Economia do Zero e preços: o que um preço está realmente dizendo

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Preço como “sinal”: o que ele comunica sem precisar de explicação

Um preço não é apenas um número na etiqueta. Ele funciona como um sinal que ajuda a coordenar decisões de muita gente ao mesmo tempo: consumidores, lojas, produtores, transportadoras e prestadores de serviço. Quando você vê um preço, ele está “dizendo” algo sobre três coisas principais:

  • Escassez relativa: quão difícil está obter aquele item agora (por falta de oferta, aumento de demanda, problemas logísticos, clima etc.).
  • Custos para colocar o produto/serviço disponível: matéria-prima, energia, mão de obra, transporte, armazenamento, perdas, impostos, taxas e risco.
  • Preferências (demanda): o quanto as pessoas estão dispostas a pagar naquele momento, naquele lugar, por aquela conveniência.

Por isso, preços mudam: eles se ajustam para “equilibrar” o interesse de compra com a capacidade de entrega. Quando o preço sobe, ele tende a reduzir a quantidade de pessoas dispostas a comprar e, ao mesmo tempo, incentiva quem vende a oferecer mais (ou a priorizar aquele item). Quando o preço cai, o sinal é o oposto.

Exemplo 1: combustível e o preço como termômetro de custos e logística

O preço do combustível costuma variar por uma combinação de fatores: custo do produto na origem, câmbio (quando há componentes importados), impostos, distribuição e competição local. Se há aumento de custo de transporte ou gargalos de distribuição, o preço final tende a refletir isso. Para você, o sinal prático é: abastecer pode ficar mais caro em certos períodos e regiões, e isso afeta o custo de deslocamento (seu e de tudo que é transportado).

Exemplo 2: alimentos sazonais e o preço como sinal de oferta

Frutas e legumes têm safra. Na safra, a oferta aumenta e o preço tende a cair; fora dela, a oferta diminui e o preço tende a subir. O sinal do preço aqui é direto: se o tomate está muito caro, provavelmente está mais escasso (ou mais caro de produzir/transportar) naquele momento. Uma leitura prática é adaptar o cardápio para itens da estação quando o orçamento aperta.

Exemplo 3: passagens em horários diferentes e o preço como sinal de demanda e conveniência

Passagens (ônibus, avião, aplicativos de transporte) variam por horário porque a demanda não é constante. Horários de pico concentram mais gente querendo o mesmo serviço ao mesmo tempo. O preço sinaliza: “muita gente quer agora” ou “há menos disponibilidade”. Em horários alternativos, o preço pode cair porque o serviço precisa atrair demanda.

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Exemplo 4: tarifa dinâmica e o preço como sinal em tempo real

Em serviços com tarifa dinâmica (como transporte por aplicativo e entregas), o preço sobe quando há mais pedidos do que oferta de motoristas/entregadores disponíveis. O sinal é: “está difícil atender agora”. Isso pode levar você a esperar alguns minutos, mudar o local de embarque, escolher outra categoria ou outro meio de transporte.

Preço nominal vs. preço percebido: por que “parece barato” e não é

Preço nominal é o número que aparece: R$ 19,90, R$ 199,00, 10x de R$ 39,90. Preço percebido é quanto aquilo “pesa” na sua cabeça e no seu bolso depois de considerar contexto, comparação, esforço e condições.

O preço percebido pode ser distorcido por detalhes comuns do dia a dia:

1) Promoções e âncoras

“De R$ 59,90 por R$ 39,90” cria uma referência (âncora) que faz o novo preço parecer melhor. A pergunta prática é: R$ 39,90 é bom comparado a alternativas reais (ou ao seu uso), não ao “preço de antes” que pode nem ser relevante.

2) Tamanho da embalagem e “barato por fora”

Dois produtos podem ter preços nominais diferentes, mas o que importa é quanto você leva de fato. Um pote menor pode parecer barato, mas sair caro por unidade.

ProdutoPreçoQuantidadePreço por unidade
Arroz AR$ 24,905 kgR$ 4,98/kg
Arroz BR$ 14,902 kgR$ 7,45/kg

O Arroz B “parece” mais barato no nominal, mas é mais caro por kg.

3) Frete, taxa de serviço e o preço que aparece tarde demais

Em compras online ou delivery, o preço nominal do item pode ser baixo, mas o custo total sobe com frete, taxa de serviço e gorjeta. O sinal correto para decidir é o custo total entregue, não o preço do produto isolado.

4) Juros embutidos e parcelamento

“10x sem juros” pode ser realmente sem juros (o preço à vista é igual ao parcelado) ou pode esconder um preço à vista inflado. Já “12x com juros” muda o custo total. O preço percebido costuma focar na parcela; o preço econômico relevante é o total pago.

Exemplo rápido (ilustrativo): 12x de R$ 89,90 = R$ 1.078,80 no total

Mesmo sem calcular taxa de juros, só somar as parcelas já evita decisões baseadas apenas no valor mensal.

Como ler preço por unidade (sem complicar)

Preço por unidade é uma forma simples de comparar itens de tamanhos diferentes. Você pode usar a unidade mais útil para o produto:

  • Alimentos: R$/kg, R$/100g, R$/litro, R$/ml.
  • Limpeza: R$/litro, R$/dose (quando há rendimento indicado).
  • Higiene: R$/unidade (lâminas, fraldas), R$/metro (papel).

Passo a passo: comparando preço por unidade no mercado

  • 1) Defina a unidade: kg, litro, 100g, unidade, metro.
  • 2) Pegue preço e quantidade do rótulo/etiqueta.
  • 3) Faça uma divisão simples: preço ÷ quantidade.
  • 4) Compare com alternativas e escolha considerando seu uso (se estraga, se você consome tudo, se cabe no armazenamento).

Se a conta ficar chata, use aproximações: arredonde o preço e a quantidade para números fáceis e compare “ordens de grandeza”.

Custo total de compra: o preço que inclui o que não está na etiqueta

Para decidir bem, muitas vezes o que importa não é só o preço do produto, mas o custo total para você ter e usar. Alguns componentes comuns:

  • Preço do item (à vista ou total parcelado).
  • Frete/taxas (entrega, serviço, embalagem).
  • Deslocamento (combustível, passagem, estacionamento).
  • Tempo (fila, ida e volta, espera).
  • Risco de troca/devolução (dificuldade, custo de retorno).
  • Complementos obrigatórios (pilhas, refil, instalação, acessórios).

Exemplo prático: “mais barato longe” vs. “um pouco mais caro perto”

Imagine um produto por R$ 80 no bairro vizinho e por R$ 92 perto de casa. Se para buscar o de R$ 80 você gasta R$ 10 de transporte e 1 hora, o custo total já encosta (ou passa) do mais caro. Mesmo sem colocar “preço no seu tempo”, você pode decidir que a conveniência vale a diferença.

Exemplo prático: compra online com frete

Item A: R$ 49 + frete R$ 18 = R$ 67 entregue. Item B: R$ 59 com frete grátis = R$ 59 entregue. O sinal correto é o total entregue, não o menor preço do item.

Roteiro prático para comparar opções no dia a dia (sem fórmulas complexas)

Use este checklist rápido sempre que estiver em dúvida entre duas ou mais opções:

1) Defina o que você está comparando

  • É o mesmo produto (marca e modelo iguais)?
  • Ou são substitutos (cumprirão a mesma função para você)?

2) Traga tudo para a mesma base

  • Se for mercado: compare por preço por unidade (kg, litro, unidade).
  • Se for serviço (transporte/viagem): compare por custo total da opção (incluindo taxas).

3) Calcule o custo total “até a sua mão”

  • Some: item + frete/taxas.
  • Se for presencial: inclua deslocamento (mesmo que seja uma estimativa).

4) Verifique condições que mudam o preço percebido

  • Parcelamento: qual é o total pago?
  • Promoção: o desconto é real comparado às alternativas?
  • Tamanho: você vai usar tudo antes de estragar?

5) Compare conveniência e tempo com uma regra simples

  • Se a diferença de preço for pequena, pergunte: quanto esforço extra essa opção exige?
  • Se a diferença for grande, pergunte: o que está “faltando” nessa opção mais barata? (taxas, qualidade, garantia, risco, tempo, distância).

6) Tome a decisão com um critério claro

  • Critério “menor custo total”: escolha a opção com menor total entregue/real.
  • Critério “melhor custo por unidade”: escolha a melhor base, desde que você vá consumir.
  • Critério “menor atrito”: quando a diferença é pequena, escolha a que reduz deslocamento, espera e complicação.

7) Guarde uma referência rápida para a próxima vez

  • Anote mentalmente (ou no celular) um preço por unidade típico de itens que você compra sempre.
  • Isso melhora sua leitura do “sinal” do preço: você percebe mais rápido quando está caro, barato ou normal.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao comparar duas opções de compra, qual atitude melhor evita cair na armadilha do “parece barato”, mas não é?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O preço nominal pode enganar por embalagens menores, taxas/frete e parcelamento. Para decidir melhor, compare custo total entregue e/ou preço por unidade, verificando o total pago e a quantidade real.

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