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Preparatório para o Concurso da Escola de Aprendizes-Marinheiros (EAM - Marinha do Brasil)

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10 páginas

EAM: Teste de Aptidão Física (TAF) e execução correta dos movimentos

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que é o TAF e por que a técnica decide o resultado

O Teste de Aptidão Física (TAF) avalia capacidades físicas básicas exigidas em ambiente militar, como resistência cardiorrespiratória, força/resistência muscular e coordenação. Além do condicionamento, a execução correta dos movimentos é determinante: uma repetição “meia” ou fora do padrão pode não ser contada, e certos erros podem anular a tentativa. Por isso, o foco técnico envolve entender a finalidade de cada prova, os critérios de contagem, os padrões de postura e amplitude, e os cuidados de segurança antes, durante e após o esforço.

Princípios gerais de execução e contagem

Critérios comuns em avaliações físicas

  • Amplitude completa: a repetição só conta quando atinge os pontos de referência (ex.: cotovelos estendidos no topo, peito próximo ao solo na flexão, tronco alinhado).
  • Controle do movimento: “quicar”, usar impulso excessivo ou perder o alinhamento pode invalidar repetições.
  • Postura neutra: coluna alinhada e cintura escapular estável reduzem risco e evitam compensações.
  • Ritmo sustentável: começar forte demais costuma levar a quedas bruscas de desempenho e piora técnica.
  • Respiração: prender o ar por muito tempo aumenta pressão e favorece tontura; use padrão respiratório consistente.

Erros típicos que levam a não contagem ou anulação

  • Amplitude incompleta (não estender braços, não descer o suficiente, não tocar o ponto de referência quando exigido).
  • Quebra de alinhamento (quadril “cai” ou “sobe” demais, lombar hiperestende, ombros colapsam).
  • Apoios irregulares (mãos fora da posição, pés se deslocando para facilitar, joelhos tocando o chão quando não permitido).
  • Uso de impulso (balanço do tronco, “chicotada” de quadril, saltos para ganhar repetição).
  • Interrupção fora do permitido (descansar em posição não autorizada ou abandonar a posição padrão).

Aquecimento, mobilidade e preparação imediata

Finalidade do aquecimento

O aquecimento eleva a temperatura corporal, melhora a lubrificação articular e prepara o sistema nervoso para movimentos repetidos. Isso aumenta a qualidade técnica e reduz risco de lesões, especialmente em ombros, joelhos, tornozelos e lombar.

Sequência prática (10–15 minutos, sem “cansar”)

  • Ativação geral (3–5 min): caminhada acelerada, trote leve ou polichinelos moderados.
  • Mobilidade dinâmica (4–6 min): círculos de ombro, elevação alternada de joelhos, balanço de pernas (frente/trás e lateral), rotações de quadril, mobilidade de tornozelo (joelho à frente sem tirar o calcanhar do chão).
  • Ativação específica (3–5 min): 1–2 séries leves de movimentos parecidos com a prova (ex.: flexões inclinadas na parede/apoio alto; agachamentos curtos; corrida com 2–3 acelerações progressivas).

Alongamento: quando e como usar

Antes do TAF, priorize mobilidade dinâmica. Alongamento estático longo (segurar 30–60 s) pode ser deixado para depois do teste, como parte da volta à calma, especialmente para panturrilhas, posteriores de coxa, quadríceps e peitoral, sem forçar dor.

Cuidados de recuperação imediata entre provas

  • Respiração para baixar a frequência: inspire pelo nariz 2–3 s e solte o ar 4–6 s por 1–2 minutos.
  • Hidratação em pequenos goles: evite grandes volumes de uma vez para não causar desconforto gástrico.
  • Manter-se aquecido: em clima frio/vento, evite ficar parado; caminhe leve.
  • Evitar “testar” força máxima entre provas: isso rouba energia e piora técnica.

Execução técnica de provas comuns em TAF

Os detalhes exatos variam conforme o edital e a banca. A orientação abaixo foca nos padrões mais usados em avaliações militares: amplitude clara, alinhamento corporal e contagem objetiva. Sempre ajuste ao padrão oficial do seu teste.

Flexão de braços no solo (apoio)

Finalidade: medir resistência de membros superiores e estabilidade de tronco (peitoral, tríceps, deltoides e core).

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Posição inicial:

  • Mãos no chão na linha do peito, ligeiramente mais abertas que os ombros.
  • Pés juntos ou levemente afastados (conforme permitido), corpo em “prancha”: cabeça, tronco e pernas alinhados.
  • Olhar para o chão à frente, pescoço neutro.

Execução (passo a passo):

  • Descida: flexione cotovelos levando o peito em direção ao solo, mantendo o tronco rígido (sem “afundar” lombar).
  • Ponto de referência: desça até a amplitude exigida (comum: peito próximo ao solo ou cotovelos em ângulo aproximado de 90°; se houver marcador/anteparo, respeite o toque).
  • Subida: empurre o chão até estender os cotovelos, retornando ao alinhamento inicial.

Respiração: inspire na descida e expire na subida. Evite prender o ar por várias repetições.

Ritmo: constante e controlado; evite acelerar no início e “morrer” no meio.

Erros que costumam anular/não contar:

  • Não estender completamente os cotovelos no topo.
  • Quadril muito alto (vira “V”) ou quadril caindo (lombar arqueada).
  • Descer pouco (amplitude incompleta) ou “bater” no chão para ganhar impulso.
  • Apoiar joelhos no solo quando não permitido.

Dica técnica: pense em “parafusar” as mãos no chão (leve rotação externa), mantendo ombros longe das orelhas; isso ajuda a estabilizar a escápula.

Abdominal (variações de avaliação)

Finalidade: avaliar resistência do tronco, com ênfase em flexores do tronco/quadril e controle do core.

Atenção: existem variações (tradicional, remador, supra, com toque em joelhos, etc.). O ponto crítico é cumprir o padrão de toque (subida) e o retorno completo (descida) conforme exigido.

Execução base (passo a passo):

  • Posição inicial: deitado, joelhos flexionados, pés apoiados no chão. Mãos conforme padrão (ex.: cruzadas no peito, na cabeça sem puxar o pescoço, ou tocando coxas/joelhos).
  • Subida: eleve o tronco até alcançar o ponto de referência (ex.: tocar joelhos/coxa, ou tirar escápulas do solo até ângulo definido).
  • Descida: retorne de forma controlada até encostar as costas/escápulas no solo (conforme critério).

Respiração: expire na subida, inspire na descida. Evite “travar” a respiração para não elevar demais a pressão.

Erros comuns:

  • Puxar o pescoço com as mãos (risco cervical e pode ser invalidado).
  • Não retornar ao solo no ponto exigido (repetição incompleta).
  • Elevar o quadril ou “roubar” com balanço excessivo.
  • Perder o padrão de mãos (mudar posição para facilitar).

Segurança: se houver dor aguda na lombar, reduza a amplitude e priorize controle; dor irradiada para perna, formigamento ou “travamento” é sinal de interromper e avaliar.

Barra fixa (se aplicável)

Finalidade: medir força/resistência de dorsais, bíceps e estabilizadores escapulares, além de controle corporal.

Posição inicial:

  • Pegada pronada (palmas para frente) ou conforme padrão do teste.
  • Corpo em suspensão, cotovelos estendidos, ombros estabilizados (evite “pendurar” relaxado com ombros nas orelhas).

Execução (passo a passo):

  • Subida: puxe levando o peito em direção à barra, cotovelos descendo para trás/baixo.
  • Ponto de referência: geralmente, queixo acima da barra (ou outro critério oficial).
  • Descida: retorne até extensão completa dos cotovelos, sem “cair” de uma vez.

Respiração: expire na subida e inspire na descida.

Erros comuns:

  • Não estender cotovelos na descida (meia repetição).
  • Chutar/pernar para ganhar impulso (kipping), balanço excessivo.
  • Não atingir o ponto de referência (queixo não passa a barra).

Segurança: dor anterior no ombro, estalos com dor ou sensação de “sair do lugar” são sinais para interromper.

Corrida (resistência/tempo ou distância)

Finalidade: avaliar resistência cardiorrespiratória e capacidade de sustentar ritmo.

Técnica de corrida eficiente:

  • Postura: tronco alto, leve inclinação à frente a partir dos tornozelos (não dobrar na cintura).
  • Passada: evite “passo muito longo” (overstride). Busque aterrissar com o pé mais próximo do centro de massa.
  • Braços: cotovelos ~80–100°, movimento para frente e para trás (não cruzar demais na frente do corpo).
  • Cadência: ritmo consistente; pequenas passadas rápidas tendem a reduzir impacto e melhorar controle.

Respiração: use padrão regular (ex.: 2 passos inspirando/2 expirando, ajustando conforme intensidade). Se estiver hiperventilando, reduza ligeiramente o ritmo para recuperar controle.

Erros que prejudicam desempenho e podem gerar problemas:

  • Largar muito forte e “quebrar” antes do final.
  • Ombros tensos e elevados, gerando fadiga precoce.
  • Desidratação ou correr em jejum prolongado (risco de mal-estar).

Segurança: interrompa se houver dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura intensa, visão turva, desorientação, calafrios com pele muito quente (sinal de estresse térmico) ou dor aguda em articulação.

Natação (se aplicável)

Finalidade: avaliar deslocamento aquático com eficiência e segurança, exigindo coordenação respiratória e resistência.

Técnica base (crawl, quando permitido):

  • Corpo alinhado: quadril próximo à superfície, olhar para baixo e ligeiramente à frente.
  • Braçada: entrada da mão à frente do ombro, puxada firme até a linha do quadril, sem cruzar demais na frente.
  • Pernada: curta e constante, sem “tesourar” exageradamente.
  • Respiração: gire a cabeça junto com o tronco (rotação), evitando levantar a cabeça para frente.

Erros comuns:

  • Levantar a cabeça para respirar (quadril afunda e aumenta arrasto).
  • Prender o ar por muito tempo e “desorganizar” a respiração.
  • Braçada curta e apressada, sem tração efetiva.

Segurança: câimbras recorrentes, falta de ar intensa ou pânico na água são sinais para parar imediatamente e buscar apoio.

Orientações de segurança e prevenção de lesões

Sinais de interrupção por risco

  • Dor aguda (pontada forte) em articulação ou músculo, especialmente se piora a cada repetição.
  • Estalos com dor, sensação de instabilidade (joelho “falhando”, ombro “saindo”).
  • Sintomas sistêmicos: tontura, náusea intensa, desmaio iminente, confusão, dor no peito, palpitações irregulares.
  • Calor extremo: pele muito quente e seca, arrepios, fraqueza intensa (possível exaustão pelo calor).

Cuidados práticos para reduzir risco

  • Calçado adequado para corrida e piso regular sempre que possível.
  • Unhas e pele: cuide de calos/bolhas antes do teste; bolha aberta altera a passada e aumenta risco.
  • Ombros e punhos: aqueça bem antes de flexões/barra; faça mobilidade de punho e ativação escapular.
  • Coluna: mantenha o core ativo em flexões e abdominais; evite hiperextensão lombar.
  • Alimentação prévia: evite testar alimentos novos no dia; desconforto gastrointestinal derruba desempenho.

Autoavaliações práticas de técnica (checklists)

Checklist da flexão de braços (grave um vídeo lateral)

  • Meu corpo forma uma linha reta do ombro ao tornozelo durante toda a série?
  • Eu atinjo a profundidade exigida sem “bater” no chão?
  • Eu estendo completamente os cotovelos no topo de cada repetição?
  • Meus ombros ficam longe das orelhas (sem encolher) e as escápulas estáveis?
  • Consigo manter respiração regular (sem prender o ar por muitas repetições)?

Checklist do abdominal (vídeo de lado e de frente)

  • Eu atinjo claramente o ponto de referência na subida (toque/ângulo exigido)?
  • Eu retorno ao ponto exigido na descida (encosto completo quando necessário)?
  • Minhas mãos permanecem no padrão o tempo todo (sem mudar para facilitar)?
  • Evito puxar o pescoço e mantenho o queixo levemente recolhido?
  • Minha lombar não dói de forma aguda durante as repetições?

Checklist da barra fixa (vídeo frontal)

  • Eu inicio cada repetição com cotovelos totalmente estendidos?
  • Meu queixo ultrapassa a barra (ou cumpro o critério oficial) sem “roubar” com impulso?
  • Evito balanço excessivo das pernas e mantenho o tronco controlado?
  • Meus ombros não “sobem” para as orelhas no final da série?

Checklist da corrida (autoobservação em 2 minutos)

  • Consigo manter ombros relaxados e braços indo para frente/trás sem cruzar demais?
  • Minha passada está curta o suficiente para eu não “frear” a cada contato do pé?
  • Meu tronco está alto, sem dobrar na cintura quando canso?
  • Minha respiração está ritmada e recupera ao reduzir levemente o ritmo?

Checklist de segurança (antes e durante)

  • Dormi e me alimentei de forma habitual (sem mudanças bruscas) e estou hidratado?
  • Fiz aquecimento geral + mobilidade dinâmica + ativação específica?
  • Se surgir dor aguda, tontura forte, falta de ar desproporcional ou dor no peito, eu paro imediatamente?
  • Se a técnica “desmontar” (amplitude cai, postura quebra), eu consigo ajustar antes de continuar?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante o TAF, qual conduta aumenta a chance de suas repetições serem contadas e reduz o risco de anulação por erro técnico?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No TAF, repetições só contam quando cumprem o padrão: amplitude completa, controle e postura neutra. Impulso excessivo, alinhamento quebrado ou pausas fora do permitido podem invalidar repetições ou anular a tentativa. Um ritmo sustentável e respiração regular ajudam a manter a técnica.

Próximo capitúlo

EAM: Inspeção de Saúde e exames complementares

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