O que é o ponto baixo e como “ler” a altura do ponto
O ponto baixo (pb) é um ponto curto e firme, muito usado para criar tecido mais fechado. Para fazer um pb consistente, você precisa reconhecer a estrutura do ponto e entender onde inserir a agulha em cada carreira.
Anatomia do ponto: duas alças e corpo do ponto
Quando você olha para a carreira pronta por cima, cada ponto forma um “V”. Esse “V” é composto por duas alças:
- Alça da frente (front loop): a parte do “V” mais próxima de você.
- Alça de trás (back loop): a parte do “V” mais distante de você.
Abaixo desse “V” fica o corpo do ponto (a coluna do pb), que define a altura e a textura do tecido.
Identificando a “corrente de cima” (topo do ponto)
A “corrente de cima” é justamente o “V” que aparece no topo de cada ponto. É nela que você normalmente insere a agulha para trabalhar a próxima carreira. Em ponto baixo tradicional, a inserção padrão é pegando nas duas alças desse “V”.
Dica de leitura: se você consegue ver uma fileira de “Vzinhos” alinhados no topo, você está olhando para a corrente de cima. Se a borda estiver “sumindo” ou parecendo inclinada, geralmente é sinal de que algum ponto da borda não foi trabalhado.
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Passo a passo do ponto baixo (pb) com foco em consistência
O ponto baixo tem uma sequência simples, mas a regularidade depende de repetir o mesmo caminho da agulha e manter o mesmo “tamanho” de laçada.
Sequência do ponto baixo
- Inserir a agulha na corrente de cima do ponto (normalmente pegando as duas alças).
- Laçada: passe o fio sobre a agulha.
- Puxar a laçada: traga o fio através do ponto. Agora você terá 2 laçadas na agulha.
- Laçada novamente.
- Arrematar: puxe o fio através das 2 laçadas na agulha. Ponto baixo concluído.
Como manter o tamanho do ponto regular
- Altura da laçada: ao puxar a laçada para formar as 2 laçadas na agulha, tente sempre puxar até a mesma altura (nem apertado demais, nem frouxo).
- Ângulo de entrada: insira a agulha sempre com um ângulo parecido (muito inclinado pode “rasgar” o ponto; muito reto pode dificultar a passagem).
- Não “puxe” o ponto ao arrematar: ao passar pelas 2 laçadas finais, evite apertar demais o fio; isso encolhe o tecido e dificulta a próxima carreira.
Prática guiada: carreiras de ida e volta em ponto baixo
Preparação: base e primeira carreira
Faça uma base de correntinhas (quantidade sugerida para treino: 16 a 26 correntinhas). Para iniciar ponto baixo em carreiras de ida e volta, você precisa de uma correntinha de subida.
- Correntinha de subida no pb: faça 1 correntinha ao virar.
- Onde começa o primeiro ponto: após virar, faça o primeiro pb no primeiro ponto disponível da carreira anterior (não “pule” um ponto além do necessário).
Observação importante: em ponto baixo, a correntinha de subida geralmente não conta como ponto. Ou seja, ela serve para dar altura e permitir virar, mas você não a considera um ponto a ser contado como parte da carreira (a menos que uma receita diga o contrário).
Como virar o trabalho sem perder pontos
Ao terminar uma carreira:
- Faça 1 correntinha.
- Vire o trabalho (como se estivesse virando uma página).
- Identifique o primeiro “V” do topo da carreira anterior.
- Faça o primeiro pb inserindo a agulha nesse primeiro ponto.
Como identificar o último ponto da carreira (o mais perdido)
O último ponto costuma ficar “na quina” e pode parecer uma alça solta. Para não encurtar a peça, procure:
- O último “V” completo no topo da carreira.
- Uma pequena “corrente” na lateral: ela é formada pela correntinha de subida e pela borda dos pontos; não confunda isso com um ponto extra.
Exercício de controle: conte os pontos ao final de cada carreira. Se você começou com 20 pontos, cada carreira deve terminar com 20 pb. Se aparecer 19, você provavelmente perdeu o último; se aparecer 21, você provavelmente trabalhou dentro da correntinha de subida como se fosse um ponto.
Leitura de altura do ponto: como saber se você está “achatando” ou “esticando” o pb
A altura do ponto baixo é curta. Se seus pontos estiverem muito altos, o tecido fica mais “aberto” e com aparência irregular; se estiverem muito baixos e apertados, a agulha terá dificuldade de entrar nas alças na carreira seguinte.
Sinais visuais e táteis
- Regularidade do topo: os “Vzinhos” devem ficar alinhados e com tamanho parecido.
- Colunas do corpo do ponto: vistas de frente, devem ter altura semelhante; colunas muito esticadas indicam laçadas altas demais.
- Facilidade de inserir a agulha: se está difícil demais, pode estar apertado; se entra fácil demais e o tecido fica “mole”, pode estar frouxo.
Mini-ajuste prático durante a execução
Se perceber que os pontos estão variando, ajuste no momento em que você puxa a laçada (passo em que ficam 2 laçadas na agulha). Esse é o ponto mais comum de variação de altura. Tente repetir sempre a mesma distância entre a agulha e o tecido antes de arrematar.
Variações de inserção: duas alças, alça de trás e alça da frente
Sem mudar o tipo de ponto (continua sendo pb), você pode mudar a textura apenas alterando onde a agulha entra no topo do ponto.
1) Ponto baixo pegando nas duas alças (padrão)
Como fazer: insira a agulha por baixo das duas alças do “V”.
Resultado: tecido mais uniforme, firme e com aparência “clássica”. É a melhor opção para treinar consistência e contagem de pontos.
2) Ponto baixo pegando apenas na alça de trás (BLO)
Como fazer: insira a agulha somente na alça de trás (a mais distante de você).
Resultado: cria uma textura com “caneladinhas”/relevos horizontais, porque a alça da frente fica livre e forma uma linha aparente.
Cuidados: como você está pegando menos fio do topo, o ponto pode ficar um pouco mais elástico. Mantenha a laçada bem controlada para não alongar demais.
3) Ponto baixo pegando apenas na alça da frente (FLO)
Como fazer: insira a agulha somente na alça da frente (a mais próxima de você).
Resultado: também cria linhas de textura, mas com aparência diferente do BLO; a alça de trás fica livre e forma uma linha mais “para trás” do trabalho.
Cuidados: é comum a borda parecer mais “ondulada” se a tensão variar. Conte pontos e mantenha a altura do pb constante.
Prática comparativa: 3 tiras curtas para sentir a diferença de textura
Faça três amostras pequenas com o mesmo número de pontos para comparar.
Plano de treino (sem avançar para projetos)
- Amostra A (padrão): 20 pb por 6 carreiras pegando nas duas alças.
- Amostra B (BLO): 20 pb por 6 carreiras pegando apenas na alça de trás.
- Amostra C (FLO): 20 pb por 6 carreiras pegando apenas na alça da frente.
O que observar e anotar
- Qual amostra ficou mais firme e qual ficou mais elástica.
- Se as bordas ficaram retas (mesma quantidade de pontos em todas as carreiras).
- Se os “Vzinhos” do topo ficaram do mesmo tamanho ao longo das carreiras.
Erros comuns no ponto baixo (e como corrigir durante a carreira)
1) Encurtar a peça nas bordas
- Causa comum: pular o primeiro ponto após virar ou esquecer o último ponto da carreira.
- Correção: ao virar, localize o primeiro “V” completo e trabalhe nele; ao finalizar, procure o último “V” completo na quina e trabalhe nele antes de fazer a correntinha de subida.
2) Aumentar pontos sem perceber
- Causa comum: trabalhar dentro da correntinha de subida como se fosse um ponto.
- Correção: lembre que, no pb, a correntinha de subida normalmente não conta como ponto. Conte os pontos e mantenha o mesmo total em todas as carreiras.
3) Pontos irregulares (uns altos, outros baixos)
- Causa comum: variar a altura ao puxar a laçada antes de arrematar.
- Correção: pause meio segundo após puxar a laçada e ajuste a altura para ficar igual aos pontos anteriores; depois arremate sem apertar.
4) Dificuldade para inserir a agulha na carreira seguinte
- Causa comum: pontos muito apertados ou inserção pegando fio errado (não pegando a corrente de cima).
- Correção: confirme se você está entrando no “V” do topo; afrouxe levemente a laçada ao puxar o fio e evite apertar ao finalizar o ponto.
Referência rápida (leitura de receita): abreviações comuns
| Termo | Significado | Como executar |
|---|---|---|
pb | ponto baixo | Inserir, laçada, puxar (2 laçadas), laçada, arrematar (passar por 2) |
BLO | back loop only | Trabalhar pegando apenas na alça de trás do “V” |
FLO | front loop only | Trabalhar pegando apenas na alça da frente do “V” |