Finanças empresariais do zero: o que controlar no dinheiro da empresa

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Por que controlar o dinheiro da empresa (e quais decisões isso sustenta)

Controle financeiro empresarial é o conjunto de rotinas e registros que permitem saber, com precisão, quanto entrou, quanto saiu, o que está para vencer e qual é a capacidade real de pagar, investir e crescer. Na prática, ele transforma “sensação” em números verificáveis para tomar decisões sem colocar o caixa em risco.

As decisões mais comuns que o controle financeiro sustenta no dia a dia são:

  • Pagar contas sem sustos: entender o que vence, o que já está comprometido e o que pode ser adiado sem multas.
  • Precificar com segurança: saber se a venda paga custos, despesas e ainda sobra margem para manter a operação.
  • Investir: decidir quando comprar equipamentos, aumentar estoque, fazer marketing ou melhorar processos sem estrangular o caixa.
  • Contratar: avaliar se a empresa aguenta um custo fixo adicional (salário, encargos, benefícios) por meses.
  • Crescer: planejar expansão com base em capacidade de caixa e previsibilidade, não apenas no aumento de vendas.

O objetivo do controle financeiro: sobrevivência primeiro, crescimento depois

Uma empresa iniciante normalmente quebra por um motivo simples: falta de caixa no momento errado. Às vezes o negócio até vende, mas paga fornecedores antes de receber dos clientes, ou assume despesas fixas sem ter previsibilidade de entrada.

O controle financeiro existe para garantir três coisas essenciais:

  • Liquidez: ter dinheiro disponível para honrar compromissos no vencimento.
  • Rentabilidade mínima: saber se as vendas estão deixando sobra depois de todos os gastos relevantes.
  • Previsibilidade: enxergar o futuro próximo (semanas e meses) para agir antes do problema acontecer.

Sem essas três bases, decisões como “dar desconto”, “parcelar para vender mais”, “comprar mais estoque” ou “contratar” viram apostas.

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

O que uma empresa iniciante precisa acompanhar (informações mínimas)

Você não precisa de relatórios complexos no começo. Precisa do mínimo bem feito, atualizado e confiável. Estas são as informações essenciais:

1) Saldo de caixa e bancos (o que existe hoje)

É o dinheiro disponível agora, somando caixa, conta corrente e saldo de plataformas de recebimento (quando aplicável). Esse número precisa bater com a realidade.

2) Contas a pagar (o que vai sair e quando)

Lista de compromissos com valor, data de vencimento, fornecedor e categoria. Inclua despesas fixas (aluguel, internet) e variáveis (insumos, fretes), além de impostos e taxas.

3) Contas a receber (o que vai entrar e quando)

Vendas feitas nem sempre são dinheiro no caixa. Registre valor, data prevista de recebimento, cliente, forma de pagamento e status (a receber, recebido, atrasado).

4) Registro de entradas e saídas (o que aconteceu de fato)

É o histórico real do dinheiro: tudo que entrou e saiu, com data e categoria. Ele alimenta análises simples como “para onde está indo o dinheiro” e “o que mais pesa no mês”.

5) Categorias financeiras (para entender o motivo do dinheiro entrar/sair)

Sem categorias, você só tem uma lista de transações. Com categorias, você enxerga padrões e decide melhor. Exemplo de categorias iniciais:

  • Receitas: vendas à vista, vendas no cartão, serviços, outras receitas.
  • Custos (ligados à entrega do produto/serviço): matéria-prima, mercadorias, frete de compra, comissões, embalagens.
  • Despesas operacionais: aluguel, internet, energia, marketing, softwares, contabilidade, manutenção.
  • Pessoas: pró-labore, salários, encargos, benefícios, freelancers.
  • Financeiro: tarifas bancárias, juros, antecipação de recebíveis.
  • Impostos: guias e tributos recorrentes.

6) Calendário de obrigações (para não pagar multa e não travar operação)

Uma empresa iniciante precisa de um calendário simples com vencimentos recorrentes: aluguel, folha, impostos, fornecedores estratégicos, parcelas de empréstimos, renovações de contratos e licenças.

Como essas informações se conectam à sobrevivência do negócio

O ponto central é a diferença entre lucro e caixa. Você pode “estar vendendo bem” e mesmo assim ficar sem dinheiro para pagar contas se:

  • recebe em 30 dias e paga fornecedores em 7 dias;
  • parcela vendas sem controlar o fluxo de recebimento;
  • tem despesas fixas altas e meses com vendas oscilando;
  • antecipa recebíveis e paga juros sem perceber o impacto.

Quando você acompanha saldo atual + contas a pagar + contas a receber, você enxerga o que realmente importa: se o caixa vai aguentar os próximos vencimentos. Esse é o “painel de sobrevivência”.

Panorama prático do que será implementado ao longo do curso

O controle financeiro que funciona é rotina. A seguir está o panorama do sistema que você vai construir: registro diário, categorização, conciliação, metas e calendário de obrigações.

1) Registro diário (rotina de 10 minutos)

Objetivo: não deixar transações acumularem e perderem contexto.

O que registrar todos os dias úteis:

  • toda entrada (venda recebida, transferência, recebimento de cliente);
  • toda saída (pagamento, compra, taxa, reembolso);
  • compromissos novos (contas a pagar/receber geradas no dia).

Passo a passo prático:

  1. Separe 10 minutos no mesmo horário (ex.: fim do expediente).
  2. Abra extrato do banco/caixa e a lista de vendas do dia.
  3. Registre cada movimentação com: data, descrição, valor, categoria, forma de pagamento e observação curta.
  4. Se uma venda foi feita mas não recebida, registre em contas a receber com data prevista.
  5. Se uma despesa foi contratada mas não paga, registre em contas a pagar com vencimento.

Exemplo: venda de R$ 300 no cartão em 3x não é “R$ 300 no caixa hoje”. Você registra: (a) a venda como contas a receber parcelada com datas previstas; (b) quando cair cada parcela, registra a entrada real, descontadas taxas, na categoria correta.

2) Categorização (para transformar lista em informação)

Objetivo: entender o que está puxando o caixa e o que gera resultado.

Regras simples para não se perder:

  • Use poucas categorias no início (10 a 20 no máximo) e só crie novas quando houver repetição.
  • Defina uma categoria “Outros” temporária, mas revise semanalmente para não virar “lixeira”.
  • Padronize nomes (ex.: “Marketing - anúncios” e “Marketing - design”).

Passo a passo prático:

  1. Liste as 10 principais saídas do último mês (ou estimadas se estiver começando).
  2. Crie categorias que descrevam essas saídas.
  3. Para cada novo lançamento, escolha a categoria antes de salvar.
  4. Revise semanalmente lançamentos em “Outros” e recategorize.

3) Conciliação (garantir que o controle bate com a realidade)

Objetivo: confiar nos números. Se não bate com banco/caixa, o controle vira ficção.

O que conciliar:

  • saldo do controle x saldo do banco;
  • entradas/saídas lançadas x extrato;
  • taxas e descontos (cartão, marketplace, antecipação);
  • transferências entre contas (para não duplicar).

Passo a passo prático (semanal):

  1. Baixe/abra o extrato do período.
  2. Marque no controle cada transação encontrada no extrato.
  3. Identifique o que está no extrato e não está no controle (ex.: tarifa bancária).
  4. Identifique o que está no controle e não está no extrato (ex.: pagamento agendado ainda não debitado).
  5. Ajuste e finalize com o saldo batendo.

4) Metas financeiras (para orientar decisões do mês)

Objetivo: sair do modo “apagar incêndio” e passar a operar com alvo.

Metas iniciais recomendadas para empresa iniciante:

  • Meta de caixa mínimo: manter um valor mínimo para cobrir X dias de operação.
  • Meta de recebimento: quanto precisa entrar por semana/mês para cobrir despesas e compromissos.
  • Meta de gastos por categoria: teto para despesas controláveis (ex.: marketing, entregas, assinaturas).

Passo a passo prático:

  1. Some seus compromissos fixos do mês (o que não dá para evitar).
  2. Estime custos variáveis médios (o que cresce com vendas).
  3. Defina um caixa mínimo (ex.: 15 a 30 dias de despesas essenciais, conforme realidade).
  4. Transforme isso em meta de entrada: quanto precisa receber por semana para não cair abaixo do mínimo.

5) Calendário de obrigações (vencimentos e rotinas)

Objetivo: evitar multas, juros, interrupções de serviço e decisões de última hora.

O que colocar no calendário:

  • vencimentos fixos: aluguel, internet, energia, softwares;
  • impostos e guias recorrentes;
  • folha/pró-labore e encargos;
  • parcelas de empréstimos e financiamentos;
  • renovações: domínio, licenças, seguros, contratos;
  • rotinas internas: dia da conciliação semanal, dia do fechamento mensal.

Passo a passo prático:

  1. Liste todas as contas recorrentes e seus vencimentos.
  2. Defina um “dia de checagem” semanal para olhar os próximos 7 e 30 dias.
  3. Programe lembretes com antecedência (ex.: 3 dias antes).
  4. Conecte o calendário ao contas a pagar: toda obrigação do calendário deve existir como lançamento futuro.

Modelo simples de controle (estrutura mínima para começar hoje)

Uma estrutura mínima pode ser organizada em quatro blocos: movimentações, contas a pagar, contas a receber e resumo. Exemplo de campos:

BlocoCampos essenciaisFrequência
Movimentações (realizado)Data, Descrição, Valor, Entrada/Saída, Categoria, Conta (banco/caixa), ObservaçãoDiária
Contas a pagarVencimento, Fornecedor, Valor, Categoria, Status (aberto/pago), Forma de pagamentoDiária + revisão semanal
Contas a receberData prevista, Cliente, Valor, Forma de recebimento, Status (a receber/recebido/atrasado), TaxasDiária + revisão semanal
ResumoSaldo atual, Total a pagar (7/30 dias), Total a receber (7/30 dias), Caixa projetadoSemanal

Como calcular um “caixa projetado” simples

Para ter previsibilidade sem complicar, use uma conta direta:

Caixa projetado (30 dias) = Saldo atual + (Total a receber em 30 dias) - (Total a pagar em 30 dias)

Se o resultado ficar negativo ou muito perto de zero, você precisa agir antes: renegociar prazos, cobrar recebíveis, reduzir despesas, ajustar preço, rever condições de pagamento ou pausar investimentos.

Erros comuns que quebram o controle (e como evitar)

  • Registrar só quando sobra tempo: vira acúmulo e esquecimento. Solução: rotina diária curta.
  • Misturar finanças pessoais com a empresa: distorce resultado e caixa. Solução: registrar retiradas como categoria específica e separar contas sempre que possível.
  • Ignorar taxas e descontos: cartão, antecipação e tarifas corroem margem. Solução: lançar taxas na categoria “Financeiro” e conciliar semanalmente.
  • Olhar apenas vendas: venda não é recebimento. Solução: controlar contas a receber com datas.
  • Não ter calendário: paga atrasado, perde credibilidade e dinheiro. Solução: obrigações recorrentes no calendário + contas a pagar.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao montar um “painel de sobrevivência” para avaliar se o caixa vai aguentar os próximos vencimentos, quais informações devem ser acompanhadas em conjunto?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O “painel de sobrevivência” depende de enxergar o que há hoje e o que vai sair e entrar nos próximos dias. Ao combinar saldo atual com contas a pagar e a receber (com datas), é possível antecipar falta de caixa antes do vencimento.

Próximo capitúlo

Finanças empresariais versus finanças pessoais: separação total do dinheiro

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Finanças Empresariais do Zero: Como Entender e Organizar o Dinheiro da Empresa
7%

Finanças Empresariais do Zero: Como Entender e Organizar o Dinheiro da Empresa

Novo curso

14 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.