Classes de ativos mais comuns no day trade (Brasil)
No day trade, o ativo escolhido define quanto você precisa de capital, como o preço “anda” (volatilidade), quão fácil é entrar e sair (liquidez) e quais regras específicas você terá de seguir. No mercado brasileiro, os iniciantes normalmente começam por ações e derivativos listados (principalmente mini índice e mini dólar).
Ações (mercado à vista)
- O que são: papéis de empresas negociados na bolsa.
- Liquidez: varia muito. Ações “líquidas” têm grande volume e book mais cheio, com menor chance de “escorregar” no preço (slippage). Ações pouco líquidas podem ter spreads maiores e gaps intradiários mais frequentes.
- Volatilidade: depende do papel e do dia (notícias, balanços, setor). Algumas ações oscilam pouco; outras podem ter movimentos rápidos.
- Tamanho de contrato: não é “contrato”; você compra/vende quantidade de ações (lote padrão ou fracionário). O valor financeiro da posição depende do preço da ação e da quantidade.
- Para o iniciante: exige atenção a liquidez (evitar papéis com pouco volume) e ao custo proporcional (em operações pequenas, custos podem pesar).
Mini índice (derivativo do índice)
- O que é: contrato futuro “mini” referenciado no índice (Ibovespa).
- Liquidez: geralmente alta, com muitos participantes (traders, institucionais, robôs). Isso tende a facilitar entradas/saídas.
- Volatilidade: costuma ser elevada, especialmente em horários de notícias e abertura/fechamento. Movimentos rápidos são comuns.
- Tamanho de contrato: padronizado. Você negocia “contratos” (1, 2, 5...). O resultado financeiro por ponto varia conforme a especificação do contrato.
- Para o iniciante: exige disciplina de risco porque a velocidade do mercado pode punir stops longos ou execução lenta.
Mini dólar (derivativo do câmbio)
- O que é: contrato futuro “mini” referenciado no dólar comercial.
- Liquidez: normalmente alta, com forte influência de fluxo externo e notícias macro.
- Volatilidade: pode aumentar muito em divulgações econômicas (Brasil e EUA) e em eventos geopolíticos.
- Tamanho de contrato: padronizado em contratos. Pequenas variações no preço podem gerar variações relevantes no resultado.
- Para o iniciante: é comum ver “puxões” rápidos (spikes) em notícias; isso exige cuidado com ordens e limites de perda.
Outros derivativos comuns (com ressalvas para iniciantes)
- Opções (sobre ações/índices): têm vencimento, “decadência” de tempo (theta) e sensibilidade a volatilidade implícita. Podem ser menos intuitivas no intraday e ter spreads maiores em séries menos negociadas.
- Futuros cheios (índice/dólar): maior tamanho financeiro por contrato, o que aumenta o risco por oscilação. Em geral, o mini é mais acessível para começar.
- ETFs: podem ser usados no intraday como alternativa a ações específicas, mas a liquidez varia por ETF.
Liquidez, volatilidade e tamanho: como comparar na prática
Ao escolher o que operar, compare três pontos objetivos:
- Liquidez: observe volume negociado, quantidade de negócios e profundidade do book. Quanto mais “cheio” o book, menor a chance de você pagar caro para entrar ou sair.
- Volatilidade intradiária: observe o tamanho médio dos candles e a amplitude do dia (máxima - mínima). Volatilidade maior pode dar mais oportunidade, mas também aumenta o risco de stop.
- Tamanho financeiro (por lote/contrato): determine quanto você ganha/perde por variação mínima relevante. Em derivativos, isso costuma ser mais “alavancado” do que em ações.
Exemplo prático (comparação de risco): se um ativo costuma oscilar “X” unidades em poucos minutos, e você opera 1 contrato/lote, estime quanto isso representa em dinheiro. Se essa oscilação típica já for maior do que o seu limite de perda por operação, o ativo (ou o tamanho) está grande demais para o seu estágio.
Horários relevantes do mercado brasileiro e por que a liquidez muda
A liquidez não é constante ao longo do dia. Ela tende a concentrar-se em janelas específicas, quando mais participantes estão ativos e quando há mais informação nova sendo precificada.
Pré-abertura e leilão de abertura
- O que acontece: fase de formação de preço. Ordens podem ser registradas, mas a negociação efetiva ocorre no leilão.
- Impacto na liquidez: o book pode parecer “grande”, mas o preço ainda está em descoberta. Pode haver mudanças rápidas no preço teórico.
- Para o iniciante: cuidado com ordens agressivas antes do mercado “engrenar”. Em ações, o leilão pode gerar abertura com gap.
Primeiros minutos do pregão (abertura)
- O que acontece: ajuste rápido de preços após notícias da noite, exterior e fluxo inicial.
- Liquidez e volatilidade: normalmente altas. Spreads podem alargar momentaneamente em alguns ativos.
- Para o iniciante: é um horário com oportunidades, mas também com maior chance de execução pior do que o esperado se você usar ordens a mercado sem critério.
Meio do dia (miolo do pregão)
- O que acontece: menos novidades, parte do mercado reduz atividade.
- Liquidez: pode cair, especialmente em ações fora das mais negociadas.
- Volatilidade: muitas vezes diminui, mas pode aumentar em dias de eventos (decisões de juros, dados de inflação, payroll etc.).
- Para o iniciante: em baixa liquidez, o custo implícito (spread/slippage) tende a pesar mais.
Última hora e leilão de fechamento
- O que acontece: participantes ajustam posições, fundos executam rebalanceamentos e há concentração de ordens.
- Liquidez: costuma aumentar novamente, mas com movimentos bruscos em alguns ativos.
- Para o iniciante: atenção ao leilão de fechamento em ações: ordens podem ficar “presas” no leilão e executar a um preço diferente do que parecia durante o contínuo.
Ajustes (marcação) e referência de preço em derivativos
- O que é: nos contratos futuros, existe um preço de ajuste usado para apurar resultados e margens (marcação a mercado).
- Impacto: mesmo que você não encerre a posição, o resultado pode ser atualizado por ajuste. No day trade, você normalmente zera antes do fim, mas precisa entender que o mercado futuro tem regras próprias de apuração.
Regras operacionais essenciais e como impactam o iniciante
Lote padrão vs fracionário (ações)
Em ações, você pode negociar no lote padrão (quantidade mínima padronizada, frequentemente múltiplos definidos pela bolsa) ou no fracionário (quantidades menores). Na prática:
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- Lote padrão: tende a ter mais liquidez em muitos papéis, com spreads menores.
- Fracionário: facilita começar com menos capital e ajustar tamanho, mas pode ter book menos profundo em alguns ativos.
Impacto no iniciante: o fracionário ajuda a controlar risco por operação (menor tamanho), mas você deve checar se o spread não está “comendo” parte do movimento que você busca.
Tamanho de posição em contratos (derivativos)
Em mini índice/mini dólar, você define o tamanho pelo número de contratos. Isso muda completamente o controle de risco, porque:
- cada variação de preço tem um valor financeiro por contrato;
- aumentar de 1 para 2 contratos dobra o impacto de cada oscilação;
- reduzir contratos é a forma mais direta de reduzir risco sem mudar a estratégia.
Regra prática: antes de operar, calcule quanto você perde se o preço andar até seu stop. Se esse valor for maior do que seu limite por operação, reduza contratos/lotes ou encurte o stop (se fizer sentido técnico).
Vencimentos em derivativos e escolha do contrato “da vez”
Contratos futuros têm vencimento. Com o tempo, a liquidez migra do contrato mais próximo para o próximo (o “contrato cheio” de liquidez muda).
- O que observar: qual vencimento está com maior volume e menor spread.
- Risco para o iniciante: operar um vencimento “errado” (com pouca liquidez) pode aumentar slippage e dificultar zeragem rápida.
Rolagem (quando o mercado troca o contrato líquido)
Rolagem é o processo de migrar operações do contrato que está perdendo liquidez para o próximo vencimento. Mesmo no day trade, isso importa porque:
- o contrato antigo pode ficar “lento” e com spread maior;
- o contrato novo passa a concentrar o fluxo, melhorando execução.
Passo a passo prático para não ser pego na rolagem:
- Verifique diariamente qual contrato futuro está com maior volume e menor spread.
- Compare o book: profundidade e agressões (negócios) no contrato atual vs próximo.
- Se a liquidez já migrou, planeje operar apenas o contrato mais líquido a partir daquele dia.
- Evite “insistir” no contrato antigo só por hábito: a execução pior pode anular um trade correto.
Ajuste e marcação a mercado (por que você deve conhecer mesmo no day trade)
Em futuros, existe apuração por ajuste (marcação). Para quem faz day trade e zera no mesmo dia, o efeito prático costuma ser menor do que para quem carrega posição, mas ainda assim:
- o mercado futuro tem regras próprias de apuração de resultado e exigências operacionais;
- em dias de alta volatilidade, entender referência de preço e horários críticos ajuda a evitar surpresas na execução e no controle de risco.
Leilões (ações) e ordens: risco de execução diferente do esperado
Leilões (abertura/fechamento e eventuais leilões por oscilação) podem mudar a dinâmica de execução:
- ordens podem executar a um preço de equilíbrio do leilão, não necessariamente o último preço do contínuo;
- durante leilão, o preço teórico pode oscilar rapidamente conforme entram/saem ordens.
Passo a passo prático para operar com segurança em dias com leilão:
- Identifique se o ativo entrou em leilão (abertura, fechamento ou por oscilação).
- Evite enviar ordem a mercado sem entender o preço teórico e a fila de ordens.
- Prefira ordens limitadas quando estiver aprendendo, definindo o pior preço aceitável.
- Se sua estratégia depende de saída rápida, considere não operar ativos frequentemente interrompidos por leilão.
Checklist operacional do iniciante (antes de clicar)
| Item | O que checar | Por que importa |
|---|---|---|
| Ativo | É ação líquida? É mini índice/mini dólar no vencimento mais líquido? | Liquidez reduz spread e melhora execução |
| Horário | Abertura, miolo ou fechamento? Há notícia relevante prevista? | Liquidez e volatilidade mudam ao longo do dia |
| Tamanho | Lotes/contratos compatíveis com seu limite de perda | Evita que uma oscilação normal vire prejuízo grande |
| Regras do ativo | Leilão? Fracionário? Vencimento/rolagem? | Evita ficar preso em execução ruim ou contrato sem liquidez |
| Tipo de ordem | Limitada vs a mercado (especialmente em horários “rápidos”) | Controla o preço de entrada/saída e o slippage |