Fechamento de Caixa: fechamento do turno com conferência completa e conciliações

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que é o fechamento de caixa do turno (com conferência completa)

Fechamento de caixa é o procedimento de encerrar um turno (ou uma troca de operador) consolidando tudo o que foi registrado no sistema e comparando com o que existe fisicamente: dinheiro, comprovantes e documentos. O objetivo é apurar o resultado do turno, separar corretamente o fundo de troco, identificar o valor a entregar/depositar e registrar eventuais diferenças com justificativa e evidências.

Um fechamento bem executado depende de uma sequência padronizada para evitar retrabalho: primeiro “congelar” o que o sistema informa (relatórios), depois organizar e contar o físico, e por fim conciliar físico x sistema e formalizar a entrega.

Sequência recomendada para minimizar retrabalho

  • 1) Preparar o ambiente de contagem (antes de emitir relatórios e antes de abrir gaveta/bolsa).
  • 2) Emitir e salvar/imprimir relatórios do turno (vendas e pagamentos, cancelamentos/estornos, sangrias e outros movimentos).
  • 3) Organizar o físico: separar dinheiro, comprovantes e documentos por tipo.
  • 4) Contar numerário por denominação e separar o fundo de troco.
  • 5) Apurar o valor a entregar/depositar e montar o “pacote” de entrega.
  • 6) Conciliar físico x sistema (por forma de pagamento e total) e registrar diferenças.
  • 7) Formalizar a entrega (assinaturas, lacres, anexos e registro no sistema/planilha).

Ambiente de contagem: condições mínimas

Regras práticas para reduzir erros

  • Sem interrupções: sinalize “em conferência” e evite atendimento durante a contagem.
  • Mesa limpa e única: nada de objetos pessoais, embalagens, papéis soltos ou itens de venda na área.
  • Boa visibilidade: iluminação adequada e, se possível, câmera/visão do supervisor conforme política interna.
  • Um responsável por vez: quem conta não atende telefone, não conversa e não alterna tarefas.
  • Materiais à mão: folhas de contagem, calculadora, elásticos/envelopes, lacres, caneta, carimbo (se aplicável).
  • Contagem em voz baixa e conferência dupla: conte uma vez, registre, e reconte apenas o que divergir.

Relatórios obrigatórios do fechamento (o “retrato” do sistema)

Antes de mexer no dinheiro, gere os relatórios do turno. Isso evita que ajustes posteriores confundam a conferência e reduz retrabalho.

Checklist de relatórios

  • Resumo de vendas do turno: total vendido, quantidade de cupons/atendimentos, ticket médio (se houver).
  • Relatório por forma de pagamento: dinheiro, cartão débito/crédito, PIX, vale, convênio, etc.
  • Cancelamentos e estornos: listagem com valores, horários, motivo e autorização (quando houver).
  • Sangrias do turno: valores, horários, responsável e destino.
  • Outros movimentos (se existirem no seu PDV): recebimentos diversos, pagamentos, ajustes, descontos, taxas, gorjetas, etc.

Boas práticas ao emitir relatórios

  • Identifique o período correto: início/fim do turno, operador, número do caixa/PDV.
  • Padronize o nome do arquivo (se digital): LOJA01_CAIXA03_OP012_2026-01-26_TURNO2.
  • Garanta rastreabilidade: anexe relatórios ao pacote do fechamento (impresso ou digital) conforme padrão interno.

Organização do físico antes da contagem

Com os relatórios em mãos, organize o conteúdo do caixa para que a contagem seja rápida e auditável.

Separação inicial (em “pilhas”)

  • Dinheiro (cédulas e moedas).
  • Comprovantes de cartão (se houver via física) e/ou relatórios do TEF.
  • Comprovantes de PIX (quando a operação exigir evidência).
  • Vales/convênios/vouchers (por tipo e por valor).
  • Documentos do turno: relatórios, autorizações, justificativas, ocorrências.

Evite misturar comprovantes com dinheiro. Qualquer papel no meio das cédulas é fonte comum de erro.

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Contagem do numerário por denominação (padrão auditável)

Conte o dinheiro por denominação e registre em uma folha/planilha de contagem. Esse registro é a base para justificar o valor entregue e eventuais diferenças.

Modelo de tabela de contagem

DenominaçãoQuantidadeSubtotal
R$ 200
R$ 100
R$ 50
R$ 20
R$ 10
R$ 5
R$ 2
Moedas
Total em dinheiro

Regras de contagem que evitam divergências

  • Conte por blocos: organize cédulas por valor, alinhe e conte em dezenas (10, 20, 50 unidades) quando possível.
  • Registre imediatamente: não confie na memória para lançar depois.
  • Moedas: separe por valor e some; se houver grande volume, use padrão interno (rolos, saquinhos) e registre o método.
  • Recontagem seletiva: se o total não fechar, recontar primeiro as denominações com maior impacto (R$ 100, R$ 50, R$ 20) e depois as demais.

Separação do fundo de troco no fechamento

No fechamento, o fundo de troco deve ser separado do valor a entregar/depositar. A separação deve ser física (envelope/compartimento) e registrada no formulário do fechamento.

Procedimento prático

  • Defina o valor padrão do fundo (ex.: R$ 300,00) conforme regra da loja.
  • Monte o fundo com denominações adequadas (priorize notas baixas e moedas).
  • Coloque o fundo em envelope identificado (loja, caixa, data, turno, operador) e mantenha separado do restante.
  • O dinheiro restante passa a ser o valor disponível para entrega/deposito, sujeito às conciliações.

Apuração do valor a entregar/depositar

Após contar o dinheiro e separar o fundo, apure quanto deve ser entregue ao responsável (tesouraria/supervisão) ou preparado para depósito, conforme política interna.

Fórmula prática (dinheiro)

Dinheiro a entregar = Total em dinheiro contado - Fundo de troco separado

Em seguida, compare esse “dinheiro a entregar” com o que o sistema indica como recebido em dinheiro, considerando os movimentos do turno (por exemplo, cancelamentos/estornos e sangrias já realizadas).

Exemplo numérico (apenas para entendimento)

  • Total em dinheiro contado: R$ 2.180,00
  • Fundo de troco padrão: R$ 300,00
  • Dinheiro a entregar: R$ 1.880,00
  • Sistema indica “Recebido em dinheiro” no turno: R$ 1.880,00
  • Resultado: dinheiro confere

Conferência final: físico x sistema (conciliação completa)

A conciliação completa compara, por forma de pagamento, o que o sistema registra com o que existe como evidência física/documental. O ideal é conciliar em duas camadas: (1) total geral do turno e (2) detalhamento por forma de pagamento.

Roteiro de conciliação por forma de pagamento

  • Dinheiro: conferir “dinheiro a entregar” contra “recebido em dinheiro” do relatório.
  • Cartões: conferir total do relatório do PDV com o relatório do TEF/adquirente (quando disponível) e com as vias/comprovantes (se aplicável).
  • PIX: conferir total do PDV com extrato/relatório do meio de pagamento (quando a operação exigir), observando horários e identificadores.
  • Vales/convênios/vouchers: conferir quantidade e soma dos documentos físicos contra o total no relatório.
  • Cancelamentos/estornos: validar se estão refletidos nos totais e se há documentação/autorizações correspondentes.
  • Sangrias: validar se os valores sangrados constam no relatório e se não foram “contados duas vezes” (ex.: dinheiro já retirado não pode estar no total contado).

Matriz de conferência (modelo)

FormaSistemaFísico/ComprovantesDiferençaObservação
Dinheiro (a entregar)
Cartão débito
Cartão crédito
PIX
Vale/Convênio
Total

Como registrar e justificar diferenças encontradas

Diferença é qualquer variação entre o valor esperado (sistema) e o apurado (físico/comprovantes). O registro deve ser objetivo, com dados verificáveis, para permitir auditoria e correção sem retrabalho.

Campos mínimos do registro de diferença

  • Data, loja, caixa/PDV, turno, operador(es).
  • Valor da diferença (positivo/sobra ou negativo/falta).
  • Forma de pagamento afetada (dinheiro, cartão, PIX etc.).
  • Referências: número do cupom, transação, NSU, horário, relatório usado.
  • Descrição curta do ocorrido (sem suposições).
  • Ação imediata tomada (recontagem, verificação de comprovantes, checagem de cancelamentos/estornos).
  • Responsável pela conferência e validação (assinaturas/identificação).

Exemplos de justificativas aceitáveis (com evidência)

  • Erro de contagem corrigido: “Recontagem de notas de R$ 50 ajustou R$ 100,00. Anexada folha de contagem revisada.”
  • Comprovante ausente: “Venda no cartão crédito consta no PDV, mas não há comprovante físico; verificado no TEF: transação aprovada (NSU X).”
  • Cancelamento/estorno: “Cupom 123 cancelado às 18:05 com autorização do supervisor; relatório de cancelamentos anexado.”

Cuidados ao registrar

  • Não “compense” diferença de uma forma com outra sem evidência (ex.: falta no dinheiro não deve ser coberta por sobra em vouchers).
  • Evite justificativas genéricas (“deve ter sido troco errado”); descreva o que foi verificado.
  • Se a diferença persistir, registre como pendência e siga o fluxo interno de apuração (sem atrasar a formalização do fechamento).

Variações do procedimento por tipo de operação

1) Operação de turno único (um operador no dia)

  • Fechamento ocorre ao final do expediente.
  • Relatórios devem cobrir o período completo.
  • Recomendação: manter uma única pasta/pacote do dia com relatórios e documentos, evitando fragmentação.

2) Múltiplos operadores no mesmo caixa (revezamento no turno)

  • Defina um marco de troca: horário e identificação do operador que assume.
  • Na troca, gere relatório parcial por operador (se o sistema permitir) ou registre o momento da troca para segmentar a apuração.
  • Comprovantes devem ser organizados por operador/período para reduzir disputa de responsabilidade.
  • Diferenças devem ser atribuídas ao período com base em evidências (relatórios, horários, transações).

3) Troca de caixa/PDV (mudança de posto ou equipamento)

  • Antes de migrar, gere relatórios do caixa que será encerrado e faça conferência do físico daquele posto.
  • Transfira apenas o que for permitido pela política interna (ex.: fundo de troco) com registro de transferência.
  • Evite “misturar” comprovantes e dinheiro de dois caixas no mesmo envelope; mantenha pacotes separados por caixa/PDV.

4) Fechamento com múltiplos caixas (vários PDVs no mesmo turno)

  • Padronize horário de corte e sequência de fechamento para não sobrecarregar a tesouraria.
  • Use identificação clara: Caixa 01, Caixa 02, etc., com envelopes e relatórios correspondentes.
  • Concilie individualmente cada caixa antes de consolidar o total da loja.

Checklist operacional do fechamento (executável)

  • Ambiente pronto (mesa limpa, sem interrupções, materiais disponíveis).
  • Emitir relatórios: vendas, formas de pagamento, cancelamentos/estornos, sangrias e outros movimentos.
  • Separar físico: dinheiro, comprovantes, vales e documentos.
  • Contar dinheiro por denominação e registrar na folha/planilha.
  • Separar fundo de troco e identificar envelope.
  • Apurar dinheiro a entregar/depositar.
  • Conciliar por forma de pagamento (matriz físico x sistema) e checar total geral.
  • Registrar diferenças com evidências e responsáveis.
  • Montar pacote de entrega (valores, relatórios e anexos) e identificar/lacrar conforme padrão.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual sequência reduz retrabalho e aumenta a confiabilidade no fechamento de caixa do turno?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A sequência recomendada é “congelar” o retrato do sistema com relatórios, depois organizar e contar o físico, e só então conciliar e formalizar. Isso evita ajustes posteriores confundirem a conferência e reduz retrabalho.

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Entrega de valores e malotes do Caixa: lacres, protocolos e segurança

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