Visão geral das ferragens e sua função no conjunto
Ferragens são os componentes que transformam a estrutura do portão/grade em um sistema funcional: sustentam o peso (dobradiças/roldanas), guiam o movimento (guias/trilhos), travam com segurança (fechaduras/trincos) e definem o fim de curso e o encosto correto (batentes/limitadores). A escolha e instalação corretas evitam “queda” do portão, arrasto no piso, travamentos, ruídos e desgaste prematuro.
Dobradiças para portões e grades de abrir
Tipos principais e quando usar
- Dobradiça simples (pino e caneca/olhal): solução econômica e robusta para folhas leves a médias. Exige boa solda e alinhamento; tende a ter mais atrito e desgaste ao longo do tempo.
- Dobradiça com rolamento: indicada para folhas médias a pesadas, uso frequente e quando se busca movimento mais suave e menor esforço. Reduz desgaste e “mastigamento” do pino.
- Dobradiça regulável (com ajuste): recomendada quando se quer capacidade de correção fina após a instalação (pequenos ajustes de altura/afastamento), ou em locais sujeitos a acomodação. Útil também quando a folha precisa ser removida com facilidade para manutenção.
Como dimensionar dobradiças pelo peso do portão
O dimensionamento prático considera: peso da folha, largura (braço de alavanca), frequência de uso e tipo de apoio (pilar metálico, alvenaria com chumbadores, etc.). Em termos simples, quanto maior o peso e a largura, maior o esforço sobre a dobradiça superior e maior a tendência de “ceder” com o tempo.
Regras práticas de oficina (sem fórmulas complexas):
- Até ~60 kg por folha: 2 dobradiças simples ou 2 com rolamento (preferível se uso intenso).
- ~60 a 120 kg por folha: 3 dobradiças (ou 2 reforçadas com rolamento, conforme fabricante). Priorize rolamento.
- Acima de ~120 kg por folha: 3 dobradiças reforçadas com rolamento ou sistema específico (pivôs/rolamentos dimensionados). Evite “improvisos”.
Critérios para escolher a capacidade: use dobradiças com capacidade nominal acima do peso real, com margem para impactos e vento. Se o portão for largo (ex.: acima de 1,20 m por folha) e pesado, aumente a robustez mesmo que o peso pareça “aceitável”.
Posicionamento e espaçamento das dobradiças
- Superior e inferior: instale a superior mais próxima do topo e a inferior mais próxima da base, mantendo distância suficiente para solda e acabamento. Isso aumenta o “braço” entre elas e reduz a tendência de empeno.
- Terceira dobradiça: coloque aproximadamente no terço superior (mais perto da dobradiça de cima do que do meio exato), pois a superior costuma receber maior esforço.
- Alinhamento do eixo: os eixos das dobradiças devem estar colineares. Pequeno desalinhamento já causa travamento e desgaste.
Passo a passo prático: instalação de dobradiças soldadas
- Marcação: com a folha apoiada em calços firmes, marque a posição das dobradiças no pilar e na folha.
- Preparação: limpe a área (sem tinta, ferrugem, óleo). Faça chanfro leve quando necessário para melhor penetração de solda.
- Ponteamento: ponteie primeiro a dobradiça superior, depois a inferior, conferindo giro livre. Se houver terceira, ponteie por último.
- Teste de movimento: abra/feche várias vezes antes de soldar definitivo. Verifique se não há “ponto duro”.
- Solda final: faça cordões alternados para reduzir empeno por calor. Evite concentrar calor em um único lado.
- Acabamento: remova respingos, rebarbas e prepare para proteção anticorrosiva (ver seção específica).
Ferragens de portão de correr: roldanas, trilhos, guias, limitadores e batentes
Roldanas (rodízios) e critérios de qualidade
As roldanas sustentam o peso e determinam a suavidade do deslocamento. Os principais pontos de qualidade são: rolamento vedado, material da roda (aço/ferro fundido/nylon conforme aplicação), eixo robusto e capacidade de carga real.
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- Roldana com rolamento vedado: preferível para durabilidade e menor ruído; reduz entrada de poeira/água.
- Roda metálica: aguenta impacto e sujeira, porém pode ser mais ruidosa e exigir trilho bem alinhado.
- Roda de nylon/poliuretano: mais silenciosa e suave; exige atenção a temperatura e abrasão do ambiente.
Dimensionamento prático: some o peso do portão e distribua pela quantidade de roldanas. Use margem: cada roldana deve suportar mais do que a divisão simples, pois há picos de carga em irregularidades e no arranque/parada.
Trilhos: tipos e instalação
O trilho é a “pista” do sistema. Deve ser compatível com o perfil da roldana (V, U, chato com canal, etc.). O mais importante é retidão e fixação firme.
- Trilho em V: comum com roldana em V; bom escoamento de sujeira, mas exige base bem executada.
- Trilho em U/canal: guia a roda dentro do canal; pode acumular sujeira se não houver limpeza.
Guia superior (antibalanço) e alinhamento
A guia superior impede que o portão “tome barriga” para fora do plano e evita descarrilamento. Pode ser com roletes (nylon/PU) ou guias metálicas com ajuste.
Boas práticas de alinhamento:
- Guia superior deve trabalhar com folga mínima sem apertar o portão. Apertar demais gera ruído e desgaste.
- Os roletes devem encostar de forma simétrica, mantendo o portão no plano durante todo o curso.
- Preveja ajuste (furação oblongo ou suporte regulável) para correções finas.
Limitadores e batentes (fim de curso e encosto)
Limitadores evitam que o portão ultrapasse o curso e danifique roldanas, guia superior ou estrutura. Batentes definem o ponto de fechamento e absorvem impacto.
- Limitador mecânico no trilho: trava física que impede passagem da roldana além do ponto.
- Batente de fechamento: deve receber o portão sem “chicotear”; pode incluir borracha/PU para reduzir ruído.
- Batente de abertura: protege a extremidade no final do curso e evita pancada em muro/pilar.
Passo a passo prático: montagem e ajuste de portão de correr (ferragens)
- Fixe o trilho: garanta retidão e fixação contínua. Evite “degraus” entre emendas; se houver emenda, alinhe e nivele com cuidado.
- Instale as roldanas no portão: posicione os suportes de forma simétrica e com acesso para reaperto. Se forem reguláveis, deixe margem de ajuste.
- Assente o portão no trilho: verifique rolamento livre ao longo de todo o curso.
- Instale a guia superior: ajuste roletes para conter o balanço sem travar. Teste em todo o percurso.
- Coloque limitadores e batentes: defina pontos de abertura/fechamento e fixe de modo que absorvam impacto sem deformar o trilho.
- Teste final: empurre o portão em velocidade baixa e média; procure ruídos, pontos de travamento e tendência de sair do plano. Reaperte fixações.
Fechaduras e travamentos: tipos, aplicação e instalação correta
Tipos de fechaduras e quando usar
- Fechadura de cilindro (chave): comum em portões de abrir e grades; oferece bom controle de acesso. Exige alinhamento preciso do cilindro e reforço no ponto de fixação.
- Trinco/ferrolho: simples e robusto para travamento auxiliar (interno) ou para folhas secundárias. Pode ser vertical (pino ao piso) ou horizontal.
- Fechadura elétrica: indicada para controle remoto/interfone. Requer alimentação, proteção contra chuva e ajuste fino do encaixe (lingueta/contra-testa).
- Fechadura magnética (eletroímã): comum em controle de acesso; exige superfície de contato plana e estrutura rígida para manter força de retenção. Depende de energia e de instalação elétrica bem protegida.
Posição correta do eixo e ergonomia
O “eixo” aqui é a linha do cilindro/maçaneta ou do acionamento do trinco. A posição deve permitir uso confortável e evitar interferência com travessas internas e reforços.
- Altura típica de acionamento: alinhe com a ergonomia do usuário e com o desenho do portão. Evite muito próximo de travessas que dificultem a mão ou a chave.
- Alinhamento com o batente/contra-testa: o trinco deve entrar reto, sem raspar. Raspar indica desalinhamento e causa desgaste.
Compatibilidade com espessuras de perfil e reforços internos
Fechaduras têm medidas de caixa (profundidade), distância do eixo (backset) e espessura de porta/folha compatível. Em portões metálicos, é comum o perfil não ter “carne” suficiente para parafusos e para a caixa da fechadura.
Boas práticas:
- Verifique a profundidade da caixa da fechadura versus a largura do perfil. Se o perfil for estreito, escolha modelo apropriado ou planeje um reforço/caixa.
- Reforço interno: ao embutir fechadura em tubo, adicione chapa interna (ou luva) para evitar esmagamento do perfil e dar rosca/apoio aos parafusos.
- Contra-testa reforçada: no pilar/batente, use chapa de reforço para receber o trinco sem deformar com impactos.
- Folga funcional: se o portão trabalha com dilatação/pequenas variações, prefira linguetas e contra-testas com ajuste.
Passo a passo prático: instalação de fechadura embutida em perfil metálico
- Escolha do modelo: confira medidas (caixa, backset, cilindro) e se há versão para metal/portão.
- Marcação: marque eixo do cilindro/maçaneta e o contorno da caixa. Confirme que não coincide com travessas internas.
- Abertura do alojamento: faça recorte controlado (furação e corte) e ajuste com lima/esmeril para encaixe justo.
- Reforço: instale chapa/luva interna onde os parafusos irão prender, evitando folga e deformação.
- Fixação: parafuse a fechadura e teste o acionamento antes de fechar acabamentos.
- Contra-testa: com o portão na posição de fechamento, marque o ponto exato do trinco e instale a contra-testa com reforço.
- Teste de repetição: abra/feche diversas vezes. Se houver raspagem, ajuste a contra-testa (preferencialmente com furação oblongo).
Batentes (para portões de abrir e grades) e absorção de esforço
Batentes definem o ponto de parada e ajudam a manter a fechadura trabalhando sem esforço lateral. Um batente mal posicionado faz o trinco “segurar” impacto, encurtando a vida da fechadura.
- Batente com encosto: deve receber a folha antes do trinco ficar totalmente carregado.
- Batente com borracha: reduz ruído e vibração, especialmente em portões maiores.
- Batente de piso (quando aplicável): útil para folhas que precisam de travamento inferior (pino/ferrolho vertical).
Proteção contra corrosão em ferragens
Materiais e tratamentos comuns
- Galvanização: boa proteção para ambientes externos; verifique qualidade do banho e acabamento.
- Inox: excelente resistência, porém custo maior; atenção a pares galvânicos quando combinado com aço carbono.
- Pintura/primer: exige preparação correta de superfície; em ferragens móveis, cuide para não “colar” com excesso de tinta.
Boas práticas de proteção (aplicáveis na montagem)
- Preparação de superfície: remover carepa, ferrugem e óleo antes de pintar ou soldar.
- Selagem de frestas: evite pontos que acumulem água. Onde houver sobreposição de chapas, use solução que reduza capilaridade.
- Proteção pós-solda: solda queima revestimentos; reconstitua a proteção (primer anticorrosivo e acabamento).
- Lubrificação correta: dobradiças e roldanas com pontos de lubrificação devem receber lubrificante adequado; evite excesso que atraia poeira.
Como prever acesso para manutenção (sem desmontar o portão inteiro)
Ferragens são itens de desgaste. Planejar acesso reduz custo de manutenção e evita cortes/soldas futuras.
- Roldanas reguláveis acessíveis: deixe parafusos de ajuste e reaperto voltados para lado acessível, sem obstrução por chapas de acabamento.
- Guia superior com ajuste: use suportes com furação oblongo e acesso a chave/soquete.
- Fechadura com tampa/placa removível: permita retirar cilindro e acessar parafusos sem cortar o perfil.
- Pontos de lubrificação: se usar dobradiça com graxeira, posicione a graxeira em local alcançável.
- Proteção elétrica (fechadura elétrica/magnética): deixe caixa de passagem e conexões em local protegido e acessível, com folga de cabo para manutenção.