Conceitos-chave: comportamento organizacional e clima no Judiciário
Comportamento organizacional é o estudo de como pessoas e grupos atuam no trabalho (motivação, atitudes, comunicação, cooperação e tomada de decisão) e como isso impacta resultados. No Judiciário, esse comportamento é influenciado por hierarquia, formalidade, prazos, sensibilidade das informações e interação constante com público externo.
Clima organizacional é a percepção compartilhada sobre “como é trabalhar aqui” (respeito, confiança, justiça, apoio da chefia, clareza de regras). Um clima saudável reduz retrabalho, conflitos e ruídos de comunicação; um clima deteriorado aumenta atrasos, resistência a mudanças e risco de incidentes éticos (ex.: vazamento de informação, favorecimento indevido, mau atendimento).
Elementos que mais afetam o desempenho administrativo
- Clareza de papéis e fluxos: quem decide, quem executa, quem valida e em que prazo.
- Qualidade da comunicação institucional: mensagens completas, rastreáveis e com linguagem adequada.
- Gestão de conflitos: capacidade de resolver divergências com foco no serviço e nas normas.
- Cooperação entre unidades: compartilhamento de informações e alinhamento de prioridades.
- Cultura de integridade: decisões imparciais, confidencialidade e uso correto de recursos.
Comunicação institucional: escrita e oral
No Judiciário, comunicação não é apenas “informar”; é registrar, padronizar e dar segurança às decisões administrativas. A regra prática é: o que impacta prazo, responsabilidade, orientação oficial ou atendimento ao público deve estar documentado em canal institucional.
Princípios da comunicação formal
- Objetividade: ir direto ao ponto, sem informalidades excessivas.
- Completude: contexto mínimo, base normativa quando necessário, pedido/encaminhamento claro.
- Rastreabilidade: assunto, referências (processo/SEI/protocolo), anexos e responsáveis.
- Impessoalidade e respeito: foco no fato e na providência, não na pessoa.
- Sigilo e necessidade de saber: compartilhar apenas com quem precisa.
Padrões práticos por tipo de documento
1) E-mail institucional
Use e-mail para comunicações operacionais e orientações que precisem de registro, mas não exijam formalização por expediente específico (conforme normas internas). Evite tratar assunto sensível em listas amplas.
Estrutura recomendada:
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- Assunto: [Ação] + [Tema] + [Referência] (ex.: “Providência – Contrato de limpeza – Fiscalização jan/2026”).
- Abertura: destinatário e contexto em 1–2 linhas.
- Corpo: fatos essenciais, solicitação objetiva, prazo e responsável.
- Encaminhamento: próximos passos e anexos.
- Fecho: assinatura com unidade, ramal e horário de atendimento (se aplicável).
Assunto: Solicitação – Ajuste de escala de apoio – Evento institucional (15/02) Prezados(as), Considerando o evento institucional previsto para 15/02, solicitamos a confirmação da escala de apoio da unidade até 12/02, às 16h, para consolidação e envio à Administração. Encaminhar, por favor, nome completo, função e horário de atuação. Anexo: minuta de escala (modelo). Atenciosamente, [Nome] – [Cargo/Função] [Unidade] | [Ramal] | [E-mail]Cuidados frequentes: evitar “responder a todos” sem necessidade; não usar e-mail pessoal; não anexar documentos com dados sensíveis sem proteção e sem destinatários estritamente necessários; registrar decisões relevantes em canal oficial apropriado.
2) Memorando/expediente interno
Use memorando (ou instrumento equivalente previsto na norma do órgão) para solicitações formais entre unidades, encaminhamento de providências, justificativas e registros que possam ser auditados.
Estrutura recomendada:
- Identificação: unidade emitente, unidade destinatária, referência (processo/protocolo).
- Assunto: tema e finalidade.
- Fundamentação: fatos e, quando necessário, base normativa/contratual.
- Encaminhamento: pedido claro, prazo e responsável.
- Assinatura: autoridade/servidor competente conforme delegação.
MEMORANDO Nº XX/2026 – [UNIDADE] À [UNIDADE DESTINATÁRIA] Assunto: Solicitação de providências – manutenção preventiva de ar-condicionado Referência: Protocolo/Processo nº XXXXX 1. Considerando as ocorrências registradas em [datas] e a necessidade de garantir condições adequadas de trabalho e atendimento ao público, solicita-se a programação de manutenção preventiva nos equipamentos da sala [identificação]. 2. Solicita-se retorno até [data], com cronograma e indicação do responsável técnico. [Local], [data] [Nome] [Cargo/Função]3) Relatório (técnico/gerencial)
Relatórios sustentam decisões e prestação de contas. Devem ser verificáveis, com dados e evidências (planilhas, registros, logs, termos, fotos quando permitido).
Estrutura recomendada:
- Objetivo: por que o relatório existe e qual decisão apoia.
- Escopo e período: o que foi analisado e em qual janela temporal.
- Metodologia e fontes: sistemas consultados, amostras, critérios.
- Achados: fatos, indicadores, não conformidades.
- Riscos e impactos: prazos, custos, imagem institucional, conformidade.
- Recomendações: ações, responsáveis e prazos.
RELATÓRIO – Monitoramento de prazos de atendimento (jan/2026) Objetivo: avaliar cumprimento de prazos internos de resposta a demandas do público externo. Escopo: demandas registradas no sistema X, período 01/01 a 31/01. Fontes: sistema X; planilha de controle da unidade; registros de e-mail institucional. Achados: - Total de demandas: 240 - Dentro do prazo: 198 (82,5%) - Fora do prazo: 42 (17,5%), principais causas: ausência de informação da unidade demandada; redistribuição tardia; classificação incorreta. Riscos: aumento de reclamações; retrabalho; exposição institucional. Recomendações: padronizar triagem; definir ponto focal por unidade; alerta automático de vencimento; revisão semanal de pendências.Comunicação oral e relacionamento institucional
A comunicação oral no Judiciário deve ser alinhada à formalidade do ambiente e ao dever de urbanidade. Reuniões e atendimentos precisam produzir encaminhamentos claros e, quando pertinente, registro posterior (ata, e-mail de confirmação, despacho/nota).
Passo a passo: condução de reunião objetiva (15–30 minutos)
- 1) Preparação: pauta com objetivo, participantes necessários e materiais (dados, normas, status).
- 2) Abertura: confirmar objetivo e tempo disponível; validar pauta.
- 3) Exposição de fatos: separar fatos de opiniões; apresentar evidências.
- 4) Deliberação: listar opções e restrições (prazo, orçamento, norma).
- 5) Encaminhamentos: definir responsável, prazo e forma de retorno.
- 6) Registro: enviar resumo por e-mail/memorando com decisões e tarefas.
Protocolos de relacionamento (magistrados, servidores, terceirizados e público externo)
Com magistrados: comunicação respeitosa e objetiva; apresentar alternativas com riscos e prazos; evitar informalidade excessiva; registrar orientações administrativas relevantes em canal apropriado, respeitando competências e fluxos internos.
Com servidores: orientar com clareza; distribuir tarefas com critérios transparentes; dar feedback baseado em evidências; evitar exposição pública de falhas; estimular registro de demandas e prazos.
Com terceirizados: tratar com urbanidade e foco contratual; direcionar solicitações ao preposto/encarregado; registrar ocorrências e conformidade; evitar ordens diretas fora do escopo e sem ciência da fiscalização/gestão contratual; não solicitar “favores” ou benefícios.
Com público externo (advogados, partes, cidadãos): linguagem simples, sem jargões; isonomia no atendimento; não antecipar juízo de valor; não fornecer informação sigilosa; orientar canais oficiais e prazos; registrar atendimentos relevantes conforme norma.
Gestão de conflitos: prevenção e tratamento
Conflitos surgem por prioridades concorrentes, ambiguidade de responsabilidades, comunicação incompleta e percepção de injustiça. No Judiciário, o impacto é direto: atrasos, retrabalho, aumento de reclamações e risco de condutas inadequadas sob pressão.
Tipos comuns de conflito no ambiente administrativo
- Conflito de tarefa: divergência sobre o que fazer (prioridades, critérios).
- Conflito de processo: divergência sobre como fazer (fluxo, ferramentas, responsabilidades).
- Conflito relacional: desgaste pessoal, falta de respeito, comunicação agressiva.
Passo a passo: protocolo prático de resolução
- 1) Identificar o objeto: é tarefa, processo ou relação? Defina em uma frase.
- 2) Levantar fatos verificáveis: prazos, registros, normas, e-mails, dados do sistema.
- 3) Mapear interesses e restrições: o que cada parte precisa, o que não pode (norma, competência, sigilo).
- 4) Propor opções: pelo menos 2 alternativas com impactos (tempo, risco, custo).
- 5) Negociar critérios: priorização por urgência, risco institucional, atendimento ao público, dependências.
- 6) Formalizar acordo: registrar encaminhamentos, responsáveis e prazos.
- 7) Monitorar: check-in curto em data combinada; ajustar se houver impedimentos.
Exemplo: duas unidades disputam prioridade de atendimento de demandas. Em vez de “quem grita mais”, adota-se critério: (a) prazo legal/administrativo, (b) risco ao serviço essencial, (c) volume e impacto no público. O acordo é registrado e revisado semanalmente.
Condutas que agravam conflitos (evitar)
- Responder com ironia, elevar tom de voz, interromper ou expor colegas.
- Usar canais informais para pressionar (“mensagens” fora do expediente, recados por terceiros).
- Repassar culpa sem evidências ou sem oferecer solução.
- Tomar decisão sem envolver quem executa ou sem observar competência.
Cooperação entre unidades: alinhamento e continuidade do serviço
Cooperação é a capacidade de unidades diferentes atuarem como um sistema único, reduzindo dependências mal geridas. Ela se materializa em acordos de nível de serviço internos, pontos focais, rotinas de alinhamento e padrões de documentação.
Práticas simples que aumentam a cooperação
- Ponto focal por tema: cada unidade indica responsável por responder demandas específicas.
- Checklist de entrada: demanda só é aceita se vier com informações mínimas (referência, prazo, anexos).
- Quadro de pendências: lista compartilhada com status, responsável e data de retorno.
- Reunião rápida de alinhamento: 15 minutos semanais para destravar gargalos.
- Padronização de respostas: modelos de e-mail/memorando para reduzir variação e retrabalho.
Passo a passo: acordo interno de atendimento (SLA interno) em 5 etapas
- 1) Definir serviços: exemplos: resposta a ofícios, apoio a eventos, informações para relatórios.
- 2) Definir entradas mínimas: o que deve constar no pedido para ser processado.
- 3) Definir prazos por criticidade: urgente, alta, normal, baixa.
- 4) Definir canal e registro: e-mail institucional, sistema interno, protocolo.
- 5) Definir escalonamento: quando e como acionar chefias em caso de atraso/impedimento.
Modelo de critérios de prazo (exemplo) - Urgente: até 4h (risco imediato ao serviço essencial) - Alta: até 1 dia útil (prazo externo próximo) - Normal: até 3 dias úteis - Baixa: até 5 dias úteisCultura de integridade: ética aplicada ao cotidiano
Cultura de integridade é o conjunto de práticas e expectativas que orienta decisões corretas mesmo sob pressão. No Judiciário, integridade protege a imparcialidade, a confiança pública e a segurança das informações. Ela se expressa em atitudes diárias: como se atende, como se registra, como se usa recursos e como se lida com dados.
Diretrizes éticas essenciais e como aplicar
Imparcialidade e isonomia
- Conduta esperada: tratar demandas por critérios objetivos (ordem, urgência, prazo), sem favorecimento por relação pessoal, cargo, influência ou insistência.
- Risco de desvio: “furar fila” para conhecido; priorizar pedido sem justificativa; orientar informalmente uma parte em detrimento de outra.
- Prática recomendada: registrar critério de priorização e manter trilha de auditoria (protocolo, despacho, e-mail).
Confidencialidade e proteção de dados
- Conduta esperada: compartilhar informações apenas com quem tem necessidade de saber; usar canais institucionais; guardar documentos; bloquear tela; cuidado com impressões.
- Risco de desvio: comentar casos em locais públicos; enviar documento sensível para e-mail pessoal; anexar lista com dados pessoais em e-mail amplo.
- Passo a passo (antes de enviar informação): (1) classifique o nível de sensibilidade; (2) confirme destinatários; (3) minimize dados (envie só o necessário); (4) proteja anexos quando aplicável; (5) registre o envio conforme norma.
Uso adequado de recursos públicos
- Conduta esperada: utilizar equipamentos, sistemas, veículos, materiais e tempo de trabalho para fins institucionais; zelar por economicidade.
- Risco de desvio: impressão para fins pessoais; uso de veículo/telefone para assuntos particulares; contratação/compra direcionada; desperdício por falta de planejamento.
- Prática recomendada: justificar solicitações, planejar consumo, registrar retiradas e ocorrências, comunicar perdas/danos.
Urbanidade, respeito e assédio
- Conduta esperada: comunicação respeitosa, sem humilhação, ameaças, constrangimento ou discriminação; feedback em ambiente adequado.
- Risco de desvio: cobranças com exposição pública; piadas ofensivas; retaliação por discordância; pressão indevida por metas sem suporte.
- Prática recomendada: registrar orientações de trabalho de forma clara; buscar mediação da chefia/área competente quando necessário; preservar evidências em casos formais.
Brindes, favores e conflitos de interesse
- Conduta esperada: recusar vantagens indevidas; declarar impedimentos quando houver relação pessoal ou interesse; seguir normas internas sobre brindes/hospitalidades.
- Risco de desvio: aceitar presentes de fornecedor; “facilitar” trâmite em troca de benefício; atuar em processo/contrato com vínculo pessoal.
- Passo a passo (diante de possível conflito de interesse): (1) identifique o vínculo; (2) comunique a chefia; (3) registre a situação; (4) solicite redistribuição/impedimento conforme norma; (5) evite acesso a informações do caso.
Riscos de desvios e sinais de alerta no dia a dia
Alguns sinais indicam deterioração do clima e aumento de risco ético: aumento de retrabalho, mensagens agressivas, decisões sem registro, “atalhos” para cumprir prazo, concentração de informação em uma pessoa, resistência a controles e justificativas vagas para exceções.
Checklist prático de autocontrole (antes de agir)
- Legalidade e norma interna: há regra aplicável? estou dentro da minha competência?
- Imparcialidade: eu faria o mesmo para qualquer pessoa/unidade?
- Registro: isso precisa ficar documentado? qual é o canal correto?
- Confidencialidade: quem realmente precisa saber? há dado sensível?
- Transparência e auditoria: eu conseguiria explicar essa decisão com evidências?
Modelos rápidos de linguagem institucional (para reduzir ruído)
Modelos ajudam a manter padrão, reduzir interpretações e evitar desgaste.
Solicitação de informação com prazo
Solicito, por gentileza, o envio de [informação/documento], referente a [tema/referência], até [data/hora], para [finalidade]. Caso haja impedimento, informar até [data/hora] com justificativa e previsão de retorno.Resposta com negativa fundamentada
Em atenção à solicitação, informo que não é possível atender nos termos propostos em razão de [motivo objetivo: norma/competência/prazo/indisponibilidade]. Como alternativa, proponho [opção viável] até [prazo].Confirmação de encaminhamentos após reunião
Conforme alinhado na reunião de [data], ficam definidos os seguintes encaminhamentos: (1) [tarefa] – responsável: [nome/unidade] – prazo: [data]; (2) [tarefa] – responsável: [nome/unidade] – prazo: [data]. Permanecemos à disposição para ajustes, se necessário.