O que é um funil de aquisição e retenção em hospedagem
Em hotelaria, o funil de aquisição e retenção é uma forma prática de organizar toda a jornada do hóspede, desde o primeiro contato com a marca (quando ele ainda está “só pesquisando”) até a recompra e a indicação. A utilidade do funil é transformar um processo que parece subjetivo (decisão de viagem, comparação de opções, dúvidas, medo de errar) em etapas mensuráveis, com ações e métricas específicas para cada uma. Diferente de um varejo comum, a hospedagem tem particularidades: compra de alto envolvimento (viagem tem expectativa emocional), disponibilidade por data (inventário perecível), forte influência de avaliações e fotos, e grande impacto de eventos locais, sazonalidade e motivo da viagem (lazer, trabalho, família, casal, grupos).
Quando você desenha um funil, você responde perguntas como: de onde vêm os visitantes do site? O que faz alguém pedir orçamento? Por que alguns abandonam a reserva? O que aumenta a chance de o hóspede voltar? Quais mensagens e ofertas fazem sentido antes, durante e depois da estadia? O funil de aquisição cuida da entrada (atrair, engajar e converter). O funil de retenção cuida do pós-venda (encantar, manter relacionamento, estimular nova reserva e indicação). Em hospedagem, os dois funis se conectam: uma boa experiência e um bom pós-estadia reduzem o custo de aquisição futuro, porque o hóspede volta direto e recomenda.
Etapas do funil: da descoberta à fidelização
Topo do funil (Descoberta): quando o hóspede ainda não decidiu
No topo, o potencial hóspede está explorando destinos, datas, estilos de hospedagem e orçamento. Ele pode estar buscando “pousada romântica com banheira”, “hotel perto do centro”, “hospedagem pet friendly”, “hotel com estacionamento”, “pousada com café da manhã artesanal”, ou ainda pesquisando o destino (“o que fazer em…”, “melhor época para visitar…”). O objetivo aqui não é “vender agora”, e sim ser encontrado e gerar uma primeira impressão forte: clareza do posicionamento, fotos que representem a experiência, e informações que reduzam dúvidas iniciais.
- O que funciona bem no topo: conteúdo útil sobre o destino, páginas bem estruturadas para diferentes perfis (casal, família, corporativo), fotos reais e consistentes, e mensagens simples sobre diferenciais.
- Principais barreiras: falta de confiança, excesso de opções, informações incompletas (localização, políticas, o que está incluso), e fotos que não ajudam a imaginar a experiência.
Meio do funil (Consideração): quando ele compara e busca segurança
No meio, o hóspede já tem intenção mais clara e começa a comparar alternativas. Ele avalia custo-benefício, localização, comodidades, políticas (cancelamento, pet, crianças), reputação (avaliações), e detalhes do quarto. Aqui, a comunicação precisa reduzir risco e aumentar confiança. É comum o hóspede alternar entre site, redes sociais, mapas, avaliações e mensagens diretas (WhatsApp, formulário, telefone). O objetivo é transformar interesse em ação: iniciar reserva, pedir orçamento, ou ao menos deixar um contato para acompanhamento.
- O que funciona bem no meio: páginas de quartos com detalhes objetivos, perguntas frequentes, prova social (avaliações e depoimentos), comparativos internos (ex.: diferença entre categorias), e respostas rápidas em canais de atendimento.
- Principais barreiras: dúvidas não respondidas, medo de taxas escondidas, insegurança sobre a região, e demora no atendimento.
Fundo do funil (Conversão): quando ele está pronto para reservar
No fundo, o hóspede quer finalizar. Pequenos atritos derrubam conversões: motor de reservas confuso, falta de opções de pagamento, políticas pouco claras, instabilidade no site, ou diferença de preço percebida entre canais. O objetivo é facilitar a decisão e a finalização: transparência, simplicidade e reforço de confiança.
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- O que funciona bem no fundo: processo de reserva curto, preço e condições claras, selos de segurança, confirmação imediata, e mensagens que reforcem o que está incluso.
- Principais barreiras: abandono por fricção (muitos passos), surpresa com políticas, e falta de suporte no momento da compra.
Pós-venda e retenção (Experiência, relacionamento e recompra)
Retenção em hospedagem não é apenas “programa de pontos”. É um conjunto de ações para aumentar a probabilidade de o hóspede voltar e indicar. A retenção começa antes do check-in (pré-estadia), continua durante a estadia (experiência e atendimento) e se estende depois (pós-estadia). O objetivo é reduzir arrependimento, aumentar satisfação, gerar avaliações e manter um relacionamento útil, sem ser invasivo.
- O que funciona bem na retenção: comunicação pré-chegada com orientações e upsell útil, atendimento proativo, personalização simples (preferências), pedido de avaliação no timing correto, e ofertas de retorno alinhadas ao perfil.
- Principais barreiras: comunicação genérica, falta de continuidade, e contato apenas para “vender” sem entregar valor.
Como mapear o funil na prática para um hotel ou pousada
Mapear o funil significa desenhar quais são as etapas reais do seu negócio e quais ações e métricas você vai acompanhar em cada uma. Em hospedagem, um funil simples e eficiente pode ser: Descoberta → Visita ao site/perfil → Clique em “Reservar” ou “Falar no WhatsApp” → Início da reserva → Reserva confirmada → Pré-check-in → Estadia → Pós-estadia (avaliação) → Recompra/Indicação. A seguir, um passo a passo para construir esse mapa e transformá-lo em rotina de marketing e operação.
Passo 1: Defina segmentos de hóspedes e objetivos por segmento
Antes de medir qualquer coisa, defina 3 a 5 segmentos principais que representem a maior parte da receita. Exemplos comuns: casal de fim de semana, família em férias, corporativo durante a semana, viajante solo, grupos e eventos. Para cada segmento, defina um objetivo claro (ex.: aumentar reservas diretas de casais em baixa temporada; aumentar ocupação de segunda a quinta com corporativo; aumentar ticket médio com upsell de experiências).
- Exemplo prático: “Casais” → objetivo: aumentar reservas diretas em 15% nos próximos 90 dias; “Corporativo” → objetivo: reduzir sazonalidade e elevar ocupação de terça a quinta.
Passo 2: Liste os pontos de contato reais (canais e momentos)
Faça uma lista de onde o hóspede encontra sua marca e onde ele toma decisões. Inclua canais de descoberta (busca, mapas, redes sociais), canais de consideração (site, avaliações, mensagens), e canais de conversão (motor de reservas, atendimento). Inclua também os pontos de contato de retenção: e-mails ou mensagens pré-chegada, comunicação durante a estadia, e pós-estadia.
- Checklist de pontos de contato: perfil em mapas, site, página de quartos, página de políticas, página de experiências, botão de WhatsApp, motor de reservas, confirmação de reserva, mensagem pré-check-in, recepção/atendimento, mensagem pós-checkout, pedido de avaliação, oferta de retorno.
Passo 3: Defina eventos e métricas por etapa
Para o funil funcionar, cada etapa precisa de um “evento” que indique progresso. Em vez de olhar apenas “ocupação” e “seguidores”, você acompanha taxas de passagem entre etapas. Isso mostra onde está o gargalo: pouca gente chega, muita gente chega mas não pede orçamento, muita gente inicia reserva mas abandona, ou muitos se hospedam mas poucos voltam.
- Topo: impressões/alcance, visitas ao site, cliques em rotas/ligação, crescimento de tráfego qualificado.
- Meio: cliques em “reservar”, cliques no WhatsApp, formulários enviados, tempo de resposta, taxa de retorno ao site.
- Fundo: início de reserva, taxa de conversão do motor, abandono, reservas confirmadas, custo por reserva (quando aplicável).
- Retenção: taxa de avaliação, nota média, taxa de recompra em 6–12 meses, participação de reservas diretas recorrentes, taxa de indicação (ex.: uso de código/benefício).
Passo 4: Identifique gargalos e crie hipóteses de melhoria
Com o mapa e as métricas, você escolhe 1 a 3 gargalos prioritários. Um gargalo típico em hospedagem é “muitos cliques no WhatsApp, poucas reservas”, o que pode indicar demora no atendimento, falta de script, ou ausência de proposta clara. Outro gargalo comum é “muita visita na página do quarto, pouco clique em reservar”, sugerindo fotos insuficientes, preço sem contexto, ou políticas confusas.
- Exemplo de hipótese: “Se reduzirmos o tempo de resposta no WhatsApp para menos de 5 minutos e usarmos um roteiro com 3 perguntas de qualificação, aumentaremos a taxa de conversão de conversas em reservas.”
- Exemplo de hipótese: “Se adicionarmos uma seção ‘O que está incluso’ e ‘Para quem este quarto é ideal’ na página do quarto, aumentaremos o clique em reservar.”
Passo 5: Transforme o funil em rotina semanal
Funil não é um desenho bonito; é um painel de decisões. Crie uma rotina simples: uma vez por semana, revise as métricas principais, escolha um gargalo e rode um teste. Uma vez por mês, revise resultados por segmento e por período (semana vs. fim de semana; alta vs. baixa). Isso evita decisões baseadas apenas em sensação.
- Rotina sugerida: segunda-feira revisar números da semana anterior; terça implementar ajustes (página, mensagens, ofertas); sexta revisar conversões e qualidade do atendimento; mensalmente revisar retenção (avaliações, recompra, base de contatos).
Táticas de aquisição por etapa (com exemplos aplicados)
Topo do funil: aumentar descoberta com intenção certa
No topo, a meta é atrair pessoas com intenção compatível com o seu posicionamento. Em vez de “atrair todo mundo”, foque em atrair quem valoriza seus diferenciais. Se você é uma pousada intimista, o topo deve falar com casais e experiências; se você é um hotel funcional, o topo deve falar com praticidade, localização e serviços.
- Exemplo de ação: criar páginas e conteúdos por intenção, como “pousada com banheira e lareira”, “hotel perto do centro com estacionamento”, “hospedagem pet friendly com área verde”.
- Exemplo de ação: melhorar fotos e legendas para mostrar a experiência (café da manhã, vista, áreas comuns, detalhes do quarto) e reduzir dúvidas.
- Exemplo de ação: destacar diferenciais em linguagem objetiva: “check-in 24h”, “café incluso”, “estacionamento”, “aceita pets”, “a 5 min a pé do ponto X”.
Meio do funil: transformar interesse em conversa qualificada
No meio, você precisa de dois elementos: informação e velocidade. Informação para reduzir risco (políticas, o que está incluso, como chegar, estacionamento, acessibilidade). Velocidade para não perder o timing (muitas reservas são decididas em poucas horas). Aqui, um bom atendimento é parte do marketing.
- Exemplo de ação: criar uma seção de perguntas frequentes com foco em objeções reais: cancelamento, horários, crianças, pets, barulho, distância de pontos turísticos, formas de pagamento.
- Exemplo de ação: padronizar um roteiro de atendimento no WhatsApp para qualificar e avançar: datas, número de pessoas, motivo da viagem, preferência de quarto, e então enviar 2 opções com link direto para reservar.
- Exemplo de ação: usar prova social no momento certo: após responder a dúvida, enviar 1 depoimento curto relacionado (“casais”, “famílias”, “corporativo”) e uma foto real do quarto sugerido.
Fundo do funil: reduzir fricção e aumentar taxa de reserva direta
No fundo, o foco é remover obstáculos. Em hospedagem, isso inclui clareza de tarifas e condições, confiança no pagamento e facilidade para comparar categorias. Também inclui consistência: o que foi prometido no atendimento precisa bater com o que aparece no motor de reservas.
- Exemplo de ação: reduzir passos do motor de reservas e garantir que o botão “Reservar” esteja visível e repetido em páginas-chave (quartos, tarifas, experiências).
- Exemplo de ação: criar “pacotes” simples para perfis específicos (ex.: romântico com late check-out; corporativo com café antecipado) e apresentar como opção no momento da reserva.
- Exemplo de ação: deixar políticas em linguagem simples e com resumo: “Cancelamento grátis até X”, “Sem taxas escondidas”, “O que está incluso”.
Funil de retenção: como aumentar retorno, avaliações e indicação
Pré-estadia: reduzir ansiedade e preparar upsell útil
Depois da reserva, o hóspede pode sentir insegurança: “Será que escolhi certo?”, “Como chegar?”, “O que fazer por perto?”, “Como funciona o check-in?”. Uma comunicação pré-estadia bem feita reduz cancelamentos, aumenta satisfação e abre espaço para upsell que realmente melhora a experiência.
- Passo a passo prático de pré-estadia (mensagens): 1) confirmação com resumo da reserva e políticas; 2) mensagem 3 a 7 dias antes com como chegar, estacionamento, horários e dicas do destino; 3) mensagem 24 a 48 horas antes com check-in, previsão do tempo e oferta de adicionais (ex.: decoração, transfer, early check-in se disponível).
- Exemplo de upsell útil: “Se vocês chegam cedo, temos early check-in mediante disponibilidade” ou “Para comemoração, temos kit romântico”.
Durante a estadia: micro-momentos que aumentam satisfação
Retenção depende de experiência. Mas, do ponto de vista do funil, você pode planejar “micro-momentos” que aumentam a percepção de valor: acolhimento, clareza de informações, resolução rápida de problemas e pequenas personalizações. O objetivo é reduzir atritos e criar lembranças positivas que o hóspede vai citar em avaliações.
- Passo a passo prático (rotina): 1) check-in com orientação rápida e mapa do entorno; 2) mensagem curta após a primeira noite perguntando se está tudo certo; 3) oferta contextual (ex.: indicar restaurante, passeio, horário do café); 4) resolução rápida de qualquer problema com registro interno.
- Exemplo prático: para corporativo, oferecer informação de Wi-Fi e silêncio; para famílias, indicar áreas seguras e horários; para casais, sugerir experiências e horários menos cheios.
Pós-estadia: avaliação, relacionamento e retorno
Depois do checkout, você tem uma janela curta para pedir avaliação e manter relacionamento. O pedido precisa ser fácil, direto e no timing certo. Em seguida, você pode criar um ciclo de retorno com ofertas e conteúdos úteis, segmentados por perfil e época do ano. O objetivo é transformar uma estadia em um relacionamento contínuo, sem depender sempre de mídia paga.
- Passo a passo prático de pós-estadia: 1) mensagem de agradecimento no mesmo dia; 2) pedido de avaliação 24 a 72 horas depois com link direto e texto curto; 3) se houver feedback negativo, responder e resolver em particular; 4) após 30 a 60 dias, enviar conteúdo útil do destino e uma oferta de retorno com validade.
- Exemplo de oferta de retorno: “Volte em baixa temporada e ganhe upgrade mediante disponibilidade” ou “10% off para reservas diretas em datas selecionadas”.
- Exemplo de indicação: criar um benefício simples: “Indique um amigo e ambos ganham um mimo no check-in” (controle por código ou registro no atendimento).
Modelos práticos: funis prontos para três cenários comuns
Funil 1: Pousada para casais (fim de semana)
Este cenário costuma ter alta competição e decisão emocional. O funil precisa vender experiência e reduzir risco com fotos, detalhes e prova social.
- Topo: conteúdo e páginas para intenções como “romântico”, “banheira”, “vista”, “privacidade”.
- Meio: página “comemorações” com opções (decoração, espumante, jantar), perguntas frequentes e depoimentos de casais.
- Fundo: pacote de fim de semana com condições claras e link direto para reservar.
- Retenção: pós-estadia com pedido de avaliação e convite para retornar em aniversário/feriado com benefício.
Funil 2: Hotel corporativo (segunda a quinta)
O corporativo valoriza previsibilidade, rapidez e localização. O funil deve destacar praticidade e reduzir tempo de decisão.
- Topo: páginas “perto de empresas/centro”, “estacionamento”, “check-in rápido”, “nota fiscal”, “Wi-Fi”.
- Meio: atendimento com resposta objetiva e proposta em 2 opções (tarifa flexível e não reembolsável).
- Fundo: reserva simplificada e condições claras de cancelamento.
- Retenção: cadastro de preferências, oferta de tarifa recorrente e comunicação com antecedência para semanas de alta demanda.
Funil 3: Pousada familiar (férias e feriados)
Famílias buscam segurança, conforto e clareza sobre regras e estrutura. O funil precisa responder dúvidas e mostrar adequação para crianças.
- Topo: páginas “família”, “quarto para 4”, “cozinha/estrutura”, “área de lazer”, “segurança”.
- Meio: FAQ sobre berço, alimentação, horários, regras, e fotos de áreas comuns.
- Fundo: pacotes por número de noites e política transparente.
- Retenção: pós-estadia com convite para retorno em férias futuras e incentivo a avaliação destacando pontos importantes (limpeza, conforto, atendimento).
Scripts e checklists para acelerar conversão e retenção
Roteiro de qualificação no WhatsApp (meio do funil)
Um roteiro reduz improviso e aumenta conversão. A ideia é fazer poucas perguntas, entender o perfil e oferecer a melhor opção com link direto para reservar.
1) Para quais datas você está buscando e quantas pessoas serão? 2) A viagem é a lazer, trabalho ou comemoração? 3) Vocês têm alguma preferência (banheira, vista, pet, estacionamento, silêncio)? 4) Com base nisso, tenho duas opções: [Opção A] e [Opção B]. Aqui está o link direto para reservar com as condições: [link]. Se preferir, posso confirmar disponibilidade agora.Checklist de página de quarto (meio para fundo do funil)
Uma página de quarto bem feita é um vendedor 24 horas. Ela precisa responder dúvidas sem o hóspede ter que perguntar.
- Fotos: quarto, banheiro, detalhes, vista (se relevante), e escala (ex.: cama e circulação).
- Descrição objetiva: tamanho aproximado, tipo de cama, capacidade, itens inclusos.
- Para quem é ideal: casal, família, corporativo, acessibilidade (se aplicável).
- O que está incluso: café, estacionamento, Wi-Fi, limpeza, amenities.
- Políticas resumidas: cancelamento, horários, pets, crianças.
- CTA visível: botão “Reservar” e alternativa “Tirar dúvida no WhatsApp”.
Checklist de retenção (pós-estadia)
Retenção melhora quando você padroniza o básico e segmenta o contato. O objetivo é manter a marca presente com utilidade.
- Registrar preferências: quarto favorito, motivo da viagem, restrições, datas típicas.
- Pedir avaliação com link direto e texto curto.
- Responder avaliações (positivas e negativas) com padrão de qualidade.
- Criar calendário de relacionamento: feriados, baixa temporada, eventos locais.
- Ofertas segmentadas: casais (datas românticas), corporativo (tarifa recorrente), famílias (férias).