Neste capítulo você vai aprender a reconhecer os treze erros que mais travam quem está começando no violão e a corrigir cada um deles com um exercício curto. Nada aqui é novidade: todas as correções usam os acordes, as levadas e as regras que você já conhece dos capítulos anteriores. Pense neste capítulo como uma consulta de revisão. Cada erro aparece no mesmo formato: o problema que você ouve ou sente, a causa mais provável, a correção e um exercício de um ou dois minutos.
Erros da mão esquerda
Primeiro erro: cordas abafadas ou zumbindo no acorde. O problema é uma ou mais cordas soando surdas ou com um zumbido metálico. A causa costuma ser uma das três que você viu no capítulo quatro: um dedo deitado encostando na corda vizinha, pressão insuficiente ou o dedo longe do traste. Se o zumbido aparece mesmo em cordas soltas, o problema pode ser do instrumento, como visto no capítulo um. A correção é a checagem corda por corda, ajustando um dedo de cada vez. Exercício: monte Dó maior e toque as cinco cordas uma a uma, contando um, dois, três, quatro, cinco. Ao achar a corda ruim, mexa só no dedo responsável e toque de novo. Faça isso com cada um dos dez acordes do livro, um minuto por dia.
Segundo erro: o polegar da mão esquerda subindo por cima do braço. O problema é o polegar aparecendo acima da corda seis, com a mão fechada como quem segura um cabo de vassoura. Os outros dedos deitam e abafam tudo. A causa é cansaço, o braço do violão baixo demais ou a tentativa de olhar os dedos por cima. A correção é a posição do capítulo três: polegar P atrás do braço, mais ou menos na altura do dedo dois, e a cabeça do violão na altura do ombro. Exercício: monte Lá menor, olhe o polegar, toque, solte a mão e monte de novo com o polegar já no lugar certo. Repita dez vezes.

Terceiro erro: pulso quebrado. O problema é o pulso da mão esquerda dobrado em ângulo forte, para dentro ou para fora, muitas vezes com dor de alerta no punho. A causa é o cotovelo colado ao corpo ou o violão deitado demais no colo. A correção é afastar o cotovelo alguns centímetros do corpo, deixar o tampo quase vertical e manter o pulso quase reto. Se sentir dor, pare, solte a mão e descanse alguns minutos antes de voltar; dor não é sinal de esforço bem feito, é sinal de posição errada. Se a dor persistir ou voltar sempre, mesmo com a postura corrigida, procure um profissional de saúde antes de continuar praticando. Exercício: faça o cromatismo das casas um a quatro do capítulo três olhando o pulso em um espelho ou na câmera do celular.
Quarto erro: apertar demais e cansar. O problema é a mão cansar em dois minutos, com as pontas dos dedos brancas, e às vezes o acorde soar desafinado porque a corda é puxada para o lado. A causa é o medo de abafar. A correção é descobrir a pressão mínima: monte Mi menor, toque, e vá soltando a pressão aos poucos até a corda começar a zumbir. Volte só um pouco. Essa é a força necessária, e ela é menor do que você imagina. Exercício: repita esse teste uma vez em cada acorde que você já sabe.
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Quinto erro: pestana que só soa nas cordas do meio. O problema é o Fá completo ou o Si menor com as cordas um e seis, ou uma e dois, abafadas. A causa é o dedo um reto de frente, com a articulação do meio caindo bem em cima de uma corda, ou o polegar fora do centro do braço, ou ainda apertar em vez de puxar com o peso do braço, tudo tratado no capítulo dez. A correção é usar a lateral do dedo levemente girado, centralizar o polegar e deslizar o dedo um levemente para cima ou para baixo até que nenhuma articulação fique sobre uma corda. Exercício: pestana na casa cinco só com o dedo um, seis cordas, checagem corda por corda, respeitando o limite diário de pestana.
Erros da mão direita
Sexto erro: parar a mão direita a cada troca de acorde. O problema é a levada silenciar por um instante e recomeçar. A causa é o cérebro esperando a mão esquerda ficar pronta, por medo de tocar um acorde sujo. A correção é a regra do capítulo cinco: a mão direita nunca para, e a troca começa no tempo de preparação, o toque para cima do e do quatro. Aceite um toque meio sujo, ele é o preço da continuidade. Exercício: Mi menor e Lá menor em sessenta bpm com batida simples, depois com a levada de balada, deixando o som imperfeito mas sem parar a mão.
Sétimo erro: palheta escorregando ou som muito duro. O problema é a palheta girar nos dedos, cair dentro da boca do violão, ou produzir um som estalado e agressivo. A causa é ponta demais para fora, aperto forte, ângulo reto contra as cordas ou uma palheta grossa demais para acompanhamento. A correção é a pegada do capítulo oito: meio centímetro de ponta, leve inclinação, movimento de pulso e aperto leve, com palheta fina ou média. Exercício: toques para baixo em Mi menor na contagem um e dois e três e quatro e, começando com força mínima e aumentando até achar o volume bonito, sem estalo.
Oitavo erro: dedos da mão direita perdendo a corda no dedilhado. O problema é o dedo anular ou o médio tocar a corda errada ou pegar o vazio. A causa é a mão flutuando longe das cordas e a atenção dividida entre as duas mãos. A correção é a posição do capítulo nove: dedos i, m e a encostados nas cordas três, dois e um antes de puxar, polegar na corda do baixo, e a mão direita parada no mesmo lugar quando o acorde muda. Exercício: P-i-m-a sobre Lá menor com os olhos fechados durante cinco compassos, depois abra os olhos e confira se os dedos continuam nas cordas certas.
Erros de tempo e de canto
Nono erro: perder a contagem ao cantar. O problema é a mão direita desandar ou parar assim que a voz entra. A causa é tentar duas tarefas novas ao mesmo tempo. A correção é trabalhar em camadas: primeiro só a levada falando a letra no ritmo, depois cantando com um toque para baixo por tempo, e só então a levada completa. Exercício: pegue a progressão Sol, Ré, Mi menor, Dó e fale a letra de qualquer música conhecida por cima, com o metrônomo em sessenta bpm.
Décimo erro: acelerar ou atrasar em relação ao metrônomo. O problema é você se afastar do clique, quase sempre acelerando nas partes fáceis e atrasando nas trocas. A causa é não ouvir de fato o clique e escolher um andamento alto demais. A correção é baixar o andamento até tocar dentro dele e bater o pé no pulso. Exercício: um compasso tocando, um compasso em silêncio apenas escutando o clique e contando em voz alta, alternando por um minuto.
Décimo primeiro erro: tocar rápido demais antes de tocar limpo. O problema é a progressão até sair, mas cheia de notas abafadas e trocas atrasadas. A causa é a vontade de soar como a gravação original. A correção é a regra dos três acertos: só suba cinco bpm no método do minuto depois de três repetições seguidas limpas no andamento atual. Exercício: pegue a progressão em que você mais erra e coloque o metrônomo em cinquenta bpm, mais lento do que parece razoável, até ficar limpo.
Erros com o instrumento
Décimo segundo erro: capotraste torto desafinando. O problema é o violão soar desafinado com o capotraste, algumas cordas mais que outras. A causa é o capotraste longe do traste ou inclinado, puxando as cordas para o lado, ou apertado demais, empurrando as cordas contra o traste e deixando-as agudas. A correção é afinar o violão antes, sem o capotraste, e depois colocá-lo rente ao traste e paralelo a ele, com a pressão apenas suficiente, como no capítulo anterior, e conferir no afinador depois de colocar, sem girar as tarraxas com o capotraste no braço. Atenção: com o capotraste na casa três, o afinador vai mostrar nomes de notas diferentes das cordas soltas (Sol, Dó, Fá, Si bemol, Ré e Sol, da corda seis para a um, em vez de Mi, Lá, Ré, Sol, Si e Mi). Isso é normal e não é desafinação. Olhe apenas se a agulha está centralizada em cada corda. Exercício: coloque o capotraste na casa três, toque as seis cordas uma a uma sem pisar nenhuma casa e leia a agulha do afinador em cada uma. Se alguma corda ficar aguda ou puxada para o lado, solte o capotraste, reposicione e confira de novo, sem mexer nas tarraxas.
Décimo terceiro erro: violão desafinando rápido por cordas mal colocadas. O problema é afinar e, minutos depois, estar desafinado de novo. A causa é corda nova ainda esticando, poucas voltas na tarraxa, nó frouxo no cavalete ou tarraxa folgada. A correção é esticar cordas novas com delicadeza e reafinar várias vezes, como no capítulo dois, ou refazer a colocação com voltas suficientes conforme o capítulo um. Se persistir, leve a um luthier. Exercício: afine, toque cinco minutos, confira de novo e anote quais cordas desafinaram para descobrir onde está a folga.
Autodiagnóstico gravando no celular

Você não consegue ouvir a si mesmo com atenção enquanto toca, porque está ocupado tocando. Por isso, grave. Apoie o celular em uma mesa, filmando as duas mãos, e toque um minuto de uma progressão com o metrônomo audível. Depois ouça a gravação três vezes, com fone se possível, e em cada vez preste atenção em uma coisa só.
- Na primeira vez, ouça só as notas. Alguma corda saiu abafada ou zumbindo? Em qual acorde?
- Na segunda vez, ouça só o tempo. A mão direita parou em alguma troca? Você ficou junto do clique ou se afastou dele?
- Na terceira vez, olhe o corpo. O polegar subiu por cima do braço? O pulso quebrou? O ombro subiu?
Anote o erro mais frequente e trabalhe só nele durante uma semana, com o exercício correspondente. Guarde as gravações e compare uma com a outra a cada quinze dias. A melhora que você não percebe no dia a dia fica evidente na comparação.
Resumo
Os treze erros deste capítulo se resolvem com o que você já sabe: checagem corda por corda para o abafamento, polegar atrás do braço e pulso reto para a postura, pressão mínima para o cansaço, a regra de que a mão direita nunca para, a prática em camadas para cantar e tocar, o andamento baixo com a regra dos três acertos para a limpeza, e o cuidado com capotraste e cordas para a afinação. Grave a si mesmo, ouça uma coisa por vez e corrija um erro por semana.