O que muda do ponto baixo para pontos mais altos
Quando você passa do ponto baixo para o meio ponto alto (mpa) e o ponto alto (pa), o principal ganho é ritmo: os pontos ficam mais altos, a carreira cresce mais rápido e o tecido tende a ficar mais flexível. A diferença técnica está em quantas laçadas você coloca na agulha antes de entrar no ponto e em quantas etapas de fechamento você faz.
- Meio ponto alto (mpa): 1 laçada antes de entrar no ponto; fecha em uma etapa (puxa e fecha tudo de uma vez).
- Ponto alto (pa): 1 laçada antes de entrar no ponto; fecha em duas etapas (fecha 2 laçadas, depois fecha 2 laçadas).
Altura e correntinhas de subida (regra prática)
Para manter a borda reta e a altura consistente, use correntinhas de subida proporcionais ao ponto:
- mpa: geralmente 2 correntinhas para subir.
- pa: geralmente 3 correntinhas para subir.
Importante: em muitas receitas, a correntinha de subida pode contar como o primeiro ponto da carreira ou não contar. Você precisa decidir um padrão para a sua amostra e manter até o fim. Abaixo você vai praticar os dois jeitos e aprender a alinhar bordas.
Meio ponto alto (mpa): passo a passo e controle de diâmetro
Como fazer 1 meio ponto alto
- Laçada na agulha (uma vez).
- Insira a agulha no ponto de base (ou na correntinha indicada).
- Puxe o fio: você ficará com 3 laçadas na agulha.
- Laçada e puxe através das 3 laçadas de uma vez.
Como manter o mesmo “diâmetro” do ponto (não alongar demais)
O mpa costuma “engordar” ou “afinar” quando a laçada puxada (a altura antes de fechar) fica irregular. Para manter o ponto uniforme:
- Ao puxar o fio para formar as 3 laçadas na agulha, não levante a agulha demais; mantenha a agulha próxima ao topo da carreira anterior.
- Antes de fechar as 3 laçadas, encoste levemente a parte mais grossa da agulha nas laçadas (isso ajuda a padronizar o tamanho).
- Se o tecido estiver com “buracos” entre pontos, geralmente é sinal de laçadas altas demais no momento de puxar o fio.
Amostra 1 (mpa em carreiras): bordas alinhadas
Objetivo: treinar subida, primeiro ponto e último ponto sem “comer” ponto.
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Base: faça uma correntinha com 22 correntinhas (20 + 2 de subida).
Carreira 1:
- Faça 2 correntinhas de subida.
- Faça 1 mpa na 3ª correntinha a contar da agulha.
- Siga com 1 mpa em cada correntinha até o fim. Você deve terminar com 20 mpa.
Carreiras 2 a 6:
- Vire o trabalho.
- Faça 2 correntinhas de subida.
- Faça o primeiro mpa no primeiro ponto da carreira (logo ao lado da subida), para manter a contagem simples.
- Faça 1 mpa em cada ponto até o final, conferindo que há 20 mpa em todas as carreiras.
Checagem rápida de borda: as laterais devem formar “degraus” regulares. Se a borda estiver inclinando para dentro, você provavelmente está deixando de trabalhar o último ponto. Se estiver abrindo para fora, pode estar criando ponto extra no início.
Ponto alto (pa): passo a passo e consistência de altura
Como fazer 1 ponto alto
- Laçada na agulha (uma vez).
- Insira a agulha no ponto de base.
- Puxe o fio: você ficará com 3 laçadas na agulha.
- Laçada e puxe através de 2 laçadas (ficam 2 laçadas na agulha).
- Laçada e puxe através das 2 laçadas restantes.
Evite “ponto alto esticado” (altura irregular)
No pa, o erro mais comum é puxar o fio para cima demais no passo em que você fica com 3 laçadas na agulha. Isso cria pontos altos “moles” e com vãos. Para controlar:
- Ao puxar o fio, pare quando a laçada estiver na altura do topo dos pontos da carreira anterior, não acima.
- Faça o primeiro fechamento (de 2 laçadas) com a agulha levemente inclinada para baixo; isso ajuda a não alongar a laçada.
- Se alguns pontos ficarem mais altos que outros, repita conscientemente um “ritmo” fixo:
laçada → entra → puxa → fecha 2 → fecha 2com a mesma amplitude de movimento.
Amostra 2 (pa em carreiras): contagem e borda reta
Base: faça uma correntinha com 23 correntinhas (20 + 3 de subida).
Carreira 1:
- Faça 3 correntinhas de subida.
- Faça 1 pa na 4ª correntinha a contar da agulha.
- Siga com 1 pa em cada correntinha até o fim. Você deve terminar com 20 pa.
Carreiras 2 a 6 (padrão simples):
- Vire o trabalho.
- Faça 3 correntinhas de subida.
- Faça o primeiro pa no primeiro ponto da carreira.
- Trabalhe 1 pa em cada ponto até o final, conferindo 20 pa por carreira.
Observação: se você preferir que a correntinha de subida conte como ponto (muito comum em receitas), então você não faz o “primeiro pa no primeiro ponto”; em vez disso, considera a subida como o 1º pa e começa no ponto seguinte. O essencial é: o total por carreira precisa bater e a borda precisa ficar consistente.
Alinhando o primeiro e o último ponto da carreira
Como identificar o último ponto (onde mais se erra)
O último ponto costuma “sumir” porque a lateral forma uma pequena corrente/cordão. Para não perder:
- Antes de virar, olhe o topo do último ponto: ele tem um “V” bem definido.
- Depois de virar, procure esse “V” na borda: ele fica logo antes do cordão lateral.
- Se você estiver em dúvida, conte de trás para frente: marque mentalmente 5 pontos e confira se o último está incluído.
Marcadores de carreira (uso pontual para treinar precisão)
Para treinar alinhamento, use um marcador (ou um pedacinho de fio) apenas como guia:
- Coloque o marcador no primeiro ponto real da carreira (não na correntinha de subida).
- Ao chegar ao fim, confira se o último ponto trabalhado está alinhado com a coluna do marcador da carreira anterior.
Amostras comparativas: como o fio muda caimento e definição
O mesmo ponto pode parecer “outro” quando você troca a espessura do fio. Para perceber isso na prática, faça mini-amostras com o mesmo número de pontos e carreiras em fios diferentes.
Plano de comparação (mpa e pa)
Escolha dois fios contrastantes (por exemplo, um mais fino e outro mais grosso) e faça:
- 1 amostra de mpa: 20 pontos × 6 carreiras.
- 1 amostra de pa: 20 pontos × 6 carreiras.
Ao comparar, observe:
- Definição do ponto: o “V” do topo aparece mais nítido em alguns fios.
- Caimento: fios mais grossos tendem a deixar o tecido mais encorpado; fios mais finos tendem a ficar mais maleáveis (dependendo do ponto e da tensão).
- Espaçamento: no pa, fios mais grossos podem reduzir vãos; fios mais finos podem evidenciar “janelas” se as laçadas estiverem altas.
| O que observar | mpa | pa |
|---|---|---|
| Altura por carreira | Média | Alta |
| Facilidade de manter uniforme | Boa, mas pode “inchar” | Exige controle para não “esticar” |
| Vãos entre pontos | Menores | Mais prováveis se a laçada subir demais |
Exercícios para ganhar velocidade com precisão
Velocidade no crochê vem de repetição com consistência, não de acelerar sem controle. Use cronômetro apenas como referência, mantendo a contagem e a forma do ponto.
Exercício 1: repetição controlada (ritmo fixo)
Objetivo: automatizar a sequência do ponto sem variar altura.
- Escolha mpa ou pa.
- Faça 1 carreira de 20 pontos em ritmo confortável.
- Na carreira seguinte, repita tentando manter o mesmo tempo por ponto, sem puxar laçadas mais altas.
- Faça 5 carreiras e compare visualmente: as colunas devem ter altura parecida.
Dica prática: fale mentalmente a sequência enquanto faz (ex.: no pa, laçada–entra–puxa–fecha2–fecha2). Isso reduz pausas e evita movimentos extras.
Exercício 2: conferência de contagem por carreira (sem “crescer” nem “diminuir”)
Objetivo: treinar contagem rápida e bordas retas.
- Faça uma amostra de 20 pontos.
- Ao final de cada carreira, conte os pontos (20).
- Se der 19 ou 21, desfaça apenas até o erro e refaça.
Atalho de checagem: conte de 5 em 5 (marcando mentalmente): 5, 10, 15, 20.
Exercício 3: correção de pontos inclinados (colunas tortas)
Sintoma: as colunas de pontos “andam” para um lado, mesmo com a contagem certa.
Causas comuns:
- Inserir a agulha em partes diferentes do ponto (às vezes pegando só uma alça, às vezes as duas).
- Variar a posição do ponto de entrada no início da carreira (pular ou duplicar o primeiro ponto).
- Laçadas com alturas diferentes, criando pontos que “puxam” o tecido.
Correção guiada (2 carreiras):
- Escolha uma carreira onde você percebe a inclinação.
- Na próxima carreira, decida conscientemente: sempre pegar as duas alças do “V” do topo do ponto.
- Faça os 5 primeiros pontos bem devagar, verificando se cada ponto nasce exatamente no topo do ponto anterior.
- Continue a carreira mantendo o mesmo gesto. Repita por mais 1 carreira.
Se a inclinação persistir, volte a observar o último ponto da carreira: muitas vezes ele está sendo omitido ou trabalhado no lugar errado, o que desloca a borda e “puxa” as colunas.