Como usar este capítulo (revisão estruturada)
Este capítulo consolida termos recorrentes da CPA-10 em um glossário por temas e, em seguida, organiza um roteiro de revisão por blocos. A ideia é você conseguir: (1) definir com clareza cada termo; (2) relacionar conceitos que caem juntos; (3) comparar produtos e decisões típicas de atendimento (produto x risco x liquidez x tributação).
Glossário essencial por temas
1) SFN (visão funcional, sem repetir estrutura detalhada)
- Regulação: criação de regras gerais para o mercado financeiro (o “o que pode e o que não pode”). Exemplo prático: regras sobre distribuição de produtos e transparência de informações ao cliente.
- Supervisão/Fiscalização: verificação do cumprimento das regras e aplicação de sanções quando necessário. Exemplo prático: apuração de irregularidades na oferta de produtos.
- Autorregulação: conjunto de normas e códigos de conduta criados pelo próprio mercado (entidades e participantes) para elevar padrões. Exemplo prático: regras de distribuição e classificação de fundos e materiais de divulgação.
- Intermediação financeira: atividade de conectar poupadores e tomadores de recursos, com gestão de riscos e prazos. Exemplo prático: captação via depósitos e concessão de crédito.
- Distribuição de produtos: oferta e venda de investimentos ao cliente, com dever de informação e adequação ao perfil. Exemplo prático: explicar riscos, custos e prazos antes da aplicação.
2) Economia e juros (conceitos que se conectam)
- Taxa Selic: taxa básica de juros da economia; influencia custo do dinheiro e rentabilidade de ativos pós-fixados. Exemplo prático: alta da Selic tende a elevar retorno de pós-fixados atrelados a CDI.
- CDI: taxa de referência do mercado interbancário; muito usada como benchmark de renda fixa e fundos. Exemplo prático: fundo DI busca acompanhar o CDI.
- Inflação: aumento generalizado de preços; afeta poder de compra e retorno real. Exemplo prático: investimento que rende 8% ao ano com inflação de 6% tem retorno real aproximado de 2% (antes de impostos e custos).
- Juro real: retorno acima da inflação. Exemplo prático: títulos indexados à inflação (IPCA+) buscam preservar poder de compra.
- Curva de juros: conjunto de taxas por prazo (curto, médio, longo). Exemplo prático: se taxas longas sobem, títulos prefixados longos tendem a cair de preço no mercado.
- Risco-país: percepção de risco de crédito soberano e estabilidade; pode afetar câmbio e juros. Exemplo prático: aumento de risco-país pode pressionar taxas futuras.
3) Renda fixa (termos de prova e de atendimento)
- Emissor: quem capta recursos (Tesouro, banco, empresa). Exemplo prático: CDB é emitido por banco; debênture por empresa.
- Indexador: referência para remuneração (CDI, Selic, IPCA). Exemplo prático: “110% do CDI” é pós-fixado; “IPCA + 5%” é híbrido.
- Prefixado: taxa definida no início. Conceito-chave: maior previsibilidade, mas sensível à marcação a mercado.
- Pós-fixado: taxa varia conforme indexador. Conceito-chave: tende a acompanhar juros correntes; costuma ter menor volatilidade de preço em prazos curtos.
- Híbrido: combina inflação + taxa fixa (ex.: IPCA + X). Conceito-chave: foco em retorno real.
- Marcação a mercado: atualização do preço do título pelo valor de mercado. Exemplo prático: se juros sobem, preço de prefixado cai; se juros caem, preço sobe.
- Liquidez: facilidade de converter em dinheiro sem perda relevante. Exemplo prático: “liquidez diária” permite resgate a qualquer dia útil; já títulos com vencimento podem ter venda antecipada com variação de preço.
- Fundo Garantidor de Créditos (FGC): proteção para certos produtos bancários, dentro de limites e regras. Exemplo prático: CDB pode ter cobertura; fundos de investimento não são cobertos.
- Prazo (vencimento): data final de pagamento. Conceito-chave: prazo influencia risco de mercado e liquidez.
4) Renda variável (termos recorrentes)
- Volatilidade: intensidade das oscilações de preço. Exemplo prático: ações tendem a ter maior volatilidade que títulos pós-fixados.
- Dividendos: parcela do lucro distribuída aos acionistas. Exemplo prático: investidor pode receber proventos mesmo sem vender a ação.
- Risco de mercado: possibilidade de perdas por oscilação de preços. Exemplo prático: queda do índice pode reduzir valor de uma carteira de ações.
- Liquidez de mercado: facilidade de negociar um ativo na bolsa. Exemplo prático: ações muito negociadas tendem a ter spreads menores.
- ETF: fundo negociado em bolsa que replica um índice. Exemplo prático: ETF de índice amplo dá diversificação com uma única compra.
5) Fundos de investimento (vocabulário operacional)
- Condomínio: estrutura coletiva em que cotistas compartilham resultados. Exemplo prático: ganhos e perdas são proporcionais às cotas.
- Cota: fração do patrimônio do fundo. Conceito-chave: o investidor compra cotas, não ativos diretamente.
- Administrador: responsável por aspectos legais e operacionais do fundo. Exemplo prático: garante cálculo de cota, informações e conformidade.
- Gestor: decide onde investir conforme a política do fundo. Exemplo prático: define alocação entre títulos, ações, derivativos (se permitido).
- Custodiante: guarda e controla os ativos do fundo. Exemplo prático: registra e liquida operações.
- Taxa de administração: remunera serviços de gestão/estrutura. Conceito-chave: reduz retorno líquido ao longo do tempo.
- Taxa de performance: cobrada quando o fundo supera um benchmark, conforme regra. Exemplo prático: “20% do que exceder o CDI”.
- Come-cotas: antecipação semestral de IR em alguns fundos. Conceito-chave: reduz número de cotas e afeta capitalização.
- Prazo de cotização e liquidação: tempo para converter resgate em dinheiro. Exemplo prático: D+1 para cotizar e D+2 para pagar significa que o dinheiro pode cair só após alguns dias úteis.
- Benchmark: referência de comparação de desempenho. Exemplo prático: CDI para fundos conservadores; índice de ações para fundos de ações.
6) Previdência (termos de produto e tributação)
- Fase de acumulação: período de aportes e formação de reserva. Exemplo prático: contribuições mensais em PGBL/VGBL.
- Fase de benefício: período de recebimento (renda) ou resgate. Exemplo prático: renda mensal por prazo certo.
- Carência: prazo mínimo para resgates/portabilidade conforme regras do plano. Conceito-chave: afeta liquidez.
- Portabilidade: transferência de recursos entre planos sem resgate (respeitando regras). Exemplo prático: mudar de fundo/entidade buscando outra política de investimento.
- Regime de tributação (progressivo x regressivo): forma de cálculo do IR no resgate/benefício. Conceito-chave: impacta o líquido recebido.
7) Riscos (linguagem de prova aplicada a produtos)
- Risco de crédito: chance de o emissor não pagar. Exemplo prático: debênture depende da saúde financeira da empresa.
- Risco de mercado: perdas por variação de preços/taxas. Exemplo prático: prefixado longo oscila com juros.
- Risco de liquidez: dificuldade de vender/resgatar sem perda relevante. Exemplo prático: fundo com resgate longo pode não atender necessidade imediata.
- Risco operacional: falhas de processos, sistemas ou pessoas. Exemplo prático: erro de processamento de ordem.
- Risco sistêmico: eventos que afetam o sistema financeiro como um todo. Exemplo prático: crise que eleva aversão a risco e seca liquidez.
- Diversificação: distribuição de investimentos para reduzir risco específico. Exemplo prático: combinar emissores e classes de ativos.
8) Tributação (termos que mudam o retorno líquido)
- IR (Imposto de Renda): incide sobre ganhos conforme regras do produto. Exemplo prático: renda fixa geralmente segue tabela regressiva por prazo.
- IOF: imposto que pode incidir em resgates de curto prazo em alguns produtos. Conceito-chave: desestimula saques muito rápidos.
- Alíquota: percentual de imposto aplicado. Exemplo prático: alíquota menor em prazos maiores na tabela regressiva.
- Base de cálculo: valor sobre o qual o imposto é calculado. Exemplo prático: em muitos casos, é o rendimento (ganho), não o principal.
- Custos: taxas e despesas que reduzem retorno. Exemplo prático: taxa de administração em fundos; spread em alguns produtos.
9) Suitability (termos de adequação e registro)
- Perfil do investidor: classificação baseada em objetivos, horizonte, conhecimento e tolerância a risco. Exemplo prático: conservador tende a priorizar liquidez e baixa volatilidade.
- Objetivo: finalidade do investimento (reserva, curto prazo, aposentadoria). Conceito-chave: objetivo define prazo e tolerância a oscilação.
- Horizonte de investimento: tempo até precisar do dinheiro. Exemplo prático: horizonte curto combina com alta liquidez e menor risco de mercado.
- Capacidade financeira: quanto o cliente pode investir e suportar perdas sem comprometer orçamento. Exemplo prático: evitar produto volátil para quem não suporta oscilações.
- Registro de recomendação: documentação do que foi ofertado e por quê. Conceito-chave: evidencia transparência e adequação.
Roteiro de conteúdos por tópicos (revisão em sequência lógica)
Bloco 1 — Linguagem do mercado: taxas, inflação e referências
O que revisar neste bloco: como Selic, CDI, inflação e curva de juros se conectam com rentabilidade e preço dos ativos.
- Definições para dominar: Selic, CDI, inflação, juro real, curva de juros, benchmark.
- Comparações para saber fazer: pós-fixado x prefixado (sensibilidade a juros); retorno nominal x retorno real.
Checklist de relações-chave (Bloco 1)
- Selic ↑ → tende a elevar retornos de pós-fixados atrelados a CDI/Selic.
- Juros futuros ↑ → preço de títulos prefixados/híbridos no mercado tende a ↓ (marcação a mercado).
- Inflação ↑ → importância de retorno real ↑; produtos indexados ao IPCA ganham relevância.
Bloco 2 — Renda fixa aplicada: emissor, indexador, prazo e marcação a mercado
O que revisar neste bloco: como descrever um título de renda fixa em quatro dimensões: quem emite, como remunera, quando paga e como oscila.
- Definições para dominar: emissor, indexador, prefixado/pós/híbrido, vencimento, liquidez, marcação a mercado, risco de crédito.
- Comparações para saber fazer: liquidez diária x vencimento; FGC (quando existe) x ausência de garantia; risco de crédito (banco/empresa/governo) em termos gerais.
Passo a passo prático: como explicar um produto de renda fixa ao cliente (sem recomendar)
- Identifique o emissor e explique o que isso significa para risco de crédito (ex.: banco, empresa, governo).
- Descreva a remuneração: prefixada, pós-fixada ou híbrida; informe o indexador e a taxa.
- Explique o prazo: vencimento e possibilidade (ou não) de resgate/venda antes do vencimento.
- Traduza a liquidez: quando o dinheiro pode voltar para a conta e se há carência.
- Mostre o principal risco: crédito e/ou mercado (marcação a mercado), conforme o caso.
- Finalize com custos e impostos: IR/IOF quando aplicável e impacto no retorno líquido.
Checklist produto x risco x liquidez x tributação (Bloco 2)
| Dimensão | Pergunta que você deve conseguir responder | Exemplo de resposta esperada |
|---|---|---|
| Produto | Qual é o instrumento? | “É um título de renda fixa emitido por um banco/empresa/governo.” |
| Risco | Qual risco domina? | “Crédito do emissor” e/ou “mercado por marcação a mercado”. |
| Liquidez | Quando consigo resgatar? | “Diária” ou “somente no vencimento” ou “venda antecipada com preço de mercado”. |
| Tributação | Quais impostos/custos afetam o líquido? | “IR conforme regra do produto; IOF se resgate muito curto; taxas se houver.” |
Bloco 3 — Renda variável: oscilação, liquidez e instrumentos de acesso
O que revisar neste bloco: como descrever renda variável com foco em volatilidade, risco de mercado e formas comuns de exposição (ações e ETFs).
- Definições para dominar: volatilidade, risco de mercado, dividendos, liquidez de mercado, ETF.
- Comparações para saber fazer: ação individual x ETF (diversificação); renda variável x renda fixa (previsibilidade x oscilação).
Checklist de relações-chave (Bloco 3)
- Maior potencial de oscilação → maior necessidade de horizonte compatível.
- Diversificação (ex.: ETF) → reduz risco específico, não elimina risco de mercado.
- Liquidez de mercado alta → tende a facilitar compra/venda com menor spread.
Bloco 4 — Fundos: papéis, taxas, prazos e efeitos no retorno
O que revisar neste bloco: como funciona o “motor” de um fundo (cotas, prestadores, taxas) e como isso aparece para o cliente (rentabilidade, prazos de resgate, tributação).
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- Definições para dominar: cota, condomínio, administrador, gestor, custodiante, taxa de administração, taxa de performance, benchmark, cotização, liquidação, come-cotas.
- Comparações para saber fazer: taxa de administração x performance (o que cada uma cobra); D+0/D+1/D+30 (impacto na liquidez); fundo x investimento direto (simplicidade x custos).
Passo a passo prático: como “ler” um fundo a partir de informações essenciais
- Identifique a classe e objetivo (ex.: referenciado, renda fixa, multimercado, ações) e o benchmark.
- Verifique taxas: administração e performance (se houver) e entenda quando são cobradas.
- Cheque prazos: cotização e liquidação do resgate (liquidez real).
- Entenda tributação: se há come-cotas e como o IR incide no resgate.
- Conecte risco: quais ativos predominam e qual risco tende a ser mais relevante (mercado, crédito, liquidez).
Checklist fundo x risco x liquidez x tributação (Bloco 4)
- Risco: depende da política de investimento (não do “nome” do fundo).
- Liquidez: depende de cotização + liquidação (não apenas “aceita resgate”).
- Tributação: pode haver come-cotas (antecipação) e IR no resgate.
- Custo: taxas reduzem retorno líquido; comparar fundos exige olhar custos e benchmark.
Bloco 5 — Previdência: fases, carência, portabilidade e regimes de IR
O que revisar neste bloco: termos operacionais (acumulação/benefício), regras de movimentação (carência/portabilidade) e o impacto do regime tributário.
- Definições para dominar: acumulação, benefício, carência, portabilidade, progressivo, regressivo.
- Comparações para saber fazer: progressivo x regressivo (lógica de cálculo); resgate x renda (forma de recebimento); previdência x fundo (regras e finalidade do produto).
Checklist de relações-chave (Bloco 5)
- Carência e regras do plano → determinam liquidez prática.
- Regime de IR escolhido → altera imposto no resgate/benefício.
- Portabilidade → troca de plano sem “sair” do produto (conforme regras).
Bloco 6 — Riscos: identificar, nomear e associar ao produto
O que revisar neste bloco: mapear o risco dominante de cada classe e reconhecer quando há combinação de riscos.
- Definições para dominar: crédito, mercado, liquidez, operacional, sistêmico, diversificação.
- Comparações para saber fazer: risco de crédito x risco de mercado (o que causa perda em cada um); risco de liquidez em produto com resgate longo x produto com liquidez diária.
Passo a passo prático: identificar o risco dominante de um produto
- Veja o emissor/contraparte: se depende de pagamento do emissor, há risco de crédito.
- Veja se há preço de mercado: se o valor oscila com juros/bolsa/câmbio, há risco de mercado.
- Veja a janela de saída: se resgate é demorado ou restrito, há risco de liquidez.
- Veja a estrutura: se é fundo, avalie política e prazos; se é título, avalie vencimento e marcação a mercado.
Bloco 7 — Tributação e custos: do bruto ao líquido
O que revisar neste bloco: transformar rentabilidade “bruta” em “líquida” considerando IR/IOF e taxas.
- Definições para dominar: alíquota, base de cálculo, IR, IOF, custos (taxas).
- Comparações para saber fazer: retorno bruto x líquido; produto com taxa alta x taxa baixa (efeito no longo prazo); resgate curto x longo (efeito de IOF/IR quando aplicável).
Checklist: perguntas obrigatórias sobre tributação/custos (Bloco 7)
- Incide IR? Em que momento (no resgate, semestralmente, na fonte)?
- Incide IOF em resgate curto?
- Quais taxas existem (administração, performance, carregamento quando aplicável)?
- O imposto incide sobre rendimento ou sobre o total?
Bloco 8 — Suitability: adequação, evidências e coerência da oferta
O que revisar neste bloco: como conectar perfil, objetivo e horizonte às características do produto, garantindo registro e transparência.
- Definições para dominar: perfil, objetivo, horizonte, capacidade financeira, registro de recomendação.
- Comparações para saber fazer: produto de alta volatilidade x perfil conservador; liquidez baixa x objetivo de curto prazo; risco de crédito elevado x baixa capacidade de perda.
Checklist de coerência (perfil x produto)
| Elemento do cliente | O que precisa estar coerente | Exemplo de checagem |
|---|---|---|
| Objetivo | Produto atende a finalidade? | Reserva de emergência pede alta liquidez e baixa oscilação. |
| Horizonte | Prazo do produto é compatível? | Se pode precisar em 30 dias, evitar resgate D+30. |
| Tolerância a risco | Oscilação é aceitável? | Se não aceita perdas temporárias, evitar alta volatilidade. |
| Capacidade financeira | Perdas possíveis cabem no orçamento? | Evitar concentração e riscos elevados para quem não suporta. |
Mapa rápido de comparações que mais caem (sem repetir teoria)
- Prefixado x Pós-fixado: previsibilidade de taxa x acompanhamento do indexador; sensibilidade a juros (marcação a mercado) tende a ser mais evidente no prefixado, especialmente em prazos longos.
- IPCA+ x CDI: foco em retorno real (inflação + taxa) x foco em acompanhar juros correntes.
- Ação x ETF: concentração em empresa x diversificação via índice; ambos com risco de mercado.
- Fundo x título direto: gestão profissional e diversificação x custos e regras do fundo (taxas, prazos, come-cotas quando aplicável).
- Resgate rápido x resgate longo: maior flexibilidade x possível prêmio de prazo; sempre checar cotização/liquidação.
- Retorno bruto x retorno líquido: considerar IR/IOF e taxas antes de comparar alternativas.