Day Trade na prática: ativos, horários e regras operacionais do mercado brasileiro

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Classes de ativos mais comuns no day trade (Brasil)

No day trade, o ativo escolhido define quanto você precisa de capital, como o preço “anda” (volatilidade), quão fácil é entrar e sair (liquidez) e quais regras específicas você terá de seguir. No mercado brasileiro, os iniciantes normalmente começam por ações e derivativos listados (principalmente mini índice e mini dólar).

Ações (mercado à vista)

  • O que são: papéis de empresas negociados na bolsa.
  • Liquidez: varia muito. Ações “líquidas” têm grande volume e book mais cheio, com menor chance de “escorregar” no preço (slippage). Ações pouco líquidas podem ter spreads maiores e gaps intradiários mais frequentes.
  • Volatilidade: depende do papel e do dia (notícias, balanços, setor). Algumas ações oscilam pouco; outras podem ter movimentos rápidos.
  • Tamanho de contrato: não é “contrato”; você compra/vende quantidade de ações (lote padrão ou fracionário). O valor financeiro da posição depende do preço da ação e da quantidade.
  • Para o iniciante: exige atenção a liquidez (evitar papéis com pouco volume) e ao custo proporcional (em operações pequenas, custos podem pesar).

Mini índice (derivativo do índice)

  • O que é: contrato futuro “mini” referenciado no índice (Ibovespa).
  • Liquidez: geralmente alta, com muitos participantes (traders, institucionais, robôs). Isso tende a facilitar entradas/saídas.
  • Volatilidade: costuma ser elevada, especialmente em horários de notícias e abertura/fechamento. Movimentos rápidos são comuns.
  • Tamanho de contrato: padronizado. Você negocia “contratos” (1, 2, 5...). O resultado financeiro por ponto varia conforme a especificação do contrato.
  • Para o iniciante: exige disciplina de risco porque a velocidade do mercado pode punir stops longos ou execução lenta.

Mini dólar (derivativo do câmbio)

  • O que é: contrato futuro “mini” referenciado no dólar comercial.
  • Liquidez: normalmente alta, com forte influência de fluxo externo e notícias macro.
  • Volatilidade: pode aumentar muito em divulgações econômicas (Brasil e EUA) e em eventos geopolíticos.
  • Tamanho de contrato: padronizado em contratos. Pequenas variações no preço podem gerar variações relevantes no resultado.
  • Para o iniciante: é comum ver “puxões” rápidos (spikes) em notícias; isso exige cuidado com ordens e limites de perda.

Outros derivativos comuns (com ressalvas para iniciantes)

  • Opções (sobre ações/índices): têm vencimento, “decadência” de tempo (theta) e sensibilidade a volatilidade implícita. Podem ser menos intuitivas no intraday e ter spreads maiores em séries menos negociadas.
  • Futuros cheios (índice/dólar): maior tamanho financeiro por contrato, o que aumenta o risco por oscilação. Em geral, o mini é mais acessível para começar.
  • ETFs: podem ser usados no intraday como alternativa a ações específicas, mas a liquidez varia por ETF.

Liquidez, volatilidade e tamanho: como comparar na prática

Ao escolher o que operar, compare três pontos objetivos:

  • Liquidez: observe volume negociado, quantidade de negócios e profundidade do book. Quanto mais “cheio” o book, menor a chance de você pagar caro para entrar ou sair.
  • Volatilidade intradiária: observe o tamanho médio dos candles e a amplitude do dia (máxima - mínima). Volatilidade maior pode dar mais oportunidade, mas também aumenta o risco de stop.
  • Tamanho financeiro (por lote/contrato): determine quanto você ganha/perde por variação mínima relevante. Em derivativos, isso costuma ser mais “alavancado” do que em ações.

Exemplo prático (comparação de risco): se um ativo costuma oscilar “X” unidades em poucos minutos, e você opera 1 contrato/lote, estime quanto isso representa em dinheiro. Se essa oscilação típica já for maior do que o seu limite de perda por operação, o ativo (ou o tamanho) está grande demais para o seu estágio.

Horários relevantes do mercado brasileiro e por que a liquidez muda

A liquidez não é constante ao longo do dia. Ela tende a concentrar-se em janelas específicas, quando mais participantes estão ativos e quando há mais informação nova sendo precificada.

Pré-abertura e leilão de abertura

  • O que acontece: fase de formação de preço. Ordens podem ser registradas, mas a negociação efetiva ocorre no leilão.
  • Impacto na liquidez: o book pode parecer “grande”, mas o preço ainda está em descoberta. Pode haver mudanças rápidas no preço teórico.
  • Para o iniciante: cuidado com ordens agressivas antes do mercado “engrenar”. Em ações, o leilão pode gerar abertura com gap.

Primeiros minutos do pregão (abertura)

  • O que acontece: ajuste rápido de preços após notícias da noite, exterior e fluxo inicial.
  • Liquidez e volatilidade: normalmente altas. Spreads podem alargar momentaneamente em alguns ativos.
  • Para o iniciante: é um horário com oportunidades, mas também com maior chance de execução pior do que o esperado se você usar ordens a mercado sem critério.

Meio do dia (miolo do pregão)

  • O que acontece: menos novidades, parte do mercado reduz atividade.
  • Liquidez: pode cair, especialmente em ações fora das mais negociadas.
  • Volatilidade: muitas vezes diminui, mas pode aumentar em dias de eventos (decisões de juros, dados de inflação, payroll etc.).
  • Para o iniciante: em baixa liquidez, o custo implícito (spread/slippage) tende a pesar mais.

Última hora e leilão de fechamento

  • O que acontece: participantes ajustam posições, fundos executam rebalanceamentos e há concentração de ordens.
  • Liquidez: costuma aumentar novamente, mas com movimentos bruscos em alguns ativos.
  • Para o iniciante: atenção ao leilão de fechamento em ações: ordens podem ficar “presas” no leilão e executar a um preço diferente do que parecia durante o contínuo.

Ajustes (marcação) e referência de preço em derivativos

  • O que é: nos contratos futuros, existe um preço de ajuste usado para apurar resultados e margens (marcação a mercado).
  • Impacto: mesmo que você não encerre a posição, o resultado pode ser atualizado por ajuste. No day trade, você normalmente zera antes do fim, mas precisa entender que o mercado futuro tem regras próprias de apuração.

Regras operacionais essenciais e como impactam o iniciante

Lote padrão vs fracionário (ações)

Em ações, você pode negociar no lote padrão (quantidade mínima padronizada, frequentemente múltiplos definidos pela bolsa) ou no fracionário (quantidades menores). Na prática:

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  • Lote padrão: tende a ter mais liquidez em muitos papéis, com spreads menores.
  • Fracionário: facilita começar com menos capital e ajustar tamanho, mas pode ter book menos profundo em alguns ativos.

Impacto no iniciante: o fracionário ajuda a controlar risco por operação (menor tamanho), mas você deve checar se o spread não está “comendo” parte do movimento que você busca.

Tamanho de posição em contratos (derivativos)

Em mini índice/mini dólar, você define o tamanho pelo número de contratos. Isso muda completamente o controle de risco, porque:

  • cada variação de preço tem um valor financeiro por contrato;
  • aumentar de 1 para 2 contratos dobra o impacto de cada oscilação;
  • reduzir contratos é a forma mais direta de reduzir risco sem mudar a estratégia.

Regra prática: antes de operar, calcule quanto você perde se o preço andar até seu stop. Se esse valor for maior do que seu limite por operação, reduza contratos/lotes ou encurte o stop (se fizer sentido técnico).

Vencimentos em derivativos e escolha do contrato “da vez”

Contratos futuros têm vencimento. Com o tempo, a liquidez migra do contrato mais próximo para o próximo (o “contrato cheio” de liquidez muda).

  • O que observar: qual vencimento está com maior volume e menor spread.
  • Risco para o iniciante: operar um vencimento “errado” (com pouca liquidez) pode aumentar slippage e dificultar zeragem rápida.

Rolagem (quando o mercado troca o contrato líquido)

Rolagem é o processo de migrar operações do contrato que está perdendo liquidez para o próximo vencimento. Mesmo no day trade, isso importa porque:

  • o contrato antigo pode ficar “lento” e com spread maior;
  • o contrato novo passa a concentrar o fluxo, melhorando execução.

Passo a passo prático para não ser pego na rolagem:

  1. Verifique diariamente qual contrato futuro está com maior volume e menor spread.
  2. Compare o book: profundidade e agressões (negócios) no contrato atual vs próximo.
  3. Se a liquidez já migrou, planeje operar apenas o contrato mais líquido a partir daquele dia.
  4. Evite “insistir” no contrato antigo só por hábito: a execução pior pode anular um trade correto.

Ajuste e marcação a mercado (por que você deve conhecer mesmo no day trade)

Em futuros, existe apuração por ajuste (marcação). Para quem faz day trade e zera no mesmo dia, o efeito prático costuma ser menor do que para quem carrega posição, mas ainda assim:

  • o mercado futuro tem regras próprias de apuração de resultado e exigências operacionais;
  • em dias de alta volatilidade, entender referência de preço e horários críticos ajuda a evitar surpresas na execução e no controle de risco.

Leilões (ações) e ordens: risco de execução diferente do esperado

Leilões (abertura/fechamento e eventuais leilões por oscilação) podem mudar a dinâmica de execução:

  • ordens podem executar a um preço de equilíbrio do leilão, não necessariamente o último preço do contínuo;
  • durante leilão, o preço teórico pode oscilar rapidamente conforme entram/saem ordens.

Passo a passo prático para operar com segurança em dias com leilão:

  1. Identifique se o ativo entrou em leilão (abertura, fechamento ou por oscilação).
  2. Evite enviar ordem a mercado sem entender o preço teórico e a fila de ordens.
  3. Prefira ordens limitadas quando estiver aprendendo, definindo o pior preço aceitável.
  4. Se sua estratégia depende de saída rápida, considere não operar ativos frequentemente interrompidos por leilão.

Checklist operacional do iniciante (antes de clicar)

ItemO que checarPor que importa
AtivoÉ ação líquida? É mini índice/mini dólar no vencimento mais líquido?Liquidez reduz spread e melhora execução
HorárioAbertura, miolo ou fechamento? Há notícia relevante prevista?Liquidez e volatilidade mudam ao longo do dia
TamanhoLotes/contratos compatíveis com seu limite de perdaEvita que uma oscilação normal vire prejuízo grande
Regras do ativoLeilão? Fracionário? Vencimento/rolagem?Evita ficar preso em execução ruim ou contrato sem liquidez
Tipo de ordemLimitada vs a mercado (especialmente em horários “rápidos”)Controla o preço de entrada/saída e o slippage

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao escolher um ativo para day trade, qual atitude ajuda a evitar que uma oscilação normal do mercado ultrapasse seu limite de perda por operação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A regra prática é calcular a perda potencial até o stop no tamanho atual. Se esse valor passar do seu limite por operação, o ajuste mais direto é reduzir contratos/lotes (ou encurtar o stop se houver justificativa técnica).

Próximo capitúlo

Ordens no Day Trade: tipos, execução e consequências práticas

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