Conceito: por que o início e os aumentos determinam o formato
Trabalhar em círculo é a base de muitos projetos (amigurumi, sousplats, bases de bolsas, boinas). O resultado depende de três decisões: como formar o centro (círculo mágico ou anel de correntinhas), como avançar as carreiras (fechadas ou em espiral) e como distribuir aumentos para manter a peça plana. Se o centro fica com “buraco”, se a emenda aparece ou se o disco começa a ondular/encurvar, quase sempre é ajuste nessas três partes.
Círculo mágico (anel ajustável)
Quando usar
- Indicado quando você quer o centro bem fechado (amigurumi, gorros, bases pequenas, motivos que não podem ter furo).
- Evite se você ainda não se sente seguro com a tensão do fio no anel ou se o fio é muito escorregadio e tende a afrouxar; nesse caso, use o anel de correntinhas.
Passo a passo (prático)
Objetivo: criar um anel que aperta e fecha o centro depois que a 1ª carreira estiver pronta.
Forme o laço: deixe uma ponta de fio (cauda) e cruze o fio formando um círculo. A cauda deve ficar livre para puxar depois.
Prenda o laço na agulha: introduza a agulha por dentro do círculo, laçe o fio de trabalho e puxe uma laçada para a agulha.
Subida: faça a correntinha de subida necessária ao ponto que você vai usar na 1ª carreira (ex.: 1 corr para ponto baixo; 2 corr para meio ponto alto; 3 corr para ponto alto). Essa correntinha conta como ponto apenas se a receita disser.
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Trabalhe os pontos dentro do anel: faça a quantidade de pontos indicada, sempre pegando o fio de trabalho e mantendo o anel aberto o suficiente para a agulha passar.
Feche o centro: segure os pontos com os dedos e puxe a cauda até o centro fechar. Se travar, puxe aos poucos, alternando puxadas leves e ajustando os pontos para não “engasgar”.
Trave a cauda: depois de fechar, trabalhe a próxima carreira normalmente e, ao arrematar, esconda bem a cauda para evitar que o centro reabra com o uso.
Dicas de controle
- Se o centro não fecha totalmente, é comum haver um ponto “preso” no fio da cauda. Afrouxe levemente os pontos e puxe novamente.
- Se o anel abre depois, a cauda pode não ter sido bem escondida. Em peças de uso intenso, esconda a cauda em zigue-zague por mais pontos.
Alternativa: anel com correntinhas (para quem tem dificuldade com o círculo mágico)
Quando usar
- Indicado para treinar trabalho circular com mais estabilidade, para fios escorregadios ou quando você prefere um centro com microfuro (ex.: alguns sousplats e motivos decorativos).
- Limitação: sempre sobra um pequeno furo no centro (menor se você usar poucas correntinhas e puxar bem o fechamento).
Passo a passo (prático)
Faça 2 a 4 correntinhas (o mais comum é 4; para centro menor, use 2 ou 3).
Feche em anel com ponto baixíssimo na 1ª correntinha.
Subida (correntinha de subida do ponto escolhido).
Trabalhe a 1ª carreira fazendo os pontos dentro do anel (no “buraco” central), não nas correntinhas individualmente.
Carreiras circulares fechadas: como iniciar e fechar sem torcer a contagem
Em carreiras fechadas, cada volta termina com um fechamento e a próxima começa com uma subida. Isso cria uma “emenda” (uma linha vertical discreta) que pode ser desejável quando você quer carreiras bem definidas.
Estrutura básica de uma carreira fechada
Subida: faça a correntinha de subida (conforme o ponto) no início da carreira.
Trabalhe os pontos ao redor, seguindo a contagem.
Feche: faça 1 ponto baixíssimo no topo da correntinha de subida (ou no 1º ponto, dependendo da receita).
Onde exatamente fechar (duas situações comuns)
- Se a correntinha de subida conta como ponto: você fecha no topo dessa correntinha e, na carreira seguinte, a subida já “substitui” o primeiro ponto.
- Se a correntinha de subida não conta como ponto: você faz a subida só para ganhar altura e o 1º ponto da carreira é feito no mesmo ponto da base; o fechamento costuma ser no 1º ponto real da carreira. (Siga o padrão da receita para não sobrar ou faltar ponto.)
Checagem rápida de contagem
Ao fechar a carreira, confira se o total de pontos bate com o esperado. Se você estiver com 1 ponto a mais, geralmente fechou no lugar errado ou contou a subida como ponto sem a receita pedir (ou o contrário).
Trabalho em espiral (sem fechar carreiras): usando marcador de pontos
Em espiral, você não fecha com ponto baixíssimo; você continua crocheting em volta, criando uma subida contínua. Isso evita a emenda e é muito usado em amigurumi e peças onde você quer aparência uniforme.
Como começar e manter a espiral
Faça a 1ª carreira (no círculo mágico ou no anel de correntinhas).
Marque o início da volta: coloque um marcador no primeiro ponto da volta (ou no último, desde que seja consistente). Pode ser marcador próprio, um pedacinho de fio contrastante ou um clipe.
Continue sem fechar: ao chegar ao marcador, você não faz ponto baixíssimo; apenas move o marcador para o primeiro ponto da nova volta e segue.
Como saber onde está o “fim da volta”
- O marcador é sua referência. Sem ele, é comum perder o início e errar aumentos/diminuições.
- Se a receita pede “voltas” em espiral, trate cada volta como um bloco de contagem: quando você completar o número de pontos daquela volta, mova o marcador.
Aumentos em círculo: como manter a peça plana
Conceito
Para um círculo ficar plano, cada volta precisa ganhar pontos suficientes para compensar o aumento do perímetro. Na prática, isso significa aumentar de forma regular e espalhar os aumentos ao longo da volta, em vez de concentrar tudo no mesmo lugar.
O que é “aumento”
Aumento é fazer 2 pontos no mesmo ponto de base (ex.: 2 pontos baixos no mesmo ponto). Em receitas, pode aparecer como:
aum(aumento)2 pb no mesmo pontoV(em alguns gráficos, um “V” indica dois pontos no mesmo ponto)
Distribuição uniforme (regra prática)
Um padrão comum para círculos em ponto baixo é aumentar a cada volta com um espaçamento crescente:
- Volta 1: só pontos (base)
- Volta 2: aumentos em todos os pontos
- Volta 3: 1 ponto, 1 aumento (repetir)
- Volta 4: 2 pontos, 1 aumento (repetir)
- Volta 5: 3 pontos, 1 aumento (repetir)
O importante é: o número de aumentos por volta se mantém constante (para ponto baixo, frequentemente 6 aumentos por volta), e o que muda é a quantidade de pontos “simples” entre eles.
Onde posicionar os aumentos (para não criar “quinas”)
- Evite alinhar aumentos exatamente um em cima do outro em todas as voltas; isso pode formar “gominhos”.
- Uma forma simples de suavizar é deslocar o início do padrão em algumas voltas (por exemplo, começar com meio intervalo antes do primeiro aumento). Em carreiras fechadas, isso pode ser feito mudando o ponto de início; em espiral, você pode deslocar o padrão contando a partir do marcador.
Como diagnosticar problemas pelo formato
| Sinal | O que está acontecendo | Como corrigir |
|---|---|---|
| Ondulação/“babado” (borda franze e faz ondas) | Aumentos demais (ou tensão muito frouxa) | Desfaça 1 volta e refaça com menos aumentos (ou aumentos mais espaçados). Verifique se você não fez aumentos extras sem perceber. |
| Curvatura/“tigela” (começa a levantar) | Aumentos de menos (ou tensão muito apertada) | Adicione aumentos na volta seguinte (distribuídos) ou refaça a volta com mais aumentos. Confira se você não pulou pontos. |
| Hexágono marcado (seis “quinas”) | Aumentos sempre alinhados | Desloque os aumentos nas voltas seguintes (intercale a posição) para arredondar visualmente. |
Amostra guiada: disco plano em ponto baixo (treino de contagem e correção)
Objetivo: praticar (1) início com círculo mágico ou correntinhas, (2) fechamento de carreira ou espiral com marcador, (3) aumentos uniformes e leitura de sequência.
Escolha o método de trabalho
- Opção A (carreiras fechadas): feche cada volta com ponto baixíssimo e faça 1 correntinha de subida (que não conta como ponto, neste treino).
- Opção B (espiral): não feche; use marcador no 1º ponto de cada volta.
Voltas (padrão clássico com 6 aumentos por volta)
Volta 1: 6 pb no círculo mágico (ou dentro do anel de correntinhas). Total: 6.
Volta 2: 1 aum em cada ponto (2 pb em cada ponto). Total: 12.
Volta 3: (1 pb, 1 aum) repetir 6x. Total: 18.
Volta 4: (2 pb, 1 aum) repetir 6x. Total: 24.
Volta 5: (3 pb, 1 aum) repetir 6x. Total: 30.
Volta 6: (4 pb, 1 aum) repetir 6x. Total: 36.
Como ler e conferir a sequência
- Em
(2 pb, 1 aum), você faz 2 pontos “simples” em 2 pontos de base diferentes e depois faz 2 pontos no mesmo ponto (o aumento). Isso consome 3 pontos de base e gera 4 pontos na volta. - Se você terminar a volta e sobrar “espaço” antes do marcador/fechamento, você provavelmente pulou um ponto de base em algum momento.
- Se você chegar ao marcador/fechamento antes de completar as repetições, você provavelmente fez aumento extra (ou colocou 2 pontos onde era para ser 1).
Correção guiada (sem adivinhar)
Conte o total de pontos da volta (12, 18, 24, 30, 36...). Se não bater, não siga adiante: o erro se multiplica.
Procure “pares” suspeitos: em ponto baixo, um aumento aparece como dois pontos saindo do mesmo ponto de base. Se você encontrar um par onde não deveria, desfaça até ali.
Observe o formato: se já estiver ondulando na volta 4–6, reduza aumentos (por exemplo, faça uma volta com menos de 6 aumentos, bem distribuídos). Se estiver curvando, acrescente 1 ou 2 aumentos na próxima volta, distribuindo ao máximo.
Ajuste de tensão: se sua mão apertar muito, o disco pode “encurvar” mesmo com contagem correta; se estiver muito frouxo, pode ondular. Antes de mudar a matemática, confira se os pontos estão com altura e firmeza semelhantes.
Variação rápida para treinar deslocamento de aumentos (círculo mais redondo)
Na Volta 4, em vez de começar direto com (2 pb, 1 aum), faça: 1 pb, depois (1 aum, 2 pb) repetir 5x, e finalize com 1 aum. A ideia é não deixar os aumentos “empilhados” sempre no mesmo alinhamento visual.