos observáveis.
  • 2) Definir indicadores e evidências: amostras de processos, relatórios de fila, devoluções por erro, registros de atendimento, cumprimento de checklists.
  • 3) Acompanhar continuamente: reuniões rápidas (quinzenais/mensais) para ajustar prioridades e remover impedimentos.
  • 4) Realizar feedback estruturado: baseado em fatos, com exemplos, impacto e expectativa de mudança.
  • 5) Registrar formalmente: conforme norma (formulário/sistema), incluindo pontos fortes, oportunidades e plano de ação.
  • 6) Monitorar plano de melhoria: prazos, tutorias, revisão de rotinas; registrar evolução e novas evidências.

Instrumento: feedback institucional (roteiro objetivo)

Roteiro de feedback (exemplo) 1) Fato observado: “Em 3 das últimas 20 expedições houve devolução por ausência de conferência do CPF.” 2) Impacto: “Retrabalho, atraso na intimação e risco de erro material.” 3) Expectativa: “Aplicar checklist de conferência antes de concluir a tarefa.” 4) Apoio: “Tutoria por 2 semanas + revisão do checklist.” 5) Prazo e evidência: “Em 30 dias, amostra de 30 expedições sem devolução por esse motivo.” 6) Registro: “Lançamento no formulário/sistema conforme norma.” 

Integração de servidores e gestão do conhecimento na unidade

O que envolve

Integração é o conjunto de ações para que o servidor recém-chegado (ou movimentado) compreenda rapidamente rotinas, responsabilidades, padrões de qualidade, canais de comunicação e regras de segurança da informação. Em tribunais, integração bem feita reduz erros em atos, acelera autonomia e diminui dependência de “informações informais”.

Passo a passo prático: checklist de integração em unidade judicial

  • 1) Apresentação institucional e da unidade: missão da unidade, entregas, horários, canais e regras de atendimento.
  • 2) Acessos e perfis: solicitação e validação de acessos a sistemas, e-mail, pastas e permissões (mínimo necessário).
  • 3) Rotinas críticas: prazos, filas, conferências obrigatórias, sigilo, modelos padronizados.
  • 4) Tutor de integração: designar servidor referência por período definido.
  • 5) Treino com casos reais supervisionados: executar tarefas com dupla checagem e registro de dúvidas recorrentes.
  • 6) Ponto de controle: reunião em 15 e 30 dias para ajustar lacunas e confirmar autonomia.

Liderança e coordenação de equipes em ambiente normativo

Responsabilidades de quem coordena (chefias e apoio administrativo)

Em tribunais, liderança e coordenação ocorrem sob regras claras: competências formais, delegações documentadas, dever de motivação de decisões administrativas e prestação de contas. A coordenação eficaz combina: distribuição equilibrada de tarefas, padronização de rotinas, acompanhamento por evidências e comunicação institucional.

  • Responsabilidade: garantir que as entregas ocorram com qualidade e conformidade, respeitando normas e prazos.
  • Delegação: distribuir tarefas com clareza de escopo, prazo, padrão e canal de reporte, evitando delegar sem autoridade ou sem recursos.
  • Acompanhamento: monitorar filas, indicadores e amostras de qualidade; agir antes do vencimento de prazos críticos.
  • Prestação de contas: registrar decisões, justificar priorizações e manter trilha documental para auditoria e controle interno.

Passo a passo prático: delegar e acompanhar com rastreabilidade

  • 1) Definir a tarefa e o resultado esperado: “Expedir 50 intimações até sexta, com conferência do cadastro e anexos.”
  • 2) Estabelecer padrão e critérios de qualidade: checklist, modelo, dupla checagem em itens críticos.
  • 3) Informar limites e escalonamento: quando acionar a chefia (ex.: inconsistência cadastral, sigilo, urgência).
  • 4) Definir canal e frequência de reporte: quadro de tarefas, e-mail institucional, sistema interno.
  • 5) Acompanhar por evidências: amostra de qualidade + relatório de fila, sem microgerenciar cada ato.
  • 6) Registrar decisões relevantes: mudanças de prioridade, redistribuição, autorização excepcional, justificativas.

Instrumento: registro formal e trilha de auditoria

Registro formal é essencial para demonstrar que decisões e orientações seguiram critérios e foram comunicadas. Exemplos de registros: memorandos, e-mails institucionais, ordens de serviço, portarias, registros em sistema de gestão, atas de reunião e checklists assinados/validados. O registro deve conter: data, responsáveis, motivação objetiva, decisão, prazo e evidências de acompanhamento.

Exemplo de registro mínimo (e-mail/memorando) Assunto: Reforço temporário na Secretaria X – período __/__/__ a __/__/__ Contexto: aumento de demanda (indicadores anexos) Medida: designação de servidor Y para apoio em (tarefas) Critérios: perfil (competências), impacto e prioridade institucional Acompanhamento: checkpoints semanais + relatório de pendências Responsáveis: chefia da unidade + servidor designado Ciência: gestão de pessoas / direção 

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao conduzir uma movimentação interna para recompor rapidamente uma equipe no tribunal, qual prática melhor assegura critérios objetivos e rastreabilidade documental no processo?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A prática adequada combina critério e registro: demanda formalizada, perfil definido, validações conforme normas internas e ato formal com justificativa e responsabilidades. Também prevê transição e acompanhamento do período de adaptação para ajustar a alocação com evidências.

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