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Guarda Municipal do Brasil: Guia de Preparação para Concursos Públicos

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22 páginas

Ética Profissional, Conduta e Disciplina no Serviço Público

Capítulo 16

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Ética profissional no serviço público é o conjunto de valores e padrões de comportamento que orienta o servidor a agir com integridade, imparcialidade, respeito ao cidadão e lealdade ao interesse público. Para a Guarda Municipal, ética não é “boa intenção”: é prática diária que aparece em decisões rápidas, no trato com pessoas, no uso de recursos públicos e no cumprimento de ordens legais.

1) Conceitos essenciais: ética, conduta e disciplina

Ética profissional

É o “norte” de valores que ajuda a escolher o que é correto quando há pressão, dúvida ou conflito. Na rotina, ética se traduz em honestidade, transparência, respeito, autocontrole e compromisso com o serviço.

Conduta

É o comportamento observável do servidor: como fala, como decide, como registra, como trata o público, como usa uniforme e equipamentos, como reage a provocações. A conduta pode ser adequada ou inadequada, mesmo quando não há crime.

Disciplina

É o cumprimento de regras, normas internas, hierarquia funcional e procedimentos operacionais e administrativos. Disciplina envolve pontualidade, apresentação, obediência a ordens legais, zelo pelo patrimônio e respeito às rotinas de serviço.

2) Princípios práticos que orientam a atuação

Interesse público acima do interesse pessoal

Decisões devem priorizar a finalidade do serviço. Exemplo: recusar “atalhos” para favorecer conhecidos em filas, atendimentos, fiscalizações ou registros.

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Imparcialidade e isonomia

Tratar pessoas com igualdade, sem discriminação e sem “preferências”. Exemplo: em uma ocorrência com duas partes, ouvir ambas, registrar com neutralidade e evitar julgamentos pessoais.

Legalidade e aderência a normas internas

Agir conforme leis e regulamentos do órgão. Exemplo: seguir o procedimento de registro e comunicação de ocorrência, mesmo quando “dá trabalho”, porque isso protege o cidadão e o servidor.

Integridade e honestidade

Não aceitar vantagens, presentes indevidos ou “favores”. Exemplo: recusar dinheiro para “não autuar” ou para “resolver rápido” e comunicar o fato pelos canais internos.

Transparência e rastreabilidade

Atos devem ser justificáveis e documentáveis. Exemplo: preencher relatórios com clareza, sem omitir informação relevante, sem “ajustar” narrativa para favorecer alguém.

Urbanidade e respeito

Atender com linguagem adequada, sem humilhação, ironia ou agressividade. Exemplo: em abordagem a cidadão alterado, manter tom firme e respeitoso, evitando escalada verbal.

3) Situações típicas de prova e de serviço: como agir

Conflito de interesses

Ocorre quando interesse pessoal, familiar ou de terceiros pode influenciar a decisão pública. Exemplo: ser escalado para atuar em evento organizado por parente que pede “flexibilização” de regras. Conduta esperada: comunicar a chefia e pedir orientação formal, evitando decisões isoladas.

Recebimento de brindes e hospitalidades

Mesmo itens “pequenos” podem criar dependência ou aparência de favorecimento. Exemplo: comerciante oferece refeições gratuitas “sempre que passar”. Conduta esperada: recusar com educação e reportar conforme norma interna, principalmente se houver insistência.

Uso de bens e recursos públicos

Viatura, combustível, rádio, munições, equipamentos e tempo de serviço são para finalidade pública. Exemplo: usar viatura para resolver assunto particular ou “dar carona” fora de serviço. Conduta esperada: não utilizar e registrar/solicitar autorização apenas quando houver previsão normativa.

Sigilo e proteção de dados

Informações de ocorrências, dados pessoais e imagens devem ser tratados com reserva. Exemplo: compartilhar em grupo de mensagens foto de documento de cidadão ou detalhes de ocorrência. Conduta esperada: não compartilhar; usar apenas canais oficiais e pelo mínimo necessário.

Redes sociais e imagem institucional

O servidor deve evitar exposição que comprometa a confiança pública. Exemplo: publicar vídeo fardado fazendo comentários depreciativos sobre cidadãos ou ocorrências. Conduta esperada: não publicar; separar opinião pessoal da função e seguir regras do órgão.

Tratamento de pessoas em situação de vulnerabilidade

Ética exige cuidado redobrado: linguagem respeitosa, paciência, proteção contra exposição e encaminhamento adequado. Exemplo: ocorrência com pessoa em crise emocional. Conduta esperada: postura calma, evitar constrangimento público, acionar apoio previsto e registrar com sensibilidade e objetividade.

4) Disciplina: hierarquia funcional, ordens e deveres

Ordem legal x ordem manifestamente ilegal

Disciplina não é obediência cega. O servidor deve cumprir ordens legais e recusar ordens manifestamente ilegais, comunicando pelos meios adequados. Exemplo: superior determina “apreender” bem sem base e sem procedimento. Conduta esperada: solicitar esclarecimento formal, registrar a orientação recebida e reportar à instância competente conforme regulamento.

Pontualidade, apresentação e prontidão

Disciplina inclui estar apto ao serviço: uniforme conforme padrão, equipamentos conferidos, postura compatível com a função. Exemplo: iniciar turno sem checar rádio e itens essenciais. Conduta esperada: checklist antes de sair para patrulhamento.

Comunicação interna e respeito institucional

Críticas e divergências devem seguir canais formais. Exemplo: discutir ordem em público, na frente de cidadãos, desautorizando colega. Conduta esperada: cumprir o necessário para manter a segurança e tratar divergência em local e momento adequados, registrando se preciso.

5) Infrações éticas e disciplinares: padrões de identificação

Em provas, é comum aparecerem condutas que não são crime, mas são inadequadas e sujeitas a apuração. Identifique sinais típicos:

  • Vantagem indevida: aceitar “ajuda”, dinheiro, desconto, serviço gratuito, promessa de benefício.

  • Abuso de posição: usar a função para intimidar, obter privilégios, “resolver” problemas pessoais.

  • Desvio de finalidade: usar recursos públicos para objetivo diferente do previsto.

  • Omissão: deixar de agir/registrar por conveniência, medo, amizade ou pressão.

  • Falta de urbanidade: grosseria, humilhação, comentários preconceituosos.

  • Quebra de sigilo: divulgar dados, imagens, informações internas.

  • Indisciplina: descumprir rotinas, ordens legais, escalas, padrões de apresentação.

6) Passo a passo prático: tomada de decisão ética em ocorrências

Passo 1 — Pare e identifique o risco

Pergunte: há risco à integridade de alguém? há risco de violar regra? há pressão externa (pedido de favor, ameaça, “jeitinho”)?

Passo 2 — Defina a finalidade pública

Qual é o objetivo do ato? Ex.: proteger pessoas, preservar ordem, encaminhar corretamente, registrar com fidelidade.

Passo 3 — Verifique norma e procedimento aplicável

Consulte mentalmente o protocolo do órgão: quem acionar, o que registrar, quais limites e quais documentos/relatórios são exigidos.

Passo 4 — Escolha a alternativa mais imparcial e verificável

Prefira decisões que possam ser justificadas por fatos e registros. Ex.: coletar versões, identificar testemunhas, registrar horários e locais, usar linguagem objetiva.

Passo 5 — Documente e comunique

Registre o essencial com clareza e comunique à chefia quando houver dúvida, conflito de interesse, recusa de ordem, oferta de vantagem ou situação sensível.

Passo 6 — Preserve sigilo e dignidade

Evite exposição desnecessária de pessoas e informações. Use canais oficiais e compartilhe apenas o mínimo necessário.

7) Passo a passo prático: como agir diante de oferta de vantagem indevida

Passo 1 — Recuse de forma clara e profissional

Use frase objetiva: “Não posso aceitar. Minha atuação é técnica e conforme as normas.”

Passo 2 — Interrompa a situação com segurança

Evite prolongar conversa que gere risco. Se necessário, solicite apoio de colega para testemunho e segurança.

Passo 3 — Registre o ocorrido

Anote mentalmente (ou conforme protocolo) data, hora, local, quem ofereceu, o que foi oferecido e em que contexto.

Passo 4 — Comunique pelos canais internos

Informe imediatamente ao superior ou setor responsável, conforme regulamento. Se houver materialidade (objeto, dinheiro), siga o procedimento de apreensão/guarda e registro.

8) Passo a passo prático: postura ética em atendimento ao cidadão

Passo 1 — Apresente-se e explique o motivo do contato

Comunicação simples reduz tensão e aumenta cooperação: identificação funcional e objetivo do atendimento.

Passo 2 — Escuta ativa e neutralidade

Deixe a pessoa falar, faça perguntas objetivas e evite comentários pessoais.

Passo 3 — Linguagem adequada e controle emocional

Firmeza não exige agressividade. Evite gritos, apelidos, ironias e ameaças.

Passo 4 — Encaminhamento correto e registro

Oriente sobre próximos passos (órgãos, documentos, prazos) e registre o atendimento conforme padrão do serviço.

9) Questões de prova: como reconhecer alternativas corretas

  • Quando a questão falar em “aparência de favorecimento”, a resposta tende a exigir recusa de benefícios e adoção de transparência.

  • Quando mencionar “amigo, parente, conhecido”, pense em conflito de interesses e necessidade de comunicação/impedimento.

  • Quando citar “grupo de mensagens, redes sociais, foto de ocorrência”, pense em sigilo, proteção de dados e imagem institucional.

  • Quando aparecer “ordem do superior”, diferencie ordem legal (cumpre) de ordem manifestamente ilegal (não cumpre e comunica).

  • Quando houver “atalho”, “jeitinho”, “resolver por fora”, a conduta correta é seguir procedimento e registrar.

10) Mini-casos com resposta esperada

Caso 1 — Pedido de “quebra de galho”

Um comerciante pede para “deixar passar” uma irregularidade e oferece um brinde. Conduta esperada: recusar, manter imparcialidade, seguir o procedimento aplicável e comunicar a tentativa de vantagem conforme norma interna.

Caso 2 — Colega quer “ajustar” relatório

Um colega sugere alterar horário e detalhes para “evitar problema”. Conduta esperada: manter fidelidade dos registros, recusar alteração indevida, orientar o correto e comunicar à chefia se houver insistência.

Caso 3 — Exposição indevida

Após ocorrência, alguém pede foto do documento da parte para “ajudar a localizar”. Conduta esperada: não compartilhar; orientar a usar canais oficiais e registrar solicitação se necessário.

Caso 4 — Ordem duvidosa

Superior determina ação sem base e sem procedimento. Conduta esperada: pedir esclarecimento, solicitar formalização, não executar ato manifestamente ilegal e comunicar pelos canais previstos.

// Checklist rápido de ética e disciplina (para memorizar) // 1) Finalidade pública: por que estou fazendo isso? // 2) Imparcialidade: eu faria igual para qualquer pessoa? // 3) Procedimento: existe norma/rotina para este caso? // 4) Registro: consigo justificar com fatos e documentação? // 5) Sigilo: estou expondo dados ou pessoas sem necessidade? // 6) Integridade: há vantagem, favor ou conflito de interesse? // 7) Comunicação: preciso informar chefia ou setor responsável?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao receber uma ordem do superior que aparenta não ter base legal e não seguir o procedimento do órgão, qual conduta melhor reflete ética e disciplina no serviço público?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Disciplina não é obediência cega: cumpre-se ordem legal. Se a ordem for manifestamente ilegal, a conduta correta é pedir esclarecimento/formalização, não executar o ato e comunicar pelos meios adequados.

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