Crochê para iniciantes: círculo mágico, trabalho circular e aumento uniforme

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Conceito: por que o início e os aumentos determinam o formato

Trabalhar em círculo é a base de muitos projetos (amigurumi, sousplats, bases de bolsas, boinas). O resultado depende de três decisões: como formar o centro (círculo mágico ou anel de correntinhas), como avançar as carreiras (fechadas ou em espiral) e como distribuir aumentos para manter a peça plana. Se o centro fica com “buraco”, se a emenda aparece ou se o disco começa a ondular/encurvar, quase sempre é ajuste nessas três partes.

Círculo mágico (anel ajustável)

Quando usar

  • Indicado quando você quer o centro bem fechado (amigurumi, gorros, bases pequenas, motivos que não podem ter furo).
  • Evite se você ainda não se sente seguro com a tensão do fio no anel ou se o fio é muito escorregadio e tende a afrouxar; nesse caso, use o anel de correntinhas.

Passo a passo (prático)

Objetivo: criar um anel que aperta e fecha o centro depois que a 1ª carreira estiver pronta.

  1. Forme o laço: deixe uma ponta de fio (cauda) e cruze o fio formando um círculo. A cauda deve ficar livre para puxar depois.

  2. Prenda o laço na agulha: introduza a agulha por dentro do círculo, laçe o fio de trabalho e puxe uma laçada para a agulha.

  3. Subida: faça a correntinha de subida necessária ao ponto que você vai usar na 1ª carreira (ex.: 1 corr para ponto baixo; 2 corr para meio ponto alto; 3 corr para ponto alto). Essa correntinha conta como ponto apenas se a receita disser.

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  4. Trabalhe os pontos dentro do anel: faça a quantidade de pontos indicada, sempre pegando o fio de trabalho e mantendo o anel aberto o suficiente para a agulha passar.

  5. Feche o centro: segure os pontos com os dedos e puxe a cauda até o centro fechar. Se travar, puxe aos poucos, alternando puxadas leves e ajustando os pontos para não “engasgar”.

  6. Trave a cauda: depois de fechar, trabalhe a próxima carreira normalmente e, ao arrematar, esconda bem a cauda para evitar que o centro reabra com o uso.

Dicas de controle

  • Se o centro não fecha totalmente, é comum haver um ponto “preso” no fio da cauda. Afrouxe levemente os pontos e puxe novamente.
  • Se o anel abre depois, a cauda pode não ter sido bem escondida. Em peças de uso intenso, esconda a cauda em zigue-zague por mais pontos.

Alternativa: anel com correntinhas (para quem tem dificuldade com o círculo mágico)

Quando usar

  • Indicado para treinar trabalho circular com mais estabilidade, para fios escorregadios ou quando você prefere um centro com microfuro (ex.: alguns sousplats e motivos decorativos).
  • Limitação: sempre sobra um pequeno furo no centro (menor se você usar poucas correntinhas e puxar bem o fechamento).

Passo a passo (prático)

  1. Faça 2 a 4 correntinhas (o mais comum é 4; para centro menor, use 2 ou 3).

  2. Feche em anel com ponto baixíssimo na 1ª correntinha.

  3. Subida (correntinha de subida do ponto escolhido).

  4. Trabalhe a 1ª carreira fazendo os pontos dentro do anel (no “buraco” central), não nas correntinhas individualmente.

Carreiras circulares fechadas: como iniciar e fechar sem torcer a contagem

Em carreiras fechadas, cada volta termina com um fechamento e a próxima começa com uma subida. Isso cria uma “emenda” (uma linha vertical discreta) que pode ser desejável quando você quer carreiras bem definidas.

Estrutura básica de uma carreira fechada

  1. Subida: faça a correntinha de subida (conforme o ponto) no início da carreira.

  2. Trabalhe os pontos ao redor, seguindo a contagem.

  3. Feche: faça 1 ponto baixíssimo no topo da correntinha de subida (ou no 1º ponto, dependendo da receita).

Onde exatamente fechar (duas situações comuns)

  • Se a correntinha de subida conta como ponto: você fecha no topo dessa correntinha e, na carreira seguinte, a subida já “substitui” o primeiro ponto.
  • Se a correntinha de subida não conta como ponto: você faz a subida só para ganhar altura e o 1º ponto da carreira é feito no mesmo ponto da base; o fechamento costuma ser no 1º ponto real da carreira. (Siga o padrão da receita para não sobrar ou faltar ponto.)

Checagem rápida de contagem

Ao fechar a carreira, confira se o total de pontos bate com o esperado. Se você estiver com 1 ponto a mais, geralmente fechou no lugar errado ou contou a subida como ponto sem a receita pedir (ou o contrário).

Trabalho em espiral (sem fechar carreiras): usando marcador de pontos

Em espiral, você não fecha com ponto baixíssimo; você continua crocheting em volta, criando uma subida contínua. Isso evita a emenda e é muito usado em amigurumi e peças onde você quer aparência uniforme.

Como começar e manter a espiral

  1. Faça a 1ª carreira (no círculo mágico ou no anel de correntinhas).

  2. Marque o início da volta: coloque um marcador no primeiro ponto da volta (ou no último, desde que seja consistente). Pode ser marcador próprio, um pedacinho de fio contrastante ou um clipe.

  3. Continue sem fechar: ao chegar ao marcador, você não faz ponto baixíssimo; apenas move o marcador para o primeiro ponto da nova volta e segue.

Como saber onde está o “fim da volta”

  • O marcador é sua referência. Sem ele, é comum perder o início e errar aumentos/diminuições.
  • Se a receita pede “voltas” em espiral, trate cada volta como um bloco de contagem: quando você completar o número de pontos daquela volta, mova o marcador.

Aumentos em círculo: como manter a peça plana

Conceito

Para um círculo ficar plano, cada volta precisa ganhar pontos suficientes para compensar o aumento do perímetro. Na prática, isso significa aumentar de forma regular e espalhar os aumentos ao longo da volta, em vez de concentrar tudo no mesmo lugar.

O que é “aumento”

Aumento é fazer 2 pontos no mesmo ponto de base (ex.: 2 pontos baixos no mesmo ponto). Em receitas, pode aparecer como:

  • aum (aumento)
  • 2 pb no mesmo ponto
  • V (em alguns gráficos, um “V” indica dois pontos no mesmo ponto)

Distribuição uniforme (regra prática)

Um padrão comum para círculos em ponto baixo é aumentar a cada volta com um espaçamento crescente:

  • Volta 1: só pontos (base)
  • Volta 2: aumentos em todos os pontos
  • Volta 3: 1 ponto, 1 aumento (repetir)
  • Volta 4: 2 pontos, 1 aumento (repetir)
  • Volta 5: 3 pontos, 1 aumento (repetir)

O importante é: o número de aumentos por volta se mantém constante (para ponto baixo, frequentemente 6 aumentos por volta), e o que muda é a quantidade de pontos “simples” entre eles.

Onde posicionar os aumentos (para não criar “quinas”)

  • Evite alinhar aumentos exatamente um em cima do outro em todas as voltas; isso pode formar “gominhos”.
  • Uma forma simples de suavizar é deslocar o início do padrão em algumas voltas (por exemplo, começar com meio intervalo antes do primeiro aumento). Em carreiras fechadas, isso pode ser feito mudando o ponto de início; em espiral, você pode deslocar o padrão contando a partir do marcador.

Como diagnosticar problemas pelo formato

SinalO que está acontecendoComo corrigir
Ondulação/“babado” (borda franze e faz ondas)Aumentos demais (ou tensão muito frouxa)Desfaça 1 volta e refaça com menos aumentos (ou aumentos mais espaçados). Verifique se você não fez aumentos extras sem perceber.
Curvatura/“tigela” (começa a levantar)Aumentos de menos (ou tensão muito apertada)Adicione aumentos na volta seguinte (distribuídos) ou refaça a volta com mais aumentos. Confira se você não pulou pontos.
Hexágono marcado (seis “quinas”)Aumentos sempre alinhadosDesloque os aumentos nas voltas seguintes (intercale a posição) para arredondar visualmente.

Amostra guiada: disco plano em ponto baixo (treino de contagem e correção)

Objetivo: praticar (1) início com círculo mágico ou correntinhas, (2) fechamento de carreira ou espiral com marcador, (3) aumentos uniformes e leitura de sequência.

Escolha o método de trabalho

  • Opção A (carreiras fechadas): feche cada volta com ponto baixíssimo e faça 1 correntinha de subida (que não conta como ponto, neste treino).
  • Opção B (espiral): não feche; use marcador no 1º ponto de cada volta.

Voltas (padrão clássico com 6 aumentos por volta)

Volta 1: 6 pb no círculo mágico (ou dentro do anel de correntinhas). Total: 6.

Volta 2: 1 aum em cada ponto (2 pb em cada ponto). Total: 12.

Volta 3: (1 pb, 1 aum) repetir 6x. Total: 18.

Volta 4: (2 pb, 1 aum) repetir 6x. Total: 24.

Volta 5: (3 pb, 1 aum) repetir 6x. Total: 30.

Volta 6: (4 pb, 1 aum) repetir 6x. Total: 36.

Como ler e conferir a sequência

  • Em (2 pb, 1 aum), você faz 2 pontos “simples” em 2 pontos de base diferentes e depois faz 2 pontos no mesmo ponto (o aumento). Isso consome 3 pontos de base e gera 4 pontos na volta.
  • Se você terminar a volta e sobrar “espaço” antes do marcador/fechamento, você provavelmente pulou um ponto de base em algum momento.
  • Se você chegar ao marcador/fechamento antes de completar as repetições, você provavelmente fez aumento extra (ou colocou 2 pontos onde era para ser 1).

Correção guiada (sem adivinhar)

  1. Conte o total de pontos da volta (12, 18, 24, 30, 36...). Se não bater, não siga adiante: o erro se multiplica.

  2. Procure “pares” suspeitos: em ponto baixo, um aumento aparece como dois pontos saindo do mesmo ponto de base. Se você encontrar um par onde não deveria, desfaça até ali.

  3. Observe o formato: se já estiver ondulando na volta 4–6, reduza aumentos (por exemplo, faça uma volta com menos de 6 aumentos, bem distribuídos). Se estiver curvando, acrescente 1 ou 2 aumentos na próxima volta, distribuindo ao máximo.

  4. Ajuste de tensão: se sua mão apertar muito, o disco pode “encurvar” mesmo com contagem correta; se estiver muito frouxo, pode ondular. Antes de mudar a matemática, confira se os pontos estão com altura e firmeza semelhantes.

Variação rápida para treinar deslocamento de aumentos (círculo mais redondo)

Na Volta 4, em vez de começar direto com (2 pb, 1 aum), faça: 1 pb, depois (1 aum, 2 pb) repetir 5x, e finalize com 1 aum. A ideia é não deixar os aumentos “empilhados” sempre no mesmo alinhamento visual.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao fazer um disco circular em ponto baixo, o trabalho começou a ondular nas bordas (efeito “babado”). Qual ajuste é o mais indicado para voltar a deixá-lo plano?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Ondulação indica aumentos demais (ou tensão frouxa). A correção é reduzir/espalhar os aumentos e checar se foram feitos aumentos extras, para que o círculo volte a ficar plano.

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Crochê para iniciantes: diminuições e controle de forma sem deformar

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