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Estudo Preparatório para Técnico Administrativo Penitenciário

Novo curso

12 páginas

Gestão de pessoas no contexto do Técnico Administrativo Penitenciário

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Gestão de pessoas no ambiente penitenciário: foco no papel administrativo

Gestão de pessoas é o conjunto de práticas para organizar, orientar e desenvolver o trabalho das pessoas, alinhando resultados (segurança, regularidade de rotinas, qualidade do atendimento interno) com bem-estar e desempenho. No contexto penitenciário, a gestão de pessoas ocorre sob pressão, com rotinas rígidas, comunicação intersetorial constante (segurança, saúde, assistência social, jurídico, administração) e necessidade de padronização de procedimentos. Mesmo quando não exerce chefia formal, o Técnico Administrativo Penitenciário influencia o funcionamento do setor ao organizar fluxos, registrar informações, orientar usuários internos e apoiar decisões com dados.

Quadro: conceitos e autores frequentemente cobrados

Motivação: Maslow (hierarquia de necessidades), Herzberg (dois fatores), McGregor (Teorias X e Y), Vroom (expectativa), Adams (equidade), Skinner (reforço).  Liderança: Lewin (estilos), Likert (sistemas), Hersey e Blanchard (situacional), Bass (transformacional/transacional).  Cultura e clima: Schein (níveis de cultura), Litwin e Stringer (clima), Denison (cultura e desempenho).  Comunicação: Shannon e Weaver (modelo), Berlo (SMCR), ruídos e feedback.  Conflitos: Thomas-Kilmann (estilos), Robbins (visões e fontes), Fisher e Ury (negociação).  Desempenho: Chiavenato (gestão de pessoas), Deming (PDCA), Locke (metas), feedback estruturado.

Motivação: como sustentar desempenho em rotinas rígidas

Motivação é o conjunto de forças internas e externas que direcionam o comportamento para um objetivo. Em unidades prisionais, fatores como turnos, urgências, pressão por conformidade e risco operacional podem reduzir a percepção de autonomia e reconhecimento, afetando a motivação.

Principais teorias (com aplicação prática)

  • Maslow (hierarquia de necessidades): necessidades básicas e de segurança tendem a ser mais salientes em ambientes de risco. Aplicação: garantir condições mínimas de trabalho (informação clara, equipamentos, previsibilidade de escala) antes de exigir engajamento em melhorias.

  • Herzberg (dois fatores): fatores higiênicos evitam insatisfação (condições, políticas, supervisão); motivadores geram satisfação (reconhecimento, realização). Aplicação: além de corrigir falhas de processo (higiênicos), criar rotinas de reconhecimento por entregas (motivadores), como elogio formal em registro interno por organização de mutirão de prontuários.

  • Vroom (expectativa): motivação depende de Expectativa (esforço→desempenho), Instrumentalidade (desempenho→recompensa) e Valência (valor da recompensa). Aplicação: deixar claro o que é “entrega bem-feita” (checklists), como será avaliada (indicadores) e qual retorno existe (prioridade em capacitações, rodízio de tarefas, reconhecimento).

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  • Adams (equidade): percepção de justiça comparativa. Aplicação: distribuir tarefas repetitivas (protocolo, digitalização, atendimento) com critérios transparentes para evitar sensação de “sempre sobra para o mesmo”.

  • Skinner (reforço): comportamentos reforçados tendem a se repetir. Aplicação: reforçar imediatamente condutas desejadas (registro correto, comunicação padronizada) com feedback objetivo.

Passo a passo prático: microações de motivação no setor administrativo

  1. Defina entregas observáveis: exemplo: “lançar movimentações no sistema até 16h”, “conferir 100% dos anexos do processo”.

  2. Padronize o “como fazer”: checklists e modelos de despacho/encaminhamento reduzem retrabalho e aumentam expectativa (Vroom).

  3. Crie ciclos curtos de feedback: 5 minutos no início do turno para alinhar prioridades e 5 minutos no fim para registrar pendências.

  4. Reconheça com base em evidência: “Você reduziu devoluções do jurídico de 6 para 1 nesta semana por conferir anexos”.

  5. Monitore justiça na distribuição: use quadro simples de rodízio (sem expor pessoas) para equilibrar tarefas desgastantes.

Liderança: influência e coordenação sob pressão

Liderança é a capacidade de influenciar pessoas para alcançar objetivos. No ambiente penitenciário, liderança eficaz combina firmeza procedimental (cumprimento de rotinas e normas) com comunicação clara e respeito, reduzindo ruídos entre setores.

Modelos cobrados e exemplos

  • Lewin (autocrática, democrática, laissez-faire): em situações críticas (ex.: falha de sistema com fila de atendimento), tende-se a usar direção mais firme (autocrática) para conter riscos; em melhorias de processo, abordagem participativa (democrática) aumenta adesão.

  • Hersey e Blanchard (liderança situacional): ajusta o estilo ao nível de maturidade da equipe (competência e comprometimento). Exemplo: servidor novo no protocolo (baixa competência) precisa de direção e acompanhamento; servidor experiente pode receber delegação com autonomia e metas.

  • Bass (transformacional vs. transacional): transacional foca em regras e recompensas; transformacional inspira propósito. Exemplo: transacional para garantir prazos e conformidade; transformacional para engajar na melhoria do fluxo de prontuários e reduzir riscos de informação incompleta.

Passo a passo prático: delegação segura (sem perder controle)

  1. Descreva a tarefa com padrão: o que, como, prazo, critério de qualidade (ex.: “conferir documentos X, Y, Z; se faltar, devolver com checklist marcado”).

  2. Defina pontos de controle: “me avise após 20 processos conferidos” ou “antes de enviar ao setor jurídico”.

  3. Garanta recursos: acesso ao sistema, modelos, autorização de consulta.

  4. Registre decisões: em ambiente penitenciário, rastreabilidade evita conflitos e responsabilização indevida.

  5. Feedback imediato e específico: corrigir desvios cedo reduz retrabalho e tensão intersetorial.

Trabalho em equipe: integração entre setores

Trabalho em equipe é a coordenação de esforços para objetivos comuns. Em unidades prisionais, equipes são interdependentes: um erro administrativo pode impactar segurança, atendimento de saúde, assistência e decisões judiciais.

Práticas que aumentam cooperação

  • Objetivo compartilhado: “reduzir devoluções de processos por falta de documento” (impacta jurídico e administração).

  • Regras de interface: quem envia, quem confere, quem aprova, prazos e canal oficial.

  • RACI simplificado: Responsável (executa), Aprovador (valida), Consultado (apoia), Informado (acompanha). Útil para evitar “ninguém fez” ou “todo mundo fez”.

Exemplo prático: fluxo intersetorial de atendimento interno

Solicitação chega ao protocolo → conferência de documentos → registro no sistema → encaminhamento ao setor competente (jurídico/assistência/saúde) → retorno com providência → arquivamento e comunicação ao solicitante interno. O Técnico Administrativo atua como “nó” do fluxo: padroniza, registra e reduz ruídos.

Clima e cultura organizacional: como identificar e agir

Cultura organizacional é o conjunto de valores, crenças e pressupostos compartilhados que orientam “como as coisas são feitas”. Clima organizacional é a percepção do ambiente de trabalho no momento (pode mudar mais rápido). Em penitenciárias, cultura tende a valorizar disciplina, previsibilidade e controle; o clima pode oscilar conforme incidentes, lotação e mudanças de gestão.

Quadro: Schein (níveis de cultura) aplicado

Artefatos (visível): rotinas rígidas, formulários, controles de acesso, linguagem formal.  Valores declarados: segurança, legalidade, padronização, respeito à hierarquia.  Pressupostos básicos (invisível): “erro gera risco”, “informação precisa ser rastreável”, “decisão deve ser documentada”.

Passo a passo prático: leitura rápida de clima no setor

  1. Observe indicadores indiretos: atrasos recorrentes, retrabalho, aumento de conflitos, absenteísmo.

  2. Mapeie pontos de atrito: onde o processo “trava” (ex.: devoluções do jurídico, falta de assinatura, falha de comunicação com segurança).

  3. Faça perguntas objetivas: “O que mais atrasa seu trabalho hoje?” “Qual informação chega incompleta?”

  4. Implemente ajuste pequeno e mensurável: checklist de anexos, modelo padrão de encaminhamento, janela de atendimento.

  5. Reavalie em 1–2 semanas: comparar devoluções, tempo de ciclo e número de pendências.

Comunicação: clareza, rastreabilidade e redução de ruídos

Comunicação é o processo de transmitir e compreender mensagens. Em ambiente penitenciário, ruídos (pressa, interrupções, múltiplos canais, hierarquia) podem gerar falhas com impacto operacional. A comunicação administrativa deve priorizar: objetividade, registro, canal oficial e confirmação (feedback).

Modelo básico (Shannon e Weaver) aplicado

Emissor (setor A) → mensagem (encaminhamento) → canal (sistema/e-mail/ofício) → receptor (setor B) → feedback (confirmação). Ruídos comuns: informação incompleta, anexos faltantes, termos ambíguos, envio por canal informal.

Passo a passo prático: técnica SBAR para comunicação rápida

SBAR (Situação, Background, Avaliação, Recomendação) é útil para padronizar mensagens entre setores.

  1. S (Situação): “Processo do interno X retornou do jurídico por falta do documento Y”.

  2. B (Contexto): “Prazo de envio é até amanhã 12h; documento está no setor Z”.

  3. A (Avaliação): “Sem o documento, haverá nova devolução e atraso no cumprimento do prazo”.

  4. R (Recomendação): “Solicito envio do documento Y até 16h; confirmem por resposta no sistema”.

Checklist de comunicação escrita (padrão concurso)

  • Assunto claro e objetivo.

  • Identificação do processo/parte interessada (quando aplicável) e referência.

  • Pedido/encaminhamento com prazo e responsável.

  • Critério de conclusão: o que significa “resolvido”.

  • Registro no canal oficial e anexos conferidos.

Gestão de conflitos: prevenção e mediação no cotidiano

Conflito é a divergência percebida de interesses, objetivos ou valores. No ambiente penitenciário, conflitos comuns envolvem: disputa por prioridade de atendimento, divergência sobre interpretação de procedimento, falhas de comunicação e sobrecarga. A gestão de conflitos busca reduzir impactos e restaurar cooperação, sem comprometer a segurança e a hierarquia funcional.

Thomas-Kilmann: estilos e quando usar

Competir (assertivo, pouco cooperativo): útil em urgência e risco, para garantir procedimento.  Colaborar (assertivo e cooperativo): ideal para resolver causa raiz entre setores.  Comprometer (meio-termo): quando há tempo limitado e interesses equilibrados.  Evitar (pouco assertivo e cooperativo): quando o tema é menor ou precisa de informação antes.  Acomodar (cooperativo, pouco assertivo): quando preservar relação é mais importante e o impacto é baixo.

Passo a passo prático: mediação administrativa em 6 etapas

  1. Separar pessoas do problema: focar no processo (“faltou anexo”) e não em acusações (“vocês sempre erram”).

  2. Definir o fato verificável: data, documento, protocolo, registro no sistema.

  3. Identificar interesses: setor jurídico quer completude; protocolo quer fluxo rápido; segurança quer previsibilidade.

  4. Gerar opções: checklist obrigatório, janela de conferência, devolução padronizada com marcação.

  5. Escolher solução e responsável: “a partir de hoje, protocolo confere X e Y; jurídico devolve com checklist marcado”.

  6. Registrar e acompanhar: registrar decisão e medir devoluções/tempo de ciclo.

Avaliação de desempenho: foco em evidências e melhoria

Avaliação de desempenho é a mensuração sistemática do trabalho para orientar decisões (desenvolvimento, capacitação, ajustes de processo). Em setores administrativos penitenciários, o ideal é usar critérios objetivos e rastreáveis, reduzindo subjetividade e conflitos.

O que costuma ser cobrado: critérios e armadilhas

  • Critérios: produtividade (volume), qualidade (erros/devoluções), prazo (tempo de ciclo), comportamento (cooperação, comunicação), conformidade (procedimentos).

  • Erros comuns: efeito halo (um traço contamina tudo), tendência central (avaliar todos “na média”), recência (valorizar só o último evento), severidade/leniência, comparação indevida.

Passo a passo prático: montar indicadores simples do setor

  1. Escolha 3–5 indicadores: devoluções por falta de anexo; tempo médio de tramitação; número de pendências por semana; retrabalho por erro de cadastro.

  2. Defina fórmula e fonte: sistema, planilha de controle, livro de protocolo.

  3. Estabeleça meta realista: reduzir devoluções em 30% em 30 dias.

  4. Crie rotina de acompanhamento: reunião semanal curta com dados.

  5. Use feedback orientado a comportamento: “Quando você confere anexos com checklist, a devolução cai; mantenha esse padrão”.

Quadro: PDCA (Deming) aplicado a retrabalho

Plan: identificar causa de devoluções (anexos faltantes).  Do: implementar checklist e modelo de encaminhamento.  Check: medir devoluções por semana.  Act: padronizar e treinar; ajustar checklist se necessário.

Capacitação e desenvolvimento: treinamento útil e aplicável

Capacitação é o processo de desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes para melhorar o desempenho. Em ambiente penitenciário, treinamentos eficazes são curtos, práticos, alinhados a procedimentos e com avaliação de aplicação no trabalho.

Passo a passo prático: ciclo de capacitação no setor

  1. Levantamento de necessidades: onde há mais erro/retrabalho? Ex.: cadastro incompleto, falhas de comunicação com jurídico.

  2. Objetivo comportamental: “ao final, o servidor preenche 100% dos campos obrigatórios e anexa documentos X e Y”.

  3. Conteúdo mínimo e procedimento: tutorial do sistema + checklist + exemplos de casos.

  4. Treino em serviço: simulação com 3 processos fictícios e correção imediata.

  5. Avaliação: antes/depois (taxa de erro, devoluções, tempo de ciclo).

  6. Padronização: atualizar manual interno e modelos.

Exercícios de associação (conceito ↔ aplicação)

Instrução: associe a Coluna A (conceito) à Coluna B (aplicação no ambiente penitenciário).

Coluna A  1) Herzberg (motivadores)  2) Adams (equidade)  3) Vroom (expectativa)  4) Schein (cultura)  5) Thomas-Kilmann (colaborar)  6) PDCA (Deming)  Coluna B  A) Ajustar distribuição de tarefas repetitivas com critérios transparentes para reduzir sensação de injustiça.  B) Registrar e padronizar um ciclo de melhoria para reduzir devoluções de processos.  C) Explicar claramente critérios de qualidade e retorno esperado para aumentar esforço e foco.  D) Identificar pressupostos invisíveis como “informação precisa ser rastreável” e alinhar procedimentos.  E) Reconhecer publicamente entregas de qualidade e dar autonomia em melhorias de fluxo.  F) Reunir setores para atacar causa raiz de falhas de encaminhamento, gerando solução conjunta.

Estudos de caso curtos (comunicação e mediação)

Caso 1: devolução recorrente do jurídico

O setor jurídico devolve processos alegando “documentação incompleta”. O protocolo afirma que “sempre manda tudo”. A tensão aumenta e o prazo está próximo.

  • Tarefa: indique uma técnica de comunicação e uma ação de mediação adequadas.

  • Pistas: use SBAR para mensagem objetiva; aplique mediação em 6 etapas com foco em fato verificável; proponha checklist de anexos e devolução padronizada com marcação.

Caso 2: conflito por prioridade de atendimento

Dois setores solicitam prioridade simultânea: saúde pede urgência para atualização de dados; segurança solicita emissão imediata de listagem para rotina operacional. O servidor do administrativo se sente pressionado e recebe cobranças por canais informais.

  • Tarefa: escolha o estilo de Thomas-Kilmann mais adequado no momento e justifique.

  • Pistas: em urgência e risco, pode ser necessário “competir” (decisão rápida baseada em critério); em seguida, “colaborar” para definir regra de priorização e canal oficial.

Caso 3: ruído de comunicação em troca de turno

Na troca de turno, pendências não são registradas. No dia seguinte, um encaminhamento não é feito e gera retrabalho com outros setores.

  • Tarefa: proponha um procedimento simples para reduzir ruído e garantir rastreabilidade.

  • Pistas: checklist de passagem de serviço, registro no sistema, quadro de pendências com responsável e prazo, confirmação (feedback) do recebimento.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao delegar uma tarefa no setor administrativo penitenciário, qual ação é mais adequada para garantir rastreabilidade e evitar conflitos e responsabilização indevida?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A delegação segura exige padrão, pontos de controle e registro das decisões. Em ambiente penitenciário, a rastreabilidade reduz ruídos, evita retrabalho e diminui conflitos e responsabilização indevida.

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