O que caracteriza uma operação de day trade
Day trade é a operação em que a abertura e o encerramento da posição acontecem no mesmo pregão, no mesmo ativo e na mesma conta. Na prática, isso significa que você pode comprar e vender (ou vender e recomprar, no caso de venda a descoberto) dentro do dia, mas termina o pregão “zerado”, sem posição aberta para o dia seguinte.
O ponto central não é a quantidade de operações, e sim a regra operacional: não carregar posição após o fechamento do mercado. Se você comprou um ativo e não vendeu até o fim do pregão, a operação deixa de ser day trade e passa a ser uma posição carregada (com outra dinâmica de risco e custos).
Diferenças práticas: day trade vs swing trade vs position
| Característica | Day trade | Swing trade | Position |
|---|---|---|---|
| Duração típica | Minutos a horas (mesmo dia) | Dias a semanas | Semanas a meses (ou mais) |
| Regra de encerramento | Zerar no dia | Pode carregar posições por vários dias | Carrega por períodos mais longos |
| Foco de decisão | Movimentos intradiários e execução | Movimentos de curto prazo | Tese de médio/longo prazo |
| Impacto de custos por operação | Mais sensível (muitas entradas/saídas) | Moderado | Menos sensível por operação |
| Rotina | Mais intensa, exige acompanhamento no pregão | Acompanhamento periódico | Acompanhamento mais espaçado |
O que “zerar no dia” muda: risco, custos e rotina
Risco: o que diminui e o que aumenta
- Reduz exposição a eventos fora do pregão: ao encerrar no mesmo dia, você evita carregar a posição durante a noite, quando notícias e gaps de abertura podem afetar o preço.
- Aumenta a importância do risco intradiário: oscilações rápidas exigem disciplina de limites (por operação e por dia) e capacidade de executar o plano sem hesitação.
- Risco de execução: no intraday, o preço pode mudar enquanto a ordem é enviada/ajustada, e a execução pode ocorrer diferente do esperado (slippage), especialmente em momentos de volatilidade.
Custos: por que pesam mais no day trade
Como o day trade envolve pelo menos uma entrada e uma saída no mesmo dia, o custo total tende a ser mais relevante no resultado líquido. Em termos práticos, os custos mais comuns que afetam o intraday são:
- Corretagem e taxas: cobradas por ordem/negócio, dependendo do modelo da corretora.
- Emolumentos e taxas da bolsa: variam conforme o mercado e o volume financeiro.
- Spread: diferença entre melhor compra e melhor venda; afeta principalmente operações que entram “a mercado” ou em ativos menos líquidos.
- Slippage: diferença entre o preço esperado e o preço efetivamente executado.
Como referência conceitual, uma operação precisa “pagar” seus custos antes de gerar resultado líquido. Por isso, no day trade, é comum o trader acompanhar não só o preço, mas também a qualidade de execução e o impacto do spread.
Rotina operacional: o que muda no dia a dia
- Preparação antes do pregão: definir ativos a acompanhar, cenários e níveis de preço relevantes.
- Janela de atuação: escolher horários em que você realmente estará disponível para monitorar e gerenciar a posição.
- Registro e revisão: anotar entradas, saídas, motivo da operação e aderência ao plano, para ajustar processo (não para “caçar” resultado).
Fluxo de uma operação do ponto de vista do trader
A seguir, um fluxo prático e sequencial do que acontece em uma operação típica de day trade, do planejamento ao encerramento.
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1) Análise e definição do plano (antes de clicar)
Antes de enviar qualquer ordem, o trader transforma uma ideia em um plano objetivo. Um plano mínimo costuma responder:
- Qual é o gatilho de entrada? Ex.: rompimento de um nível, rejeição de preço, retorno a uma região.
- Onde a ideia “não faz mais sentido”? Esse ponto define o stop (saída por perda).
- Onde encerrar com ganho ou reduzir risco? Pode ser um alvo fixo, parcial, ou ajuste de stop.
- Tamanho da posição: quantas unidades/contratos/ações, coerente com o risco aceito.
Um jeito simples de estruturar é escrever em uma linha:
Entrada: ____ | Stop: ____ | Alvo: ____ | Quantidade: ____ | Motivo: ____2) Envio de ordem: tipos comuns e implicações
Ao operar intraday, o tipo de ordem influencia diretamente a execução e o custo implícito (spread/slippage). Exemplos comuns:
- Ordem limitada: você define o preço máximo (para comprar) ou mínimo (para vender). Pode não executar se o mercado não tocar seu preço.
- Ordem a mercado: prioriza execução imediata, mas pode executar a um preço pior do que o esperado em momentos de volatilidade.
- Ordem stop (gatilho): usada para entrar em rompimentos ou para sair (stop loss). Quando acionada, pode virar ordem a mercado ou limitada, conforme configuração.
Na prática, muitos traders combinam: entrada (limitada ou stop) + stop loss + ordem de saída/alvo, sempre respeitando a regra de encerrar no dia.
3) Execução: o que observar quando a ordem vira posição
Depois que a ordem executa, você tem uma posição aberta. Dois pontos operacionais passam a ser críticos:
- Preço médio e quantidade executada: em execuções parciais, o preço médio pode variar.
- Liquidez e spread: se o spread estiver largo, pequenas variações podem não representar ganho líquido após custos.
É comum que a execução real não seja idêntica ao preço “ideal” do plano. Por isso, o plano deve prever margem para variações normais de execução.
4) Gerenciamento: acompanhar sem improvisar
Gerenciar não é “mudar de ideia a cada candle”, e sim aplicar regras previamente definidas. Exemplos de decisões de gerenciamento:
- Manter o stop original: quando o cenário ainda está válido e o preço não evoluiu o suficiente.
- Reduzir risco: mover stop para um ponto menos arriscado após o preço andar a favor (com critério).
- Realizar parcial: encerrar parte da posição para reduzir exposição e deixar o restante seguir o plano.
- Encerrar por tempo: se a operação não anda e o horário limite se aproxima, encerrar para cumprir a rotina e evitar decisões apressadas perto do fechamento.
Um cuidado comum no intraday é evitar “alargar stop” para não ser estopado. Isso altera o risco planejado e pode desorganizar a gestão do dia.
5) Encerramento: zerar no dia e registrar
Encerrar a operação significa zerar a posição (vender o que comprou ou recomprar o que vendeu). No day trade, o encerramento também inclui:
- Checar se não ficou posição residual: principalmente quando houve execução parcial.
- Confirmar custos e resultado líquido: para entender o impacto real da operação.
- Registrar o motivo da entrada e da saída: aderência ao plano, não apenas o resultado.
Exemplos simples (compra e venda) com linguagem neutra
Exemplo 1: operação comprada (compra e venda no mesmo dia)
Cenário hipotético: um ativo está oscilando e se aproxima de um nível de preço que você definiu como relevante. Seu plano é entrar comprado se o preço confirmar força acima desse nível.
- Entrada (compra): comprar 100 unidades a R$ 10,00 (ordem limitada ou stop, conforme a regra).
- Stop (saída por perda): vender 100 unidades a R$ 9,90 se o preço cair (limite de risco definido no plano).
- Alvo (saída por ganho): vender 100 unidades a R$ 10,15 se o preço subir.
Possível desfecho A (alvo): o preço sobe, sua ordem de venda executa em R$ 10,15 e você zera a posição no mesmo dia.
Possível desfecho B (stop): o preço cai, o stop é acionado e você zera a posição em R$ 9,90 no mesmo dia.
Observação operacional: o resultado líquido depende do preço de execução e dos custos (taxas, spread e possível slippage). Mesmo com o preço atingindo o alvo, custos podem reduzir o ganho líquido.
Exemplo 2: operação vendida (venda a descoberto e recompra no mesmo dia)
Cenário hipotético: você identifica um ponto em que o preço perde força e seu plano prevê vender se houver confirmação de queda. Em uma venda a descoberto, você abre a posição vendendo primeiro e fecha recomprando depois.
- Entrada (venda): vender 200 unidades a R$ 25,00.
- Stop (saída por perda): recomprar 200 unidades a R$ 25,30 se o preço subir contra a posição.
- Alvo (saída por ganho): recomprar 200 unidades a R$ 24,60 se o preço cair.
Possível desfecho A (alvo): o preço cai, você recompra a R$ 24,60 e zera no mesmo dia.
Possível desfecho B (stop): o preço sobe, você recompra a R$ 25,30 e zera no mesmo dia.
Observação operacional: em movimentos rápidos, a recompra pode ocorrer a um preço pior do que o planejado, especialmente se a ordem for a mercado ou se houver pouca liquidez naquele momento.
Checklist rápido do fluxo (para usar antes e durante o pregão)
- Antes: ativo definido, cenário, entrada, stop, alvo, quantidade, horário limite.
- Durante: ordem enviada conforme regra, execução conferida, stop ativo, gerenciamento sem improviso.
- Até o fim do dia: posição zerada, custos verificados, registro feito.