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Redação para Concursos: Estrutura, Coesão e Repertório sem Enrolação

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Diagnóstico de banca e leitura do tema

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 0 minutos

+ Exercício

Diagnóstico de banca e leitura do tema são duas etapas que determinam o “jogo” da redação antes mesmo de você escrever a primeira linha. Diagnosticar a banca significa identificar padrões de cobrança, preferências de estrutura, critérios de correção e tipos de tema recorrentes. Ler o tema, por sua vez, é transformar o enunciado em uma tarefa objetiva: o que exatamente precisa ser defendido, com quais limites, em qual recorte e com quais entregas (tese, argumentos, propostas, exemplos, etc.).

Quando essas duas etapas são bem feitas, você reduz drasticamente o risco de fuga ao tema, tangenciamento, tese genérica e desenvolvimento “bonito” porém irrelevante. Também ganha velocidade: em vez de “inventar” um texto, você executa um plano compatível com a banca e com o comando.

1) Diagnóstico de banca: o que é e o que você precisa descobrir

Diagnóstico de banca é um levantamento prático do perfil de correção e do estilo de prova. Não é “adivinhar” o tema; é entender como a banca costuma avaliar e o que ela considera um bom texto. Em concursos, duas bancas podem cobrar o mesmo assunto e, ainda assim, punir e premiar coisas diferentes.

1.1 O que observar no perfil da banca

  • Gênero textual exigido: dissertação-argumentativa, artigo de opinião, texto dissertativo, carta, relatório, parecer, redação técnica, etc. Mesmo quando o edital diz “texto dissertativo”, a banca pode ter um padrão de dissertação escolar (introdução-desenvolvimento-conclusão) ou um padrão mais “artigo” (tese + argumentos com maior liberdade).
  • Critérios de correção: quais eixos aparecem na grade (conteúdo, estrutura, coesão, norma-padrão, atendimento ao tema, proposta de intervenção, etc.). O diagnóstico busca entender o peso real de cada eixo.
  • Penalizações típicas: fuga ao tema, tangenciamento, cópia do texto motivador, uso de primeira pessoa, informalidade, excesso de citações, parágrafo único, períodos longos demais, etc. Algumas bancas toleram certos recursos; outras punem com rigor.
  • Preferência por recorte: temas mais sociais e amplos, temas institucionais, temas de políticas públicas, temas ligados ao cargo, temas de ética administrativa, temas de atualidades, etc.
  • Modo de formular o comando: a banca costuma pedir “disserte sobre”, “discuta”, “analise”, “apresente medidas”, “aponte causas e consequências”, “posicione-se”, “proponha soluções”? O verbo do comando indica a entrega esperada.
  • Extensão e formatação: número de linhas, exigência de título, margem, letra, caneta, rascunho, e se há desconto por extrapolar limites.
  • Uso de textos motivadores: se eles são apenas contextualização ou se trazem dados que a banca espera ver mobilizados (sem copiar).

1.2 O que é “padrão de banca” na prática

Padrão de banca é o conjunto de escolhas que, repetidamente, recebem nota alta. Você identifica isso observando redações nota máxima (quando disponíveis), espelhos de correção e comentários oficiais. Se não houver redações modelo, você analisa o que a banca cobra no comando e como distribui pontos na grade.

Exemplo de diferença prática: em uma banca que valoriza “atendimento ao tema” com peso alto, uma introdução muito genérica pode derrubar a nota mesmo com boa gramática. Em outra banca que distribui pontos de forma mais equilibrada, a mesma introdução pode “passar”, desde que o desenvolvimento seja consistente.

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2) Como fazer o diagnóstico de banca: passo a passo

Passo 1 — Reunir o material certo (em 20 minutos)

  • Edital e/ou retificação (parte da redação).
  • Provas anteriores da mesma banca (preferencialmente do mesmo órgão/cargo, mas também de concursos similares).
  • Espelho de correção (se existir) e critérios de pontuação.
  • Temas anteriores e comandos completos (não apenas o título do tema).

O erro comum é estudar “temas” soltos. O diagnóstico exige o enunciado inteiro: tema + textos motivadores + comando + restrições.

Passo 2 — Montar uma tabela de padrões (uma página)

Crie uma tabela simples e preencha com 5 a 10 provas anteriores. O objetivo é enxergar repetição.

Colunas sugeridas (por prova/ano): 1) Tema central 2) Recorte (Brasil? setor público? juventude?) 3) Verbo do comando 4) Entregas exigidas (causas? consequências? propostas?) 5) Restrições (título? 1ª pessoa? citações?) 6) Textos motivadores (dados? opinião? lei?) 7) Pegadinhas recorrentes

Ao final, escreva 5 linhas de “síntese do perfil”: o que mais cai, o que mais pune, o que mais premia.

Passo 3 — Identificar o “núcleo do comando”

Em cada prova, sublinhe o verbo principal e os complementos. Exemplos de verbos e o que eles costumam exigir:

  • Discorra / disserte: tese + argumentos; costuma aceitar maior liberdade, mas exige foco.
  • Analise: pede decomposição do problema, relações de causa/efeito, critérios, comparação.
  • Discuta: tende a exigir ponderação, contrapontos, avaliação de perspectivas.
  • Apresente medidas / proponha: exige encaminhamentos concretos, agentes, meios e finalidade.
  • Posicione-se: exige tese explícita e sustentação; neutralidade pode ser penalizada.

Se a banca repete “analise” e “apresente medidas”, você já sabe que textos meramente opinativos e abstratos tendem a perder pontos.

Passo 4 — Mapear “limites invisíveis” (o que não está escrito, mas é cobrado)

Algumas bancas não dizem “evite generalizações”, mas punem quando o texto não delimita. Outras não dizem “não copie”, mas aplicam desconto severo quando há paráfrase do motivador. Para mapear limites invisíveis, observe:

  • Se os temas pedem recorte institucional (administração pública, políticas setoriais, cidadania, direitos).
  • Se há expectativa de linguagem impessoal e formal.
  • Se a banca valoriza dados, exemplos e referências normativas (sem exigir citação literal).
  • Se a correção costuma diferenciar “proposta genérica” de “proposta executável”.

Passo 5 — Converter o diagnóstico em um “checklist de prova”

O diagnóstico só vale se virar ação. Transforme em checklist curto para usar no rascunho:

  • Meu texto atende ao verbo do comando?
  • Meu recorte está explícito no 1º parágrafo?
  • Minhas ideias respondem ao problema do tema (e não a um tema parecido)?
  • Estou usando exemplos pertinentes e não decorativos?
  • Se a banca exige propostas: há agente + ação + meio + finalidade?
  • Evitei copiar motivadores e evitei “frases prontas” desconectadas?

3) Leitura do tema: transformar enunciado em tarefa objetiva

Ler o tema não é “entender do que se trata” de modo geral. É identificar o problema, o recorte e a pergunta implícita que o texto precisa responder. Em concursos, muitos candidatos perdem pontos porque escrevem sobre um assunto “vizinho” (tangenciam) ou porque escolhem um recorte diferente do solicitado.

3.1 Componentes do tema (o que você deve extrair)

  • Assunto: área ampla (ex.: educação, segurança, tecnologia, saúde).
  • Recorte: delimitação (ex.: no Brasil; na administração pública; na infância; no ambiente digital; no serviço público).
  • Problema: o nó a ser enfrentado (ex.: evasão escolar; desinformação; violência; baixa adesão a políticas).
  • Direção argumentativa: o que se espera discutir (causas, impactos, desafios, caminhos, responsabilidades).
  • Entregas: itens obrigatórios do comando (ex.: “apresente propostas”, “analise impactos”, “aponte medidas”).

Uma leitura eficiente do tema termina com uma frase do tipo: “Vou defender X sobre Y, no recorte Z, atendendo às entregas A e B”.

4) Passo a passo prático de leitura do tema (aplicável em qualquer prova)

Passo 1 — Reescrever o tema em linguagem simples (1 minuto)

Você pega o enunciado e reescreve como se fosse explicar para alguém em uma frase. Isso reduz o risco de você “viajar” para um assunto paralelo.

Exemplo (tema hipotético): “Desafios para a efetivação da proteção de dados pessoais no setor público”.

  • Reescrita simples: “Quais são os obstáculos e como melhorar a proteção de dados pessoais em órgãos públicos?”

Passo 2 — Circular palavras-chave e marcar o recorte (30 segundos)

No exemplo: “desafios”, “efetivação”, “proteção de dados pessoais”, “setor público”. O recorte “setor público” muda totalmente os argumentos e as propostas: você precisa falar de governança, processos, servidores, sistemas, transparência, segurança da informação, conformidade.

Passo 3 — Identificar o verbo do comando e as entregas (1 minuto)

Se o comando diz “discorra sobre os desafios e apresente medidas”, então há duas entregas: (1) mapear desafios; (2) propor medidas. Se você só discute desafios e não propõe medidas, o texto fica incompleto para a banca.

Passo 4 — Formular a “pergunta de prova” (30 segundos)

Transforme o tema em pergunta. Isso guia a tese e impede tangenciamento.

Exemplo: “Por que é difícil efetivar a proteção de dados pessoais no setor público e o que deve ser feito para superar esses desafios?”

Passo 5 — Definir tese em uma linha (1 minuto)

A tese é uma resposta direta à pergunta de prova. Ela precisa ser específica o suficiente para orientar os parágrafos.

Exemplo de tese: “A proteção de dados no setor público enfrenta entraves de governança, infraestrutura e cultura organizacional; superá-los exige padronização de processos, capacitação contínua e investimentos em segurança e conformidade.”

Note que a tese já antecipa os eixos do desenvolvimento (governança, infraestrutura, cultura) e abre espaço para medidas.

Passo 6 — Checar “palavras armadilha” e limites (1 minuto)

Algumas palavras do tema funcionam como armadilhas porque exigem precisão:

  • “Desafios”: pede obstáculos concretos, não apenas “é difícil”.
  • “Efetivação”: indica implementação prática, não só “importância”.
  • “No Brasil”: pede contextualização nacional (instituições, desigualdades, políticas), não um texto universal.
  • “Na administração pública”: pede foco em Estado, políticas e gestão, não em empresas privadas.
  • “Impactos”: pede consequências, efeitos mensuráveis ou observáveis.

Se o tema diz “no setor público”, não adianta basear o texto em exemplos de redes sociais e empresas privadas sem fazer a ponte para órgãos públicos.

Passo 7 — Construir um microplano (2 a 3 minutos)

Antes de escrever, faça um plano mínimo com 2 ou 3 eixos e, se necessário, propostas vinculadas a cada eixo.

Microplano (exemplo do tema de dados no setor público): Eixo 1: Governança e conformidade (papéis, fluxos, responsabilização) Eixo 2: Infraestrutura e segurança (sistemas legados, vazamentos, controles) Eixo 3: Cultura e capacitação (rotinas, treinamento, conscientização) Propostas: (a) criar/fortalecer comitês e encarregados, (b) auditorias e padrões de segurança, (c) capacitação e protocolos de resposta a incidentes

Esse microplano já “conversa” com o diagnóstico de banca: se a banca cobra medidas, elas já estão previstas; se cobra análise, os eixos permitem explicar causas e efeitos.

5) Erros comuns na leitura do tema (e como corrigir)

5.1 Tangenciar por excesso de generalidade

Erro: escrever sobre “importância da proteção de dados” em termos amplos, sem entrar nos desafios de efetivação no setor público.

Correção: sempre que você fizer uma afirmação geral, puxe para o recorte: “No setor público, isso se agrava porque…”.

5.2 Trocar o problema por um “assunto vizinho”

Erro: tema sobre “desinformação” e você escreve sobre “liberdade de expressão” como foco central, sem responder ao problema pedido.

Correção: volte à pergunta de prova. Se a pergunta é “como enfrentar a desinformação”, liberdade de expressão pode entrar como limite e cuidado, mas não como eixo principal que substitui o tema.

5.3 Ignorar entregas do comando

Erro: comando pede “causas e consequências” e o texto só traz consequências.

Correção: no rascunho, escreva as entregas como checklist: “Causas: ___ / Consequências: ___ / Medidas: ___”. Preencha antes de redigir.

5.4 Copiar ou parafrasear motivadores

Erro: recontar os textos motivadores como se fossem seu argumento.

Correção: use motivadores como gatilho para uma ideia sua: “O dado X evidencia Y; isso ocorre por…; portanto…”. O motivador entra como apoio, não como conteúdo principal.

6) Integrando diagnóstico de banca + leitura do tema no dia da prova

O diagnóstico de banca define o “formato de resposta” que tende a pontuar bem; a leitura do tema define “o que responder”. No dia da prova, você integra os dois com um roteiro curto.

Roteiro de 7 minutos antes de escrever

  • 1 minuto: reescrever o tema em frase simples.
  • 1 minuto: circular palavras-chave e recorte.
  • 1 minuto: identificar verbo do comando e entregas.
  • 1 minuto: formular pergunta de prova.
  • 1 minuto: escrever tese em uma linha.
  • 2 minutos: microplano com 2–3 eixos + exemplos + medidas (se exigidas).

Esse roteiro é curto o suficiente para caber em qualquer prova e forte o suficiente para evitar os erros mais caros.

7) Exemplos práticos de leitura do tema (com recorte e entregas)

Exemplo 1 — Tema com “causas e consequências”

Tema hipotético: “A persistência da evasão escolar no ensino médio brasileiro”.

  • Assunto: educação.
  • Recorte: ensino médio; Brasil.
  • Problema: evasão persistente (continuidade no tempo).
  • Entregas possíveis (se o comando trouxer): causas e consequências.

Pergunta de prova: “Por que a evasão no ensino médio continua alta e quais efeitos isso gera?”

Tese (exemplo): “A evasão no ensino médio persiste por fatores socioeconômicos, baixa atratividade curricular e fragilidades de apoio ao estudante, produzindo impactos na empregabilidade, na desigualdade e na produtividade do país.”

Microplano: Eixo 1 (trabalho precoce e renda), Eixo 2 (currículo e sentido prático), Eixo 3 (apoio: transporte, alimentação, acolhimento e orientação).

Exemplo 2 — Tema com “desafios e medidas”

Tema hipotético: “Desafios para ampliar a eficiência do atendimento ao cidadão em serviços públicos digitais”.

  • Assunto: gestão pública e tecnologia.
  • Recorte: serviços públicos digitais; atendimento ao cidadão.
  • Problema: eficiência do atendimento (tempo, resolução, qualidade).
  • Entregas: desafios + medidas.

Pergunta de prova: “O que impede serviços digitais mais eficientes e o que fazer para melhorar?”

Tese (exemplo): “A eficiência do atendimento digital é limitada por exclusão digital, integração precária entre sistemas e desenho de serviços centrado no órgão, não no usuário; avançar requer simplificação, interoperabilidade e canais inclusivos.”

Medidas (exemplos): integração de bases e autenticação, linguagem simples e jornadas do usuário, atendimento híbrido e acessibilidade, metas e monitoramento de tempo de resposta.

Exemplo 3 — Tema com “posicionamento”

Tema hipotético: “Adoção de câmeras corporais por agentes de segurança: benefícios e limites”.

  • Assunto: segurança pública e direitos.
  • Recorte: atuação de agentes; política pública.
  • Problema: avaliar benefícios e limites (pede ponderação).
  • Entregas: posicionar-se com argumentos e reconhecer limites.

Pergunta de prova: “Câmeras corporais devem ser adotadas? Em que condições e com quais cuidados?”

Tese (exemplo): “A adoção de câmeras corporais tende a aumentar controle e transparência, mas exige regras claras de uso, proteção de dados e governança para evitar abusos e distorções.”

Microplano: Benefícios (redução de letalidade e conflitos, prova), Limites (privacidade, custos, manipulação), Condições (protocolos, auditoria, armazenamento seguro).

8) Ferramentas rápidas para não errar o tema

8.1 Técnica do “substantivo + recorte + tarefa”

Escreva três itens no topo do rascunho:

  • Substantivo central (o que está em jogo): “evasão”, “desinformação”, “proteção de dados”, “eficiência do atendimento”.
  • Recorte: “ensino médio”, “setor público”, “ambiente digital”, “Brasil”.
  • Tarefa: “analisar causas”, “discutir impactos”, “apresentar medidas”, “posicionar-se”.

Se um parágrafo não conversa com esses três itens, ele provavelmente está desviando.

8.2 Teste do parágrafo: “isso responde à pergunta?”

Após escrever cada parágrafo, faça um teste mental: “Se o corretor ler só este parágrafo, ele percebe que estou respondendo ao comando?” Se a resposta for “não”, ajuste o tópico frasal para reconectar ao tema.

8.3 Lista de palavras proibidas (proibição funcional)

Não é uma proibição gramatical; é um alerta de conteúdo. Palavras como “desde sempre”, “atualmente a sociedade”, “é de suma importância” costumam abrir textos genéricos. Troque por recortes e mecanismos: “no contexto X”, “isso ocorre porque”, “isso se manifesta em”.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual é a principal vantagem de integrar o diagnóstico da banca com uma leitura precisa do tema antes de começar a redigir?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O diagnóstico define como a banca costuma premiar e punir, e a leitura do tema transforma o enunciado em tarefas objetivas (recorte e entregas). Juntos, evitam tangenciamento, fuga ao tema e tese vaga, e aceleram o planejamento.

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