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Analista Judiciário - Área de Contabilidade: Preparação Técnica para Concursos Públicos

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17 páginas

Escrituração, Ajustes e Fechamento Contábil aplicados ao cargo de Analista Judiciário

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

+ Exercício

Fluxo completo: da escrituração ao fechamento

No contexto do cargo de Analista Judiciário (área de Contabilidade), o fechamento contábil exige domínio do encadeamento lógico entre registros (Diário e Razão), conferências (balancete), ajustes (competência e mensurações), reclassificações, conciliações e, por fim, apuração do resultado e elaboração de demonstrativos. A prova costuma cobrar: (i) identificação do lançamento correto, (ii) efeito no balancete e no resultado, (iii) ajustes de competência e mensuração, (iv) eventos subsequentes e (v) consistência entre contas e documentos.

Visão de processo (checklist operacional)

  • 1) Coleta e validação documental: notas fiscais, contratos, extratos bancários, folha, laudos, inventário, relatórios de almoxarifado.
  • 2) Escrituração no Diário: lançamentos cronológicos com histórico e suporte.
  • 3) Postagem no Razão: movimentação por conta (débitos/créditos) e saldos.
  • 4) Emissão do balancete: verificação de igualdade entre débitos e créditos e análise de saldos.
  • 5) Conciliações: bancos, clientes, fornecedores, tributos, folha, estoques, imobilizado.
  • 6) Ajustes de competência e mensuração: apropriações, provisões, depreciação, amortização, exaustão, perdas estimadas, ajustes de estoques e tributos.
  • 7) Reclassificações: curto x longo prazo, circulante x não circulante, despesas antecipadas, receitas diferidas, parcelas de empréstimos.
  • 8) Balancete ajustado: base para apuração do resultado e demonstrações.
  • 9) Apuração do resultado e encerramento: transferência de contas de resultado para apuração e patrimônio líquido.
  • 10) Eventos subsequentes: ajustes ou divulgações conforme evidência de condições existentes na data-base.

Escrituração: Diário e Razão com foco em prova

Diário: o que a banca observa

O Diário registra os fatos contábeis em ordem cronológica. Em questões, é comum a banca fornecer um conjunto de eventos e pedir: (i) os lançamentos, (ii) o impacto em contas específicas, (iii) o saldo final no Razão. Pontos críticos: natureza das contas (ativo, passivo, PL, receita, despesa), contrapartida correta e momento do reconhecimento (competência).

Razão: leitura de saldos e detecção de inconsistências

O Razão evidencia a movimentação por conta. Em auditoria interna e rotinas de fechamento, o Razão é usado para identificar saldos anormais (ex.: despesas com saldo credor, fornecedores com saldo devedor, caixa negativo) e para rastrear lançamentos de ajuste.

Exemplo de lançamento e efeito no Razão

Compra de material de consumo a prazo (R$ 12.000):

D – Estoques/Almoxarifado (Ativo) 12.000 C – Fornecedores (Passivo) 12.000

No Razão, “Estoques” aumenta (débito) e “Fornecedores” aumenta (crédito). Em prova, atenção ao termo “material de consumo”: pode ser estoque (se controlado em almoxarifado) e virar despesa quando consumido; ou pode ser despesa direta se não houver controle/estoque relevante (a questão define o tratamento).

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Balancete: conferência e análise antes dos ajustes

O que o balancete garante (e o que não garante)

  • Garante: soma de débitos = soma de créditos (consistência aritmética da escrituração).
  • Não garante: ausência de lançamentos omitidos, classificação correta, mensuração adequada, competência atendida.

Leituras típicas cobradas

  • Identificar contas que exigem conciliação: Bancos, Clientes, Fornecedores, Tributos a recolher, Folha/Encargos, Empréstimos.
  • Detectar saldos “incompatíveis”: receitas com saldo devedor, despesas com saldo credor, contas patrimoniais com saldo invertido.
  • Separar contas de resultado (DRE) e patrimoniais (BP) para o encerramento.

Ajustes de competência e mensuração

1) Apropriações (despesas antecipadas e receitas a apropriar)

Apropriação é o reconhecimento ao longo do tempo de valores pagos/recebidos antecipadamente, respeitando competência.

Exemplo (despesa antecipada): seguro anual pago em 01/01 por R$ 12.000. Ao final de janeiro, apropria-se 1/12 (R$ 1.000):

D – Despesa de Seguro 1.000 C – Despesas Antecipadas (Seguro a Apropriar) 1.000

Exemplo (receita diferida): recebimento antecipado por serviço a prestar (R$ 6.000) em 01/02, para 3 meses. No recebimento:

D – Bancos 6.000 C – Receitas Diferidas (Passivo) 6.000

Ao fim de fevereiro (1/3):

D – Receitas Diferidas 2.000 C – Receita de Serviços 2.000

2) Provisões (obrigações estimadas e perdas prováveis)

Provisão é passivo de prazo ou valor incerto, reconhecido quando há obrigação presente, probabilidade de saída de recursos e estimativa confiável. Em concursos, a banca explora a diferença entre provisão (passivo) e reserva (PL), e entre provisão e contingência possível (apenas divulgação).

Exemplo (provisão para contingência trabalhista provável): estimativa R$ 30.000:

D – Despesa com Contingências 30.000 C – Provisão para Contingências (Passivo) 30.000

Exemplo (perdas esperadas em créditos): ajuste de perda estimada em clientes (quando aplicável ao enunciado):

D – Despesa com Perdas de Crédito 5.000 C – Perdas Estimadas (Redutora de Clientes) 5.000

3) Depreciação, amortização e exaustão

São alocações sistemáticas do valor depreciável/amortizável/exaurível ao longo da vida útil (ou prazo contratual, no caso de intangível). Em prova, atenção a: base de cálculo (custo menos valor residual), início (quando disponível para uso), método (linear é o mais cobrado) e contabilização (despesa x custo, conforme uso).

Depreciação (imobilizado): equipamento custo R$ 60.000, residual R$ 6.000, vida útil 54 meses. Depreciação mensal = (60.000 – 6.000)/54 = R$ 1.000.

D – Despesa de Depreciação 1.000 C – Depreciação Acumulada (Redutora do Imobilizado) 1.000

Amortização (intangível): software adquirido por R$ 24.000, vida útil 24 meses. Amortização mensal = R$ 1.000.

D – Despesa de Amortização 1.000 C – Amortização Acumulada (Redutora do Intangível) 1.000

Exaustão (recursos naturais): jazida com custo R$ 100.000, estimativa 50.000 toneladas. Extração no mês: 2.000 t. Exaustão = 100.000 × (2.000/50.000) = R$ 4.000.

D – Custo/Despesa de Exaustão 4.000 C – Exaustão Acumulada (Redutora) 4.000

4) Reclassificações (apresentação e exigibilidade)

Reclassificações não alteram o patrimônio líquido por si só; ajustam a apresentação e a correta segregação. Em fechamento, são comuns:

  • Parcelas de empréstimos: transferir do longo prazo para curto prazo a parcela vencível em até 12 meses.
  • Adiantamentos: distinguir adiantamento a fornecedores (ativo) de fornecedores (passivo).
  • Tributos: separar tributos a recuperar (ativo) de tributos a recolher (passivo).

Exemplo (reclassificação de empréstimo): saldo de empréstimo LP R$ 120.000, parcela de curto prazo R$ 20.000:

D – Empréstimos a Longo Prazo 20.000 C – Empréstimos a Curto Prazo 20.000

5) Conciliações (bancária e de contas-chave)

Conciliação é o confronto entre saldo contábil e fonte externa/auxiliar (extrato bancário, razão auxiliar de clientes, relatório de estoque, folha). Em prova, a conciliação bancária é recorrente: cheques emitidos não compensados, depósitos em trânsito, tarifas, juros, estornos.

Passo a passo da conciliação bancária:

  • 1) Compare saldo do extrato com saldo contábil de “Bancos”.
  • 2) Identifique itens temporários: cheques a compensar, depósitos em trânsito.
  • 3) Identifique itens que exigem lançamento: tarifas, juros, IOF, estornos, TEDs não registrados.
  • 4) Lance os itens pendentes na contabilidade e atualize o Razão.
  • 5) Reemita balancete ajustado.

Exemplo (tarifa bancária no extrato, não registrada): R$ 80:

D – Despesa Bancária 80 C – Bancos 80

Critérios de avaliação: estoques, ativos e passivos

Estoques: mensuração e impactos no resultado

Em geral, estoques são mensurados pelo menor entre custo e valor realizável líquido (VRL), quando aplicável. A banca costuma explorar: composição do custo (compra, impostos não recuperáveis, frete), métodos de custeio/valoração (PEPS, custo médio), e ajustes por perda/obsolescência.

Exemplo (ajuste ao VRL): estoque custo R$ 50.000, VRL estimado R$ 46.000. Ajuste de perda R$ 4.000:

D – Perda/Despesa com Ajuste de Estoques 4.000 C – Ajuste para Redução ao VRL (Redutora de Estoques) 4.000

Ativo imobilizado e intangível: custo, vida útil e recuperabilidade

Além de depreciação/amortização, pode haver necessidade de reconhecer perda por desvalorização (impairment) quando o valor contábil excede o valor recuperável (conforme enunciado). Em prova, atenção ao momento do reconhecimento e ao efeito: reduz ativo e reconhece despesa.

Exemplo (perda por desvalorização): valor contábil R$ 40.000, recuperável R$ 34.000. Perda R$ 6.000:

D – Perda por Desvalorização 6.000 C – Ajuste para Perda (Redutora do Ativo) 6.000

Passivos: mensuração e competência de encargos

Passivos financeiros e obrigações operacionais devem refletir encargos incorridos até a data-base. Em fechamento, são típicos: juros a apropriar, encargos sobre folha, tributos sobre receitas, fornecedores por notas recebidas e não lançadas.

Exemplo (juros incorridos e não pagos): juros do mês R$ 1.200:

D – Despesa de Juros 1.200 C – Juros a Pagar 1.200

Reconhecimento de receitas e despesas (competência aplicada)

Receitas

Regra prática para prova: reconhecer receita quando o desempenho/entrega do bem ou serviço ocorreu e é provável a entrada de benefícios econômicos, mensurável. Em serviços, frequentemente por estágio de execução ou por período (mensalidade, contrato de manutenção), conforme enunciado.

Exemplo (serviço prestado e faturado): prestação R$ 15.000 a prazo:

D – Clientes 15.000 C – Receita de Serviços 15.000

Exemplo (serviço prestado, ainda não faturado): competência exige reconhecer receita e direito a receber (conta “Receitas a Faturar” ou “Clientes a Faturar”, conforme plano):

D – Receita a Faturar (Ativo) 8.000 C – Receita de Serviços 8.000

Despesas

Despesas devem ser reconhecidas quando incorridas, independentemente de pagamento. Em fechamento, atenção a despesas de consumo (estoque para despesa), despesas a pagar (competência) e rateios (apropriações).

Exemplo (energia consumida no mês, fatura a pagar): R$ 2.500:

D – Despesa de Energia 2.500 C – Contas a Pagar 2.500

Eventos subsequentes: ajuste ou divulgação

Eventos subsequentes são fatos ocorridos entre a data-base das demonstrações e a data de autorização para emissão. Em prova, o núcleo é classificar:

  • Evento ajustável: fornece evidência de condição existente na data-base (ajusta valores). Ex.: decisão judicial após o encerramento confirmando obrigação já existente.
  • Evento não ajustável: indica condição surgida após a data-base (não ajusta; pode exigir divulgação). Ex.: incêndio após o encerramento que destrói estoque.

Exemplo (ajustável): em 31/12 havia ação provável estimada em R$ 50.000; em janeiro sai sentença confirmando R$ 60.000. Ajusta provisão para R$ 60.000 (diferença R$ 10.000):

D – Despesa com Contingências 10.000 C – Provisão para Contingências 10.000

Estudo de caso progressivo (mês a mês): escrituração, ajustes e fechamento

Considere a entidade “ServCont Jud” (prestação de serviços e venda eventual de materiais), com fechamento mensal. Plano de contas simplificado: Bancos, Clientes, Estoques, Imobilizado, Depreciação Acumulada, Fornecedores, Empréstimos CP/LP, Tributos a Recolher, Salários a Pagar, Receitas Diferidas, Capital Social, Receita de Serviços, CMV (ou Custo de Materiais Vendidos), Despesas (Administrativas, Bancárias, Depreciação, Juros).

Mês 1 (Janeiro): lançamentos e balancete inicial

Eventos de janeiro:

  • (J1) Integralização de capital em dinheiro: R$ 100.000.
  • (J2) Compra de equipamento à vista: R$ 60.000 (vida útil 60 meses, residual zero).
  • (J3) Compra de materiais para revenda a prazo: R$ 20.000.
  • (J4) Prestação de serviços a prazo (faturado): R$ 30.000.
  • (J5) Recebimento de clientes: R$ 18.000.
  • (J6) Pagamento parcial a fornecedores: R$ 8.000.
  • (J7) Venda de materiais (custo R$ 6.000) por R$ 10.000 à vista.
  • (J8) Despesa bancária no extrato: R$ 100 (não registrada até a conciliação).
  • (J9) Salários do mês incorridos e não pagos: R$ 5.000.

Escrituração (principais lançamentos):

(J1) D – Bancos 100.000 C – Capital Social 100.000 (J2) D – Imobilizado 60.000 C – Bancos 60.000 (J3) D – Estoques 20.000 C – Fornecedores 20.000 (J4) D – Clientes 30.000 C – Receita de Serviços 30.000 (J5) D – Bancos 18.000 C – Clientes 18.000 (J6) D – Fornecedores 8.000 C – Bancos 8.000 (J7a) D – Bancos 10.000 C – Receita de Vendas 10.000 (J7b) D – CMV 6.000 C – Estoques 6.000 (J9) D – Despesa de Salários 5.000 C – Salários a Pagar 5.000

Conciliação e ajuste (J8):

(J8) D – Despesa Bancária 100 C – Bancos 100

Ajuste de depreciação (jan): equipamento R$ 60.000 / 60 = R$ 1.000/mês.

(AJ1) D – Despesa de Depreciação 1.000 C – Depreciação Acumulada 1.000

Balancete (após ajustes) – visão resumida:

  • Ativos: Bancos; Clientes (12.000); Estoques (14.000); Imobilizado (60.000); (-) Depreciação Acumulada (1.000).
  • Passivos: Fornecedores (12.000); Salários a Pagar (5.000).
  • PL: Capital (100.000); Resultado do período (apurado na DRE).
  • Resultado (jan): Receitas (Serviços 30.000 + Vendas 10.000) – CMV (6.000) – Despesas (Salários 5.000 + Bancária 100 + Depreciação 1.000).

Mês 2 (Fevereiro): competência, reclassificação e conciliações

Eventos de fevereiro:

  • (F1) Prestação de serviços: R$ 25.000 (R$ 20.000 faturado a prazo; R$ 5.000 prestado e ainda não faturado).
  • (F2) Recebimento de clientes: R$ 15.000.
  • (F3) Pagamento de salários de janeiro: R$ 5.000.
  • (F4) Contratação de empréstimo bancário de R$ 30.000 em 01/02, juros 2% a.m., pagamento de juros no mês seguinte.
  • (F5) Compra de materiais para revenda à vista: R$ 9.000.
  • (F6) Venda de materiais (custo R$ 8.000) por R$ 13.000 a prazo.
  • (F7) Energia consumida no mês, fatura a pagar: R$ 1.800.
  • (F8) Conciliação bancária identifica TED recebida de cliente R$ 2.000 não registrada.

Lançamentos:

(F1a) D – Clientes 20.000 C – Receita de Serviços 20.000 (F1b) D – Receita a Faturar 5.000 C – Receita de Serviços 5.000 (F2) D – Bancos 15.000 C – Clientes 15.000 (F3) D – Salários a Pagar 5.000 C – Bancos 5.000 (F4) D – Bancos 30.000 C – Empréstimos a Curto Prazo 30.000 (F5) D – Estoques 9.000 C – Bancos 9.000 (F6a) D – Clientes 13.000 C – Receita de Vendas 13.000 (F6b) D – CMV 8.000 C – Estoques 8.000 (F7) D – Despesa de Energia 1.800 C – Contas a Pagar 1.800 (F8) D – Bancos 2.000 C – Clientes 2.000

Ajustes de fevereiro:

  • Depreciação: R$ 1.000.
  • Juros incorridos do empréstimo (2% sobre 30.000 = 600) a pagar.
(AF1) D – Despesa de Depreciação 1.000 C – Depreciação Acumulada 1.000 (AF2) D – Despesa de Juros 600 C – Juros a Pagar 600

Ponto de prova: a TED não registrada (F8) é ajuste de conciliação; não altera receita, apenas baixa cliente (se identificada como recebimento de cliente).

Mês 3 (Março): provisões, reclassificações e fechamento trimestral simulado

Eventos de março:

  • (M1) Pagamento de juros de fevereiro: R$ 600.
  • (M2) Prestação de serviços faturada: R$ 28.000 a prazo.
  • (M3) Recebimento de clientes: R$ 20.000.
  • (M4) Identificada perda por obsolescência: VRL do estoque remanescente é R$ 2.000 menor que o custo.
  • (M5) Ação judicial classificada como provável, estimada em R$ 12.000.
  • (M6) Reclassificação: do empréstimo CP, R$ 10.000 serão pagos em 24 meses (enunciado determina renegociação em 31/03).

Lançamentos:

(M1) D – Juros a Pagar 600 C – Bancos 600 (M2) D – Clientes 28.000 C – Receita de Serviços 28.000 (M3) D – Bancos 20.000 C – Clientes 20.000 (M4) D – Perda/Despesa com Ajuste de Estoques 2.000 C – Ajuste para Redução ao VRL 2.000 (M5) D – Despesa com Contingências 12.000 C – Provisão para Contingências 12.000 (M6) D – Empréstimos a Curto Prazo 10.000 C – Empréstimos a Longo Prazo 10.000

Ajuste de depreciação (mar):

(AM1) D – Despesa de Depreciação 1.000 C – Depreciação Acumulada 1.000

Apuração do resultado e lançamentos de encerramento

Demonstrações intermediárias: DRE gerencial (jan–mar)

Para fins de prova, a DRE pode ser montada somando receitas e deduzindo custos e despesas do período. A banca pode pedir o resultado de um mês específico (com ajustes) ou acumulado. Estruture assim:

  • Receitas: Serviços + Vendas.
  • (-) Deduções/Impostos sobre vendas (se o enunciado trouxer).
  • (-) Custos: CMV/CPV.
  • (-) Despesas operacionais: salários, energia, bancárias, depreciação, perdas com estoques, contingências.
  • (-) Despesas financeiras: juros.

Roteiro de apuração (passo a passo):

  • 1) Garanta que todos os ajustes do mês foram lançados (depreciação, juros, provisões, VRL, apropriações).
  • 2) Emita balancete ajustado.
  • 3) Some receitas e despesas para obter o resultado antes do encerramento.
  • 4) Faça os lançamentos de encerramento das contas de resultado.

Lançamentos de encerramento (modelo)

Um modelo comum é zerar receitas e despesas contra uma conta transitória “Apuração do Resultado” e, em seguida, transferir para “Lucros/Prejuízos Acumulados” (ou conta equivalente no PL). A nomenclatura pode variar; a lógica é o que a banca avalia.

1) Encerrar receitas:

D – Receita de Serviços XX D – Receita de Vendas XX C – Apuração do Resultado XX

2) Encerrar custos e despesas:

D – Apuração do Resultado XX C – CMV XX C – Despesa de Salários XX C – Despesa de Energia XX C – Despesa Bancária XX C – Despesa de Depreciação XX C – Despesa de Juros XX C – Perda com Estoques XX C – Despesa com Contingências XX

3) Transferir o resultado ao PL:

Se lucro:

D – Apuração do Resultado XX C – Lucros/Prejuízos Acumulados XX

Se prejuízo:

D – Lucros/Prejuízos Acumulados XX C – Apuração do Resultado XX

Questões de concurso contextualizadas (estilo certo/errado e múltipla escolha)

1) Competência e receita a faturar (C/E)

( ) Serviço prestado e ainda não faturado deve ser reconhecido como receita no período, com contrapartida em conta do ativo representando direito a receber.

2) Conciliação bancária (múltipla escolha)

Ao conciliar o extrato bancário, identificou-se tarifa de R$ 120 não registrada. O lançamento correto é:

  • A) D Bancos 120 / C Despesa Bancária 120
  • B) D Despesa Bancária 120 / C Bancos 120
  • C) D Fornecedores 120 / C Bancos 120
  • D) D Despesa Bancária 120 / C Fornecedores 120

3) Depreciação (múltipla escolha)

Equipamento: custo R$ 48.000, residual R$ 8.000, vida útil 40 meses. A depreciação mensal (método linear) é:

  • A) R$ 1.200
  • B) R$ 1.000
  • C) R$ 800
  • D) R$ 1.400

4) Provisão x contingência possível (C/E)

( ) Uma ação judicial classificada como possível deve ser reconhecida contabilmente como passivo, ainda que não seja provável a saída de recursos.

5) Estoques ao VRL (múltipla escolha)

Se o VRL do estoque for inferior ao custo, o ajuste deve:

  • A) Aumentar o estoque e reconhecer receita.
  • B) Reduzir o estoque (ou criar conta redutora) e reconhecer despesa/perda.
  • C) Reduzir o passivo e reconhecer receita.
  • D) Não ser reconhecido, apenas divulgado em nota.

Gabarito (para autocorreção)

  • 1) Certo
  • 2) B
  • 3) B
  • 4) Errado
  • 5) B

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Na conciliação bancária, ao identificar uma tarifa debitada no extrato e ainda não registrada na contabilidade, qual lançamento reflete corretamente o ajuste necessário?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A tarifa bancária é uma despesa incorrida e reduz o saldo de Bancos. Portanto, deve-se debitar a despesa e creditar Bancos para registrar a saída identificada no extrato.

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Demonstrações Contábeis e Análise para atuação no Judiciário

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