Erros Mais Comuns de Quem Começa no Violão e Como Corrigir Cada Um

Capítulo 13

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

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Neste capítulo você vai aprender a reconhecer os treze erros que mais travam quem está começando no violão e a corrigir cada um deles com um exercício curto. Nada aqui é novidade: todas as correções usam os acordes, as levadas e as regras que você já conhece dos capítulos anteriores. Pense neste capítulo como uma consulta de revisão. Cada erro aparece no mesmo formato: o problema que você ouve ou sente, a causa mais provável, a correção e um exercício de um ou dois minutos.

Erros da mão esquerda

Primeiro erro: cordas abafadas ou zumbindo no acorde. O problema é uma ou mais cordas soando surdas ou com um zumbido metálico. A causa costuma ser uma das três que você viu no capítulo quatro: um dedo deitado encostando na corda vizinha, pressão insuficiente ou o dedo longe do traste. Se o zumbido aparece mesmo em cordas soltas, o problema pode ser do instrumento, como visto no capítulo um. A correção é a checagem corda por corda, ajustando um dedo de cada vez. Exercício: monte Dó maior e toque as cinco cordas uma a uma, contando um, dois, três, quatro, cinco. Ao achar a corda ruim, mexa só no dedo responsável e toque de novo. Faça isso com cada um dos dez acordes do livro, um minuto por dia.

Segundo erro: o polegar da mão esquerda subindo por cima do braço. O problema é o polegar aparecendo acima da corda seis, com a mão fechada como quem segura um cabo de vassoura. Os outros dedos deitam e abafam tudo. A causa é cansaço, o braço do violão baixo demais ou a tentativa de olhar os dedos por cima. A correção é a posição do capítulo três: polegar P atrás do braço, mais ou menos na altura do dedo dois, e a cabeça do violão na altura do ombro. Exercício: monte Lá menor, olhe o polegar, toque, solte a mão e monte de novo com o polegar já no lugar certo. Repita dez vezes.

Mão esquerda montando um acorde no violão com o polegar atrás do braço e os dedos curvados

Terceiro erro: pulso quebrado. O problema é o pulso da mão esquerda dobrado em ângulo forte, para dentro ou para fora, muitas vezes com dor de alerta no punho. A causa é o cotovelo colado ao corpo ou o violão deitado demais no colo. A correção é afastar o cotovelo alguns centímetros do corpo, deixar o tampo quase vertical e manter o pulso quase reto. Se sentir dor, pare, solte a mão e descanse alguns minutos antes de voltar; dor não é sinal de esforço bem feito, é sinal de posição errada. Se a dor persistir ou voltar sempre, mesmo com a postura corrigida, procure um profissional de saúde antes de continuar praticando. Exercício: faça o cromatismo das casas um a quatro do capítulo três olhando o pulso em um espelho ou na câmera do celular.

Quarto erro: apertar demais e cansar. O problema é a mão cansar em dois minutos, com as pontas dos dedos brancas, e às vezes o acorde soar desafinado porque a corda é puxada para o lado. A causa é o medo de abafar. A correção é descobrir a pressão mínima: monte Mi menor, toque, e vá soltando a pressão aos poucos até a corda começar a zumbir. Volte só um pouco. Essa é a força necessária, e ela é menor do que você imagina. Exercício: repita esse teste uma vez em cada acorde que você já sabe.

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Quinto erro: pestana que só soa nas cordas do meio. O problema é o Fá completo ou o Si menor com as cordas um e seis, ou uma e dois, abafadas. A causa é o dedo um reto de frente, com a articulação do meio caindo bem em cima de uma corda, ou o polegar fora do centro do braço, ou ainda apertar em vez de puxar com o peso do braço, tudo tratado no capítulo dez. A correção é usar a lateral do dedo levemente girado, centralizar o polegar e deslizar o dedo um levemente para cima ou para baixo até que nenhuma articulação fique sobre uma corda. Exercício: pestana na casa cinco só com o dedo um, seis cordas, checagem corda por corda, respeitando o limite diário de pestana.

Erros da mão direita

Sexto erro: parar a mão direita a cada troca de acorde. O problema é a levada silenciar por um instante e recomeçar. A causa é o cérebro esperando a mão esquerda ficar pronta, por medo de tocar um acorde sujo. A correção é a regra do capítulo cinco: a mão direita nunca para, e a troca começa no tempo de preparação, o toque para cima do e do quatro. Aceite um toque meio sujo, ele é o preço da continuidade. Exercício: Mi menor e Lá menor em sessenta bpm com batida simples, depois com a levada de balada, deixando o som imperfeito mas sem parar a mão.

Sétimo erro: palheta escorregando ou som muito duro. O problema é a palheta girar nos dedos, cair dentro da boca do violão, ou produzir um som estalado e agressivo. A causa é ponta demais para fora, aperto forte, ângulo reto contra as cordas ou uma palheta grossa demais para acompanhamento. A correção é a pegada do capítulo oito: meio centímetro de ponta, leve inclinação, movimento de pulso e aperto leve, com palheta fina ou média. Exercício: toques para baixo em Mi menor na contagem um e dois e três e quatro e, começando com força mínima e aumentando até achar o volume bonito, sem estalo.

Oitavo erro: dedos da mão direita perdendo a corda no dedilhado. O problema é o dedo anular ou o médio tocar a corda errada ou pegar o vazio. A causa é a mão flutuando longe das cordas e a atenção dividida entre as duas mãos. A correção é a posição do capítulo nove: dedos i, m e a encostados nas cordas três, dois e um antes de puxar, polegar na corda do baixo, e a mão direita parada no mesmo lugar quando o acorde muda. Exercício: P-i-m-a sobre Lá menor com os olhos fechados durante cinco compassos, depois abra os olhos e confira se os dedos continuam nas cordas certas.

Erros de tempo e de canto

Nono erro: perder a contagem ao cantar. O problema é a mão direita desandar ou parar assim que a voz entra. A causa é tentar duas tarefas novas ao mesmo tempo. A correção é trabalhar em camadas: primeiro só a levada falando a letra no ritmo, depois cantando com um toque para baixo por tempo, e só então a levada completa. Exercício: pegue a progressão Sol, Ré, Mi menor, Dó e fale a letra de qualquer música conhecida por cima, com o metrônomo em sessenta bpm.

Décimo erro: acelerar ou atrasar em relação ao metrônomo. O problema é você se afastar do clique, quase sempre acelerando nas partes fáceis e atrasando nas trocas. A causa é não ouvir de fato o clique e escolher um andamento alto demais. A correção é baixar o andamento até tocar dentro dele e bater o pé no pulso. Exercício: um compasso tocando, um compasso em silêncio apenas escutando o clique e contando em voz alta, alternando por um minuto.

Décimo primeiro erro: tocar rápido demais antes de tocar limpo. O problema é a progressão até sair, mas cheia de notas abafadas e trocas atrasadas. A causa é a vontade de soar como a gravação original. A correção é a regra dos três acertos: só suba cinco bpm no método do minuto depois de três repetições seguidas limpas no andamento atual. Exercício: pegue a progressão em que você mais erra e coloque o metrônomo em cinquenta bpm, mais lento do que parece razoável, até ficar limpo.

Erros com o instrumento

Décimo segundo erro: capotraste torto desafinando. O problema é o violão soar desafinado com o capotraste, algumas cordas mais que outras. A causa é o capotraste longe do traste ou inclinado, puxando as cordas para o lado, ou apertado demais, empurrando as cordas contra o traste e deixando-as agudas. A correção é afinar o violão antes, sem o capotraste, e depois colocá-lo rente ao traste e paralelo a ele, com a pressão apenas suficiente, como no capítulo anterior, e conferir no afinador depois de colocar, sem girar as tarraxas com o capotraste no braço. Atenção: com o capotraste na casa três, o afinador vai mostrar nomes de notas diferentes das cordas soltas (Sol, Dó, Fá, Si bemol, Ré e Sol, da corda seis para a um, em vez de Mi, Lá, Ré, Sol, Si e Mi). Isso é normal e não é desafinação. Olhe apenas se a agulha está centralizada em cada corda. Exercício: coloque o capotraste na casa três, toque as seis cordas uma a uma sem pisar nenhuma casa e leia a agulha do afinador em cada uma. Se alguma corda ficar aguda ou puxada para o lado, solte o capotraste, reposicione e confira de novo, sem mexer nas tarraxas.

Décimo terceiro erro: violão desafinando rápido por cordas mal colocadas. O problema é afinar e, minutos depois, estar desafinado de novo. A causa é corda nova ainda esticando, poucas voltas na tarraxa, nó frouxo no cavalete ou tarraxa folgada. A correção é esticar cordas novas com delicadeza e reafinar várias vezes, como no capítulo dois, ou refazer a colocação com voltas suficientes conforme o capítulo um. Se persistir, leve a um luthier. Exercício: afine, toque cinco minutos, confira de novo e anote quais cordas desafinaram para descobrir onde está a folga.

Autodiagnóstico gravando no celular

Celular apoiado na mesa gravando uma pessoa tocando violão sentada

Você não consegue ouvir a si mesmo com atenção enquanto toca, porque está ocupado tocando. Por isso, grave. Apoie o celular em uma mesa, filmando as duas mãos, e toque um minuto de uma progressão com o metrônomo audível. Depois ouça a gravação três vezes, com fone se possível, e em cada vez preste atenção em uma coisa só.

  1. Na primeira vez, ouça só as notas. Alguma corda saiu abafada ou zumbindo? Em qual acorde?
  2. Na segunda vez, ouça só o tempo. A mão direita parou em alguma troca? Você ficou junto do clique ou se afastou dele?
  3. Na terceira vez, olhe o corpo. O polegar subiu por cima do braço? O pulso quebrou? O ombro subiu?

Anote o erro mais frequente e trabalhe só nele durante uma semana, com o exercício correspondente. Guarde as gravações e compare uma com a outra a cada quinze dias. A melhora que você não percebe no dia a dia fica evidente na comparação.

Resumo

Os treze erros deste capítulo se resolvem com o que você já sabe: checagem corda por corda para o abafamento, polegar atrás do braço e pulso reto para a postura, pressão mínima para o cansaço, a regra de que a mão direita nunca para, a prática em camadas para cantar e tocar, o andamento baixo com a regra dos três acertos para a limpeza, e o cuidado com capotraste e cordas para a afinação. Grave a si mesmo, ouça uma coisa por vez e corrija um erro por semana.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Por que a mão direita de um iniciante costuma parar durante as trocas de acordes, e qual é a estratégia recomendada para corrigir esse problema?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O sexto erro aborda especificamente o problema da mão direita silenciar durante as trocas de acordes. A causa é o medo de tocar um acorde sujo enquanto a mão esquerda ainda se posiciona. A correção enfatiza que a mão direita nunca deve parar, e que aceitar um som imperfeito é necessário para manter a continuidade da levada. Os outros erros tratam de problemas diferentes: pulso quebrado (terceiro erro) e palheta escorregando (sétimo erro).

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