Envolvimento das equipes na identificação e validação do Mapa de Riscos

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Por que envolver as equipes na identificação e validação

O envolvimento das equipes é o método de organizar a participação de trabalhadores e lideranças para identificar perigos e confirmar (validar) se o Mapa de Riscos representa a realidade da área. Na prática, isso significa combinar percepções de quem executa o trabalho com evidências observáveis (condições do ambiente, tarefas reais, registros e ocorrências), transformando tudo em um mapa que seja compreendido, aceito e usado no dia a dia.

Quando a equipe participa, o mapa tende a ficar mais preciso (menos “achismos”), mais útil (aponta o que realmente interfere no trabalho) e mais sustentável (as pessoas reconhecem o que foi registrado e ajudam a manter atualizado).

Roteiro de participação: do convite à validação do que será exibido

Visão geral do fluxo

  • Preparar: definir áreas, agenda, participantes e materiais.
  • Reuniões rápidas por área: alinhar objetivo, coletar percepções e priorizar pontos para observar.
  • Caminhada de segurança guiada: observar o trabalho e o ambiente, registrando evidências.
  • Consolidar e tratar divergências: organizar registros, checar evidências e documentar discordâncias.
  • Validação: confirmar com a área o que será exibido no mapa (conteúdo e forma de comunicação).

1) Preparação (antes de envolver a área)

Objetivo: garantir que a participação seja rápida, respeitosa e baseada em fatos.

  • Defina o escopo da rodada: qual área/setor será trabalhado, quais turnos e quais atividades serão observadas (incluindo variações como setup, limpeza, manutenção, troca de turno).
  • Escolha participantes: inclua quem executa a tarefa, liderança imediata e apoio técnico quando aplicável.
  • Separe materiais: planta simples da área (ou croqui), prancheta/planilha, caneta, celular/câmera (se permitido), EPIs necessários para a visita, lista de verificação de observação.
  • Combine regras de condução (ver seção “Regras para garantir qualidade”).

Dica prática: planeje sessões curtas e repetíveis. É melhor fazer 3 rodadas de 30–40 minutos em horários diferentes do que uma reunião longa que não pega a realidade do trabalho.

2) Reuniões rápidas por área (15–25 minutos)

Objetivo: coletar percepções, identificar pontos críticos e preparar a caminhada guiada.

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Formato sugerido: em pé, no próprio setor (quando seguro), com no máximo 8–12 pessoas por rodada. Se a equipe for maior, faça mais de uma rodada.

  • Abertura (2–3 min): explique que a atividade é para representar riscos e condições reais, sem caça a culpados.
  • Coleta de percepções (8–12 min): pergunte e registre em linguagem simples. Exemplos de perguntas úteis:
    • “Em quais momentos do dia o trabalho fica mais arriscado?”
    • “Quais tarefas mudam muito (variam) e por quê?”
    • “Onde já aconteceu quase-acidente ou incidente?”
    • “O que costuma falhar: equipamento, processo, organização, comunicação?”
    • “Quais controles existem e quando não funcionam?”
  • Priorizar o que observar (3–5 min): escolha 3–5 pontos para a caminhada (locais e tarefas).
  • Combinar a caminhada (2–3 min): definir trajeto, duração, quem acompanha, e cuidados (não interromper operação crítica, respeitar áreas restritas).

Registro recomendado: use uma tabela simples com colunas: “tarefa/local”, “percepção do risco”, “evidência a verificar”, “observações”. Isso ajuda a transformar opinião em hipótese verificável.

3) Caminhada de segurança guiada (20–45 minutos)

Objetivo: observar evidências no local, confirmando ou ajustando o que foi levantado na reunião rápida.

Como conduzir:

  • Comece pelo trabalho real: observe uma tarefa acontecendo (quando possível) em vez de olhar apenas o ambiente parado.
  • Use roteiro por pontos: siga os 3–5 pontos priorizados e registre o que é visto/medido/confirmado.
  • Faça perguntas curtas durante a observação: “Quando isso acontece?”, “Com que frequência?”, “O que muda quando está corrido?”, “Qual é o improviso mais comum?”.
  • Registre evidências: condições físicas (proteções, sinalização, rotas), organização (armazenamento, fluxo), comportamento observado (sem expor pessoas), e documentos disponíveis no posto (procedimentos, permissões, checklists).
  • Identifique variações: se o risco aparece só em manutenção, limpeza, troca de ferramenta, abastecimento, etc., registre explicitamente.

Exemplos de evidências úteis:

  • Proteção de máquina ausente, danificada ou “bypassada” (observação direta).
  • Rotas de circulação com obstáculos recorrentes (foto/registro e horário).
  • Ruído percebido como alto: registrar ponto, horário e fonte (e, se houver, leitura de medição disponível).
  • Uso de produto químico: verificar rótulo, local de armazenamento, ventilação e disponibilidade de FISPQ no setor.
  • Trabalho em altura: checar pontos de ancoragem, condição de escadas/plataformas e método usado na prática.

4) Coleta estruturada de percepções (sem perder a objetividade)

Percepções são valiosas porque revelam “o que acontece quando ninguém está olhando” (pressa, improvisos, falhas intermitentes). Para manter qualidade, transforme percepções em itens verificáveis.

Percepção relatadaComo transformar em verificaçãoExemplo de evidência
“Aqui sempre escorrega quando chove.”Checar pontos de entrada de água, drenagem, tipo de piso, rotina de limpeza e horários.Registro de ocorrência, marcas no piso, fotos em dia de chuva, relato de turno.
“A empilhadeira passa muito perto.”Mapear fluxo real, horários de pico, largura de corredor, segregação e sinalização.Observação em horário de pico, marcas no chão, quase-acidentes relatados.
“O exaustor não dá conta.”Verificar manutenção, funcionamento, posição de captação e queixas recorrentes.Ordem de serviço, filtro saturado, fumaça/névoa visível, relatos consistentes.

5) Consolidação e validação do que será exibido

Objetivo: garantir que o conteúdo do mapa (o que aparece e como aparece) esteja correto, compreensível e aprovado pela área.

Passo a passo:

  • Organize os registros: agrupe por local/tarefa e destaque o que tem evidência forte, o que é provável e o que precisa de confirmação adicional.
  • Checagem rápida com manutenção (quando aplicável): confirmar condições de máquinas, proteções, intertravamentos, ventilação, iluminação, alarmes, e pendências de OS que impactam risco.
  • Checagem com CIPA/SSMT (quando aplicável): alinhar consistência técnica, linguagem e aderência a práticas internas (sem transformar a validação em “auditoria”).
  • Reunião de validação por área (20–30 min): apresentar o rascunho do mapa (ou recorte da área) e confirmar item a item:
    • O risco está no lugar certo?
    • A descrição está clara para quem trabalha aqui?
    • O risco acontece em qual tarefa/condição?
    • Há algo importante faltando?
    • Há algo que não representa a realidade?
  • Registrar divergências: se houver discordância, documente (ver seção “Regras de condução”).
  • Ajustar e preparar publicação: aplicar correções, padronizar termos e garantir legibilidade.

Papéis e responsabilidades (quem faz o quê)

Facilitador (pode ser do SSMT, qualidade, liderança treinada ou consultor interno)

  • Planejar agenda, conduzir reuniões rápidas e caminhada guiada.
  • Garantir as regras de condução (respeito, foco em evidências, tempo).
  • Fazer perguntas que esclareçam tarefa, frequência e condição.
  • Registrar de forma neutra, sem julgamento e sem expor pessoas.
  • Consolidar informações e preparar o rascunho para validação.

Representante da área (operador experiente e/ou líder do setor)

  • Indicar tarefas reais, variações e momentos críticos (pico, setup, limpeza).
  • Apontar locais e situações que “não aparecem” em visitas rápidas.
  • Ajudar a traduzir termos técnicos para linguagem do time.
  • Confirmar se o mapa está compreensível e aplicável no dia a dia.

Manutenção

  • Confirmar condições de equipamentos e proteções, e limitações técnicas.
  • Informar falhas recorrentes, pendências e controles existentes.
  • Apoiar na verificação de evidências (ex.: funcionamento de exaustão, alarmes, intertravamentos) dentro das regras de segurança.

CIPA e/ou SSMT (quando aplicável)

  • Apoiar na metodologia, padronização e coerência do registro.
  • Contribuir com visão transversal (riscos comuns entre áreas, lições aprendidas).
  • Garantir que o mapa seja um instrumento de comunicação e não um documento “para arquivo”.

Liderança (supervisão/coordenação/gerência)

  • Assegurar tempo e prioridade para participação (sem punição por apontar problemas).
  • Remover barreiras (acesso a áreas, autorização para registros, agenda por turno).
  • Validar o resultado final do ponto de vista operacional (sem “suavizar” riscos).

Regras de condução para garantir qualidade e confiança

  • Foco em evidências: toda percepção deve buscar confirmação por observação, registro, condição física ou consistência de relatos. Quando não houver evidência, registrar como “a confirmar”.
  • Linguagem respeitosa e neutra: descreva condições e tarefas, não pessoas. Ex.: prefira “proteção removida durante ajuste” em vez de “operador remove proteção”.
  • Sem caça a culpados: o objetivo é comunicação de perigos e melhoria, não disciplina.
  • Registrar divergências: quando houver discordância, documente: quem diverge (função, não nome), qual ponto, qual evidência apresentada, e qual ação para resolver (nova observação, medição, consulta técnica).
  • Representatividade: incluir pelo menos um participante por turno ou por variação relevante de tarefa, quando existirem diferenças.
  • Tempo e objetividade: reuniões rápidas com pauta fixa; caminhada com trajeto definido; evitar debates longos no local.
  • Segurança durante a atividade: cumprir regras do setor, EPIs e permissões. Se algo crítico for identificado, tratar como ação imediata (não esperar a publicação do mapa).

Modelo simples de registro de divergências

Item: Risco em (local/tarefa) ____________________________  Data: ___/___/____  Turno: ___  Participantes (funções): ____________________  Descrição do ponto: ____________________________________  Posição A (resumo): ____________________________________  Evidências apresentadas (A): ____________________________  Posição B (resumo): ____________________________________  Evidências apresentadas (B): ____________________________  Decisão provisória para o mapa: ( ) incluir  ( ) incluir com observação  ( ) não incluir por enquanto  Ação para resolver: ____________________________________  Responsável: __________________  Prazo: ___/___/____

Checklist de validação antes de publicar o mapa

  • Representatividade
    • ( ) Houve participação de trabalhadores da área (incluindo variações de turno/tarefa quando aplicável).
    • ( ) A liderança da área participou ou revisou o rascunho.
  • Qualidade do conteúdo
    • ( ) Cada item do mapa está associado a um local/tarefa real (não genérico).
    • ( ) Há evidência registrada para os principais pontos (observação, registro, condição física, consistência de relatos).
    • ( ) Itens “a confirmar” estão identificados e têm ação definida.
    • ( ) Não há linguagem que atribua culpa a pessoas; o texto descreve condições e situações.
  • Clareza e comunicação
    • ( ) A linguagem está compreensível para quem trabalha na área.
    • ( ) O mapa está legível no tamanho e local de exposição previstos (contraste, símbolos, organização).
    • ( ) O que será exibido não expõe dados pessoais, nomes ou informações sensíveis.
  • Alinhamentos técnicos e operacionais
    • ( ) Manutenção revisou itens relacionados a máquinas/instalações quando aplicável.
    • ( ) CIPA/SSMT revisou consistência e padronização quando aplicável.
    • ( ) Divergências foram registradas e tratadas (decisão provisória + ação).
  • Prontidão para uso
    • ( ) Responsável pela atualização do mapa na área está definido.
    • ( ) Data de validação e versão do mapa estão registradas internamente.
    • ( ) Há um canal definido para a equipe reportar mudanças após a publicação (ex.: líder, CIPA/SSMT, formulário interno).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual prática melhor garante que o Mapa de Riscos represente a realidade da área e seja aceito para uso no dia a dia?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A participação estruturada une percepções e evidências (observação, registros e condições reais), reduz “achismos” e permite validar com a área o conteúdo e a forma do mapa, tornando-o mais preciso e utilizável.

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Representação visual do Mapa de Riscos: planta, símbolos, legenda e clareza

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