Na investigação, a qualidade da informação depende menos de “perguntas certas” e mais de método, limites legais e documentação adequada. Este capítulo diferencia entrevista, oitiva informal, depoimento formal e interrogatório, e apresenta técnicas aplicáveis para obter relatos completos, verificáveis e juridicamente utilizáveis, sem indução, coação ou vieses.
1) Conceitos e diferenças operacionais
Entrevista (investigativa)
O que é: conversa estruturada para obter informações iniciais, mapear fatos, pessoas, locais, rotinas e possíveis evidências. Pode ocorrer com comunicantes, vítimas, testemunhas, informantes e até suspeitos, desde que respeitados direitos e voluntariedade.
Objetivo: ampliar o quadro informacional, gerar hipóteses e orientar diligências (checagens, buscas de registros, identificação de câmeras, rotas, vínculos).
Limites: não pode se confundir com interrogatório formal; não se deve prometer benefícios, ameaçar, constranger ou “fechar” versão. Se a pessoa estiver na condição de suspeita e houver risco de autoincriminação, redobre cautelas e garanta ciência de direitos (inclusive o de permanecer em silêncio), evitando condução coercitiva indevida.
Documentação: notas de campo e relatório interno; quando pertinente, registro formal (termo) do que foi informado, com indicação de contexto, data, local, participantes e forma de obtenção.
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Oitiva informal
O que é: coleta rápida de informações em contexto não formalizado (ex.: vizinhança, porteiro, comerciante), geralmente para localizar fontes, confirmar detalhes logísticos e levantar nomes.
Objetivo: triagem e direcionamento de diligências, sem pretensão imediata de prova.
Limites: cuidado com boatos e “telefone sem fio”; não atribuir certeza a informações não verificadas. Evitar exposição indevida de pessoas e dados sensíveis.
Documentação: registro em relatório com identificação mínima da fonte (quando possível), grau de confiabilidade, e o que será checado. Se a fonte não quiser se identificar, registrar como “fonte não identificada”, descrevendo circunstâncias e motivos, sem inventar dados.
Depoimento formal
O que é: ato formal de colheita de declarações (vítima/testemunha/informante) com registro em termo, observando formalidades e garantindo fidelidade do relato.
Objetivo: produzir elemento informativo formalizado, com narrativa clara, cronologia e detalhes verificáveis.
Limites: vedada indução; deve-se respeitar direitos, integridade e condições especiais (ex.: vulneráveis). O depoente deve compreender o que está sendo registrado e poder corrigir.
Documentação: termo de declarações/depoimento com identificação, advertências cabíveis, perguntas e respostas (ou narrativa), assinaturas e anexos (prints, fotos, documentos).
Interrogatório
O que é: ato formal de oitiva do investigado/acusado, com garantias reforçadas (direito ao silêncio, assistência de defesa quando aplicável, não autoincriminação).
Objetivo: oportunizar versão do investigado e esclarecer pontos objetivos (tempo, deslocamentos, vínculos, posse de objetos), permitindo confronto com evidências já colhidas.
Limites: não pode haver coação, promessa, ameaça, “barganha” indevida ou perguntas capciosas. Deve-se respeitar a voluntariedade e as formalidades legais e institucionais. Se houver sinais de incapacidade de compreensão (álcool/drogas, transtorno agudo, exaustão), adiar.
Documentação: termo de interrogatório, com advertência expressa do direito ao silêncio e registro fiel das respostas, inclusive negativas e recusas.
2) Objetivos, riscos e critérios de escolha do formato
- Use entrevista quando ainda há lacunas e você precisa mapear o cenário, sem “engessar” a narrativa.
- Use oitiva informal para triagem rápida e localização de fontes/evidências, sempre com checagem posterior.
- Use depoimento formal quando a informação já é relevante e precisa ser documentada com clareza, cronologia e verificabilidade.
- Use interrogatório quando o foco é a versão do investigado diante de elementos já levantados, respeitando garantias e formalidades.
Riscos comuns: contaminação de memória (sugestão), viés de confirmação (perguntar só para “provar” hipótese), registro incompleto (sem horários/locais), e “efeito roteiro” (forçar a pessoa a caber numa sequência que não é dela).
3) Preparação: antes de falar com a pessoa
Checklist de planejamento
- Defina o objetivo: o que preciso saber ao final? (ex.: linha do tempo, identificação de autores, rota de fuga, origem de objeto).
- Liste tópicos (não perguntas): pessoas, lugares, objetos, comunicações, deslocamentos, horários, motivos, conflitos.
- Separe o que é fato (confirmado) do que é hipótese (a confirmar).
- Planeje evidências de checagem: câmeras, bilhetes, registros telefônicos, geolocalização, recibos, redes sociais, logs, testemunhas cruzadas.
- Defina ambiente: local reservado, sem interrupções, com água, assentos adequados, e sem exposição desnecessária.
- Decida a forma de registro: termo, gravação autorizada/permitida conforme normas, notas estruturadas.
Cuidados com voluntariedade, direitos e formalidades
- Voluntariedade: deixe claro que a pessoa pode interromper, pedir pausa e esclarecer dúvidas. Evite linguagem de comando (“você tem que…”).
- Direitos: em especial quando houver risco de autoincriminação, informe direito ao silêncio e a não produzir prova contra si, e registre a ciência.
- Condições pessoais: avalie fadiga, medo, intoxicação, dor, necessidade de acompanhante, barreiras linguísticas. Se necessário, adie ou providencie suporte.
- Integridade do relato: evite expor ao depoente detalhes de provas ainda não públicas que possam “ensinar” a narrativa.
4) Técnicas de comunicação e escuta ativa
Postura e rapport profissional
- Apresentação objetiva: identifique-se, explique o propósito e o formato (entrevista/depoimento/interrogatório).
- Neutralidade: não demonstre aprovação/reprovação; mantenha tom calmo e ritmo constante.
- Controle do ambiente: reduza distrações, evite presença de terceiros que influenciem (familiares, colegas, curiosos), salvo necessidade legal.
Escuta ativa aplicada
- Paráfrase: “Então, você saiu às 19h e foi direto ao ponto X, correto?”
- Reflexão de conteúdo: “Você mencionou ‘uma discussão’. O que exatamente foi dito?”
- Silêncio produtivo: após resposta curta, aguarde 3–5 segundos; muitas pessoas complementam espontaneamente.
- Marcadores de precisão: “Quando você diz ‘cedo’, era antes ou depois das 8h?”
Perguntas abertas, fechadas e de precisão
Abertas (exploram): “Conte, do começo ao fim, o que aconteceu.”
Fechadas (confirmam): “Era uma camiseta preta?”
De precisão (quantificam): “Quantos minutos você ficou lá? Aproximadamente.”
De contraste (checagem): “Antes você disse que não viu ninguém. Depois mencionou um homem na esquina. Em que momento você o percebeu?”
Evite perguntas sugestivas: “Foi o João que te ameaçou, não foi?” Prefira: “Quem te ameaçou? Como você sabe?”
5) Método da linha do tempo e reconstrução do evento
Passo a passo prático (linha do tempo)
- 1. Marco zero: defina o evento central (ex.: “momento do disparo”, “momento da subtração”).
- 2. Antes–durante–depois: peça narrativa livre primeiro; só depois organize em sequência.
- 3. Pontos fixos: ancore em horários verificáveis (entrada no trabalho, mensagem enviada, recibo, câmera).
- 4. Microeventos: quebre em blocos (chegada, interação, deslocamento, saída).
- 5. Elementos verificáveis: para cada bloco, pergunte “como podemos confirmar?” (câmera, testemunha, registro).
- 6. Incertezas: registre dúvidas como dúvidas (“aprox.”, “não recorda”), sem forçar precisão.
Técnica de “varredura sensorial” (sem sugestão)
Para ampliar detalhes sem induzir, use perguntas neutras por canal:
- Visão: “O que você viu primeiro? E depois?”
- Audição: “Você ouviu algo? Como descreveria o som?”
- Ambiente: “Como estava a iluminação? Havia movimento?”
- Interações: “Quem falou com quem? Quais palavras você lembra?”
6) Checagem de inconsistências e avaliação de credibilidade sem vieses
Inconsistência não é sinônimo de mentira
Memória humana é falível, especialmente sob estresse. Inconsistências podem surgir por confusão temporal, influência de terceiros, medo, vergonha ou lacunas naturais. O foco é testar verificabilidade, não “pegar contradição”.
Ferramentas práticas de checagem
- Repetição em ordem diferente: peça para contar “de trás para frente” (do final ao começo) para testar estrutura sem acusar.
- Detalhes periféricos verificáveis: clima, iluminação, música, fila, uniforme, placa parcial.
- Confronto com pontos fixos: “Você disse 22h, mas o comprovante mostra 23h10. Pode me ajudar a entender?”
- Triangulação: compare com outras fontes independentes (câmeras, registros, outras testemunhas).
Evitar vieses na avaliação
- Viés de confirmação: formule perguntas que possam refutar sua hipótese (“O que indicaria que não foi ele?”).
- Viés de aparência/comportamento: nervosismo, choro, raiva ou frieza não provam nada isoladamente.
- Viés cultural: diferenças de linguagem, contato visual e gestos variam; foque em consistência e verificabilidade.
7) Roteiros práticos de coleta de informações
Roteiro 1 — Entrevista inicial com vítima (foco em fatos e necessidades)
- Abertura: identificação, propósito, tempo estimado, voluntariedade, possibilidade de pausa.
- Narrativa livre: “Conte com suas palavras o que aconteceu.”
- Clarificação: quem, o quê, quando, onde, como, com que meios.
- Linha do tempo: antes–durante–depois, com pontos fixos verificáveis.
- Descrição de envolvidos: características observadas, sem sugerir (altura aproximada, roupas, voz, tatuagens).
- Objetos e danos: o que foi levado/afetado, números de série, marcas, fotos, notas fiscais.
- Riscos imediatos: ameaças, perseguição, necessidade de medidas protetivas (quando cabível) e orientações institucionais.
- Fontes de prova: câmeras, mensagens, ligações, testemunhas, rotas.
Roteiro 2 — Oitiva informal de vizinho/porteiro (triagem)
- Contexto: “Estou levantando informações sobre um fato ocorrido em tal data/horário.”
- Pergunta aberta: “O que o senhor(a) percebeu naquele período?”
- Foco em verificáveis: “Havia veículo? Cor? Direção? Alguma placa parcial?”
- Checagem de fonte: “O senhor viu pessoalmente ou ouviu de alguém?”
- Encaminhamento: se houver informação relevante, convidar para depoimento formal, explicando finalidade e voluntariedade.
Roteiro 3 — Depoimento formal de testemunha (clareza e verificabilidade)
- Qualificação: identificação completa, contatos, relação com envolvidos.
- Advertências: compromisso com a verdade conforme procedimento aplicável; registrar que compreendeu.
- Narrativa livre: sem interrupção inicial.
- Detalhamento: perguntas de precisão, sem sugestão.
- Verificabilidade: “Como sabe disso?” “Quem mais viu?” “Há mensagens/registros?”
- Fechamento: leitura do termo, correções, assinaturas, anexos.
Roteiro 4 — Interrogatório (investigado) orientado por evidências
- Formalidades e direitos: registrar ciência do direito ao silêncio e demais garantias aplicáveis.
- Versão livre: “O que você tem a dizer sobre os fatos?”
- Perguntas por blocos: identidade/rotina; deslocamentos; contatos; posse de objetos; eventos-chave.
- Confronto técnico: apresentar inconsistências com base em elementos objetivos, sem acusação emocional: “Temos registro de você no local às 21h40. Como explica?”
- Registro de negativas: “nega”, “não recorda”, “prefere não responder” devem constar fielmente.
8) Simulações com transcrições comentadas
Simulação A — Entrevista com vítima de roubo (boa prática)
Investigador: Quero entender o que aconteceu. Você pode me contar, do começo ao fim, com suas palavras? (aberta, narrativa livre) Vítima: Eu saí do trabalho e fui para o ponto de ônibus. Aí um homem chegou e puxou meu celular. Investigador: Certo. Vamos por partes. Antes de ele chegar, onde você estava exatamente e que horas eram, aproximadamente? (linha do tempo + precisão sem sugerir) Vítima: Eu estava perto da banca, acho que umas 19h20. Investigador: Quando você diz “perto da banca”, era do lado de qual rua? (clarificação espacial) Vítima: Na esquina da Rua A com a Rua B. Investigador: Você viu o rosto dele ou alguma característica marcante? (aberta direcionada) Vítima: Eu vi de lado… ele tinha uma tatuagem no pescoço. Investigador: Você consegue descrever a tatuagem com suas palavras? (evita sugestão) Vítima: Parecia uma estrela pequena. Investigador: Depois que ele pegou o celular, para onde ele foi? (sequência e rota) Vítima: Correu para a Rua B, sentido praça. Investigador: Há algo que possa confirmar horário e local? Mensagem, recibo, câmera, alguém com você? (verificabilidade) Vítima: Tem câmera na banca e eu mandei mensagem às 19h18 para minha irmã.Comentários técnicos: começa com narrativa livre; organiza em linha do tempo; usa clarificação espacial; evita sugerir detalhes (“era uma estrela, né?”); busca pontos verificáveis (câmera, mensagem).
Simulação B — Depoimento formal com inconsistência (checagem sem acusar)
Investigador: Você mencionou que chegou ao bar por volta de 21h. Como você estimou esse horário? (verificabilidade) Testemunha: Eu acho que era 21h porque já estava escuro. Investigador: Entendi. Você lembra se olhou o celular, viu um relógio ou se houve algum evento que marque o horário? (pontos fixos) Testemunha: Agora que você falou, eu paguei um lanche no cartão. Investigador: Ótimo. Você autoriza informar o horário aproximado da compra para ajudar a fixar a linha do tempo? (consentimento e checagem) Testemunha: Sim. Investigador: Antes você disse que viu “dois homens”. Depois mencionou “um terceiro” perto do carro. Em que momento você percebeu essa terceira pessoa? (contraste sem acusação) Testemunha: Foi depois, quando eu saí do banheiro. Eu tinha esquecido disso.Comentários técnicos: a inconsistência é tratada como lacuna de memória; o investigador busca âncoras verificáveis (compra no cartão) e delimita o momento de percepção do “terceiro”, sem rotular como mentira.
Simulação C — Interrogatório com confronto técnico (sem coação)
Investigador: Você está ciente do seu direito de permanecer em silêncio e de não produzir prova contra si? (garantia) Investigado: Sim. Investigador: Você quer falar sobre onde estava ontem entre 20h e 22h? (convite, não imposição) Investigado: Eu estava em casa. Investigador: Certo. Quem pode confirmar que você estava em casa nesse período? (checagem de álibi) Investigado: Minha mãe. Investigador: Você saiu em algum momento? (fechada) Investigado: Não. Investigador: Temos um registro de câmera que mostra alguém com características semelhantes entrando na Rua B às 21h37. Você consegue explicar se esteve naquela região ontem? (confronto baseado em elemento objetivo) Investigado: Eu passei lá mais cedo, umas 18h. Investigador: Entendi. O que você foi fazer lá e com quem falou? (detalhamento) Investigado: Fui na oficina e falei com o mecânico.Comentários técnicos: há advertência de direitos; perguntas buscam verificabilidade (quem confirma, oficina, mecânico); o confronto é descritivo e baseado em registro, sem ameaça ou promessa.
9) Como construir um termo claro, coerente e útil
Estrutura recomendada do termo (depoimento/interrogatório)
- Identificação do ato: tipo (declarações/depoimento/interrogatório), data, hora de início/fim, local, unidade, participantes.
- Qualificação: nome, documentos, filiação, endereço, contatos, profissão; relação com os fatos/envolvidos.
- Advertências e garantias: registrar ciência (ex.: direito ao silêncio no interrogatório; compromisso conforme aplicável).
- Narrativa: preferencialmente em ordem cronológica, com marcadores de tempo e lugar.
- Perguntas e respostas: quando necessário para esclarecer pontos específicos; evitar “perguntas que já trazem a resposta”.
- Elementos verificáveis: anexar/indicar documentos, prints, mídias, locais de câmeras, nomes completos e contatos de testemunhas.
- Incertezas: registrar “não sabe”, “não recorda”, “aproximadamente”, sem preencher lacunas.
- Leitura e correções: consignar que foi lido, compreendido e assinado; registrar correções feitas.
Regras de clareza (linguagem e conteúdo)
- Use linguagem simples: troque “o declarante aduz” por “a pessoa declarou”.
- Evite adjetivos e julgamentos: não escrever “o suspeito mentiu”; escrever “apresentou versão X, divergente de Y”.
- Separe fato de interpretação: “disse que viu” é diferente de “viu”.
- Padronize referências: nomes completos na primeira menção; depois, “declarante”, “testemunha”, “investigado”.
- Inclua detalhes úteis: horários aproximados, locais precisos, direção de deslocamento, meios de contato.
Modelo enxuto de termo (exemplo)
TERMO DE DECLARAÇÕES Aos 15/01/2026, às 14h10, nesta unidade, foi ouvido(a) [NOME], [qualificação], que, cientificado(a) do propósito do ato e de sua voluntariedade, declarou: 1) Que no dia [data], por volta de [horário aproximado], encontrava-se em [local]. 2) Que observou [descrição objetiva do que viu/ouviu], sem que lhe fosse sugerida qualquer resposta. 3) Que identifica como possíveis fontes de confirmação: (a) câmera em [local], (b) mensagem enviada às [hora] para [contato], (c) testemunha [nome/contato]. 4) Que, questionado(a) sobre [ponto], respondeu: [resposta]. Nada mais. Lido e achado conforme, assina.10) Exercícios práticos
Exercício 1 — Transformar perguntas sugestivas em neutras
Reescreva as perguntas abaixo para formato neutro:
- “Ele estava armado com uma faca, certo?”
- “Você viu o João correndo, não viu?”
- “Foi depois das 22h quando ele te ligou, né?”
Exercício 2 — Construir linha do tempo com pontos fixos
Com base no relato: “Saí do mercado, fui para casa, ouvi gritos e vi um carro saindo rápido”, elabore:
- 3 perguntas abertas para narrativa livre;
- 5 perguntas de precisão (tempo, local, direção);
- 3 pontos fixos verificáveis (ex.: recibo, câmera, ligação).
Exercício 3 — Redigir um termo coerente
Use o cenário abaixo e redija um termo de declarações com: qualificação, narrativa cronológica, 6 perguntas de esclarecimento e indicação de 3 elementos verificáveis.
Cenário: testemunha afirma ter visto uma pessoa deixando um prédio às 20h30, carregando uma mochila; diz que “parecia nervosa”; ouviu um barulho metálico; viu um carro prata sair em seguida, mas não lembra a placa.