Crochê para iniciantes: ponto baixo e leitura de altura do ponto

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que é o ponto baixo e como “ler” a altura do ponto

O ponto baixo (pb) é um ponto curto e firme, muito usado para criar tecido mais fechado. Para fazer um pb consistente, você precisa reconhecer a estrutura do ponto e entender onde inserir a agulha em cada carreira.

Anatomia do ponto: duas alças e corpo do ponto

Quando você olha para a carreira pronta por cima, cada ponto forma um “V”. Esse “V” é composto por duas alças:

  • Alça da frente (front loop): a parte do “V” mais próxima de você.
  • Alça de trás (back loop): a parte do “V” mais distante de você.

Abaixo desse “V” fica o corpo do ponto (a coluna do pb), que define a altura e a textura do tecido.

Identificando a “corrente de cima” (topo do ponto)

A “corrente de cima” é justamente o “V” que aparece no topo de cada ponto. É nela que você normalmente insere a agulha para trabalhar a próxima carreira. Em ponto baixo tradicional, a inserção padrão é pegando nas duas alças desse “V”.

Dica de leitura: se você consegue ver uma fileira de “Vzinhos” alinhados no topo, você está olhando para a corrente de cima. Se a borda estiver “sumindo” ou parecendo inclinada, geralmente é sinal de que algum ponto da borda não foi trabalhado.

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Passo a passo do ponto baixo (pb) com foco em consistência

O ponto baixo tem uma sequência simples, mas a regularidade depende de repetir o mesmo caminho da agulha e manter o mesmo “tamanho” de laçada.

Sequência do ponto baixo

  1. Inserir a agulha na corrente de cima do ponto (normalmente pegando as duas alças).
  2. Laçada: passe o fio sobre a agulha.
  3. Puxar a laçada: traga o fio através do ponto. Agora você terá 2 laçadas na agulha.
  4. Laçada novamente.
  5. Arrematar: puxe o fio através das 2 laçadas na agulha. Ponto baixo concluído.

Como manter o tamanho do ponto regular

  • Altura da laçada: ao puxar a laçada para formar as 2 laçadas na agulha, tente sempre puxar até a mesma altura (nem apertado demais, nem frouxo).
  • Ângulo de entrada: insira a agulha sempre com um ângulo parecido (muito inclinado pode “rasgar” o ponto; muito reto pode dificultar a passagem).
  • Não “puxe” o ponto ao arrematar: ao passar pelas 2 laçadas finais, evite apertar demais o fio; isso encolhe o tecido e dificulta a próxima carreira.

Prática guiada: carreiras de ida e volta em ponto baixo

Preparação: base e primeira carreira

Faça uma base de correntinhas (quantidade sugerida para treino: 16 a 26 correntinhas). Para iniciar ponto baixo em carreiras de ida e volta, você precisa de uma correntinha de subida.

  • Correntinha de subida no pb: faça 1 correntinha ao virar.
  • Onde começa o primeiro ponto: após virar, faça o primeiro pb no primeiro ponto disponível da carreira anterior (não “pule” um ponto além do necessário).

Observação importante: em ponto baixo, a correntinha de subida geralmente não conta como ponto. Ou seja, ela serve para dar altura e permitir virar, mas você não a considera um ponto a ser contado como parte da carreira (a menos que uma receita diga o contrário).

Como virar o trabalho sem perder pontos

Ao terminar uma carreira:

  1. Faça 1 correntinha.
  2. Vire o trabalho (como se estivesse virando uma página).
  3. Identifique o primeiro “V” do topo da carreira anterior.
  4. Faça o primeiro pb inserindo a agulha nesse primeiro ponto.

Como identificar o último ponto da carreira (o mais perdido)

O último ponto costuma ficar “na quina” e pode parecer uma alça solta. Para não encurtar a peça, procure:

  • O último “V” completo no topo da carreira.
  • Uma pequena “corrente” na lateral: ela é formada pela correntinha de subida e pela borda dos pontos; não confunda isso com um ponto extra.

Exercício de controle: conte os pontos ao final de cada carreira. Se você começou com 20 pontos, cada carreira deve terminar com 20 pb. Se aparecer 19, você provavelmente perdeu o último; se aparecer 21, você provavelmente trabalhou dentro da correntinha de subida como se fosse um ponto.

Leitura de altura do ponto: como saber se você está “achatando” ou “esticando” o pb

A altura do ponto baixo é curta. Se seus pontos estiverem muito altos, o tecido fica mais “aberto” e com aparência irregular; se estiverem muito baixos e apertados, a agulha terá dificuldade de entrar nas alças na carreira seguinte.

Sinais visuais e táteis

  • Regularidade do topo: os “Vzinhos” devem ficar alinhados e com tamanho parecido.
  • Colunas do corpo do ponto: vistas de frente, devem ter altura semelhante; colunas muito esticadas indicam laçadas altas demais.
  • Facilidade de inserir a agulha: se está difícil demais, pode estar apertado; se entra fácil demais e o tecido fica “mole”, pode estar frouxo.

Mini-ajuste prático durante a execução

Se perceber que os pontos estão variando, ajuste no momento em que você puxa a laçada (passo em que ficam 2 laçadas na agulha). Esse é o ponto mais comum de variação de altura. Tente repetir sempre a mesma distância entre a agulha e o tecido antes de arrematar.

Variações de inserção: duas alças, alça de trás e alça da frente

Sem mudar o tipo de ponto (continua sendo pb), você pode mudar a textura apenas alterando onde a agulha entra no topo do ponto.

1) Ponto baixo pegando nas duas alças (padrão)

Como fazer: insira a agulha por baixo das duas alças do “V”.

Resultado: tecido mais uniforme, firme e com aparência “clássica”. É a melhor opção para treinar consistência e contagem de pontos.

2) Ponto baixo pegando apenas na alça de trás (BLO)

Como fazer: insira a agulha somente na alça de trás (a mais distante de você).

Resultado: cria uma textura com “caneladinhas”/relevos horizontais, porque a alça da frente fica livre e forma uma linha aparente.

Cuidados: como você está pegando menos fio do topo, o ponto pode ficar um pouco mais elástico. Mantenha a laçada bem controlada para não alongar demais.

3) Ponto baixo pegando apenas na alça da frente (FLO)

Como fazer: insira a agulha somente na alça da frente (a mais próxima de você).

Resultado: também cria linhas de textura, mas com aparência diferente do BLO; a alça de trás fica livre e forma uma linha mais “para trás” do trabalho.

Cuidados: é comum a borda parecer mais “ondulada” se a tensão variar. Conte pontos e mantenha a altura do pb constante.

Prática comparativa: 3 tiras curtas para sentir a diferença de textura

Faça três amostras pequenas com o mesmo número de pontos para comparar.

Plano de treino (sem avançar para projetos)

  • Amostra A (padrão): 20 pb por 6 carreiras pegando nas duas alças.
  • Amostra B (BLO): 20 pb por 6 carreiras pegando apenas na alça de trás.
  • Amostra C (FLO): 20 pb por 6 carreiras pegando apenas na alça da frente.

O que observar e anotar

  • Qual amostra ficou mais firme e qual ficou mais elástica.
  • Se as bordas ficaram retas (mesma quantidade de pontos em todas as carreiras).
  • Se os “Vzinhos” do topo ficaram do mesmo tamanho ao longo das carreiras.

Erros comuns no ponto baixo (e como corrigir durante a carreira)

1) Encurtar a peça nas bordas

  • Causa comum: pular o primeiro ponto após virar ou esquecer o último ponto da carreira.
  • Correção: ao virar, localize o primeiro “V” completo e trabalhe nele; ao finalizar, procure o último “V” completo na quina e trabalhe nele antes de fazer a correntinha de subida.

2) Aumentar pontos sem perceber

  • Causa comum: trabalhar dentro da correntinha de subida como se fosse um ponto.
  • Correção: lembre que, no pb, a correntinha de subida normalmente não conta como ponto. Conte os pontos e mantenha o mesmo total em todas as carreiras.

3) Pontos irregulares (uns altos, outros baixos)

  • Causa comum: variar a altura ao puxar a laçada antes de arrematar.
  • Correção: pause meio segundo após puxar a laçada e ajuste a altura para ficar igual aos pontos anteriores; depois arremate sem apertar.

4) Dificuldade para inserir a agulha na carreira seguinte

  • Causa comum: pontos muito apertados ou inserção pegando fio errado (não pegando a corrente de cima).
  • Correção: confirme se você está entrando no “V” do topo; afrouxe levemente a laçada ao puxar o fio e evite apertar ao finalizar o ponto.

Referência rápida (leitura de receita): abreviações comuns

TermoSignificadoComo executar
pbponto baixoInserir, laçada, puxar (2 laçadas), laçada, arrematar (passar por 2)
BLOback loop onlyTrabalhar pegando apenas na alça de trás do “V”
FLOfront loop onlyTrabalhar pegando apenas na alça da frente do “V”

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao fazer carreiras de ida e volta em ponto baixo, você termina uma carreira com 20 pontos e, na contagem da carreira seguinte, percebe que ficou com 21 pontos. Qual é a causa mais provável desse aumento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No ponto baixo, a correntinha de subida geralmente não conta como ponto. Se ela for trabalhada como se fosse um ponto, você cria um ponto extra e a carreira passa a ter 21 em vez de 20.

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Crochê para iniciantes: meio ponto alto e ponto alto para ganhar ritmo

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