O que você vai aprender aqui
Neste capítulo, você vai dominar três fundamentos que aparecem em praticamente qualquer receita: o nó corrediço (para começar), a correntinha (base de muitas peças) e o ponto baixíssimo (para unir, fechar e “andar” pelo trabalho). A meta é executar esses passos com tensão estável e acabamento limpo, evitando travas, torções e contagens erradas.
Nó corrediço (nó inicial) sem travar o fio
Conceito
O nó corrediço é um laço ajustável que prende o fio na agulha sem virar um “nó fixo” no ponto. Ele deve apertar e afrouxar com facilidade para você regular a primeira laçada na agulha.
Passo a passo: nó corrediço clássico
- 1) Faça uma alça: cruze o fio formando um “X”, deixando uma ponta curta (ponta solta) e o fio que vai para o novelo (fio de trabalho).
- 2) Pegue o fio de trabalho por dentro: com os dedos, puxe um pedaço do fio de trabalho através da alça, formando um novo laço.
- 3) Coloque na agulha: passe a agulha dentro do laço novo.
- 4) Ajuste sem travar: puxe levemente o fio de trabalho para apertar o laço na agulha. Para afrouxar, puxe o laço com os dedos (não a ponta solta).
Como ajustar a primeira laçada na agulha (tamanho correto)
A laçada do nó corrediço deve encostar na agulha, mas deslizar. Um teste simples: mova a laçada para cima e para baixo no “pescoço” da agulha. Se ela “agarra”, está apertada demais.
- Se travar: segure o nó com os dedos e puxe um pouco do laço (a parte que está na agulha) para aumentar a folga; depois reajuste puxando o fio de trabalho com suavidade.
- Se ficar frouxa demais: puxe o fio de trabalho até a laçada encostar na agulha sem deformar o fio.
Erros comuns e correções rápidas
- Erro: apertar puxando a ponta solta. Isso tende a travar o nó. Correção: sempre ajuste puxando o fio de trabalho.
- Erro: nó virar “bolinha” fixa. Ocorre quando o cruzamento inicial foi feito de forma que o laço não corre. Correção: refaça o nó garantindo que o laço que vai para a agulha foi puxado do fio de trabalho.
Correntinha (corr): base uniforme e contagem correta
Conceito
A correntinha é uma sequência de laçadas puxadas uma dentro da outra. Ela tem um lado com “Vzinhos” (as alças) e um lado com “barriguinhas” (um relevo). Em receitas, ela aparece como corr, corr. ou ch (em inglês).
Onde inserir a agulha para fazer correntinhas
Para fazer correntinhas, você não insere a agulha em nenhum ponto. Você trabalha sempre na laçada que está na agulha: laça o fio e puxa através dessa laçada.
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Passo a passo: construir correntinhas uniformes
- 1) Comece com o nó corrediço na agulha e ajuste a laçada para deslizar.
- 2) Laçar (yarn over): passe o fio de trabalho por cima da agulha (ou “pegue” o fio com a agulha, conforme seu movimento preferido), formando uma nova laçada.
- 3) Puxar: puxe o fio laçado através da laçada que já estava na agulha. Isso forma 1 correntinha.
- 4) Repita: cada vez que você laça e puxa através da laçada na agulha, você cria mais 1 correntinha.
Como manter o tamanho das correntinhas igual
- Use o “pescoço” da agulha: após puxar a laçada, deslize-a até a parte mais grossa (pescoço) antes de fazer a próxima corr. Isso ajuda a padronizar o tamanho.
- Evite puxar para cima: puxar a laçada “no ar” tende a apertar. Prefira puxar e imediatamente apoiar a laçada no pescoço da agulha.
- Ritmo constante: faça o movimento em três micro-etapas repetíveis:
laça → puxa → ajusta no pescoço.
Como contar correntinhas sem confundir nó e primeira corrente
O nó corrediço não conta como correntinha. Para contar:
- Olhe para a borda da correntinha e identifique os “Vzinhos”. Cada “V” completo é 1 correntinha.
- O nó corrediço costuma parecer um “nó” ou um cruzamento sem formato de “V” regular. Ele fica antes do primeiro “V”.
- Conte a partir do primeiro V após o nó.
Exemplo prático: se a receita pede 15 corr, você deve ver 15 “Vzinhos” alinhados. O nó inicial fica fora dessa contagem.
Identificando e evitando torção de correntinhas
Torção acontece quando a corrente “vira” e você perde a orientação do lado dos “Vzinhos”. Isso atrapalha principalmente ao trabalhar a primeira carreira sobre a corrente ou ao unir em círculo.
- Sinal de torção: os “Vzinhos” não ficam todos voltados para o mesmo lado; a corrente parece “espiralada”.
- Como evitar: antes de unir ou começar a primeira carreira, estique a corrente sobre a mesa e alinhe os “Vzinhos” para cima.
- Dica de controle: segure a corrente perto da agulha e deixe o restante cair; se ela girar sozinha, pare e reoriente os “Vzinhos”.
Ponto baixíssimo (pbx): fechar, unir e deslocar com acabamento limpo
Conceito
O ponto baixíssimo é o ponto mais baixo do crochê: ele prende o fio com mínima altura. Serve para unir em círculo, fechar carreiras, finalizar bordas e também para deslocar a agulha até outro ponto sem aumentar a altura do trabalho. Em receitas, aparece como pbx, p.bx ou sl st (em inglês).
Passo a passo: como fazer 1 ponto baixíssimo
- 1) Insira a agulha no ponto indicado (ou na correntinha, se estiver trabalhando sobre a base).
- 2) Laçe o fio.
- 3) Puxe o fio atravessando o ponto e direto pela laçada que já estava na agulha (você termina com 1 laçada na agulha).
Comparação rápida: no ponto baixo você “puxa e fica com 2 laçadas, depois fecha”; no pbx você puxa e já fecha em um movimento.
Quando usar: unir em círculo (sem torcer)
Uso típico: fazer uma corrente de base e unir a primeira e a última correntinha para formar um anel.
- 1) Faça a quantidade de correntinhas pedida.
- 2) Alinhe a corrente com os “Vzinhos” voltados para o mesmo lado (sem torção).
- 3) Insira a agulha na primeira correntinha (no “V” dela, conforme a receita).
- 4) Faça 1 pbx para unir.
Acabamento limpo: ao unir, evite apertar demais o pbx; se ele ficar muito justo, o círculo pode “repuxar” e dificultar a próxima carreira.
Quando usar: fechar carreiras
Em trabalhos circulares, é comum terminar uma carreira e fechar com pbx no primeiro ponto da carreira (ou em uma corr de subida, dependendo da construção).
- 1) Termine o último ponto da carreira.
- 2) Localize o ponto de fechamento (geralmente o primeiro ponto feito na carreira).
- 3) Faça 1 pbx para fechar.
Se o fechamento ficar “saltado” (um degrau visível), experimente manter o pbx com tensão um pouco mais solta e inserir a agulha de forma consistente (sempre no mesmo tipo de alça que você escolheu para o projeto).
Quando usar: deslocamento (andar com pbx)
Você pode usar pbx para mover a agulha até outro ponto sem criar altura. Exemplo: ao terminar uma carreira, você precisa começar a próxima em outro ponto mais adiante.
- Faça pbx em sequência pelos pontos necessários até chegar ao local desejado.
- Evite muitos pbx seguidos em áreas que precisam de elasticidade, porque eles podem deixar a borda rígida.
Exercícios de controle (regularidade, contagem e torção)
Exercício 1: nó corrediço ajustável (meta: 10 repetições iguais)
- Meta: fazer 10 nós corrediços que apertam e afrouxam sem travar.
- Checklist: a laçada desliza no pescoço da agulha; ao puxar o fio de trabalho, aperta; ao puxar o laço com os dedos, afrouxa.
- Se travar: refaça e observe se você apertou pela ponta solta.
Exercício 2: amostra de correntinhas uniformes (meta: 3 tiras com variação mínima)
- Faça 3 tiras de
25 corrcada. - Meta de regularidade: ao colocar as tiras lado a lado, elas devem ter comprimentos muito próximos (diferença pequena e visível apenas de perto).
- Autoavaliação: procure “gargalos” (corr apertada) e “barrigas” (corr frouxa). Marque com um clipe ou fio contrastante onde isso acontece para perceber seu padrão de erro.
Exercício 3: contagem sem erro (meta: contar 25 corr em 3 métodos)
Na mesma tira de 25 corr, conte de três formas e compare:
- Método A: conte os “Vzinhos” um a um.
- Método B: conte de 5 em 5 (marcando mentalmente 5, 10, 15, 20, 25).
- Método C: conte do fim para o começo para confirmar.
Se der números diferentes, o erro mais comum é incluir o nó corrediço ou pular o primeiro “V”. Volte e identifique onde está o nó (ele não forma um “V” completo).
Exercício 4: unir em círculo sem torção (meta: 5 anéis perfeitos)
- Faça 12 corr.
- Antes de unir: estique a corrente e alinhe os “Vzinhos” para o mesmo lado.
- Una com 1 pbx na primeira corr.
- Critério de sucesso: o anel fica plano, sem “meia-volta” na corrente.
Se torcer: desfaça apenas o pbx de união, reoriente a corrente e una novamente. Não compensa “forçar” a torção, porque ela aparece nas carreiras seguintes.
Exercício 5: fechamento de carreira com pbx (meta: 3 fechamentos discretos)
- Faça um anel com 12 corr e una com pbx.
- Trabalhe uma volta de pontos simples (o tipo de ponto não importa aqui; o foco é o fechamento).
- Feche com pbx no ponto indicado e observe o “degrau”.
- Ajuste: repita mais 2 vezes testando tensão do pbx (um pouco mais solto vs. mais firme) e escolha a que deixa o fechamento mais discreto.
Resumo de leitura de receita (símbolos e anotações úteis)
| Elemento | Como aparece | O que fazer |
|---|---|---|
| Nó inicial | pode não aparecer | Começar com nó corrediço na agulha |
| Correntinha | corr, corr., ch | Laçar e puxar através da laçada na agulha |
| Ponto baixíssimo | pbx, p.bx, sl st | Inserir, laçar e puxar direto por dentro da laçada da agulha |
| Unir em círculo | fechar com pbx | Alinhar corr sem torção e unir na primeira corr |
| Fechar carreira | fechar com pbx | Pbx no ponto de fechamento para completar a volta |